"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade" George Orwell

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Pingado: Foz decreta calamidade pública por causa da covid-19; mas, e a dengue?

02/04/2020

A Secretaria Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu confirmou, nesta quarta (1º), mais dois casos positivos para covid-19. Agora, são 13 casos confirmados no município, além de 77 suspeitos. Nesta semana, também, o prefeito de Foz do Iguaçu, Chico Brasileiro, decretou Estado de Calamidade Pública na cidade. Desta forma, o poder público dispõe de maior agilidade nas ações e processos administrativos contra a crise.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, não dá para se esquecer da epidemia de dengue!
Em paralelo aos desafios de combate ao coronavírus, um velho dilema: a dengue. Uma mulher de 88 anos morreu, terça-feira (31), em decorrência da enfermidade. Agora, Foz do Iguaçu amarga a triste estatística de três mortes e 4.334 casos confirmados. Vale lembrar: o isolamento social, propiciado pelo coronavírus, não justifica a negligência de ações básicas de combate ao Aedes aegypti, como limpeza e não deixar água parada.

Ceasa
A Ceasa de Foz do Iguaçu registrou uma queda de 71% no volume de comercialização de alimentos, após o fechamento do comércio do município e da Ponte Internacional da Amizade, entre Brasil e Paraguai. Em uma situação comum, o fluxo de venda é de aproximadamente 350 toneladas ao dia. A venda, atualmente, recuou para cerca de 100 toneladas de alimento.

Enfermeiros
A Prefeitura de Maringá abre, nesta sexta (3), os envelopes de licitação que têm como foco pessoas físicas na área da saúde (enfermagem e técnicos em enfermagem) que estão interessados em prestar plantões ao município no período de pandemia. O contrato tem duração de seis meses, prorrogáveis por mais três. O valor total da licitação é de R$ 3.058.560 e pretende pagar pelo plantão de 12 horas, R$ 270 e R$ 137,40 para enfermeiros e técnicos em enfermagem, respectivamente.

Hospital da Criança
Quando lançado, a expectativa era de rápida construção ao melhor estilo China ou Japão. Dois anos após o lançamento da obra, já dá para lamentar a forma como conduziu-se a construção do Hospital da Criança. A obra, com participação quadripartite (Município, Estado, União e Organização Mundial da Família), seria de grande ajuda em momentos de pandemia, como o que vivemos, ainda mais com notícias frequentes de crianças infectadas. A notícia mais recente em relação à obra foi em fevereiro, quando o governador prometeu mais R$ 24 milhões. A unidade funcionando, entretanto, beira a ficção.

Universidades
As instituições estaduais de Ensino Superior do Paraná começaram esta semana o processo de credenciamento junto ao Sislab (Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública) para realização de exames de identificação do coronavírus. Juntas, as instituições terão capacidade para avaliar até 700 amostras por dia: um aumento de 120% na condição de processamento no Paraná. Hoje, o Lacen (Laboratório Central do Estado) tem capacidade de 600 exames/dia.

Legislativo
A Alep (Assembleia Legislativa do Estado do Paraná) aprovou, terça-feira (31), o projeto de lei 167/2020, que busca garantir direitos básicos durante o enfrentamento de pandemias, como a que vivemos. A proposta apresenta medidas de saúde, interveniência imediata em situações de emergência, bem como mecanismo de amparo social. Destaque do projeto é a proibição de concessionárias de serviços de energia elétrica, gás e esgoto de fazerem o corte do fornecimento dos serviços em períodos de emergência e calamidade. O projeto foi anexado a outra duas propostas de mesmo teor: a 170 e 180/2020.

E agora, José?
Em meio a um mundaréu de bobagens, o presidente Jair Bolsonaro perece em meio ao protagonismo de outros poderes da União e de sua própria equipe. Enquanto ele tenta “jogar para a galera”, em frases desconexas e irresponsáveis, o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) contradiz o próprio chefe e se baseia na ciência. “E agora, José?” O novo pronunciamento do presidente, mais sóbrio, mostra que não adianta golpe de frase feita. Não tem Trump, não tem lunático da Virgínia, não tem gabinete do ódio. Tem apenas um pseudo-estadista que não suporta sua própria ignorância.

Victor com a esposa na Muralha da China #TBT
#TBT
Nesta quinta, embarcamos em direção a um dos países mais fantásticos que já conheci. Povo hospitaleiro, que não se importa em ajudar, muito embora as amarras do idioma dificultem. Cultura rica e arquitetura que passeio entre o “velho e o novo”. Visitar a China foi uma experiência ímpar. Para o #TBT de hoje: Beijing (Pequim). Uma cidade que exala os velhos tempos, por onde quer que você vá. A Muralha da China (foto), uma das sete maravilhas do mundo, tem uma curiosidade que pouca gente sabe: é possível subir de teleférico (ok) e descer de tobogã (sim, é verdade!).




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Cafeinado: Falta rigor na punição de pessoas causam pânico no compartilhamento de fake news

02/04/2020

Deveria existir, no Brasil, uma maneira mais efetiva para punir quem espalha fake news que causam pânico e que coloquem as pessoas em risco em meio à pandemia. Uma legislação específica, contra a impunidade, talvez inibisse o compartilhamento das notícias falsas. A situação é tão grave que na África do Sul, por exemplo, foi aprovada lei para punir com multa ou prisão (ou ambos) quem dissemina boatos nas redes sociais.

Não compartilhe nada sem checar
O lado positivo das fake news de WhatsApp e outras redes sociais é que elas, via de regra, deixam rastros, gerando provas contra o mentiroso. Outra boa notícia: a polícia já tem aproveitado isso para enquadrar essas pessoas, especialmente aquelas que mentem de forma intencional. Essas ações são fundamentais para reduzir a sensação de impunidade, de que a internet é terra de ninguém. Pelo contrário, as leis também se aplicam à infrações cometidas no meio digital.

Ceasa de Minas I
Um dos casos mais recentes ocorreu em Minas Gerais. A Polícia Civil não tardou a descobriu o autor daquele vídeo fake sobre o completo desabastecimento da Ceasa de Contagem, na grande Belo Horizonte. "Temos imagens do sistema de segurança interna da Ceasa, do horário em que ele fez o vídeo, que provam que a Ceasa funcionava normalmente no momento da filmagem", disse o delegado que investiga o caso, em entrevista à CBN (ouça aqui).

Ceasa de Minas II
O mentiroso – que usou da fake para atacar o isolamento social – vai responder por infração presente na Lei de Contravenções Penais por ter provocado alarme ao anunciar desastre ou perigo inexistente, produzindo pânico ou tumulto. A pena prevista é de 15 dias a seis meses de prisão ou multa. Ainda é pouco. A pena devia ser proporcional ao quanto a fake news viralizou. E essa aí circulou pra caramba. Tem de doer no bolso, no mínimo.

Péssimo exemplo
Quem compartilha as fake news dá um péssimo exemplo e presta um desserviço em especial nos casos de saúde pública. Foi o que fez o presidente Jair Bolsonaro, que divulgou em seu Twitter o boato sobre a Ceasa de Minas, e depois apagou o tuíte. Segundo advogado ouvido pela CBN, pessoas que compartilham mentiras nas redes sociais também podem ser responsabilizadas.

Faça a sua parte
Além de não compartilhar nada sem checar, ajude a imprensa a desmentir os boatos. Quando você se deparar com a notícia falsa, busque nos sites de fact-checking (veja sete deles aqui) para rebater o boato. Mas se prepare: ao invés de um obrigado, você provavelmente vai ouvir alguma ofensa do irresponsável que divulgou a fake news.

Ministério da Saúde
Especificamente sobre as fake news relacionadas à covid-19, o Ministério da Saúde criou uma página com várias dicas e desmentidos. Vale a pena dar uma olhada nessa página todo dia.

História



A pandemia da gripe espanhola, em 1918, deixou um rastro de 50 milhões de mortes. Pessoas já se protegiam com máscaras naquela época. O curioso é que, sem muito conhecimento científico sobre o vírus, as pessoas também procuraram proteger seus animais de estimação com máscaras adaptadas para eles. Veja mais fotos aqui.

Mortes no Brasil
Com 58 novas mortes pela covid-19 em 24 horas, o Brasil alcançou o número de 299 óbitos nesta quinta (2). O total de casos confirmados chega a 7.910, de acordo com boletim do Ministério da Saúde. Contudo, muitos testes de pessoas que morreram com a suspeita da doença ainda não foram concluídos. A situação, infelizmente, é bem mais grave do que os números oficiais revelam.

Paraná
Uma nova morte pela doença foi confirmada, nesta quinta, em Campo Mourão. Assim, sobre para quatro os óbitos por covid-19 no Paraná, que tem 258 casos confirmados. De acordo com autoridades locais, a morte do homem de 72 anos anos ocorreu na terça-feira (31), e o resultado positivo era aguardado. Leia mais no portal i44news.

Maringá e Sarandi
A cidade tem dois óbitos causados pelo novo coronavírus. De acordo com o boletim da Prefeitura, divulgado no fim da tarde desta quinta, são 22 casos positivos, 49 pessoas internadas e 513 casos suspeitos. Com um caso confirmado e seis suspeitos, Sarandi prorrogou a quarentena até 17 de abril. Está certo, o melhor é prevenir.

Na UTI
O ex-secretário municipal José Eudes Januário está internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Maringá (HMM) com suspeita de coronavírus. Segundo pessoas próximas, ele precisou ser entubado e sedado, e o quadro é considerado grave, mas estável. Toda nossa torcida e orações pelo Eudes. Leia mais aqui.

Missa divertida
Segundo as recomendações para evitar aglomerações, muitos religiosos têm celebrado cultos e missas pela internet. É um alento para quem tem fé. E se a fé pode mover montanhas, como diz a Bíblia, por que não haveria de nos conformar nesta pandemia? E se a missa for divertida, melhor ainda. Foi o que ocorreu com o padre que esqueceu o filtro do Instagram ligado. Vejam:


Cestas básicas
A Associação dos Docentes da UEM (Aduem) está em campanha para arrecadação de materiais hospitalares para o Hospital Universitário de Maringá (HUM) e cestas básicas para famílias em vulnerabilidade social. A iniciativa surgiu no contexto da pandemia da Covid-19, em que diversas famílias estão financeiramente prejudicadas e sem ter o que comer nos próximos dias. Para mais informações sobre como doar e sobre a campanha, clique aqui.




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Entrevista – Alceni Guerra: "As favelas podem ter a maior tragédia de saúde pública no mundo"

02/04/2020

Luiz Fernando Cardoso, Especial para a Gazeta do Povo – Ex-ministro da Saúde no governo Collor, entre 1990 e 1992, o médico pediatra Alceni Guerra (DEM) tem defendido, em suas redes sociais, que as autoridades brasileiras adotem medidas ainda mais duras de prevenção ao novo coronavírus (covid-19). Isso incluiria o uso das forças de segurança para fazer cumprir os decretos que determinam o isolamento social, como já tem ocorrido em vários países.

Ex-ministro da Saúde Alceni Guerra – Foto: Arquivo/Câmara dos Deputados
Ex-ministro da Saúde Alceni Guerra – Foto: Arquivo/Câmara dos Deputados
O ex-prefeito de Pato Branco (PR) cita como exemplo as medidas adotadas tardiamente na Itália, um dos países mais afetados pela pandemia, com quase 14 mil mortes pela covid-19. "A demora das quarentenas e dos isolamentos [na Itália] fez com que os contágios se multiplicassem muito rápido, gerando uma curva acentuada de novos infectados, sobrecarregando o sistema de saúde", explica.

Guerra elogia o trabalho realizado até então pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta; diz que o "isolamento vertical" defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é um erro; e defende que o governador Ratinho Júnior (PSD) coloque em funcionamento hospitais que se encontram fechados, provendo-os com leitos de UTI e respiradores. "É necessário, mesmo que depois não sejam utilizados", comenta.

Ex-secretário municipal Eudes Januário está na UTI com suspeita de covid-19

O médico pediatra alerta que a covid-19 é muito mais perigosa que a gripe H1N1 (da pandemia de 2009). Segundo ele, a situação é tão grave que, se amplas medidas de prevenção não forem adotadas imediatamente, "as favelas do Rio podem ter a maior tragédia de saúde pública no mundo".

Como uma vacina contra a covid-19 ainda está sendo desenvolvida, Guerra diz que a melhor opção é o isolamento social. Sobre os impactos financeiros, que já estão impondo severas dificuldades a empresas e trabalhadores informais, o ex-ministro da Saúde diz que é preciso ter coragem de "tornar submisso o Tesouro Nacional para salvar as empresas e os empregos".

Curitibano na Itália: "A preocupação é grande com o que pode acontecer no Brasil"

A entrevista foi publicada primeiramente na Gazeta do Povo, em 30 de março (leia). Os dados sobre mortes pela doença foram atualizados nesta publicação no Café com Jornalista, a qual conta com perguntas extras.

***

Gazeta do Povo – O sr. tem postado nas redes sociais alertas sobre o tamanho do problema que o Brasil enfrentará com o avanço do novo coronavírus. Dá para esperar algo ainda pior do que foi a pandemia da gripe suína (H1N1), em 2009?
Alceni Guerra – Sim, infelizmente a covid-19 será muito pior.


O sr. citou que "temos de imitar os asiáticos" e não os italianos no combate à covid-19. Quais foram os acertos do Oriente nos quais devemos nos pautar?
Na China, a coragem de colocar em quarentena rigorosa milhões de pessoas. Nos demais países bem sucedidos, a decisão de acompanhar eletronicamente todos os suspeitos de infecção pelo vírus, testar todos e isolá-los de imediato, quando positivos.

A Itália tem registrado, há dias, mais 700 mortes a cada 24 horas. Quais foram os principais erros das autoridades italianas?
A demora das quarentenas e dos isolamentos fez com que os contágios se multiplicassem muito rapidamente, gerando uma curva acentuada de novos infectados, sobrecarregando o sistema de saúde.

O que as nossas autoridades brasileiras têm feito ou deixado de fazer para evitar que um pico tão alarmante da doença ocorra no Brasil?
Com exceção da ridícula cena das máscaras do presidente [Jair Bolsonaro] e dos ministros no dia 18 de março, colados uns nos outros, e sem saber utilizá-las, o Ministério da Saúde tem feito o que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

O sr. aponta que o isolamento, evitando-se ao máximo as aglomerações, é a melhor medida a ser adotada. Num caso de pandemia, o sr. defende o uso das forças de segurança para fazer com que as pessoas fiquem em casa?
É o que a China fez. A Itália está fazendo com atraso, e a Espanha também. Foi a multa no motorista que fez do Brasil o campeão mundial de uso do cinto de segurança.


Além do cancelamento das aulas, algumas prefeituras decretaram, há duas semanas, o fechamento do comércio para evitar a rápida proliferação da doença, mantendo apenas os serviços essenciais. Esse tipo de medida lhe agrada?
Não agrada a ninguém, mas é absolutamente necessária.

Com sua larga experiência em gestão pública, o sr. sabe que o fechamento do comércio pode ser uma sentença de falência para pequenos negócios, sobretudo para aqueles que pagam aluguel. Que sugestões o sr. dá aos governantes para lidar com esse agravante? 
É absolutamente necessário socorrer os empresários, com coragem e ousadia, e socorrer também os trabalhadores dispensados [obrigados a ficar em casa], todos estamos no perigo de uma epidemia de “destrabalho”.

Nas calamidades, os mais pobres são sempre os mais afetados. Como Estados falidos, como o Rio, vão conseguir lidar com o coronavírus nas favelas, por exemplo?
Me preocupa a situação do Rio de Janeiro, onde 2 milhões de favelados precisam de cuidados preventivos adicionais. Lá, é preciso estocar mais testes, para isolar de imediato todos os contaminados, senão, a transmissão será a jamais vista em nenhum lugar do mundo. O vírus se transmite por gotículas dos espirros, da tosse, pela urina, pelas fezes, pelo tato. Em uma favela vivem de três a dez pessoas em cada cubículo, a higiene é mínima pela falta constante de água. A transmissão pode ser uma hecatombe, é necessário prevenir já. Estocar já, escolher já os leitos adicionais em hotéis, quartéis e ginásios, contratar já os profissionais necessários. As favelas podem ter a maior tragédia de saúde pública no mundo.

Que medidas emergenciais os governantes podem tomar em prol da população mais carente?
Não pode oferecer remédios e vacinas porque não existem, mas deve se preocupar com a alimentação, com o isolamento correto, com a segurança, com a orientação psicológica a todos, com a esperança que tudo voltará ao normal para suas famílias.

O sr. já foi ministro da Saúde. Qual sua avaliação sobre o trabalho realizado pelo ministro Luiz Henrique Mandetta nesta crise sanitária? Ele tem conduzido bem a questão?
Muito bom seu trabalho até agora. Cumpre bem as recomendações internacionais de epidemiologia.

E o que o sr. pensa da postura do presidente da República no tocante ao novo coronavírus?
[Bolsonaro] Errou feio no começo, devia ter dado o exemplo de isolamento. Depois, também errou com o isolamento vertical, contrariando o ministro. Estou torcendo para que ele dê milhares de bons exemplos. Precisamos dele [presidente], inclusive para dar confiança ao povo. O estresse é o maior amigo do vírus.


No plenário da Assembleia Legislativa, o deputado Dr. Bastista (PMN), que é médico, alertou para a gravidade da situação, pedindo ao governador Ratinho Júnior (PSD) que coloque em funcionamento os hospitais que se encontram fechados, abrindo o quanto antes leitos de UTI com respiradores. Mesmo com medidas de quarentena, isso é necessário?
Sim, é necessário, mesmo que depois não sejam utilizados. É assim a vida na saúde pública, a prevenção é o melhor remédio.

O vírus tem menos casos confirmados no Paraná do que nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. As medidas tomadas pelo nosso governo têm ocorrido na velocidade que o combate ao novo coronavírus exige?  
Não podemos nos comparar com o Rio e São Paulo, pela população e pela logística da circulação do vírus, mas podemos superá-los em prevenção e assistência. A prevenção foi boa, vamos torcer que a assistência seja ótima.

Mandetta previu que "vamos passar de 60 a 90 dias de muito estresse". Qual é sua previsão para o coronavírus no Brasil?
A mesma do Mandetta.

Mais conhecida da população, a gripe não costuma se dar bem no verão. No caso da covid-19, o calor que tem feito pode representar alguma vantagem no combate à doença?
Ainda não é possível dizer que sim, apenas torcer que isso realmente aconteça.


Há alguma razão lógica para o povo estocar comida, álcool em gel, máscaras e medicamentos?
Razão lógica, não. O mercado sempre se portou bem no Brasil. Mas o medo é uma emoção normal, inclusive em pessoas normais. Acho que passará assim que se verificar essa capacidade do mercado.

Dá para esperar por uma vacina no curto prazo?
Não, não dá, infelizmente. Os testes em humanos apenas começaram, e devem levar alguns meses, no mínimo.

Falando como médico e político, que mensagem o sr. deixa para os paranaenses? 
É preciso seguir rigorosamente as normas internacionais de saúde pública e, depois, ter a coragem de tornar submisso o Tesouro Nacional para salvar as empresas e os empregos.

O que o sr. tem feito atualmente. Exerce a medicina ainda? Tem pretensões políticas?
Não tenho mais qualquer pretensão política. Estou ajudando alguns países da África a implantar sistemas de saúde que ajudei a implantar no Brasil, como ministro. Mas o coronavírus me obrigou a esperar um pouco. Espero que seja breve.



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Projeto com gratificação para servidores que estão na linha de frente contra covid-19 é enviado à Câmara

02/04/2020

A Prefeitura de Maringá enviou para a Câmara Municipal projeto de lei que prevê o pagamento de gratificação temporária aos servidores da saúde lotados em local de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (covid-19). Havia a expectativa de que a gratificação pudesse ser votada nesta quinta-feira (2), em regime de urgência, mas uma portaria assinada na terça (1º) suspendeu as atividades do Legislativo local até 17 de abril.

Votação da gratificação aos profissionais da Saúde vai demandar sessões extraordinárias da Câmara
Na mensagem de lei enviada aos vereadores, o prefeito Ulisses Maia (PDT) recorda que o artigo 22 do Decreto Municipal 445/2020, que declarou situação e emergência, já previa essa medida compensatória aos profissionais da saúde que estão na linha de frente no combate ao vírus. O percentual do adicional de insalubridade é variável.

☕ Câmara suspende impostos por 90 dias em pacotão de medidas contra a crise

Na estimativa de impacto financeiro, anexada ao projeto de lei, conta que a Gratificação Emergencial da Pandemia Covid-19 acarretará num incremento de R$ 4.047.521,22 à despesa com pessoal, hoje em cerca de R$ 761,8 milhões. Com o pagamento da gratificação, o índice da folha de pagamento subirá de 48,66% para 49% – acima do limite de alerta (48,6%) e abaixo do limite prudencial (51,3%) previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). 

Sessões suspensas

A Portaria 90/2020, que suspendeu as atividades administrativas e legislativas da Câmara de Maringá, entre 2 e 17 de abril, cancelou as cinco sessões ordinárias que seriam realizadas nesse período. Portanto, a gratificação emergencial aos servidores da Saúde, por conta da covid-19, terá de aguardar até 21 de abril para ser votada. Essa é a data prevista da próxima sessão ordinária.

 Vereadores aprovam reajuste de 4,3% dos servidores de Maringá

Uma alternativa seria a realização de duas sessões extraordinárias, no mínimo, para a aprovação da gratificação em duas discussões. Em entrevista ao Café, o presidente da Câmara, Mário Hossokawa (PP), explicou que sessões extraordinárias podem ser realizadas nesse período de quarentena. "Se tiver alguma pauta urgente, a gente convoca sessão extraordinária para votar", comenta Hossokawa.

Vereador Mário Hossokawa (PP) – Foto: Marquinhos Oliveira/CMM
Portanto, a apreciação da gratificação para os servidores da Saúde dependerá de avaliação dos vereadores. Se houver o entendimento de que é pauta urgente, serão convocadas sessões extraordinárias. Do contrário, a votação ficará para a segunda quinzena de abril. Em Maringá, vereadores não recebem pela realização de extraordinárias.



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Ex-secretário municipal Eudes Januário está na UTI com suspeita de covid-19

02/04/2020

O ex-secretário municipal José Eudes Januário está internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Maringá (HMM) com suspeita de coronavírus. Segundo pessoas próximas, ele precisou ser entubado e sedado, e o quadro é considerado grave.

José Eudes Januário – Foto: Arquivo Pessoal
O caso de Eudes revela o quanto esse vírus pode ser agressivo. Ele apresentou os primeiros sintomas na sexta (27). No domingo à noite, começou a sentir falta de ar. Na segunda (30), o quadro piorou e Eudes procurou uma unidade de saúde. Na terça, foi transferido para o HMM.

☕ Câmara suspende impostos por 90 dias em pacotão de medidas contra a crise

Contabilista, Eudes foi secretário de Serviços Públicos no governo Zé Cláudio (2001 - 2003). Ele tem boa saúde e costuma jogar futebol com os amigos. Na noite de quarta (1º), uma corrente de oração foi realizada pela melhora de Eudes.



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