sábado, 13 de fevereiro de 2021

Artigo: Um sonho concretizado

13/02/2021_

Por José Maschio* – Fevereiro de 1980. Colégio Sion, São Paulo. Estudante de jornalismo e bancário (contas existem e pobres sempre trabalharam) eu estava lá. Foi quase por acaso. Era suplente de delegado para o congresso que iria fundar o PT (Partido dos Trabalhadores). Rick (já não entre nós), o delegado, não pode viajar de Londrina para São Paulo. Viajei eu.

Fundação do PT, em 1980 – Foto: Juca Martins
Fundação do PT, em 1980 – Foto: Juca Martins
Lembro que nem dinheiro para hotel tinha. Graças ao professor Romeu (Romeu Gomes de Miranda), um dos delegados por Curitiba, arrumei hospedagem. Na casa de um amigo de Romeu. Lembro apenas que era um jornalista simpático.


O processo anterior para a fundação do PT tinha sido um trabalho árduo. Muita discussão política. Divergências entre aqueles que queriam a formação do PP (Partido Popular) e os que queriam o PT (Partido dos Trabalhadores), mais classista. Esse pessoal que queria o PP acabou, depois, por fundar o PSDB.


No dia da fundação essas divergências não ficaram explícitas em público. Mas sim nos bastidores e nos botecos no entorno do colégio Sion. Lembro que Ferreirinha, um líder sindical do ABC, garantiu-me. Osmarzinho (Osmar Mendonça) vai ficar na direção. Mas logo vai sair do PT. É do pessoal da Social Democracia.

Foi profético, o Ferreirinha. Naquele dia eu não me preocupava muito com essas divergências. Tinha outros interesses. Interesses esses que me deram duas alegrias e uma frustração. A frustração foi não conseguir conversar com Antonio Candido (Os parceiros do Rio Bonito). Tinha eu levado um exemplar para conseguir seu autógrafo.

As alegrias, imensas, foram conversar com os meus ídolos Mario Pedrosa (o Trotskista romântico) e Apolônio de Carvalho (herói de lutas reais pela liberdade). Pedrosa, velhinho, encantou-me pela agilidade mental e simpatia. Ele morreria no final do ano seguinte.


Na volta de São Paulo, a luta continuou. O processo de legalização do partido exigia a formação de diretórios municipais e a militância petista (época que ser do PT era, como hoje voltou a ser, ter uma doença contagiosa) organizou mutirões de filiação pelo Paraná. Os mutirões, em todo Brasil, deram certo. Em 1982 o partido foi legalizado. E podia disputar eleições.

Aí já é outra história. Saí do PT quando Zé Dirceu dirigiu o partido para a opção preferencial pela via institucional. E o PT abandonou a criação de núcleos de base e formação política. Hoje, não petista, continuo com o maior respeito ao partido que mudou a concepção do fazer política no país. Tem erros e vícios, mas tem muitos acertos. Parabéns, PT. Que a maturidade chegue com a idade!

Nas Curvas de Maringá: Amizades e paquenas na mais bela cidade do Paraná – leia aqui
* Graduado em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde também foi professor, José Maschio trabalhou como repórter em jornais como Paraná Norte e Folha de S.Paulo. Atuou em jornais alternativos e na imprensa sindical. É autor do livro-reportagem "Crônica de Uma Grande Farsa" (2013) e do romance "Tempos de cigarro sem filtro" (2017). Nasceu em Echaporã (SP) e vive em Cambé (PR). 




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* Os artigos não refletem, necessariamente, a opinião do Café com Jornalista, que os reproduz em exercício da atividade jornalística e amparado pela liberdade de expressão. (Do editor)



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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista