domingo, 14 de fevereiro de 2021

Artigo: Uma boa ideia

14/02/2021_

Por Rogério Fischer* – Não é que o Supremo Tribunal Federal (STF) deu uma bola dentro? Por 9 a 1, placar semelhante ao que alguns imaginavam para Bayern x Palmeiras, decidiu que ninguém tem direito ao esquecimento.

Palmeiras, maior campeão nacional
Palmeiras, maior campeão nacional
Ninguém, a partir de agora, pode reivindicar que meios de comunicação não divulguem fatos considerados prejudiciais – mesmo o fato sendo verídico. Fico a imaginar quem se beneficiaria de algo assim.


Por ter sido inocentado numa parada lá, nunca mais falaríamos de Daniel Dantas. Por não ter sido investigado, nunca mais poderíamos falar da reeleição de FHC. Por provavelmente ter feito acordo com a Justiça, nunca mais poderíamos falar da Vale e lembrar Brumadinho. Quando saísse da prisão, nunca mais poderíamos falar de Suzane Richtoffen.


Se inocentarmos o Lula, nunca mais poderíamos falar do petrolão – vou ignorar, porquanto insignificante, o mensalão. Se vier a ser inocentado, nunca mais poderíamos falar de Flávio Bolsonaro. Por não ter havido condenações, nunca mais poderíamos abordar os crimes do regime militar.

E eu, palmeirense, com isso?

Não adiantaria recorrer ao STF porque eu jamais esqueceria aquela defesa do Zetti na cabeçada do Evair. Jamais esqueceria aqueles dois gols do Romarinho. Jamais esqueceria aquela eliminação para o ASA. Jamais esqueceria a derrota para a Inter de Limeira. Jamais esqueceria a perda do Brasileirão para o Guarani de Neneca, em 1978.

Jamais esqueceria a Taça de Prata em algum momento da década de 1980. Jamais esqueceria os 6 que levamos do Mirassol, do Goiás e do Coritiba, muito recentemente. Jamais esqueceria aquela virada do Vasco na Mercosul de 2000. Jamais esqueceria que, em 1974, Zagallo marcou touca ao não escalar a espinha dorsal do bicampeão brasileiro. Nunca esqueceria que, em 1978, Coutinho deixou Jorge Mendonça no aquecimento durante três meses e meio.
 
Mesmo que o STF me desse razão, eu não esqueceria. A decisão do Supremo é muito importante. Bastava, claro, seguir a Constituição. Mas, nos tempos bicudos em que vivemos, sei lá, nunca se sabe. Significa, ao menos, que, se for absolvido em tudo o que vem pela frente, poderemos falar do Bolsonaro genocida. 


Significa também, por analogia, que podemos falar de um time criado por operários e anarquistas italianos que se tornou o Campeão do Século XX – o primeiro, noves fora, século do futebol. Podemos lembrar de um time que peitou o Santos de Pelé, o Flamengo de Coutinho e o Corinthians de Vampeta, Rincón, Marcelinho e Ricardinho.

Podemos falar do time que, em 51, roteirizou o filme do futebol no século 20. Podemos lembrar de um time que, com a camisa da seleção, inaugurou o Mineirão. Podemos lembrar de um time – não é único porque tem a companhia do São Paulo – que teve jogadores em todas as copas conquistadas pelo Brasil. 

Podemos falar de um time que é o maior campeão do país pentacampeão do mundo. Eu jamais esqueceria que esse time não tem mundial.

Au, au, au, Edmundo é animal. Au, au, au, pau no cu mundial.

Quero Café! Crônicas de uma saudosa redação de jornal. Autor: Luiz Fernando Cardoso
Quero Café! Crônicas de uma saudosa redação de jornal – Clique para ler!
* Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e palmeirense, Rogério Fischer foi editor de O Diário do Norte do Paraná, extinto jornal de Maringá, e da Folha de Londrina.





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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista