terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Parlamentares criticam Jair Bolsonaro por fechamento de fábricas da Ford no Brasil

12/01/2021_

Café com Jornalista, com Agência Senado – A notícia de que a Ford fechará três fábricas no Brasil, com a possível perda de 5.000 empregos diretos, repercutiu no meio político. No Congresso, senadores e deputados federais criticaram o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo encerramento das atividades da montadora norte-americana em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE).

Para os parlamentares, segundo matéria da Agência Senado, a decisão da Ford pode ser atribuída ao "fracasso" da política econômica de Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes. Nas redes sociais, internautas viralizaram memes sobre o assunto, alguns deles relembrando notícias positivas da Ford nos tempos do governo Lula. 

Um dos memes com o ex-presidente Lula e a Ford
Um dos memes com o ex-presidente Lula e a Ford
Ao mencionar o investimento da Ford na Argentina, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) classificou Bolsonaro como fracassado. "Perder 5.000 empregos no Brasil e ver que a Ford anunciou um investimento de R$ 3 bilhões na Argentina é perceber que não dá mais para tolerar um fracassado na presidência", disse.


Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), as reformas trabalhistas e da Previdência, encabeçadas por Guedes, resultaram em desemprego e aumento da desigualdade. "Tudo isso, aliado à política econômica irresponsável e à falta de credibilidade mundial de Guedes e Bolsonaro, são fatores determinantes para empresas como a Ford deixarem de atuar no país. Uma tragédia em larga escala", comentou.


A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) disse que o fechamento das fábricas da Ford não pode ser encarado como uma "notícia normal". "Em dezembro, foi a Mercedes. O mercado tem suas regras, mas certamente os fatos demonstram que faltam ao governo federal políticas industriais e de emprego competentes. Lamentável", escreveu.

Para o senador Fabiano Contarato (Rede-ES), a decisão da companhia norte-americana é “mais um ‘legado’ do governo Bolsonaro”. “O encerramento do parque industrial da Ford, após mais de um século de operação, ceifando 5 mil empregos diretos. O Brasil, sem liderança, afugenta investidores e entra na espiral de desemprego e desindustrialização”, afirmou.


O senador Otto Alencar (PSD-BA) criticou a Ford pela decisão. Ele lembrou que, para operar na Bahia, a empresa "teve doação de terreno, isenções fiscais federais e estaduais, equalização das taxas de juros e empréstimos de longo prazo". Isso, segundo o parlamantar, é "capitalismo selvagem".


A maioria das críticas partiram de petistas, porém, não partiram apenas da esquerda. Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) disse que o fechamento das fábricas da Ford no Brasil demonstra a falta de credibilidade do governo federal.

"É uma demonstração da falta de credibilidade do governo brasileiro, de regras claras, de segurança jurídica e de um sistema tributário racional. O sistema que temos se tornou um manicômio nos últimos anos, que tem impacto direto na produtividade das empresas", escreveu Maia.
Para o governador da Bahia, Rui Costa (PT), o Brasil está virando uma grande fazenda no governo Bolsonaro. À coluna Painel da Folha de S.Paulo, ao criticar o fechamento da fábrica da Ford no Estado, o governador disse que o Brasil abandonou planos de estímulo a uma produção mais elaborada, como a industrial, dedicando-se basicamente à produção de commodities agrícolas. 

Meme com Lula e Bolsonaro sobre fechamento das fábricas da Ford
Outro meme
Na terça (12), Bolsonaro disse que faltou à Ford "dizer a verdade" sobre sua decisão de deixar o Brasil. Segundo o presidente, a montadora norte-americana queria mais benefícios fiscais para permanecer no país. O presidente não demonstrou preocupação com os desempregados – veja mais aqui. A Ford fez seu anúncio na segunda (11).


>>> Eleições 2020

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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista