quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Relato de oficial de justiça comprova que greve dos motoristas é espontânea, sem coordenação do sindicato da categoria

11/02/2021_

Do Sinttromar – Duas situações ocorridas na greve dos motoristas do transporte coletivo comprovam que o Sindicato dos Motoristas Rodoviários de Maringá (Sinttromar) não está à frente do movimento paredista. Uma delas é o relato da oficial de justiça Milaine Akahoshi Novaes, que esteve na garagem da TCCC (Avenida Monteiro Lobato, 473) na terça (9) e na quarta (10), cumprindo determinação judicial.

Paralisação dos motoristas – Foto: Milaine Akahoshi Novaes
Na terça, Milaine constatou que "nenhum ônibus saiu da garagem" e que ela não encontrou presença de sindicalistas. A constatação desmente fake news divulgadas por alguns comunicadores sobre o Sinttromar.

"Não encontrei representantes do sindicato suscitado no local [garagem da empresa]. E ao indagar a respeito do sindicato, todos eram unânimes em dizer que se tratava de uma “paralisação sem a presença sindical", relatou Milaine.
Além de o auto de constatação deixar claro que o movimento é autônomo e espontâneo, ficou claro a responsabilidade da TCCC como geradora da greve. Segundo o Sinttromar, já é sabido que a empresa contou com funcionários com cargos de confiança para pressionar o prefeito Ulisses Maia (PSD) a conceder a compensação financeira requisitada pela TCCC por conta de perdas na pandemia. A concessionária alega perdas na ordem de R$ 24 milhões.

"Diversos manifestantes afirmaram que tudo se iniciou porque, após a empresa suscitante [empresa] não pagar integralmente o salário, membros ocupantes de cargo de confiança da própria empresa, fomentaram a paralisação dos motoristas para que fossem usados como 'massa de manobra', a fim de pressionar a Prefeitura de Maringá para liberar verbas em razão da crise ocasionada pela pandemia", escreveu Milaine.
Na madrugada de quarta, a oficial de justiça voltou à garagem, desta vez acompanhada de policiais militares. O objetivo era assegurar o cumprimento de uma limitar obtida pela empresa para que o Sinttromar fosse impedido de barrar a saída dos ônibus. Essa foi a segunda situação a comprovar que o sindicato não está à frente da greve.



Clique para ler o documento
A medida liminar se mostrou inócua, uma vez que o sindicato, novamente, não estava diante da garagem. Segundo lideranças sindicais, a empresa usou de um expediente judicial para tentar colocar a população contra o Sinttromar.

Mais uma vez, a oficial de justiça constatou que: "Não encontrei representantes do sindicato suscitado no local". E ao indagar a respeito do sindicato, "todos eram unânimes em dizer que se tratava de uma paralisação sem a presença sindical".


Greve prossegue

A greve entrou nesta quinta (11) em seu quarto dia. Alguns ônibus saíram da garagem, mas a grande maioria dos motoristas segue mobilizada, segundo relatos dos próprios trabalhadores.


A empresa pagou o salário de janeiro, mas agora a categoria exige que a empresa pague valores atrasados e horas extras. Sem a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), os trabalhadores estão há quase um ano sem receber a reposição da inflação em seus salários.

A reposição da inflação, segundo os trabalhadores, tem feito falta para suas famílias. Ao contrário da realidade dos empresários, a renda mensa dos motoristas e bem mais baixa e, portanto, os altos preços do arroz, do óleo e carne e do gás de cozinha causa um grande impacto no orçamento doméstico.




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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista