terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Paralisação no transporte coletivo de Maringá e região continua nesta terça

09/02/2021_

Do Sinttromar – Motoristas e dirigentes do Sindicato dos Motoristas Rodoviários de Maringá (Sinttromar) se reuniram com secretários municipais, na segunda (8), no Paço Municipal, para tratar da paralisação dos trabalhadores da TCCC e Cidade Verde – concessionárias do transporte coletivo urbano e metropolitano, respectivamente. Com agenda em Curitiba, o prefeito Ulisses Maia (PSD) não participou do encontro.

Reunião de dirigentes sindicais e motoristas com a administração municipal e o vereador Mário Verri (PT) na segunda (8) – Foto: Luiz Fernando Cardoso/Sinttromar
Reunião de dirigentes sindicais e motoristas com a administração municipal e o vereador Mário Verri (PT) na segunda (8) – Foto: Luiz Fernando Cardoso/Sinttromar
O sindicato pediu que a Prefeitura de Maringá tome providências diante a postura da empresa, que deixou de pagar parte do salário de janeiro, motivando a greve. "Os trabalhadores só voltam a trabalhar depois que a empresa fizer o pagamento", explicou Ronaldo José da Silva, presidente do Sinttromar, durante a reunião.


O secretariado questionou o início da paralisação sem aviso prévio de 72 horas. Ronaldo lembrou à administração que o movimento paredista foi espontâneo, tendo partido dos próprios trabalhadores, sem passar pelo Sinttromar. Fosse esta uma greve organizada pelo sindicato, explicou o presidente, a decisão seria tomada em assembleia e o prazo legal teria sido respeitado.


A greve foi incitada por um pequeno grupo de funcionários que, segundo o sindicato, é de confiança da diretoria da empresa. Foram esses trabalhadores que, na semana passada, estiveram na Prefeitura para alertar que a empresa não teria condições de pagar os salários. Sob a alegação de prejuízo na ordem de R$ 24 milhões, a TCCC tem cobrado uma compensação financeira do município.

Segundo um motorista que participou da reunião desta segunda, o grupo ligado à empresa queria que, no primeiro dia de paralisação, os funcionários fizessem um protesto diante do Paço Municipal, cobrando os salários com pressão sobre o prefeito. A estratégia falhou, com os motoristas cruzando os braços, mas permanecendo diante da empresa para reivindicar o salário.

Em live na quinta (4), o vice-presidente Sinttromar, Emerson Viana Silva, levantou a suspeita de locaute por parte da TCCC. Ou seja, a empresa estaria – segundo a entidade sindical – se valendo do atraso salarial para colocar os trabalhadores contra a Prefeitura, a fim de conseguir uma compensação financeira do munípio. Essa prática, que configura locaute, é ilegal no Brasil, sendo proibida pelo artigo 17 da Lei 7.783/89.

"É uma canalhice o que a empresa está fazendo, avisando os trabalhadores que não teriam salário aos 45 do segundo tempo. O que os trabalhadores estão fazendo é legítimo, pois salário é alimento. Teve trabalhador que precisou dar miojo para o filho", comentou Viana.
Secretário de Inovação, Aceleração Econômica, Turismo e Comunicação, Marcos Cordiolli disse na reunião que o governo Ulisses é solidário aos trabalhadores e que o atraso salarial não será admitido. Segundo o secretário, a TCCC precisa comprovar que tem condições de cumprir o contrato, prestando um com serviço à população, e de prover o pagamento dos seus funcionários.


Cordiolli acrescentou que a TCCC é uma empresa estabelecida e que, portanto, precisaria estar preparada para momentos de dificuldade econômica. Na crise gerada pela pandemia, empresas de inúmeros segmentos enfrentam dificuldades. 


Em 2011, a TCCC obteve novo contrato de concessão pelo período de 20 anos (até 2031), podendo ser prorrogado por mais 20 anos. "Não estamos falando de pequenas empresas, prestadoras de pequenos serviços, estamos falando de uma empresa com décadas nessa atividade. Só nesse contrato já são dez anos", disse Cordiolli.

"Não fosse a administração de vocês [governo Ulisses], os milhões que eles [TCCC] querem estariam pagos", comentou o vereador Mário Verri (PT), na reunião, com críticas ao atraso salarial.
Ainda na reunião, o Sinttromar relembrou que o atraso salarial é um dos vários problemas gerados pela empresa, que se recusa a renovar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Com a aproximação da data-base, a categoria está com o reajuste salarial atrasado faz quase um ano. Enquanto isso, a empresa repete o discurso de que está quebrada, sem apresentar os balancetes cobrados pelo sindicato para comprovar tal dificuldade.

Pagamento

No fim da tarde desta segunda, após a reunião, a empresa acabou encontrando recursos para pagar integralmente o salário de janeiro. No entanto, os trabalhadores decidiram manter a paralisação, aproveitando a adesão de quase 100% da categoria para exigir a renovação do ACT e o pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR), entre outras demandas pendentes.

Num vídeo que circula nas redes sociais, os motoristas dizem a diretores da empresa que a paralisação "não é coisa do sindicato". Por conta do passivo gerado pela TCCC no atraso salarial, a paralisação continua. Novamente, o Terminal Intermodal amanheceu vazio.



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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista