"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade" George Orwell

sábado, 25 de abril de 2020

Cafeinado: Sergio Moro corre risco e precisa ter sua segurança garantida

25/04/2020

São três as preocupações centrais após a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública: 1) A garantia da autonomia da Polícia Federal (PF), que é um órgão de Estado, e não de governo; 2) A investigação a fundo das acusações feitas pelo ex-ministro, as quais não podem ser abafadas sob qualquer pretexto – nem mesmo o da pandemia; 3) A segurança pessoal do ex-juiz federal da Lava Jato.

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro – Foto: Agência Brasil
O ex-ministro da Justiça Sergio Moro – Foto: Agência Brasil
Vou iniciar pela última das três preocupações. Como qualquer pessoa que sabe demais, cujas informações podem prejudicar indivíduos muito poderosos, Moro corre sério risco. Queima de arquivo não é coisa só do cinema, vide morte suspeita do miliciano e ex-policial militar Adriano da Nóbrega, que estava foragido da Justiça quando foi morto, em fevereiro, após confronto com policiais na Bahia. Ele sabia demais.

Moro provou que suas acusações são sólidas ao revelar ao Jornal Nacional (Rede Globo) trechos de conversas, via WhatsApp, que evidenciaram o interesse do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em barrar investigações conduzidas pela PF. As informações privilegiadas de Moro são, portanto, de interesse nacional, e isso tem de ser preservado pela própria PF.

Segurança

O risco corrido por Moro é real. Levanto a questão por não ter encontrado no noticiário nenhuma informação sobre a segurança do ex-ministro. Na Magistratura e também no ministério, Moro contava com escolta policial. Agora, como fica a questão se ele não ocupa mais cargo público? Autoridades competentes (sinceramente, não sei dizer de quem seria a competência) precisam agir para garantir a escolta da PF a Moro – se é que já não agiram.

Item 2º
A investigação a fundo das acusações feitas pelo ex-ministro. Novos processos de impeachment protocolados contra Bolsonaro, proposta de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e o interesse da CPI das Fake News em ouvir Moro são bons sinais de que isso ocorrerá. Além disso, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar as acusações, e cremos que o STF aceitará o pedido.

Item 1º
A garantia da autonomia da Polícia Federal. A escolha de um apoiador da família Bolsonaro para o cargo de diretor-geral da PF não pode ser aceita, ainda que o currículo da pessoa sustente alegação de "critério técnico". Não houve esse critério na exoneração do ex-chefe da PF, Maurício Valeixo. Segundo matéria da Folha de S.Paulo, o presidente quer no cargo o chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem. Homem de confiança de Bolsonaro e amigo pessoal dos filhos do presidente, Ramagem representaria um risco à autonomia da PF.


Ricardo Barros

O deputado federal Ricardo Barros (PP), ex-ministro da Saúde no governo Michel Temer (MDB), testou positivo para o novo coronavírus. Internado na Santa Casa de Maringá, em observação, ele publicou o resultado do exame em sua página no Facebook, por volta das 22h deste sábado (25). Fez, como homem público, o que Bolsonaro deveria ter feito. "Sigo com fé", escreveu Barros, agradecendo pelas orações.

Covid-19

O Brasil superou, neste sábado, 58,5 mil casos confirmados de coronavírus (covid-19). Nas últimas 24 horas, entraram nas estatísticas 5.514 pessoas infectadas, um aumento de 7,1% e relação a sexta (24). Até o momento, são 29.160 recuperados, o que equivale a 50% dos pacientes, e outros 25.333 estão em acompanhamento, o equivalente a 43%. Os dados são do Ministério da Saúde.

Mortes

Infelizmente, foram confirmados 346 novos óbitos em 24 horas. O número de vítimas fatais no país subiu para 4.016, porém, ainda existem 1.312 mortes em investigação, de pessoas que haviam sido internadas com suspeita de covid-19. Vale ressaltar que o balanço do Ministério da Saúde é divulgado no fim da tarde, com base em dados repassados pelas secretarias estaduais de Saúde após o meio-dia. Ou seja, levantamentos em tempo real, como o do portal G1, apresentarão um número maior de óbitos.

Por Estado

São Paulo se mantém como epicentro da pandemia no país, concentrando o maior número de falecimentos (1.667). Na sequência, aparecem Rio de Janeiro (615 mortes), Pernambuco (381), Ceará (310) e Amazonas (287), Maranhão (100), Pará (86), Bahia (70) e Paraná (69). Em Maringá, ninguém mais morreu pela covid-19. Permanecem os mesmos cinco óbitos, o que dá à população uma certa sensação de tranquilidade frente ao afrouxamento no isolamento social.

Meme

Já contamos no Café sobre o decreto maringaense que proíbe que se faça a barba nas barbearias. Vivou meme. Leia a matéria aqui.


Entrevista

A coordenadora do Observatório das Metrópoles da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ana Lúcia Rodrigues, será a entrevistada do Café neste domingo. Entre os assuntos estão o pico de contágio da covid-19 em Maringá, o aumento da desigualdade social na pandemia, o afrouxamento do isolamento social e as eleições municipais deste ano. A entrevista deve ser publicada na tarde deste domingo (26).

Feira da Mauá

Uma das feiras livres mais tradicionais de Maringá, a feira da Avenida Mauá, realizada aos domingos de manhã, foi transferida para o estacionamento do Estádio Willie Davids no período da pandemia. A feira funcionará das 7h às 12h, respeitando as determinações do Decreto 578/2020, publicado na última quarta-feira. É bom lembrar que clientes e feirantes precisarão estar de máscara.

Fórmula 1

Ótimo bate-papo entre os pilotos Rubens Barrichello – o melhor brasileiro na F1 depois de Senna, Piquet, Fittipaldi e Massa (nessa ordem) – e Christian Fittipaldi. Eles iniciaram praticamente juntos na F1, nos anos 1990.





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Vereadores trocam farpas sobre fim do toque de recolher em Maringá

25/04/2020

A sessão ordinária de quinta-feira (23) da Câmara Municipal – a primeira após a retomada das atividades do Legislativo – foi marcada pela troca de farpas entre os vereadores Carlos Mariucci (PT) e Jean Marques (Podemos). O motivo da bronca foi a decisão liminar que suspendeu, em 16 de abril, o toque de recolher em Maringá.

Vereadores Carlos Mariucci e Jean Marques Maringá
Vereadores Carlos Mariucci e Jean Marques – Fotos: Reprodução/TV Câmara
A decisão pelo fim do toque de recolher foi criticada pelo vereador de esquerda, gerando reação no vereador de direita. Marques foi um dos advogados da cidade a ter o pedido pelo fim do toque de recolher deferido pela Justiça.

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Durante a sessão, Mariucci considerou um retrocesso as liminares que resultaram no afrouxamento do isolamento social. "Não tem lógica abrirmos guarda justamente no momento mais crítico [da pandemia]", disse. "Um absurdo a liminar do toque de recolher. Enquanto alguns se preocupam em preservar a vida, outros se preocupam em preservar o dinheiro, a questão econômica", acrescentou, sem citar nomes. 

Marques tomou para si a crítica. "Fui eu que entrei com o habeas corpus coletivo, porque absurdo é o toque de recolher", rebateu. "Vivi para ver a esquerda pedir toque de recolher. A esquerda, que bateu tanto na ditadura, pedindo toque de recolher fora do estado de necessidade", ironizou.

O autor do pedido alegou, na sessão e também em juízo, que a medida adotada pelo prefeito era inconstitucional. "A Constituição só admite toque de recolher em estado de sítio ou em estado de defesa [durante uma guerra, por exemplo], e o país não vive nenhum desses dois momentos. Portando, medida ditatorial e autoritária", disparou Marques.

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Ao mandar Mariucci para a Venezuela, abriu-se a oportunidade da tréplica. "Não me dirigi a ele [Marques], mas se a carapuça serviu. Não vou entrar nesse debate. Estamos num período de calamidade, com a necessidade de recolhimento. Vamos defender a vida, aquilo que é fundamental", disse o petista.

O vice-presidente da Câmara, Mário Verri (PT), que substituía o presidente Mário Hossokawa (PP) na condução dos trabalhos, lamentou o teor da troca de farpas. "As discussões têm de ser maiores do que isso. É ignorância colocar esquerda e direita neste momento", disse Verri. Hossokawa se ausentou por motivo de saúde.

Toque de recolher

Adotada pelo prefeito Ulisses Maia (PSD) para ampliar a prevenção ao novo coronavírus (covid-19), a medida estava em vigor desde 23 de março, por força do Decreto Municipal 464/2020. O toque de recolher proibia o trânsito de pessoas entre as 21h e 5h da madrugada, com previsão de multa de R$ 300. A proibição não valia para profissionais de saúde, segurança, serviços públicos, motoboys de delivery e outras áreas essenciais com comprovada necessidade de urgência.

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Com saída de Moro, euro supera R$ 6 pela primeira vez na história e dólar bate novo recorde

25/04/2020

Com Agência Brasil – Num dia de nervosismo no mercado brasileiro, o dólar comercial ultrapassou a barreira de R$ 5,60 e fechou no maior valor nominal (sem considerar a inflação) desde a criação do real. A moeda encerrou a sexta-feira (24) vendida a R$ 5,668, com alta de R$ 0,14 (+2,54%).

O euro comercial foi vendido a R$ 6,116, fechando acima dos R$ 6 pela primeira vez na história. Com isso, uma nota de 500 euros passa a valer R$ 3.058.

Efeito Sergio Moro: Euro vendido a R$ 6,116
Em relação ao dólar, a cotação começou o dia em torno de R$ 5,55, mas aproximou-se de R$ 5,70 após a demissão do ministro. Na máxima do dia, por volta das 14h50, a moeda chegou a ser vendida a R$ 5,74.

Acusações de Moro podem realizar profecia do haitiano para Bolsonaro

A alta – tanto do dólar como do euro – poderia ter sido maior caso o Banco Central (BC) não tivesse intervindo no mercado. A autoridade monetária fez quatro leilões de venda direta de US$ 2,175 bilhões das reservas internacionais e dois leilões de venda com compromisso de recompra de US$ 700 milhões. O BC fez ainda leilões de contratos novos de swap (venda de dólares no mercado futuro), mas o resultado não foi divulgado. A divisa acumula alta de 41,25% em 2020.

Além da renúncia do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o mercado está sendo influenciado pela perspectiva de queda dos juros. Na quarta (22), o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que o cenário para a Selic (taxa básica de juros) mudou depois da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Juros mais baixos tornam menos atrativos os investimentos em países emergentes, como o Brasil, estimulando a retirada de capitais por estrangeiros. As tensões políticas internas também interferiram no mercado.

Ex-presidentes comentam saída de Moro; FHC pede renúncia de Bolsonaro

Em relação aos demais países emergentes, o real foi a moeda que mais se desvalorizou na sexta. O Ibovespa descolou-se do mercado externo. Influenciado pela recuperação da crise de petróleo e por um pacote de ajuda a empresas norte-americanas, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, encerrou o dia com ganhos de 1,11%.

Bolsa em queda

A bolsa operou o dia inteiro em queda, mas despencou depois do anúncio da demissão de Moro. O índice Ibovespa, da B3, a bolsa de valores brasileira, caiu 5,45%, fechando aos 75.331 pontos, no menor nível desde 6 de abril. Por volta das 12h30, o índice chegou a cair 9,5%, ameaçando o acionamento do circuit breaker, quando as negociações são interrompidas por meia hora quando o recuo supera os 10%.

Moro deixa o governo após interferência política de Bolsonaro na PF




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