domingo, 7 de fevereiro de 2021

Crônica: A Glória Eterna

07/02/2021_

Por Luiz Fernando Cardoso* – Faz uma semana desde que o Palmeiras alcançou, pela segunda vez em sua história, a "Glória Eterna" – que é como se chama a conquista da Copa Libertadores. A torcida que canta e vibra não se cansa de comemorar aquela sofrida vitória contra o Santos, no Maracanã, num roteiro com heróis improváveis para Woody Allen nenhum botar defeito. 

Breno Lopes supera Pará para anotar o gol do título
Foi uma partida tensa, "um teste pra cardíaco", como diria Galvão Bueno. Comi uma lata de leite condensado minutos antes da partida, dado o nível elevado de ansiedade. Talvez o presidente Jair Bolsonaro tenha feito o mesmo. Além de ser palmeirense, ouvi falar que ele tem um estoque abonado de leite condensado lá na despensa do Alvorada.


No gramado em que a luta o aguardava, o Palmeiras entrou em campo com calor acima dos 30ºC e clima seco. Os "antis" secaram tanto o Verdão que, obviamente, era improvável chover no Rio de Janeiro naquela tarde histórica. No ardor da partida, brilharam mais do que todas as estrelas de Rony, Breno Lopes e Abel Ferreira. Sabe a hashtag #NuncaCritiquei... pois é, não posso usá-la com nenhum desse trio. 

Principal contratação do Palmeiras em 2020, Rony calou minha boca, de parte da imprensa e de milhares de torcedores. Vindo do Athletico Paranaense, o atacante foi desacreditado, passado meses sem fazer um único gol pelo novo clube. Contudo, graças ao técnico Vanderlei Luxemburgo, o craque do bi na Libertadores permaneceu tendo oportunidades no time titular. Luxa sabia bem o que viria pela frente, sabia que a velocidade de Rony seria fundamental na competição.


A cada gol anotado, Rony "rústico" calava a torcida com sua famosa cambalhota circense. Em seu primeiro tento pelo Verdão, na goleada por 5 a 0 contra o Bolívar, o atacante virou meme e, ostentando sua fibra a cada partida, jogada na vontade de alguém com três pulmões (lembrando muito Cafu), caiu logo nas graças da torcida. 

Outro herói improvável foi o técnico português Abel Ferreira. Contratado para o lugar de Luxemburgo, ainda durante a fase de grupos da Libertadores, o treinador – ainda sem nenhum título na carreira – foi recebido com certa desconfiança pela torcida, mas não pelos jogadores. Transformando lealdade em padrão, plantou no grupo a semente do título, de que era possível conquistar a América.

Abel Ferreira é o que nós brasileiros costumamos chamar de "largo". Seu primeiro título foi logo a Libertadores, com o gol redentor vindo de uma substituição inusitada. Aos 39 minutos do segunto tempo, o técnico substituiu o meia Gabriel Menino por... Breno Lopes! Quem nunca criticou que ative a primeira pedra.

Por nosso Alviverde inteiro, Abel, Breno Lopes na final!? Tínhamos uma lista enorme de atletas renomados à disposição, entre ele o atacante William Bigode e o meia Lucas Lima, que ganha mais de R$ 600 mil por mês para esquentar o banco. E não é que deu certo? Breno fez o gol do título nos acréscimos, aos 54 minutos da etapa final, vencendo a marcação de Pará (e sua impressionante impulsão de dois centímetros) para aproveitar um cruzamento monstro de Rony. Que linha atacante de raça essa do Verdão!


O mais inusitado dos heróis do final, Breno aproveitou um momento de cabeça quente dos santistas, que instantes antes haviam visto o técnico Cuca ser expluso. Defesa que ninguém passa de um lado e de outro, Breno aproveitou o momento de distração do adversário para escrever em verde seu nome da história. E saber que, semanas antes, o atacante disputava a Série B pelo Juventude. Só você mesmo, Abel, para um lance tão ousado. Nessa aí, o português mostrou que de fato é campeão.


Vale lembrar que Breno chegou ao Palmeiras para ser o "reserva do reserva do reserva". Antes dele, caindo pela ponta, o Palmeiras já contava com os jovens talentosos Gabriel Veron e Wesley, além de William Bigode, que desempenha a função com propriedade. Não existiam grandes expectativas sobre Lopes, contratado apenas para compor o elenco após lesão de Wesley. 

Que momento único de satisfação. A comemoração do gol do título, com Breno Lopes tirando a camisa e deixando à mostra seu "sutiã" branco de jogador, correndo para os braços da torcida na arquibancada, foi muito melhor que aquela final de 1999, decidida nos pênaltis. Depois dessa, Breno merece um aumento, ainda mais com o preço do botijão de gás e do arroz nos supermercados.


Dizem por aí que foi "um jogo feio", mas certamente só o foi para quem não é palmeirense. Foi lindo! Que jogaço! Que gol! Que título de um time que sabe sempre levar de vencida! Foram 21 anos de espera pela Glória Eterna! Era uma obsessão para os palmeirenses deste século, que ainda não eram nascidos na conquista de 1999, quando a trupe comandada por Luiz Felipe Scolari – com Paulo Nunes no ataque, o craque Alex no meio-campo e São Marcos no gol – consquistou a América.

Agora, a obsessão da vez é o Mundial. Aliás, hoje é dia de estreia do Palmeiras lá em Doha, no Catar. Quando surge o alviverde imponente, a gente pode não saber o desfecho, se o time será ou não campeão, mas a gente sabe que vai ser algo emocionante. Se chegar à final e ganhar do todo poderoso Bayern de Munique, para mim não será nenhuma surpresa. Estamos falando de um time predestinado, como bem diz o amigo historiador Reginaldo Dias.

Quero Café! Crônicas de uma saudosa redação de jornal. Autor: Luiz Fernando Cardoso
Quero Café! Crônicas de uma saudosa redação de jornal – Clique para ler!
Editor do Café com Jornalista, Luiz Fernando Cardoso é jornalista e escritor, autor dos e-books de crônicas "Orfeu & Violeta", "Quero Café!" e "Nas Curvas de Maringá", todos publicados na Amazon. Conheça os livros aqui.

Destaques do blog de crônicas

☕ Camilas, Vanessas e Grazielas


>>> Sobre o Café
>>> Sobre o Jornalista
>>> Cafeinado
>>> Maringá
>>> Política
>>> Economia
>>> Geral
>>> Entrevistas
>>> Artigos
>>> Imprensa

* Os artigos não refletem, necessariamente, a opinião do Café com Jornalista, que os reproduz em exercício da atividade jornalística e amparado pela liberdade de expressão. (Do editor)



A página do Café no Facebook superou a marca de 3.000 curtidas na Sexta-feira Santa, em 10 de abril, graças aos leitores assíduos que apoiam o blog. Para ser informado sobre novas matérias publicadas, curta você também e convide seus amigos para curtir. Clique aqui.


Para receber as últimas notícias do Café com Jornalista no seu WhatsApp é muito fácil. Basta enviar para o número acima a mensagem "Quero Café", informando seu nome e sua cidade de origem. Seu número será, então, adicionado a uma lista de transmissão dos seguidores do blog. A qualquer momento, você poderá cancelar a inscrição. 
Merece:

0 comentário(s):

Postar um comentário

Editor

Minha foto
Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista