"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade" George Orwell

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Entrevista – Andreia Souza: 'Decretos precisam ser mais bem redigidos'

03/12/2020_

Café com Jornalista – Desde o início da pandemia do novo coronavírus (covid-19), inúmeros decretos municipais foram publicados com o intuito de conter o avanço do vírus. Num vaivém de restrições e de afrouxamento das medidas adotadas, a figura do síndico tem sido importante para ajudar a vizinhança a compreender melhor o que está liberado e o que está proibido a cada novo lance de regras. 

Advogada Andreia Souza, síndica do condomínio Vivace. Café com Jornalista
Advogada Andreia Souza, síndica do condomínio Vivace – Fotos: Divulgação
Ler com a máxima atenção cada novo decreto da Prefeitura de Maringá virou uma tarefa recorrente na rotina da advogada Andreia Carvalho da Silva Souza. Pudera, além de síndica de um grande condomínio, ela é empresária no ramo de eventos, um dos mais prejudicados pela pandemia. Nos dois segmentos, há sempre alguém com dúvidas para serem esclarecidas.


Como síndica do Vivace Residente Club, condomínio com 570 apartamentos e mais de mil condôminos, ela fala ao Café sobre os impactos dos decretos na vida de quem mora em condomínio. Para a advogada, as medidas adotadas pelo município são importantes, porém, facilitaria para a população se os decretos fossem mais bem redigidos. Confira. 

***

Café com Jornalista – O primeiro decreto da pandemia proibiu as atividades coletivas nos condomínios residenciais. Essas proibições incluiam o quê? 
Andreia Souza – A pandemia alterou consideravelmente nossa rotina. Primeiro porque, embora já tivéssemos um cuidado efetivo com a manutenção e limpeza das áreas comuns, precisamos redobrar tais cuidados e cuidar também da saúde dos nossos colaboradores. O primeiro decreto, publicado pela Prefeitura de Maringá em 18 de março de 2020, trouxe severas restrições, proibindo o uso de todos os espaços comuns dentro dos condomínios residenciais. Não houve nenhum espaço que não foi atingido pelo decreto e, sendo assim, fechamos play ground, brinquedoteca, salões de jogos, beauty care, salões de festas e academias, formalizando aos moradores o pedido para que permanecessem em suas unidades e evitassem receber visitantes.


Perante os novos decretos, o que continua sendo permitido nos condomínios?
Com o passar do tempo, algumas flexibilizações vieram com novos decretos, porém, vivemos dias instáveis. Em um momento, foram reabertas as academias e beauty care. Posteriormente, em setembro um novo decreto permitiu o uso de algumas áreas, desde que houvesse concordância dos moradores e, diante disso, liberamos o uso das quadras e salões de jogos com algumas restrições, como uso limitado a um número x de pessoas, higienização mais frequente, agendamentos etc. Mas, novamente, com o último decreto, veio uma nova restrição das áreas comuns, ficando liberadas apenas as academias e a piscina de raia. 

No caso específico da piscina, ela segue liberada em qual circunstância?
Estão liberadas apenas as piscinas de raia para a prática do esporte de natação, devendo estar uma pessoa por raia.

No seu condomínio, quais são as medidas de prevenção adotadas?
Em nosso condomínio adotamos o uso do termômetro digital na entrada de prestadores de serviço e colaboradores. Posicionamos dispensers de álcool em gel em todos os elevadores e diversos pontos de acesso de pessoas, reorganizamos os horários dos funcionários para que sempre tenha alguém da limpeza durante o dia e reforçamos o controle do uso de máscara a todos que circulam em áreas comuns, notificando os moradores que infringem a regra.


Qual sua opinião sobre os decretos publicados após as eleições. Necessários?
Entendo que é necessário, sim, um rigor maior para controlar a disseminação do vírus, porém, ao que tudo indica, houve falhas na fiscalização durante um período que, unido ao cansaço da população em relação ao isolamento, ocasionou em um repentino aumento de casos. Entendo que os decretos precisam ser mais bem redigidos e pensados com cautela sobre cada restrição e sobre o impacto em cada segmento econômico que vai atingir, para evitar o retrabalho e publicações às pressas de normativas ou outros decretos, corrigindo falhas do decreto anterior, o que causa confusão na população.

Como advogada, você encontrou no decreto alguma determinação incompatível com leis vigentes ou com a própria Contituição?
Não avalio os decretos como incompatíveis com leis vigentes ou com a Constituição, pois em período de pandemia deve-se prevalecer a obrigação do Estado em garantir os direitos fundamentais constitucionais. Dentre eles está o direito à saúde, do qual derivam outros direitos, como o direito à vida. Para isso, o Estado tem o poder de determinar medidas para torná-lo possível, porém, ressalto que tais medidas precisam ser avaliadas no contexto e com fundamento legal, de acordo com a realidade de cada cidade e região. Não podemos perder de vista que existe uma necessidade de sustento de cada família que depende da economia em movimento. Penso que podemos, sim, controlar a disseminação do vírus sem "sangrar" a economia.


Qual sua expectativa pessoal em relação à vacina e ao retorno à normalidade?
Analisando os estudos sobre vacinas, minha opinião pessoal é de que ela ainda pode demorar bastante a chegar até um maior número de pessoas, de forma a garantir um retorno à normalidade. Pensando nisso, entendo que compete a cada cidadão fazer sua parte no sentido de se cuidar e cuidar do próximo para mantermos uma vida ativa e sem colocar em risco nossos entes queridos. E ainda que esta vacina chegue, sabemos que ainda há um percentual de risco e que os vírus sofrem mutações. Então, penso que muitos destes cuidados, tão divulgados hoje, já deveriam existir e devem continuar entre nós daqui para sempre. Muitas atividades deverão compreender o que é o tal "novo normal" para nos adaptarmos e seguir um curso mais próximo da normalidade que estávamos habituados.
>>> Eleições 2020

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Profissional da Saúde desabafa sobre a perda de colega que morreu de covid-19

03/12/2020_

Café com Jornalista – Esta quinta-feira (3) foi especialmente dura, triste, para os profissionais da saúde de Maringá. Nessa data, a covid-19 levou uma servidora municipal que atuava na linha de frente no combate à doença. Desta vez, a vítima foi a enfermeira Celina Antonio da Silva Souza, 51 anos.

Solange Marega e Celina Souza (à dir.) – Foto: Reprodução
A servidora de carreira atuava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Zona Norte, que em Maringá é porta de entrada no Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com suspeita de covid-19. Celina testou positivo para a doença em 23 de novembro – já no novo pico da doença na cidade –, sendo transferida para unidade de terapia intensiva (UTI) três dias depois. Ela deixa três filhos.


A perda causou grande comoção, especialmente em familiares e colegas de Celina. Profissional aposentada da saúde e ex-presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismmar), Solange Marega publicou um desabafo em vídeo, com uma mensagem de luto e um recado a pessoas idiotizadas (a expressão sublinhada é do editor do Café) que atacam os profissionais da saúde que arriscam suas vidas para cuidar dos pacientes com covid-19.

"Eles [servidores da saúde] recebem qualquer pessoa. Recebem pessoas que muitas vezes acusaram eles de estarem falsificando dados, pessoas que desobedeceram as regras. Eles atendem todos, lidando constantemente com as famílias que se sentem ameaçadas de perder seus entes, com as famílias que perderam seus entes. Mas hoje, eles [servidores] estão tendo de lidar mais uma vez com a perda de um colega de trabalho. Sim, a Celina, que atuava na UPA Zona Norte, hoje se foi com covid", disse Solange – assista ao desabafo aqui
Nas redes sociais, Liah Souza comentou a perda da mãe, agradecendo pelas orações e palavras de apoio recebidas. "Minha mãe, Celina Antonio, faleceu hoje 6h30. Infelizmente o coração dela não aguentou", escreveu Liah.


Logo cedo, o prefeito Ulisses Maia (PSD) lamentou a perda, enaltecendo as qualidades de uma servidora que, na linha de frente no combate à doença, arriscava-se para ajudar a salvar vidas em Maringá. "Celina era uma grande profissional. Uma pessoa querida e admirada entre colegas e pacientes. Meus sentimentos aos amigos e familiares", escreveu o prefeito.

A perda também foi lembrada na sessão ordinária da Câmara Municipal, na manhã desta quinta (3). Ao informar sobre a morte da servidora, o vereador Alex Chaves (MDB) pediu um minuito de silêncio em memória de Celina.


Cortejo

No fim da tarde, um cortejo fúnebre em homenagem à enfermeira e coordenadora geral da UPA Zona Norte saiu do Hospital Bom Samaritano, onde Celina esteve internada, fazendo uma parada na UPA. De lá, após a despedida de colegas de trabalho, o cortejo seguiu para o Cemitério Municipal. 

Segundo a Prefeitura de Maringá, a enfermeira estava no serviço público desde 2010. Ulisses acompanhou o cortejo. 

Cortejo em homenagem a Celina – Foto: Aldemir de Moraes/PMM


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Com novo pico da covid-19, Virada Cultural de Maringá será on-line

03/12/2020_

Café com Jornalista, com PMM – Apesar da pandemia do novo coronavírus (covid-19) e do novo pico da doença no Paraná, a Virada Cultural de Maringá 2020 está garantida. A opção da organização foi pela realização de evento não presencial, com a transmissão dos shows pelo canal da Secretaria Municipal de Cultura (Semuc) no YouTube.

A cantora Roberta Sá – Foto: Divulgação/PMM
O evento começará ao meio-dia de sábado (5). Serão mais de 12 horas de apresentações diversas, incluindo música (shows e discotecagens), poesia e teatro. Os destaques da edição deste ano são a cantora de MPB Roberta Sá e o carioca Paulinho Moska (ex-Inimigos do Rei) – ambos farão lives.

"Nos empenhamos para fazer o evento pela internet para manter a cultura de qualidade disponível para o público maringaense", diz Chico Pinheiro, secretário da Semuc. 

 Toque recolher das 23h às 5h em todo o Paraná já está em vigor

Confira a programação da virada.

• 12h - Abertura do evento 
• 12h15 - Sarau Literário - Sarau da Virada - Coletivo Pé Vermelho
• 13h15 - Culturas populares - Baque Mulher - Tambor para as Yabás 
• 14h15 - Dança - Aéreo Estúdio de Dança - Poder 
• 15h15 - DJ  -DJ Ricka Back Spin -  Freestyle-Jay 
• 16h15 - Teatro - Sérgio Torrente - Um Dedo de Prosa - Cantigas e Causos do Cancioneiro Popular 
• 17h15 - Culturas populares - Pé de Laranjeira -  Coco Juremado, Samba e afoxés
• 18h15 - Batalha de Poesias - Slam das Minas 
• 19h15 -  Música - Patrícia Borges - Do confinamento ao afeto: licença para sobreviver amanhã **
• 20h15 - Show nacional - Roberta Sá - Live
• 21h15 - Música - Corda Crua - Banda Corda Crua canta Luiz Gonzaga 
• 22h15 - Show nacional  -Paulinho Moska - Live
• 23h15 -Teatro - Cia Pedras - Corda Bamba 
• 0h15 -  DJ - M4P4 - Show Trópicos 
• 1h15 -Dança -Ballet Nara Dutra -  Edith Piaf


Covid

A Secretaria de Saúde de Maringá registrou, no boletim de quarta (2), 233 casos e mais um óbito pela covid-19. A vítima, um homem 75 anos, morreu no domingo. Ele tinha comorbidades. Leia mais.



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