"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade" George Orwell

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Cafeinado: Osmar Terra já é ministro da Saúde na Austrália

06/04/2020

No meio da tarde desta segunda (6), o jornal O Globo dava com manchete, em seu site, a decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Acabou não demitindo, ao menos por enquanto. Pela vontade do presidente, o cargo já seria ocupado pelo deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), ideologicamente mais alinhado ao presidente, inclusive nas questões envolvendo o novo coronavírus (covid-19).

Osmar Terra e Jair Bolsonaro – Foto: Arquivo/Agência Brasil
Para jornalistas que cobrem o Planalto, parece ser questão de tempo para a troca se confirmar. Há indícios que sustentam essa expectativa. No início da tarde, Bolsonaro se reuniu com ministros envolvidos no combate à covid-19. Mandetta não foi convidado, mas Osmar Terra participou, mesmo não sendo ministro. Na semana passada, Bolsonaro também havia se reunido com Terra para falar da pandemia. Mandetta também não estava presente.

No domingo, Bolsonaro disse a apoiadores que há pessoas em seu governo que "viraram estrelas", que "falam pelos cotovelos", e que a hora deles vai chegar. "Não tenho medo de usar a caneta"disparou, em vídeo compartilhado em seu perfil no Twitter. Ou seja, parafraseando a expressão de fim de ano, de que "já é ano novo na Austrália", há elementos robustos para apontar que "Terra já é ministro da Saúde na Austrália".

O guru
Fala-se que Bolsonaro quer demitir Mandetta por este ter seu trabalho mais bem avaliado que o do chefe. Pode ser, mas a convicção pela exoneração do ministro, certamente, veio depois de o escritor e ideólogo Olavo de Carvalho pedir publicamente a saída de Mandetta por falta de "fidelidade ideológica". Todos sabem: Olavo é o guru intelectual do presidente. Para a família Bolsonaro e para os bolsonaristas mais assíduos, o ex-astrólogo é um gênio incontestável. Se ele mandar comer merda...

Os militares
No entanto, a balança do presidente tem dois pesos. Os militares de alta patente costumam ser um contrapeso à influência de Olavo de Carvalho no governo. E isso ocorreu novamente. Segundo a revista Veja, militares, entre eles os ministros Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Governo), foram determinantes para manter Mandetta no cargo, ao menos por mais alguns dias. O vice-presidente, Hamilton Mourão também se posicionou a favor de Mandetta.

Charge I



Osmar Terra
Ex-ministro do Desenvolvimento Social no governo Michel Temer (MDB) e ex-ministro da Cidadania do atual governo, o deputado federal Osmar Terra (MDB) teve passagens discretas por ambos os ministérios. Por mérito, não mereceria a pasta da Saúde. Médico por formação, Terra diz tudo o que Bolsonaro quer ouvir. Ele defende o isolamento vertical (no qual idosos ficam em isolamento e jovens saem às ruas) e condena a quarentena.

Osmar "Terra Plana"
Nas redes sociais, parlamentares de direita e de esquerda se manifestaram sobre a possível demissão do ministro. "Mandetta pode ser substituído pelo terraplanista sanitário Osmar Terra, defensor do fim do isolamento", tuitou o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL). "Sem Mandetta, ficaremos reféns de 'achismos' e iremos na contramão do resto do mundo, que faz isolamento social", disse a ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, Joice Hasselmann (PSL).

Quem é Mandetta?
Em apresentação feita pela direita, saiba mais sobre o ministro que tem brilhado mais que o presidente, e que tem feito um importante trabalho no combate ao novo coronavírus. O vídeo é do Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudou a eleger Bolsonaro em 2018.


Comércio
Várias cidades da região metropolitana de Maringá flexibilizaram o isolamento social, permitindo a reabertura parcial do comércio. Algumas cidades mais, outras menos. Em Maringá, novo decreto do prefeito Ulisses Maia (PSD) permitiu a abertura de alguns segmentos, que não representam mais de 5% dos empreendimentos. A medida desagradou tanto quem pede o isolamento quanto quem cobra a reabertura do comércio.

Sinuca de bico
Não é fácil ser prefeito. Como tantos outros líderes municipais, Ulisses está na berlinda ou, como diz o ditado, numa sinuca de bico. Se não abrir o comércio, pode ser cobrado pelo empresariado pelas perdas de emprego e pelo fechamento de alguns negócios. Contudo, se liberar geral e a covid-19 fugir do controle – o que esgotaria rapidamente a capacidade hospitalar da cidade –, pode responsabilizado pelas mortes que certamente virão – a julgar pelo número de mortos em países como Itália, Espanha e Estados Unidos.

Balanço I
Novo epicentro do novo coronavírus, os EUA já registrou 10.335 mortes pela covid-19, com mais de 347 mil infectados. Faltam respirados e a situação de Nova York, a cidade mais rica do mundo, é crítica. Também de acordo com balanços desta segunda (6), a maior potência do mundo fica atrás apenas da Itália (16.523 mortes) e da Espanha (13.169). Os três países têm algo em comum: medidas mais duras de isolamento social tardaram a ser adotadas.

Balanço II
Subiu para 553 o número de mortos pela covid-19 no Brasil. Foram 67 óbitos nas últimas 24 horas. Nesta segunda, os casos confirmados chegaram 12.056. A curva oficial de contágio está (considerando a data do primeiro caso) abaixo da de outros países, porém, é sabido que a situação é bem mais grave que a do balanço oficial, já que que há uma fila de milhares de testes de covid-19 aguardando resultado.

Paraná
Um dos Estados com mais cidades fora da quarentena, o Paraná teve quatro novas mortes pela covid-19, chegando a 14 no total. São ainda 466 casos confirmados. As cidades com óbitos são: Curitiba (3), Campo Mourão (3), Maringá (2), Londrina (1), Cascavel (1), Cianorte (1), Quatiguá (1), Santa Fé (1) e Primeiro de Maio (1). Uma hora, as mortes levarão várias cidades a adotar a quarentena, mas aí, talvez, seja tarde demais.

Blogueirinha
Pra fechar a coluna, uma bela e crítica crônica sobre a "gripezinha". Com vocês, Maria Bopp, a blogueirinha do fim do mundo.





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Ex-aliado de Bolsonaro, governador de Goiás Ronaldo Caiado é o entrevistado do Roda Viva

06/04/2020

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), que é médico, rompeu com o governo Jair Bolsonaro por conta do posicionamento do presidente contra o isolamento social durante a pandemia no novo coronavírus. A medida é defendida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). "A tese do achismo funciona bem no futebol, na medicina de forma nenhuma", disse o governador.

Ronaldo Caiado no Roda Viva
Ele é o entrevistado desta segunda (6) no programa Roda Viva da TV Cultura. Assista pelo YouTube.





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Novo decreto flexibiliza quarentena e desagrada tanto quem pede por isolamento quanto quem quer o comércio aberto

06/04/2020

Dois dias depois de publicar um decreto que declarou Maringá em estado de calamidade pública, por conta da pandemia no novo coronavírus (covid-19), o prefeito Ulisses Maia (PSD) assinou um novo decreto, flexibilizando um pouco mais a quarentena na cidade. A decisão, publicada nesta segunda (6) no Órgão Oficial do Município (OOM), desagradou tanto quem defende o isolamento social quanto quem pede a reabertura do comércio.

Decreto foi publicado na edição desta segunda (6) do OOM
De acordo com o Decreto 502/2020, a partir desta terça (7), está liberado o funcionamento de oficinas mecânicas, auto socorro, borracharias, delivery de autopeças, clínicas e consultórios médicos, clínicas veterinárias e pets shops, que poderão realizar procedimentos em animais, como banhos, apenas com recomendação de profissional da área e no formato delivery.

De acordo com a Prefeitura, os estabelecimentos devem manter as portas fechadas ao atendimento presencial, e todos os serviços devem obedecer as regras de prevenção, como controle rigoroso do fluxo de pessoas. “Está mantida a quarentena e as regras de prevenção, como o isolamento social e o distanciamento entre as pessoas, além do toque de recolher das 21 horas às 5 da manhã”, explicou Ulisses, em entrevista coletiva.

A situação da covid-19 é bem pior que a do balanço oficial

No decreto anterior, que permitiu a reabertura de padarias, açougues e peixarias, Ulisses atendeu a uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR). A diferença é que, desta vez, a flexibilização não partiu de uma ordem judicial. A medida faz parte de um plano de abertura gradativa do comércio de Maringá.

Segundo o secretário de Saúde, Jair Biatto, os ramos que passam a funcionar nesta terça representam menos de 5% do comércio. Mesmo com o avanço da covid-19, a administração municipal tem cogitado ampliar essa flexibilização. "Semana que vem vai dar 25 dias [do decreto que fechou o comércio, em 20 de março]. Aí, podemos liberar outros", disse Ulisses, em entrevista à rádio CBN.


Críticas

De um lado, Ulisses tem recebido críticas de lideranças empresariais, que consideram o percentual de 5% muito pouco. Em entrevista ao portal GMC, o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio Varejista (Sivamar), Ali Wardani, disse que "muitos empresários estão frustrados, pensando no pagamento das contas, embora também saibam que é necessário cuidar da saúde".

Do outro lado, o recente decreto é criticado por aqueles que defendem um isolamento ainda maior da população. "O decreto municipal 445/2020 previa a suspensão da atividade comercial e empresarial até dia 20 de abril", lembrou o advogado Humberto Boaventura. "Ulisses começa a ceder à pressão política (...). Não suportou o barulho dessa minoria que estava à frente das carreatas da morte", reclamou, nas redes sociais.

O que se sabe da cloroquina no tratamento da covid-19

Ulisses, como tantos outros prefeitos, está na berlinda. Sem medidas mais fortes por parte do governo federal, que tranquilize a população durante a quarentena, o prefeito pode ser responsabilizado pelo empresariado (e até por trabalhadores) pela perda de empregos, caso mantenha o isolamento. Se flexibilizar ainda mais a abertura do comércio, e o contágio pela covid-19 fugir do controle, poderá ser responsabilizados pelas mortes que certamente virão – a julgar pela gravidade da pandemia países como Itália e Espanha.

Saúde

Em meio ao fogo cruzado, Ulisses anunciou a criação de um espaço para abrigar profissionais de saúde que estão na linha de frente da prevenção e que, por conta dessa exposição, precisam proteger a família, não retornando diariamente para casa. “Estamos trabalhando para contratar cem leitos de hotel e preparando as instalações de duas escolas nas proximidades do Hospital Municipal de Maringá (HMM) e da UPA Zona Norte para servir de abrigo”, disse o prefeito.

Em outra medida anunciada, nesta segunda, Ulisses confirmou o uso de hidroxicloroquina no tratamento de pacientes internados com teste positivo para covid-19. Segundo o prefeito, a Medfórmula, farmácia de manipulação, cedeu gratuitamente doses do medicamento suficiente para o uso em 200 pacientes. Um desses pacientes, tratados com cloroquina, é o ex-secretário municipal Eudes Januário, que está internato na UTI no HMM.



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Bolsonaro deve demitir Mandetta nesta segunda, diz jornal O Globo

06/04/2020

Na contramão dos líderes mundiais, dos governadores, de grande parte do parlamento e do próprio Ministério da Saúde – que vêm seguindo orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) pelo isolamento social – o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. A informação é do jornal O Globo.

Manchete do site do jornal O Globo às 16h30 desta segunda (6)
A demissão já estava no radar, mas ninguém esperava que ela ocorresse durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19). Segundo a reportagem, o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) foi convidado por Bolsonaro para assumir o cargo. A informação ainda não é oficial.

"A expectativa é que a decisão seja publicada em edição extra do Diário Oficial após a reunião do presidente com todos os ministros, marcada para as 17h", diz trecho de matéria do Antagonista, que repercutiu o assunto. A Folha de S.Paulo também repercutiu (veja aqui).

☕ Não se combate a pandemia de coronavírus com espírito de porco
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Em recentes entrevistas, o presidente já havia sinalizado seu descontentamento com o ministro, que vinha se recusando a adotar o isolamento vertical, no qual idosos ficam em isolamento e os jovens voltam ao trabalho para adquirir imunidade – proposta que não tem embasamento científico. Em um dos seus pronunciamentos, Bolsonaro também defendeu a volta das crianças às aulas, mas foi igualmente ignorado por Mandetta e pelos governadores e prefeitos.

Dois sinais de que a demissão de Mandetta já estava preparada ocorreram no domingo. Um deles foi o vídeo compartilhado por Bolsonaro no Twitter (assista aqui), no qual ele reclama de pessoas em seu governo que "viraram estrelas". "Falam pelos cotovelos. Vai chegar a hora deles, e não tenho medo de usar a caneta", disse.

O outro sinal, também no domingo, partiu do guru ideológico de Bolsonaro. Nas redes sociais, o escritor e ideólogo Olavo de Carvalho pediu a saída de Mandetta por falta de "fidelidade ideológica", referindo-se ao seu alvo como "ministro Punhetta". Recentemente, Olavo teve um vídeo deletado pelo YouTube, no qual dizia que p novo coronavírus nunca matou. O Brasil tem mais de 11 mil casos confirmados e 486 mortes pela covid-19 – mas a situação é bem pior que a dos balanços oficiais.



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