terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Artigo: 50 anos, muitos brindes para a UEM

05/01/2021_

Por Tania Tait* – A Universidade Estadual de Maringá (UEM) é, sem dúvida, um patrimônio da cidade. Foi construída e mantida graças aos esforços de seus professores, funcionários e estudantes. Em sua trajetória, a universidade teve colaboração de alguns governantes, no entanto, em sua maioria, infelizmente, os governos estaduais sempre buscaram minar a evolução das nossas universidades estaduais.

UEM 50 anos de história

A UEM faz parte da minha história e, como eu, muitos estudantes sonhavam em passar no vestibular. Sou da turma de 1979. Como eu, também, muitos atuaram no movimento estudantil, tornaram-se professores e funcionários, militantes sindicais e participaram de cada mobilização e de cada conquista. 

Antes de ser estudante da UEM, eu já a conhecia, pois visitava e ouvia os fatos narrados pela minha tia, professora Maria Apparecida Tait, que era secretária do antigo Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. Ficava encantada com a possibilidade de me tornar estudante ali. Fiz Processamento de Dados e Administração de Empresas. Ainda hoje ando por lá. Aposentada, continuo como coralista no Coro Feminino da UEM.


Quando a minha turma de Processamento de Dados (PD) resolveu se reunir para comemorar os 35 anos do curso, confirmei o quanto eu era ligada à UEM. O curso de PD foi criado em 1976. Com a turma, com ex-alunos vindos de vários Estados do Brasil, fizemos um tour pela universidade e assim fomos passando pelos espaços que ocupávamos quando estudantes.

Fiquei emocionada, como maringaense, ex-estudante e professora, ao mostrar para eles as novas construções, os novos jardins, a mudança de PD para Ciência da Computação e Informática e ao mesmo tempo relembrando nossa trajetória de estudantes. 

A UEM também me possibilitou combinar a parte tecnológica com a parte humana, o que culminou num pós-doutorado em História das Mulheres, impulsionado por minha militância no movimento feminista e por discutir a presença da mulher na tecnologia.


Mas, a UEM não é somente emoção pessoal. Ela está inserida na comunidade. Ao atuar no tripé ensino, pesquisa e extensão, contribui tanto para a formação de novos profissionais como para o desenvolvimento da região em que está situada, na sede e nos campus regionais.

Pude participar, um pouco, de perto, dessa inserção ao representar a UEM no Arranjo Produtivo Local de Software, no Conselho da Mulher, ao representar o Centro de Tecnologia no Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, com o Museu do Computador, como secretária de Administração na Prefeitura de Maringá e na apresentação de nossas pesquisas em eventos nacionais e internacionais.

Não é à toa que a UEM é detentora de pontos em estatísticas, tais como possuir o maior número de pesquisadoras, estar entre as melhores estaduais e entre as melhores do Brasil. Isso é resultado de trabalho sério e consistente, de esforço continuado com envolvimento de toda a comunidade universitária.

A pandemia mostrou, mais uma vez, o lado de integração da UEM com a comunidade, com a luta por atendimento adequado, aumento de leitos e de infraestrutura para atender pacientes de covid-19 no Hospital Universitário.


Mesmo com a tentativa de racionalizar, afinal, nem tudo são flores no mundo do trabalho, sou tomada por uma emoção muito grande. Emocionei-me ao cantar no aniversário dos 40 anos da UEM. É uma pena que, por causa da pandemia, não possamos fazer uma grande festa pra comemorar o aniversário dessa cinquentona, cuja vida se mistura com a vida da cidade. 

Livro Orfeu & Violeta. Amazon. Luiz Fernando Cardoso. Café com Jornalista

Hoje, quando passo em frente à universidade, falo para os netos com um baita orgulho: essa é a Universidade Estadual de Maringá, onde estudei e trabalhei a vida toda. Agora, compreendo o orgulho dos meus avós e pais, quando mostravam os pontos da cidade em que trabalharam ou conheceram no início da formação de Maringá. 

A gente se mistura aos locais, como se nossos corpos e mentes permanecessem neles ao longo das nossas vidas. Assim, sorrio ao pensar na UEM e ao caminhar por suas passarelas.


* Coordenadora da ONG Maria do Ingá Direitos da Mulher, Tania Tait é escritora e professora aposentada da UEM, com doutorado em Engenharia de Produção pela UFSC e pós-doutorado em História pela UEM. Seu mais recente livro é "As Mulheres na Luta Política" (2020). 



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* Os artigos não refletem, necessariamente, a opinião do Café com Jornalista, que os reproduz em exercício da atividade jornalística e amparado pela liberdade de expressão. (Do editor)



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Um comentário:

  1. Fiquei emocionado enquanto lia esse belo artigo e recordei tbm como a UEM foi importante na minha vida. Vida longa e profícua à essa cinquentona que acolhe e impulsiona a vida daqueles que com ela se relacionam.

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Editor

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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, o editor do Café com Jornalista tem 20 anos de experiência na profissão. Especialista na cobertura de política, o jornalista trabalhou nos jornais Diário do Sudoeste, Jornal de Beltrão, Diário do Norte, O Diário de Maringá e Notícias do Dia, onde foi editor-chefe. Foi estagiário na Deutsche Welle (DW), em Bonn (Alemanha), e colaborador da Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo. É escritor autor de três e-books: Orfeu e Violeta, Quero Café! e Nas Curvas de Maringá (pesquise na Amazon). Siga no Twitter: @LF_jornalista