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quinta-feira, 7 de maio de 2020

Sem transparência, lei que criou o Fundo Covid corre o risco de 'não pegar'

07/05/2020


Criado após a polêmica causada pelo reajuste de 4,3% dos subsídios, em meio à pandemia, o Fundo Covid parece ser mais uma daquelas leis nascidas para "não pegar". A lei aprovada pela Câmara Municipal, em 31 de março, e sancionada pelo prefeito Ulisses Maia (PSD), em abril, acalmou os críticos do reajuste. Semanas depois, não se sabe quem doou nem como fazer para doar ao fundo.


Vereador Sidnei Telles (Avante)
Vereador Sidnei Telles (Avante) – Reprodução: TV Câmara

Na sessão ordinária de terça-feira (7), o vereador Sidnei Telles (Avante) afirmou que fará a doação do valor referente ao reajuste de 4,3% do subsídio, e convidou os demais vereadores e também o prefeito, o vice-prefeito e os secretários municipais a fazerem o mesmo. Naquela ocasião e na sessão desta quinta (7), nenhum outro parlamentar tocou no assunto.


Se todos esses mencionados por Telles aderissem, o Fundo Covid poderia arrecadar R$ 78 mil até o fim de 2020. Com o reajuste de 4,3%, cada vereador passou a ganhar R$ 395,98 a mais por mês (R$ 593,97 no caso do presidente da Casa). Veja abaixo como ficaram os subsídios em Maringá. 


 

"Já fiz minha solicitação para que a diferença do meu salário seja depositada nesse fundo", disse Telles, que também convidou os empresários da cidade a fazerem doações mensais por meio do Fundo Covid. "Em alguns lugares do Brasil, empresários tem se unido para dar 1% de seus salários

para ajudar no combate da covid-19", comentou.


Segundo Telles, as doações ficarão registradas e serão nominais, permitindo à população saber quem fez as doações. Na teoria, era para ser assim; na prática, falta transparência. Não há qualquer indicação nos sites da Câmara e da Prefeitura sobre como e onde doar. Também não está claro como os dados serão disponibilizados ao público. 



Sem transparência, o objetivo pelo qual se criou o fundo pode não ser alcançado. Bastante criticados por terem reajustado os subsídios juntamente com os salários dos servidores municipais de carreira, e informados de que a revogação desse reajuste causaria problemas jurídicos, os vereadores viram no fundo uma alternativa para abrirem mão dos 4,3%. Semanas depois, a maioria já não toca mais no assunto. 


Veja o que foi publicado sobre o Fundo Covid


Fundo deve receber R$ 78 mil dos 4,3% de reajuste dos subsídios

Vereadores desistem de revogar reajuste após orientação do jurídico

Hossokawa fala em revogar os subsídios, incluindo o do prefeito




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Artigo: Da aids à covid-19, o povo em meio à criminosa irresponsabilidade do governo federal

07/05/2020


Por Tania Tait


Nos anos 1980, tivemos o surgimento do vírus da aids, o HIV. Primeiro, pensava-se que o contágio se dava apenas entre homossexuais. Depois, apareceu o contágio entre hemofílicos e em transfusões de sangue, até que deixou de existir grupo de risco, mas, sim, grupo de exposição ao vírus. A camisinha passou a ser acessório obrigatório em qualquer forma de amor, mesmo com a chegada do coquetel e remédios que amenizam a doença. Perdemos muitas pessoas nos anos 1980 e 1990, desde grandes artistas como Fred Mercury e Cazuza até anônimos amigos queridos. O vírus HIV deixou de ser número e passou a ter rostos e nomes.



Atualmente, as pessoas portadoras de HIV conseguem sobreviver, sempre com acompanhamento e cuidados. No entanto, o vírus está aí.  Pesquisa recente mostrou que mulheres grávidas têm sido as mais infectadas por doenças sexualmente transmissíveis (entre elas, o HIV), com possibilidade de transmissão aos seus bebês. Os governos pararam de fazer campanhas de combate à aids como se ela não existisse mais. Contudo, sabemos que o HIV continua pelo mundo. Alguns governos transmitem a mensagem de que é problema de quem faz sexo sem proteção, cortando verbas para prevenção e assistência.


Nos anos 2000, nos debatemos com a busca de cura para a gripe A (vírus H1N1), quando aprendemos a lavar as mãos, não coçar o nariz e a cobrir o rosto quando tossir ou espirrar. Com o surgimento da vacina, aprendemos a nos vacinar. No meio de tudo isso, ainda convivemos com a dengue, com doenças como tuberculose e hepatite, com doenças sexualmente transmissíveis, entre outras.


E agora, em 2020, nos deparamos com um vírus novo e avassalador, o coronavírus (causador da doença respiratória covid-19), o qual se espalhou assustadoramente pelo mundo todo, com milhares de morte e contágios. O acessório necessário passa a ser a máscara. E a medida para evitar a doença passa a ser o isolamento social. Da mesma forma que no período do surgimento da aids, há o negacionismo e o direcionamento a um grupo de risco. No entanto, muito mais rápido, o coronavírus mostra que não existe grupo de risco. Todos são grupos de risco, o que existe é grupo de exposição ao vírus.


Infelizmente, o governo brasileiro, que optou por não fazer campanhas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, como se fosse responsabilidade individual, age da mesma forma irresponsável diante desse coronavírus mortífero. Ao subnotificar casos, ao não preparar hospitais com equipamentos e profissionais, ao boicotar o isolamento e a negar a existência do coronavírus, o governo nega a gravidade da situação e leva milhões de brasileiros à morte. Esse comportamento influencia pessoas que são seguidoras do governo que, em nome de manter a economia, prefere perder vidas brasileiras.


No fechamento deste artigo, o Brasil, que possui mais de 210 milhões de habitantes, tem mais mortes por covid-19 que a China, que possui 1,4 bilhão de habitantes. Em 28 de abril, ao ser questionado sobre o aumento de mortes no país – que naquela altura superava os 5.000 óbitos –, o presidente da República respondeu: "E daí, lamento, quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagres". Eu, como brasileira e cidadã do mundo, respondo a você, presidente, que não respeita nem os votos nem a vida de quem o elegeu. Por apoio humanitário, por respeito aos doentes e mortos pelo coronavírus e suas famílias, pelos profissionais de saúde e cientistas que atuam no combate ao coronavírus, por mim, por nossas famílias e amigos, por todos e todas nós, pelo povo brasileiro, eu VOTO: #ForaBolsonaro, e leve seu vice, sua família e sua turma com você!


Tania Tait

* Coordenadora da ONG Maria do Ingá Direitos da Mulher, Tania Tait é escritora e professora aposentada da UEM, com doutorado em Engenharia de Produção pela UFSC e pós-doutorado em História pela UEM. Seu mais recente livro é "As Mulheres na Luta Política" (2020).


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Fotos de Fátima Bernardes nua aos 20 anos? É fake news antiga!

07/05/2020

Fotos da jornalista e apresentadora Fátima Bernardes antes da fama, aos 20 anos, vazaram nas redes sociais, acompanhadas da mensagem: "Bem que o William Bonner tentou impedir a divulgação das fotos na Justiça. Não conseguiu". Será mesmo? O que dizem os sites de fact checking especializados em desmentir boatos?

A modelo Petra Vachouskova, da República Checa
A modelo Petra Vachouskova, da República Tcheca
Os traços lembram, e muito, os de Fátima Bernardes, o que levou as fotos a viralizarem. No entanto, segundo o site Boatos.org, as fotos são da modelo Petra Vachouskova, da República Tcheca. Trata-se de um boato antigo que, como a maioria das fake news, volta e meia reaparece – enganando novamente um grande número de desavisados. 


"A modelo já fez outros ensaios e participou de comerciais e filmes curta-metragem. Sua semelhança com a apresentadora brasileira fez sucesso antes, tanto que há vestígios desse boato em 2014 e 2012", diz matéria da Boatos.org publicada em maio de 2015

Em versões anteriores, o boato dizia se tratar de um ensaio para a revista masculina Playboy quando a apresentadora tinha 20 anos. A última versão dessa fake news, porém, não traz esse conteúdo. 

O Café aproveita a postagem para reforçar o pedido para que não se compartilhe nada sem checar, especilamente quando se trata de questões de saúde pública, como vacinas e o novo coronavírus. As fake news podem ser mais perigosas do que parecem. 





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