quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Jornalista Alexandre Gaioto tem livro de poemas publicado em prêmio literário

13/01/2021_

Café com Jornalista – Dizem que é dos momentos de dor e sofrimento que surgem os melhores poemas, e com a maior crise financeira e sanitária em um século não haveria de ser diferente. Foi no pior da pandemia do novo coronavírus (covid-19) – e de um governo despreparado para lidar com a grave situação – que o jornalista maringaense Alexandre Gaioto, 32 anos, buscou inspiração para escrever seu primeiro livro.  

O jornalista Alexandre Gaioto – Fotos: Arquivo Pessoal
"Não há dezembro neste breu" (Biblioteca Paraná, 112 páginas) "é um livro pandêmico", como classifica o próprio autor. São 50 poemas com um mix de versos apocalípticos, ironia, críticas políticas e doses de lirismos anticlichês. 

"O caos me levou a escrever esse punhado de versos. Sou poeta do caos. Escrevi durante dois meses, em meio à essa pandemia que assola o mundo, diante deste presidente que é o triunfo da ignorância", comenta Gaioto.
Quem leu curtiu, e entre aqueles que gostaram está a banca do Prêmio Biblioteca Digital. Com uma coletânea de textos inéditos, "Não há dezembro neste breu" ficou em segundo lugar na premiação da Biblioteca Pública do Paraná na categoria "Poesia", com bonificação de R$ 5.000 em dinheiro.


A salutar premiação – correspondente a alguns sacos de arroz ou a alguns quilos de picanha – recompensou o trabalho árduo. Gaioto diz que sua rotina de escrita começava após o trabalho, por volta das 17h30, estendendo-se até a 1h da madrugada. "Pouco conversei com minha família e minha namorada durante os dois meses em que me dediquei a escrever 'Não há dezembro neste breu'. Um egoísmo necessário para a criação", conta. 


Alguns versos, garante o autor, levaram três dias para serem escritos. Por isso, Gaioto se diz surpreso ao saber que amigos afirmam ter lido o livro em poucas horas. "Poesia não é correr alucinadamente em volta de um bosque", diz o jornalista, que aconselha a leitura de um poema por dia.

Crônicas

Ex-repórter de O Diário, Gaioto conta que muitos textos foram inspirados em versos de Goethe, Emily Dickinson, Byron, Murilo Mendes e outros mestres. Um pouco do que está nos poemas foi, por que não, extraído de crônicas de outrora, como no caso do uso do verbo pronominal "refestelar-se".

(...) subíamos cedendo passagem aos automóveis que desciam /// e lá do alto finalmente contemplamos (...) o sol /// que descia refestelando-se atrás dos morros na vastidão de silêncios (...)
"Não há dezembro neste breu", livro de poemas de Alexandre Gaioto
Capa do livro digital de Alexandre Gaioto
Quem já se refestelou com as narrativas dominicais de Gaioto sabe do que o editor do Café está falando. Entre março de 2015 e outubro de 2016, as crônicas de Gaioto marcaram época nas páginas de O Diário.

"Escrevi crônicas contra a picaretagem dos padres [Manzotti e Marcelo Rossi], contra a falta de talento dos sertanejos, contra aquela construção bizarra que é a Catedral, e enfiei um monte de referências lá no meio: pintores, filósofos, escritores. Era um laboratório divertido e, avaliando agora, um bocado transgressor", diz.
Até hoje, fãs daquelas crônicas dominicais pedem por uma republicação dos textos em livro, pedido que o jornalista nega sem cerimônia. Para Gaioto, as crônicas cumpriram seu papel nas páginas do extinto periódico. "Gosto mais delas no jornal mesmo", afirma.


Para quem acompanha a cena literária local, Gaioto pode ser considerado um membro da Geração Perdida de Maringá (o que ele próprio talvez negue), composta por jovens talentos literários, quase todos com bons livros publicados. Hoje, o maringaense de ótimo texto e estilo – sempre com seu chapéu preto – vive em Ortigueira (PR), onde é funcionário público. 

Onde adquirir

"Não há dezembro neste breu" é um livro digital com distribuição gratuita. Os interessados podem solicitar uma cópia diretamente ao Café, via WhatsApp, pelo número 44 98826-1221. Não há versão impressa da obra.


>>> Eleições 2020

* Matérias e opiniões publicadas no Café com Jornalista estão compreendidas pela atividade jornalística e amparadas pela liberdade de imprensa e de expressão. (Do editor)



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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista