"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade" George Orwell

domingo, 10 de janeiro de 2021

Crônica: A Letra é nosso Café Van Gogh

10/01/2021_

Por Luiz Fernando Cardoso* – O ano de 2021, também conhecido como "segunda temporada de 2020", começou com uma péssima notícia, e nem estou me referindo ao atraso da vacinação contra covid-19 no Brasil ou à invasão do Capitólio por trumpistas, em Washington. A Letra Café, lá de Pato Branco, vai fechar! Sim, pode crer. Fosse esta uma postagem de rede social, certamente, teria usado um emoji de choro.

A esposa do cronista: Ines Hartmann na Letra, em dezembro de 2016 – Foto: Arquivo Pessoal 
Perceba a relevância do assunto. Moro há anos em Maringá, distante cerca de 425 km de Pato Branco, e estou chateado com as notícias sobre a cafeteria mais tradicional da cidade onde cresci. Bem que alguém poderia me beliscar e dizer que tudo não passou de uma "pegadinha do Malandro".

Até os 23 anos, quando me formei em Jornalismo e deixei Pato Branco, fui um frequentador assíduo da Letra. Alguns trocados do meu dinheiro de estagiário ficaram por lá. Minhas principais companhias de cafezinho eram meu irmão do meio, o copeliano Eduardo Cardoso de Oliveira, e o amigo de infância Fernando Luiz de Santi, programador que hoje vive em Campinas – onde, creio eu, não faltam boas cafeterias. Na fase adulta, toda ida a Pato Branco demandava alguns pit stops na Letra. 


Para quem nunca esteve na cidade natal do Pato e do Rogério Ceni, a Letra fica no início da Rua Guarani, na quadra mais badalada de Pato Branco. Soube por meio de uma postagem do publicitário Léo Handa, que também lê Bukowski, que o local passará a "servir" remédios ao invés de café. "Mon Dieu de la France" (como diria meu professor de francês), parece piada de mau gosto. Com cerca de 85 mil habitantes (os locais dizem que é quase 100 mil), Pato Branco se encaminha para abrir sua milésima centésima primeira farmácia.  

Essa triste novidade me fez lembrar de um ocorrido lamentável em Maringá. Em fevereiro de 2020, o tradicionalíssimo Villa Gourmet Ristorante fechou. Minha esposa e eu sempre comemorávamos o aniversário de namoro na premiada casa de massas do chef Rodolfo Pedroso de Moraes. O local onde funcionava o Villa Gourmet era locado, e o ponto foi repassado pelo proprietário a uma rede de farmácias. Que falta faz aquele nhoque a Canaã nas datas especiais. Caberia aqui outro emoji de choro.

Terraço do Café à Noite
Odeio olhar para coisas triviais e ver que está tudo errado. Parece que o povo virou gado e que, agora, a moda é comer pasto. A humanidade precisa de mais pasta, café e cultura, e de menos remédios. A Letra é um patrimônio imaterial de Pato Branco, faz parte da história da cidade. De longe, não sei os detalhes sobre o fechamento, mas sei que a perda é imensurável. 


Sem medo de ser exagerado, a Letra é o Cafe Van Gogh de Pato Branco. Sabe a famosa tela "Terraço do Café à Noite"? A obra de Vincent van Gogh, pintada em 1888, retrata o Cafe La Nuit de Paris que existe até hoje. Tenho em casa uma réplica barata da obra de Van Gogh e, daqui em diante, sempre que eu olhar para meu quadro favorito vou pensar em duas coisas: ainda não visitei a famosa cafeteria parisiense (um sonho) e não tornarei mais a visitar a Letra Café. Aqui, mais um emoji de choro.

Livro Orfeu & Violeta. Amazon. Luiz Fernando Cardoso. Café com Jornalista

Editor do Café com Jornalista, Luiz Fernando Cardoso é jornalista e escritor, autor dos e-books de crônicas "Orfeu & Violeta", "Quero Café!" e "Nas Curvas de Maringá", todos publicados na Amazon.

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Vereadores Bravin e Altamir da Lotérica correm o risco de perder seus mandatos

10/01/2021_

Café com Jornalista – Os vereadores Belino Bravin (PSD) e Altamir da Lotérica (Pode), reeleitos em novembro com 4.170 e 3.840 votos, respectivamente, correm o risco de perder seus mandatos. É o que informa o Jornal do Povo na manchete deste domingo (10).

Os vereadores de Maringá Bravin e Altamir da Lotérica
Os vereadores Bravin e Altamir da Lotérica – Fotos: Marquinhos Oliveira/CMM
Segundo a reportagem, os parlamentares foram condenados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por contratarem parentes para os seus gabinetes. O processo teve início em 2006 e pode ser finalizado ainda este ano, com a cassação dos edis, que recorrem da sentença.


Advogado de Bravin e Altamir, Rapahel Luque diz que, à época, não havia vedação a parentes aptos a trabalhar. O que havia, segundo ele, era "a vedação para funcionário fantasma ou parente que não ia trabalhar". 


Ainda na entrevista ao Jornal do Povo, o advogado explica que, em 2008, uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a proibir a contratação de parentes até segundo grau na administração pública. "Antes dessa data, a Câmara fez a exoneração de todos os parentes, com a ação correndo (...). Portanto, não houve infração legal", recorda Luque.

Matéria é assinada por Gabriela Medrano
O risco da perda de mandato é apontado por um especialista em Direito Eleitoral consultado pelo Jornal do Povo. No entendimento de Celio Augusto Ferreira, Bravin e Altamir praticaram improbidade administrativa, podendo perder o mandato, segundo ele, ainda este ano.

"A decisão que lhes é desfavorável manteve o reconhecimento de improbidade administrativa por ato doloso nos fatos tidos como nepotismo, em razão da nomeação de parentes, o que acarreta em inelegibilidade", diz Ferreira.
O que se discute de momento no STJ, segundo a matéria, é se a Súmula Vinculante 13 do STF é retroativa ou não. Todos os detalhes constam da edição impressa, que pode ser adquirida nas bancas de Maringá. 




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