sábado, 23 de janeiro de 2021

Crônica: Tecnologia alienígena em casa

23/01/2021_

Por Luiz Fernando Cardoso* – Desde meados de 2019, tenho motivos para crer, com convicção, na queda de naves alienígenas, como aquela do Caso Roswell, no Novo México (EUA), em 1947. Pode parecer insano, mas os teóricos dos antigos astronautas – aqueles, do programa "Alienígenas do Passado" – têm razão.

Representação artística da queda de um ovni
Representação artística da queda de um ovni
Reflita comigo. Uma nave extremamente avançada cai, vinda de outro mundo. Alguns acontecimentos óbvios se sucedem: 1) Autoridades se apropriam do espólio, sem deixar vestígios; 2) O fato é negado a todo custo. É como o adolescente que, na escola, abre seu Halls sem qualquer ruído para não precisar compartilhar com mais ninguém; 3) Aplica-se a engenharia reversa; 4) A tecnologia alienígena é incorporada à humana, a conta-gotas.

Num primeiro momento, os proventos da engenharia reversa são todos para fins militares. Depois, saltos tecnológicos, obtidos num curto intervado de tempo, mudam radicalmente a vida das pessoas, como no caso dos microchips. Décadas mais tarde, os avanços decorrentes daquela nave que caiu acabam sendo notados nas coisas mais elementares, como numa panela radicalmente mais avançada que as demais disponíveis no mercado.

Creio não ser o único, mas eu gastava um bom tempo vendo aquele comercial das panelas Polishop, sempre incrédulo. "Deve ser propaganda enganosa", pensava. Aos novinhos, um spoiler: quando a idade vai chegando, você fica mesmo mais desconfiado com as facilidades que lhe são apresentadas, você se torna mais seletivo nas amizades, suas costas doem quando você dorme no sofá e, claro, você passa a se interessar por utensílios de cozinha. Nessa altura do campeonato, a pessoa já sabe que não vai mais mudar o mundo.


Mil propagandas depois, decidi comprar a dita panela vermelha. Foi em 2019, seduzido pela promessa de que nada gruda, devido a uma tecnologia com seis camadas, três delas para reter e distribuir o calor, cozinhando melhor os alimentos. Todo mundo lembra daquela cena do ovo sendo preparado sem óleo, não é mesmo? Impossível não querer um treco daqueles. 

Esclareço aqui que não conheço ninguém do marketing da Polishop e que, portanto, este texto não é merchandising. O produto não é um "recebido", como costumam dizer os influenciadores "sei lá do que" digitais. Trata-se tão somente do relato de uma experiência nada científica.

Passados dois anos, sigo utilizando o utensílio todo santo dia, às vezes duas ou três vezes por dia. A panela continua lá, igual, com o cabo firme, praticamente com a mesma aparência (exceto por alguns arranhões) e ainda sem grudar nada. Surreal, especialmente se comparada àquelas panelas que perdem o teflon em poucos meses. Já passou por isso? Então, saiba que você preparou suas refeições "temperadas" com politetrafluoretileno. Faz mal à saúde? Não sei, mas bem não faz.   

Certa vez, esqueci a panela vermelha com múltiplas camadas no fogo por mais de meia hora. Fosse uma panela normal, teria deformado, mas com aquela da Polishop não aconteceu nada. A comida segue deslizando numa boa, mesmo sem uma única gota de óleo. Só não é melhor porque não dá para preparar café na dita cuja.


Os amigos mais próximos sabem o quanto eu gosto de cozinhar. Cada qual precisa encontrar um hobby para aliviar as tensões da vida adulta e dos boletos – ou faz isso ou toma remédio. Para mim, aquele momento na cozinha, da escolha dos temperos, do salivar só de pensar no prato depois de pronto, da concentração para preparar um bom jantar à esposa, transporta-me para um lugar especial, onde não há má-fé nem salário atrasado nem carro na oficina nem qualquer outro motivo de queixa.

Numa das vezes, quando preparava um coração de frango amanteigado, salteado com legumes e abacaxi, fiquei pensando na lógica por trás de um produto bom e com tanta durabilidade. Sempre que alguém quebrava um copo ou prato, e ficava sem jeito por conta disso, lembro-me que meu falecido avô, Armando Cardoso, costumava dizer que era necessário que as coisas quebrassem para que as indústrias continuassem produzindo. De certa forma, era de empregos que ele estava falando. 

Ainda não sei quanto tempo a panela vermelha "comunista" vai durar, só sei que a tecnologia doutro mundo está aprovadíssima. Se até mesmo ovnis podem cair, sei que um dia a panela vai estragar. Quando isso acontecer, comprarei outra, em dez vezes sem juros. Para uma tecnologia que viajou das estrelas até aqui, vale o investimento.

Quero Café! Crônicas de uma saudosa redação de jornal. Autor: Luiz Fernando Cardoso
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Editor do Café com Jornalista, Luiz Fernando Cardoso é jornalista e escritor, autor dos e-books de crônicas "Orfeu & Violeta", "Quero Café!" e "Nas Curvas de Maringá", todos publicados na Amazon.

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2 comentários:

  1. Eu tenho três ... e sim, já desisti de mudar o mundo ... Vai uma dica: - Nunca, mas nunca mesmo, empreste ou deixe alguém usá-la porque os idiotas metem a colher nela e, riscando o fundo, esquece ... não tem tecnologia alienígena que vença a idiotia humana ...

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  2. Eu acredito em OVNI. Quando eu pego em uma embalagem, dessas que a gente machuca com a mão e depois que solta ela volta ao normal, lembro-me logo do Caso Roswell. Segundo o militar que testemunhou o caso, o material do disco era assim: não ficava machucado. Mas nunca atentei para o caso dos chips e, principalmente, dessas panelas. Então deve ter muitas "criações" oriundas deste OVNI que caiu.

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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista