segunda-feira, 15 de março de 2021

Diretor de colégio público tem de ser multifuncional na pandemia

15/03/2021_

Das assessorias – A ideia rasa de uma parcela da comunidade, de que os professores estão de folga porque não há aulas presenciais, passa muito longe da realidade vivida pela categoria na pandemia. "Tenho trabalhado 20 vezes mais do que se a escola estivesse aberta. Todos têm trabalhado exaustivamente".

Valdirene Rezende Senegalhe, diretora do Panorama de Sarandi – Fotos: Arquivo Pessoal
Valdirene Rezende Senegalhe, diretora do Panorama de Sarandi – Fotos: Arquivo Pessoal
A frase acima é da professora de História Valdirene Rezende Senegalhe, que trabalha na rede estadual há 16 anos, sempre em Sarandi. Diretora do Colégio Estadual Jardim Panorama desde janeiro de 2020, ela conta que o horário regular de expediente, como era em situação de normalidade, não existe na pandemia.

"A qualquer horário os pais entram em contato. Eu respondo mensagens às 10h, 11h da noite. Domingo, sábado, feriado e dia santo, todo dia é dia de trabalho. Eu atendo porque a comunidade não tem culpa pelos problemas da pandemia. Tenho dó de não atender fora do horário", diz a diretora.
Moradora do Panorama há 30 anos, Valdirene tem sua casa distante apenas 200 metros do colégio. Para todas as necessidades, lá está a diretora. Abrir a escola para a instalação da internet? Chama a Valdirene. Receber a merenda? Também. Checagem do registro de água e luz? Idem.


Segundo Valdirene, no período da pandemia os diretores precisam ser multifuncionais para dar conta de tantas demandas. Como é muito conhecida de sua comunidade, muitas dúvidas, por exemplo, acabam sendo esclarecidas a alunos que a abordam na rua, na lotérica e no mercado. 

Uma faceta multifuncional da diretora está em sua atuação nas redes sociais. Além do WhatsApp Business do colégio, ela atende os alunos, pais e mães em seus perfis pessoais e também nas páginas do Panorama no Facebook e no Instagram. Tudo isso demanda trabalho e torna a jornada ainda mais exaustiva.

Para a diretora, a maioria dos professores tem se empenhado ao máximo, desdobrando-se para aprender novas ferramentas. E muitos estão esgotados com uma rotina árdua de trabalho, que inclui turno extra não remunerado. "Não existe essa história de estar em casa, de boa, recebendo sem trabalhar, como pensam algumas pessoas", conta.


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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista