segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

'Isto é um locaute da empresa', diz dirigente sindical sobre atraso no pagamento de salários para forçar greve no transporte coletivo

08/02/2021_

Café com Jornalista – Os funcionários das empresas TCCC e Cidade Verde, que operam o transporte coletivo urbano e metropolitano, respectivamente, paralisaram 100% das atividades na manhã desta segunda (8). A greve, que desta vez não foi organizada pelo sindicato, é resultado de atraso no pagamento integral do salário de janeiro.

TCCC recebeu notificações da Prefeitura de Maringá nesta segunda (8) – Foto: Divulgação
A concessionária cobra da Prefeitura de Maringá uma compensação financeira por conta da pandemia. A alegação da diretoria da TCCC é de que prejuízos somam R$ 24 milhões. 

Na quinta (4), funcionários passaram a cobrar da Prefeitura, e não dos empresários, o pagamento dos salários. "Isso é um locaute da empresa", disse o líder sindical Emerson Viana Silva, em entrevista ao portal Hoje Mais


Vice-presidente Sindicato dos Motoristas Rodoviários de Maringá (Sinttromar), Viana levantou em live, na semana passada, a suspeita de locaute por parte da TCCC. A prática é ilegal no Brasil, sendo proibida pelo artigo 17 da Lei 7.783/89 (saiba mais aqui).


A suspeita de locaute ganhou força nesta segunda, com a paralisação sendo coordenada por um grupo de trabalhadores sem vínculo com o sindicato da categoria. O movimento paredista ocorreu sem que ao menos uma assembleia fosse realizada para deliberar a respeito.

"Todos que estão à frente [da paralisação] têm cargos de confiança e chefia na empresa, que está obrigando, de certa forma, os trabalhadores procurarem no poder público uma solução que deve vir da empresa. É o movimento certo, mas pelo modo errado", disse Viana ao Hoje Mais.
Outro indicativo de locaute veio da administração municipal, que exigiu da TCCC e Cidade Verde a circulação de ao menos 30% da frota. Numa greve dentro dos preceitos constitucionais, essa notificação da Prefeitura seria enviada ao sindicato, e não à empresa – como ocorre agora.

Ao exigir frota mínima, o prefeito Ulisses Maia (PSD) voltou a falar em rescisão do contrato com a TCCC. A postagem nas redes sociais foi feita pouco depois do meio-dia desta segunda.

"Entregamos hoje duas notificações à TCCC. Uma para que mantenha o percentual mínimo de 30% da frota de ônibus, conforme prevê a lei, e a segunda solicitando que a empresa apresente documentos comprovando sua capacidade econômica de operar e atender com qualidade as necessidades dos usuários do transporte público. Caso não tenha condições de cumprir os serviços, o contrato poderá ser rompido", escreveu Ulisses.
Segundo Viana, o sindicato segue apoiando os trabalhadores, cobrando providências tanto das empresas quanto da administração. Uma reunião com a administração, previamente agendada para as 16 horas desta segunda, foi antecipada para as 14h30.




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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista