"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade" George Orwell

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Artigo: A importância da mulher na política

17/07/2020_

Por Tania Tait* – Com base no fato de que as mulheres são 52% da população brasileira e que ocupam menos de 10% de cargos na política, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem se empenhado em campanhas de estímulo para que as mulheres sejam candidatas.

De acordo com os dados do TSE, nos últimos anos mais mulheres foram candidatas, no entanto, o percentual de mulheres na política não se modificou, e as mulheres continuam sendo apenas 10%.

A importância da mulher na política. Café com Jornalista
Imagem: site Metrópoles
Diante disso, vários partidos têm incentivado as mulheres a ser candidatas, principalmente pela representatividade populacional, sem, entretanto, preparar as candidaturas ou fortalecê-las com tratamento igual ao dado aos candidatos homens em termos de orçamento, visibilidade e ocupação do espaço nos meios de comunicação.


As mulheres, além de serem a metade da população brasileira, são as mais qualificadas em anos de estudo e as que mais chefiam as famílias brasileira. Também são as mulheres, em sua maioria, que gerenciam os lares, que acompanham as crianças na escola, os idosos e doentes na área de saúde, que circulam no comércio e movimentam a economia local. Portanto, as mulheres conhecem o cotidiano das atividades e sabem dos problemas.

Contudo, as mulheres não têm representatividade no momento de decidir como estes serviços são fornecidos e não participam do processo de decisão que influência suas vidas e das famílias.

Graças ao movimento feminista e ao movimento de mulheres em geral, muitas conquistas foram obtidas ao longo do tempo, como políticas públicas para mulheres, no combate à violência contra a mulher, na geração de emprego e renda, nos direitos reprodutivos, entre outros. O esforço se torna imenso na medida em que as mulheres precisam convencer aqueles que detêm o poder sobre as suas necessidades.


Cientes disso, as mulheres têm se organizado na sociedade civil de diversas formas, com o objetivo de estimular mulheres para que atuem na área política, garantindo dessa forma, a representatividade que é devida.

Em Maringá, especificamente, são conhecidos três movimentos: o movimento "Mais Mulheres no Poder"; a campanha "Mulheres, passou da hora, vamos ocupar a política!", do Fórum Maringaense de Mulheres; e campanhas de organizações não governamentais que buscam formar as mulheres para a luta política. Destaque para a ONG Maria do Ingá Direitos da Mulher, o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, a Associação Maringaense LGBT e a Associação Nenhuma a Menos.

O "Mais Mulheres no Poder" trouxe uma ação inédita para Maringá ao reunir pré-candidatas a vereadoras para que a Câmara Municipal de Maringá tenha mulheres. Na atual legislatura, tivemos apenas a presença da professora Vilma (PT) por dois meses como suplente. O movimento tem apoio da OAB-Maringá, do Fórum Maringaense de Mulheres e de várias entidades da sociedade civil.


Maringá, em seus 73 anos de história, teve apenas 13 vereadoras, nenhuma prefeita ou vice-prefeita.
Uma das atividades do "Mais Mulheres no Poder" tem sido a realização de debates on-line, com apresentação de pré-candidatas.
 
No último dia 16, foi realizado o debate sobre o tema "A importância da representatividade da mulher na política", com três convidadas que se apresentam como pré-candidatas a prefeita e a vice-prefeita para as Eleições 2020 em Maringá. As convidadas foram Akemi Nishimori (PL), Coronel Audilene (PP) e Tania Tait (PT) com mediação da advogada Alana Marquezini.

No debate, foram tratados temas relativos a orçamento público, políticas públicas para mulheres, geração de emprego e renda, desenvolvimento regional e integração entre as áreas da Prefeitura. 
Discutiu-se, também, a necessidade de descontrução do machismo na sociedade, a igualdade entre mulheres e homens colocada na nossa Constituição de 1988 e o olhar da mulher sobre os problemas sociais. 


A reivindicação do "Mais Mulheres no Poder", de que 50% dos cargos de confiança no primeiro e segundo escalão da Prefeitura sejam ocupados por mulheres foi tratada no debate, com relato de partidos que já possuem essa experiência em suas direções, com 50% dos cargos ocupados por mulheres.

Livro Orfeu & Violeta. Amazon. Luiz Fernando Cardoso. Café com Jornalista

Ao fim do debate, as convidadas confirmaram o compromisso de atuar contra candidaturas fictícias (chamadas também de candidaturas laranjas) e trabalhar para o aumento do orçamento para as políticas públicas para as mulheres. Esse foi o primeiro debate que reúne mulheres discutindo a cidade e o papel do Executivo. Certamente, o debate entra para a história de Maringá, mostrando que as mulheres têm experiência, capacitação e qualificação para resolver os problemas da cidade.

Coordenadora licenciada da ONG Maria do Ingá Direitos da Mulher, Tania Tait é escritora e professora aposentada da UEM, com doutorado em Engenharia de Produção pela UFSC e pós-doutorado em História pela UEM. Seu mais recente livro é "As Mulheres na Luta Política" (2020).



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Aeroporto de Maringá precisará de aporte de R$ 700 mil por mês do município

17/07/2020_

A crise causada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19) atingiu em cheio vários setores da economia, e a atividade aeroportuária está, seguramente, entre as mais afetadas. No Aeropoto Regional de Maringá, a queda na receita total mensal foi de 81% entre janeiro e maio.

Aeroporto Regional de Maringá. Café com Jornalista
Aeroporto Silvio Name Júnior, em Maringá – Foto: Andye Iore/PMM
No primeiro mês de 2020, o aeroporto teve R$ 1,1 milhão de receitas tarifárias e R$ 438,4 mil de não tarifárias, totalizando R$ 1.542.358. Em maio, a soma dessas receitas minguou para R$ 292.511. Os dados são de um relatório da Terminais Aéreos de Maringá (SBMG).


O relatório foi apresentado por Sidnei Telles (Avante), semana passada, em sessão ordinária da Câmara Municipal. Vereador membro do Conselho de Administração do Aeroporto, Telles disse aos seus pares que o município precisará fazer um aporte de R$ 700 mil por mês no aeroporto.

"Tivemos uma redução nas despesas. No entanto, isso não é suficiente para poder rever o quadro, que vai levar Maringá a ter de fazer um aporte de R$ 700 mil por mês a partir de, provavelmente, agosto ou setembro", disse Telles.
O vereador abordou o tema, mencionando dados do relatório, para que seus colegas no Legislativo não se surpreendam quando o projeto de lei der entrada na Câmara propondo alterações no orçamento para ajudar o aeroporto. Não se trata de "se" isso vai acontecer, mas de "quando". "Em vários lugares do mundo, os países se moveram para salvar os aeroportos", disse o parlamentar do Avante.


O relatório da SBMG aponta que ajustes foram feitos para reduzir gastos na pandemia. Entre janeiro e maio, a planilha de "custos" (gastos com a manutenção do aeroporto, incluindo serviços auxiliares nos transportes aéreos) teve queda de 44,3%. No mesmo período, as "despesas" (gastos administrativos com as atividades operacionais) caíram 62,5%. 

Ainda assim, o resultado operacional é preocupante. Sem o fluxo de passageiros dos tempos de normalidade, o Aeroporto Regional de Maringá operou no vermelho em cerca de meio milhão de reais nos dois últimos meses do relatório. 


Em abril, o prejuízo foi de R$ 487,3 mil e em maio, de R$ 508,4 mil. A título de comparação, em março, o aeroporto operou no azul em R$ 2.692. Como o serviço prestado não se limita aos maringaenses, Telles disse aos demais vereadores que o Conselho de Administração do Aeroporto espera que a ajuda venha também de repasses dos governos estadual e federal.

 Danilo Gentili sobre Bolsonaro: "Esse psico não me engana mais"
 Artigo: Não, essa culpa não lhe cabe, Ulisses Maia



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Cota mínima de 30% nas chapas para vereador vale para homens e mulheres

17/07/2020_

Nas eleições proporcionais (Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e câmaras municipais) cada partido político ou coligação deve preencher a chapa proporcional com o mínimo de 30% e máximo de 70% de cada sexo. No entanto, mais de duas décadas depois, a regra incluída no artigo 10 da Lei 9.504/1997 ainda causa dúvidas.

Live do movimento Mais Mulheres no Poder. Café com Jornalista
Movimento Mais Mulheres no Poder tocou no assunto da cota na live desta quinta (16). Clique na imagem para assistir
A desinformação sobre o tema é tão recorrente que entrou no radar do movimento "Mais Mulheres no Poder", que tem entre seus objetivos informar a população e combater fake news sobre as candidaturas femininas. Na live desta quinta-feira (16), "A Importância da Representatividade da Mulher na Política", o assunto da cota foi discutido pelas pré-candidatas Akemi Nishimori (PL), Tania Tait (PT) e Coronel Audilene (PP) – a primeira a prefeita, as demais a vice-prefeita.


No último dia 10, um esclarecimento sobre o tema foi levado ao ar no programa Pan News, da Rádio Jovem Pan. Durante a entrevista com Aline Câmara (Rede) e Terê Pereira (PP), pré-candidatas a vereadora e articuladoras do movimento, um ouvinte criticou a cota, dizendo haver reserva de 30% apenas para mulheres. Elas poderiam compor 100% numa chapa de vereadores, enquanto os homens não poderiam somar mais de 70% na chapa.

O entendimento equivocado do ouvinte foi de pronto rebatido por Aline. “Na verdade, não é permitido uma chapa só de mulheres. Não procede essa informação”, comentou a articuladora do movimento. “70% é o máximo de um gênero”, acrescentou.


Na mesma entrevista, em resposta a um comentário de um dos entrevistadores, Terê explicou que, não fosse por essa legislação, a participação das mulheres na política e o acesso aos cargos eletivos seria ainda menor. “Na Câmara [de Maringá] existe igualdade, mas não existe equidade. São 15 homens lá. Não há voz feminina”, disse.



Discursos de oposição à cota de gênero nas eleições repercutiram no Congresso, como no caso do projeto de lei (PL) 1.256/2019, que pretendia revogar o percentual mínimo de 30% e desestimular ainda mais a participação feminina na política. “Só conseguimos ter direito a voto nos anos 1930. Lutamos muito para chegar aqui. Esse projeto é um acinte, uma agressão contra as mulheres brasileiras. Isso é terrível”, disse a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), à época.

“É preciso pensar no contencioso histórico em que estamos incluídas. Nossa luta é para ter mais mulheres na política, fazendo jus aos 51% que representamos na sociedade brasileira”, comentou a senadora Rose de Freitas (Podemos-ES), sobre a cota de gênero. 
O PL não properou, tendo sido rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por 16 votos a 2. Assim, a regra da cota está valendo para as eleições deste ano.

 Danilo Gentili sobre Bolsonaro: "Esse psico não me engana mais"
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