segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Sindicato diz que responsabilidade pela greve é da TCCC/Cidade Verde

15/02/2021_

Café com Jornalista – A paralisação do transporte coletivo entra em sua segunda semana, nesta segunda (15), com apenas 15% da frota circulando. Para Sindicato dos Motoristas Rodoviários de Maringá (Sinttromar), a TCCC e a Cidade Verde – concessionárias do transporte urbano e metropolitano, respectivamente – são responsáveis pela greve. 

Ato de greve dos motoristas, na semana passada – Foto: Divulgação/Motoristas
Em seu site, o Sinttromar reclama de comunicadores patrocinados pela concessionária que têm espalhado fake news sobre a entidade sindical estar no comando da greve. Segundo o sindicato, cinco casos distintos desmentem essa inverdade e confirmam que a responsabilidade pelos prejuízos à população pela falta do transporte coletivo é da empresa.


São estas os cinco casos apresentados pelo sindicato:

  1. Nos dias 4 e 5 de fevereiro (quinta e sexta), funcionários da TCCC estiveram na Prefeitura de Maringá para pressionar o prefeito Ulisses Maia (PSD) a ajudar financeiramente a empresa, que não teria dinheiro para pagar o salário de janeiro. Ligados diretamente à empresa, por ocuparem cargos de confiança, esse pequeno grupo de funcionários ameaçou paralisar o serviço se o prefeito não tomasse providências. O salário deixou de ser pago pela TCCC, levando os trabalhadores a cruzarem os braços de forma espontânea, sem assembleia ou qualquer organização sindical;
  2. Desde a segunda-feira (8), primeiro dia da paralisação, o Sinttromar tem informado à imprensa se tratar de uma greve gerada pela empresa e iniciada de forma espontânea, sem participação da entidade sindical. Esse fato foi confirmado pelos trabalhadores em vídeo publicado nas redes sociais na terça (9). Ainda assim, parte da imprensa patrocinada pela TCCC prosseguiu com a divulgação de fake news sobre a greve;
  3. Nos primeiros dias, a greve atingiu adesão de 100%, levando a Prefeitura de Maringá a cobrar da TCCC/Cidade Verde a circulação de ao menos 30% da frota. Numa greve tradicional, a entidade sindical teria sofrido essa cobrança, e não a empresa. Nessa situação, fica evidente que a administração municipal compreende que a responsabilidade pela paralisação é da TCCC/Cidade Verde;
  4. Cumprindo ordens da Justiça, uma oficial de justiça acompanhou, nos dias 9 e 10, o cumprimento de uma liminar obtida pela TCCC para que dirigentes do Sinttromar não impedissem a saída dos ônibus das garangens. A liminar se mostrou inócua, uma vez que o sindicato não está na organização da greve, segundo constatação da própria oficial de justiça;
  5. O sindicato passou a cobrar da Prefeitura de Maringá providências contra a empresa por denúncias de locaute pela TCCC. Essa prática, proibida por lei no Brasil, ocorre quando o patrão deixa de oferecer condições básicas de trabalho aos seus empregados (como a falta de salário) em razão dos próprios interesses, e não dos trabalhadores. É sabido que a empresa alega prejuízo de R$ 24 milhões na pandemia, cobrando do município compensação financeira.

Reivindicação

No fim da tarde desta segunda (8), primeiro dia da greve, a empresa acabou encontrando recursos (que dizia não ter) para pagar integralmente o salário de janeiro. Isso ocorreu após a Prefeitura de Maringá ter cobrado da concessionária balancetes que comprovem a viabilidade da empresa sem seguir prestando o serviço. Naquela altura, Ulisses já havia levantado a possibilidade de quebra de contrato.

Contudo, o pagamento não resultou no fim da greve por conta de um passivo salarial anterior gerado pela empresa. A categoria passou a cobrar, como condição para encerrar a greve, a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), demanda que está pendente há quase um ano. Ou seja, nesse período, os motoristas estão sem receber a reposição da inflação sobre seus salários.


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* Matérias e opiniões publicadas no Café com Jornalista estão compreendidas pela atividade jornalística e amparadas pela liberdade de imprensa e de expressão. (Do editor)



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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista