quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Entrevista – Mário Hossokawa: 'Não entendi a escolha de dois secretários pelo prefeito Ulisses Maia'

20/01/2021_

Café com Jornalista – Considerado o político mais longevo de Maringá em atividade, o vereador Mário Hossokawa (PP) foi reeleito, no início deste ano, presidente da Câmara Municipal. Numa articulação bem costurada, com apoio dos vereadores novatos e de um ex-vereador, Hossokawa venceu com folga Flávio Mantovani (Rede) na disputa pela presidência.

Vereador Mário Hossokawa (PP), presidente da Câmara de Maringá – Fotos: Marquinhos Oliveira/CMM
Vereador Mário Hossokawa (PP), presidente da Câmara de Maringá – Fotos: Marquinhos Oliveira/CMM
Na primeira entrevista do Café em 2021, Hossokawa fala dos bastidores sobre sua eleição para o quinto mandato como presidente da Casa. No bate-papo, ocorrido dia 13 de janeiro em seu gabinete, o vereador também fala sobre a nova Legislatura, a possibilidade (ou não) de o aumento do número de vereadores entrar na pauta e questões referentes à covid-19 – entre elas a vacina.

Hossokawa também comenta sobre as escolhas do prefeito Ulisses Maia (PSD) para o primeiro escalão. O presidente do Legislativo aprovou todos os nomes do secretariado, menos dois. Quem são? Os viciados em Café vão descobrir agora. 


***

Café com Jornalista – Qual sua expectativa quanto à nova Legislatura na comparação com a composição da Legislatura anterior?
Mário Hossokawa – Na posse e eleição da Mesa Executiva e das comissões permanentes, a gente sentiu que vai ter uma Câmara boa, de pessoas qualificadas. Temos professora universitária que já se aposentou, que é a vereadora Ana Lúcia Rodrigues; temos uma pessoas ligada à área da comunicação, que é a Cris Lauer; temos empresários, advogados, como o doutor Luiz Alves, que é delegado de polícia. Então, estou sentindo que a Câmara vai ser melhor do que foi na Legislatura passada, apesar de que a Legislatura passada teve oito vereadores reeleitos. Sinal de que houve aprovação popular. Três da Legislatura passada ficaram a primeira suplência: Jean Marques, Professor Niero e Odair Fogueteiro. Então, o nível de aprovação foi muito alto.


Como foi o diáglogo com os novatos na eleição da presidência da Câmara? Como foram as conversas com eles para obter apoio à sua candidatura?
Eleição para a presidência da Câmara, na maioria das vezes, é mais difícil de ganhar do que a eleição para vereador. Mas, desta vez, tivemos uma facilidade maior porque eram oito vereadores reeleitos, mais o Dr. Manoel, que já foi vereador em conhecia bem o meu trabalho. Dentre os oito reeleitos, apenas o Flávio Mantovani saiu do grupo para ser candidato à presidência mais uma vez. Logicamente, é necessário muita habilidade e jogo de cintura, e o que prevalece, acima de tudo, é o trabalho que a gente fez como presidente. As pessoas sabem qual é o meu comportamento, a forma como trato outros vereadores e como administro a Casa. Tudo isso aí foi fundamental para conseguir o apoio dos companheiros que se reelegeram e também dos novatos. Tivemos uma conversa franca para obter o apoio deles também.  

Um ex-assessor do deputado estadual Do Carmo assumiu a Diretoria de Comunicação da Câmara. Houve algum tipo influência externa, como do próprio deputado ou do prefeito, na eleição da Mesa Diretora?
Não. Em nenhuma das vezes o prefeito Ulisses Maia se envolveu. Na primeira vez, quando o Ulisses se elegeu, o concorrente [à presidência] foi o Alex Chaves [hoje, líder do prefeito na Câmara], só que nós ganhamos por 8 a 7 numa eleição bastante apertada. Tanto eu como o Alex, a gente estava apoiando o prefeito, que não quis se indispor com ninguém. Desta vez, também o Flávio é do time que apoiou o prefeito durante esse tempo todo, e ele [Ulisses] não se envolveu. 

E sobre Do Carmo?
O peso mais imporante acabou sendo do deputado Do Carmo, que ajudou a eleger dois vereadores. Foi fundamental o apoio que ele deu a mim, trazendo os vereadores Onivaldo Barris e Biazon para nos apoiar, apesar de que o Onivaldo já tinha fechado comigo. Então, ele [Do Carmo] trouxe dois vereadores.


E quanto à indicação de cargos comissionados na Câmara?
Quando eu fui presidente pela primeira vez, em 2009, fui eu que escolhi todos os cargos: diretor geral, diretor administrativo, diretor legislativo, assessor de comunicação, jurídico. Enfim, todos os sete cargos foram escolha pessoal do presidente, só que depois as coisas mudaram. Quando o Ulisses foi presidente [no biênio 2013/2014], depois que eu saí, ele fez com que cada vereador que votou nele indicasse um cargo, logicamente, com as qualificações que o Regimento Interno exige. Uma vez que foi feito dessa forma, quando o Chico Caiana se elegeu [para o biênio 2015/2016], ele fez o mesmo. Então, você não tem como tirar mais e falar que "você não vai indicar ninguém", porque os vereadores não aceitam. Por exemplo, o Mário Verri tem o diretor administrativo, Belino Bravin tem o diretor geral e assim por diante. Foi feito uma divisão. 

Qual foi a sensação de quebrar o recorde de número de mandatos e de anos como presidente da Câmara? Como foi sua comemoração com a família ao chegar em casa?
Fiquei muito contente, Luiz. Logicamente, meus amigos e familiares ficaram muito contentes também. É um fato histórico na Câmara de Maringá. Pela primeira vez, um vereador consegue se eleger presidente cinco vezes, ou seja, dez anos [na presidência]. Lá atrás teve o vereador Paulo Vieira de Camargo, que foi presidente cinco vezes, mas naquele tempo o mandato era de um ano, então, ele ficou cinco anos como presidente. Depois que mudou para dois anos, o recordista era o John Alves Correia, que se elegeu quatro vezes presidente da Câmara. Então, foi uma alegria muito grande. Conseguir ficar com uma das 15 cadeiras na terceira maior cidade do Estado e, depois, dentre os 15, ser escolhido como presidente é uma honra sem tamanho. 

Entre as grandes cidades do Paraná, Maringá tem uma das câmaras municipais mais enxutas em gastos. Considerando o tamanho da cidade e a sobra de recursos da Câmara, não haveria margem discutir o aumento do número de vereadores?
Na realidade, na gestão passada, muitos vereadores até ensaiaram para aumentar para 21 ou até 23, que é o máximo permitido pela legislação hoje. Como a gente sabe que a população e a sociedade civil organizada são contra o aumento do número de cadeiras, então, os vereadores optaram por não aumentar, apesar de que temos cidades no nosso Estado com mais vereadores. Toledo tem 142 mil habitantes e 19 vereadores, enquanto Maringá tem 420 mil habitantes e apenas 15. Por exemplo, Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, tem 246 mil habitantes e tem 17 vereadores. Ponta Grossa tem 23 vereadores, com 355 mil habitantes. E Guarapuava: 182 mil habitantes e 21 vereadores. 


O aumento do número de vereadores não está na pauta da atual Legislatura? Existe a possibilidade de este assunto voltar à pauta?
Eu acredito que não. Pelo que a gente tem sentido, principalmente diante da situação de recuperação econômica por causa da pandemia, ninguém vai querer mexer com isso não. Normalmente, a pessoa, quando quer fazer alguma coisa, não deixa para mudar lá perto da eleição, faz logo no começo [da Legislatura]. Mas, pelo que a gente tem ouvido dos vereadores, vão deixar da forma como está.

Caso ocorresse a opção pelo aumento de vereadores, haveria orçamento para isso?
Diante da população da cidade, a Câmara de Maringá tem direito a 5% do orçamento do município, só que nós gastamos, mais ou menos, 2,6% desse orçamento. Então, é uma Câmara econômica, que não gasta com diária; que não tem veículo oficial para o presidente dirigir, como tinha antigamente; que não gasta com combustível e com manutenção de veículo.  

Entrevista foi realizada no gabinete de Hossokawa, em 13 de janeiro – Foto: Luiz Fernando Cardoso/Café com Jornalista
Entrevista foi realizada no gabinete de Hossokawa, em 13 de janeiro – Foto: Luiz Fernando Cardoso/Café com Jornalista
O que foi feito com as sobras de 2020?
Bom, foram R$ 3,3 milhões que foram devolvidos, aproximadamente, e que nós pedimos que o prefeito investisse no Programa Juro Zero. Nesse programa, o município firma um convênio com uma instituição financeira, com um banco, para que faça empréstimos para pequenos e microempresários, em valores de até R$ 15 mil. E quem paga os juros? É o município, para ajudar a recuperar nossa cidades, para socorrer as pequenas e microempresas. Esse valor [das sobras], então, é para pagar os juros dos financiamentos que vão ser feitos para salvar nossas empresas.  

A Câmara de Maringá retoma as sessões ordinárias dia 2 de fevereiro, às 9h30. Quais devem ser os projetos mais polêmicos neste início de ano?
Não temos conhecimento de nada de polêmico que possa vir pela frente, seja do poder Executivo ou do Legislativo, que possa vir agora no início. O que temos é o Plano Diretor, que não foi feito nada no ano passado, porque não foram feitas as audiências públicas a pedido do Ministério Público [por conta da pandemia]. Mas este ano, assim que melhorar essa situação da covid-19, acho que tem de dar sequência a essa revisão do Plano Diretor da nossa cidade, porque estamos atrasados. 

Sobre a pandemia, houve reclamações, lá no início, de que os vereadores não haviam sido consultados antes dos primeiros decretos. E agora, os vereadores têm sido convidados pelo prefeito Ulisses Maia (PSD) para participar das tomadas de decisões?
Sim. Daquela vez realmente nós ficamos aborrecidos com decisões tomadas pelo prefeito e sua equipe técnica sem consultar os vereadores, a sociedade civil ou a associação comercial. Depois disso, tivemos diversas reuniões para tomadas de decisões, com participação da sociedade civil organizada, OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] e Câmara de Vereadores. Hoje, em qualquer tipo de decisão, o prefeito tem chamado os vereadores, principalmente o presidente, para participar dessas reuniões. Aproveito a oportunidade para parabenizar a equipe técnica, porque está diminuindo os casos de covid-19 por dia. A gente espera pela volta à normalidade o mais rápido possível.    


A vacinação já teve início no Brasil. Recentemente, a Fessmuc solicitou ao prefeito Ulisses Maia a vacinação dos profissionais da educação antes da volta às aulas na rede municipal de Maringá. O ofício também pede que os educadores sejam incluídos no grupo prioritário, ao lado dos profissionais da Saúde. Qual sua opinião a respeito?
Não tenho a confirmação ainda, mas ouvi falar que é intenção do poder Executivo voltar as aulas no mês de fevereiro, seguindo o Estado. Logicamente, acho que não vai ser obrigatório. Acho que quem quiser vai poder ficar em home office [com aulas pela internet]. Mas eu concordo com a questão de vacinar primeiramente os profissionais da saúde e também os professores, porque as crianças, quando contaminadas pelo coronavírus, quase sempre são assintomáticas, mas elas transmitem [a doença], colocando os professores em risco. Então, concordo plenamente com a Iraídes [Baptistoni, dirigente da Fessmuc], e acho que precisa mesmo ter prioridade para os professores também, quando chegar a vacina.

Qual sua expectativa pessoal quanto à vacina contra a covid-19? O sr. tomaria qualquer uma das vacinas aprovadas pela Anvisa?
Assim que começar a vacinação, quero tomar a vacina. Não importa a vacina que chegar, vou tomar. Mas, penso que até que a vida possa voltar à normalidade, não vai ser questão de quatro ou cinco meses. Vai levar tempo. Acho que não vai ser este ano que tudo vai voltar à normalidade. 

Ulisses definiu, recentemente, o primeiro escalão da Prefeitura de Maringá. Qual sua opinião sobre as escolhas. O sr. desaprova algum nome escolhido pelo prefeito para o secretariado?
Acho que o prefeito montou um organograma pensando a nível de região. Com a Secretaria de Assuntos Metropolitanos [e Institucionais], por exemplo, penso que o prefeito está querendo se fortalecer a nível de região. Temos cidades conurbadas e há a necessidade de fazer um trabalho meio que conjunto, principalmente se tratando de plano diretor. Concordo com quase todos os nomes escolhidos [por Ulisses Maia], menos com dois secretários, por não entender a razão do convite. Não conheço o secretário de Planejamento, que não assumiu ainda, mas eu sei que o pai desse arquiteto sempre foi muito radicalmente contra o prefeito Ulisses Maia, sendo uma pessoa ligadíssima ao deputado Homero Marchese. Mas, pelo que ouvi falar, apesar de o pai ser contra, o filho não tem nada a ver com a situação. 


O sr. disse que duas escolhas não lhe agradaram. Qual seria a outra?
Uma pessoa que eu não entendi até agora porque ele convidou, porque não tem nenhum peso na sociedade, é o secretário da Cultura [jornalista Victor Simião]. Na Câmara, ele não é uma pessoa bem quista aqui dentro não, sabe. É uma pessoa que não tem peso para administrar um orçamento de R$ 21 milhões [valor destinado à Cultura, em 2021]. Não acredito que essa pessoa tenha capacidade para isso. Há muitas pessoas competentes que poderiam ser lembradas, então, eu me recuso a aceitar esse tipo de convite porque penso que não é uma pessoa certa para lidar com uma área tão importante.

De quais nomeações o sr. mais gostou mais?
Tem o coronel [Carlos Henrique] Cardozo, que assumiu a Secretaria de Infraestrutura, que todos nós conhecemos e sabemos da competência dele. Tem o Albari [Alves de Medeiros, secretário de Obras Públicas], que sabemos da competência dele e do trânsito que ele tem lá em Brasília. O Gilberto Purpur [secretário de Mobilidade Urbana], que é a pessoa mais capacitada para mexer no sistema de trânsito do município, além de ser funcionário de carreira. Também tem a Bruna [Barbosa Barroca]. Depois de ela assumir a Secretaria de Planejamento, acabaram aquelas reclamações de engenheiros e construtores de que demorava muito para aprovar um projeto. E assim outros secretários, como o Favoto, o Trevisan, o Chiqueto, o coronel Carstens que, apesar de ser meio nervosinho, a gente sabe da capacidade dele. 



>>> Eleições 2020

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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista