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sexta-feira, 24 de julho de 2020

Em 73 anos, apenas 13 mulheres foram eleitas vereadoras em Maringá

24/07/2020_

Das Assessorias – Os números e a história embasam a luta do movimento “Mais Mulheres no Poder” por uma bancada feminina na Câmara de Maringá. Em 73 anos, apenas 13 mulheres foram eleitas vereadoras na terceira maior cidade do Estado.

Com a redução de 21 para 15 vereadores, em 2004, a participação feminina no Legislativo municipal ficou ainda mais rara. Atualmente, em sua 16ª Legislatura, as 15 cadeiras são ocupadas apenas por homens. O levantamento consta do manifesto do movimento que, esta semana, ganhou uma versão legendada – clique na imagem para assistir.


O manifesto lembra que a primeira vereadora de Maringá foi Sebastiana Costa Tobias (MDB). Eleita em 1968, quanto Maringá já tinha 16 anos de emancipação política, ela compôs a 5ª Legislatura da Câmara, entre 1969 e 1973.

O movimento suprapartidário em prol de uma bancada feminina lembra que as mulheres constituem 52% da população maringaense e 54% dos eleitores do município. Entre os objetivos do movimento, além da conquista de cadeiras na Câmara, está a ocupação de espaços de decisão, como no primeiro e segundo escalão do Executivo municipal.

"Falta muito para melhor a condição das mulheres, falta consolidar a presença igualitária da mulher nos espaços de decisão, em especial nos espaços institucionais no Legislativo e no Executivo", diz trecho do manifesto.
Em outro trecho, as pré-candidatas afirmam que as mulheres já participam da vida da cidade de diversas formas, integrando fóruns, conselhos, entidades de classe, sindicatos patronais e dos trabalhadores etc. Com um nível educacional superior à media dos homens, elas fazem da Universidade Estadual de Maringá (UEM) a segunda universidade do mundo em proporção de mulheres pesquisadoras.

A iniciativa maringaense está ecoando para além dos limites da cidade. Nesta semana, dois coletivos semelhantes foram criados: "Mais Mulheres No Poder em Sarandi" e "Mais Mulheres No Poder em São Manoel do Paraná".


Curiosidade

Segundo levantamento do jornalista Diniz Neto para a Rádio CBN, a Câmara de Maringá teve 15 cadeiras de 1956 a 1968. A bancada subiu para 17 entre 1968 e 1972 e para 21 vereadores entre 1973 e 2004. Naquele ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) baixou uma normativa, reduzindo para 15 o número de edis em Maringá.

Em 2009, a Emenda Constitucional 58 permitiu que Maringá pudesse ter entre nove e 23 vereadores. Votação ocorrida naquele ano definiu a manutenção da representatividade popular em 15 cadeiras. Em tentativas posteriores de elevar o número de cadeiras, os vereadores recuaram após pressão popular.


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Movimento

Lançado oficialmente em 24 de junho, o "Mais Mulheres no Poder" é um esforço suprapartidário sem precedentes nas eleições municipais em Maringá, que congrega 60 pré-candidatas de 16 partidos políticos. O objetivo central é aumentar a representatividade feminina no poder, em especial na Câmara e nos primeiros escalões da Prefeitura.

Na terça (28), o movimento promove a live "Mulheres na Política e Políticas para as Mulheres". A pré-candidata Majô Capdeboscq mediará a conversa entre a pré-candidata Terezinha Pereira e a pesquisadora Isadora Vier, do Numape/UEM, sobre a proposta de destinação de 4% do orçamento municipal para políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher. A transmissão será pela página do movimento no Facebook




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Sinttromar comemora Dia do Motorista

24/07/2020_

Das Assessorias – Uma das principais datas da categoria é comemorada neste sábado, 25 de julho: o Dia do Motorista. No Sindicato dos Motoristas Rodoviários de Maringá (Sinttromar) essa data nunca passa em branco.

Dia do Motorista. Café com Jornalista

As celebrações foram iniciadas, nesta sexta, com o Sinttromar oferecendo café da manhã para os motoristas no Terminal Intermodal e nas garagens. O sindicato também está presenteando os trabalhadores com uma caneca com mensagem de parabéns.


Uma faixa de 5 metros, com várias fotos de motoristas num grande mosaico, será estendida no Terminal Intermodal a partir desta sexta. A faixa trará dois dizeres: “Os motoristas merecem toda a valorização pelo serviço prestado” e “Parabéns do Sinttromar a todos os motoristas, que fazem a diferença no transporte de cargas e passageiros”. 




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Artigo: A empatia está fora de moda

24/07/2020_

Regina Daefiol* – Meu ginecologista solicitou uma série de exames de rotina, entre eles ultra-sonografias de alguns órgãos. Liguei para uma das maiores clínicas de diagnóstico por imagem de Maringá para agendar o atendimento. "A senhora prefere médico ou médica", perguntou a atendente. Pensei comigo: melhor seria uma mulher, que não só conhece como também possui a mesma anatomia que eu.


No dia marcado fui, entrei na sala de exame, me preparei e deitei, aguardando. A porta se abriu e a médica entrou. Apesar da máscara no rosto em função dos cuidados exigidos em época de pandemia, dava para perceber que era jovem. Começou o exame depois de um seco "boa tarde". Em silêncio foi percorrendo meu abdômen com o frio aparelho de ultra-sonografia.


Num dado momento, quando estava sobre um dos meus rins, começou a me fazer perguntas que estranhei. Vi, pela tela do equipamento, que sobre as imagens ela marcava alguns pontos e transmitia instruções para que sua auxiliar no exame registrasse. Como qualquer leigo, que tem todo o direito de saber o que um médico está observando ao examinar o seu corpo, perguntei se havia algum problema com o meu rim.

Secamente, a jovem médica respondeu: "um cisto". Fiquei em silêncio, esperando que viesse algum outro tipo de explicação – como já aconteceu em outras vezes em que passei por esse exame e que o examinador encontrou algo diferente. Como a médica nada mais disse, arrisquei: "é algo sério?". Secamente, ela respondeu: "normalmente não". E só. E prosseguiu com o exame, sem se preocupar com o que eu estava pensando ou sentindo depois de sua fala.

E mais. O próximo exame era uma ultrassonografia transvaginal, aquela que mulher nenhuma gosta de fazer porque significa ser penetrada por um estranho objeto, situação nada confortável. A jovem médica simplesmente introduziu o aparelho sem nenhuma palavra, muito menos um pedido de licença como outros médicos e médicas – esses bons conhecedores do termo empatia e do significado da palavra respeito – já fizeram em exames semelhantes pelos quais passei.


Terminada a exploração ultrassonográfica do meu corpo, não tive dúvida: esperei o laudo para ver se havia algum termo que eu pudesse pesquisar ou me dar uma pista sobre o significado daquele achado no meu rim. Cheguei em casa, pesquisei.

Confesso que apelei ao Google, que nesses casos sei que é péssimo conselheiro, mas tive sorte de encontrar alguns artigos acadêmicos na área de radiologia e descobrir que um cisto simples, como constava no laudo, era algo corriqueiro em minha idade. Estivesse a empatia na moda e nada disso seria necessário. Bastava uma ou duas palavras da sisuda médica. Tão jovem!

Fico me perguntando o que está sendo ensinado a esses médicos e médicas nos bancos da academia. Será que o conhecimento técnico da profissão é tão enorme que ocupa todos os espaços do cérebro, não sobrando nada para o sentir-se humano diante de seu semelhante? Ou será que esta geração esqueceu que, antes de tudo, somos todos humanos?

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E o que dizer de uma mulher, ao examinar outra mulher, agindo como se ali não estivesse alguém que sente os mesmos desconfortos que ela sentiria? A empatia é mesmo um artigo fora de moda. Demodê, antiquada, eu em esperar encontrá-la assim, dando sopa, num ambiente em que um ser humano se sente uma grande autoridade por deter um conhecimento técnico.


Pobre jovem médica! Terá ainda muito a aprender pelo caminho da vida. Como tenho empatia, desejo que ela aprenda de maneira suave.

* Regina Daefiol é jornalista e historiadora


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