domingo, 13 de setembro de 2020

Exclusão de Ana Lúcia do pleito sem justificativa pode custar caro ao PDT

13/09/2020_

Café com Jornalista – As convenções partidárias, que precisam ser realizadas até a próxima quarta (16), tiveram como destaque negativo em Maringá, até o momento, a exclusão da professora Ana Lúcia Rodrigues (PDT). A decisão arbitrária e sem justificativa razoável foi tomada na convenção da legenda, na sexta (11), numa churrascaria na Avenida Brasil.

Nas eleições municipais, os partidos políticos podem registrar até 23 candidatos. O PDT de Maringá escolheu 22, rejeitando o nome de Ana Lúcia mesmo havendo vaga disponível. A decisão gerou uma imagem negativa ao partido – pelo qual o prefeito Ulisses Maia (hoje no PSD) foi eleito – e desencadeou uma avalanche de críticas.

Ana Lúcia Rodrigues. Café com Jornalista
Ana Lúcia Rodrigues falou sobre o episódio em vídeo, assista
Para especialistas ouvidos pelo Café, a exclusão de Ana Lúcia do pleito pode comprometer as chances de o PDT atingir o quociente eleitoral – o que deixaria a legenda sem representantes na Câmara Municipal, incluindo o atual vereador Odair Fogueteiro (PDT). Isso ocorreria por dois motivos: 1) Ana Lúcia tem um potencial alto de votação, e os votos dela poderão fazer falta; 2) A repercussão negativa do fato pode desgastar a sigla junto ao eleitorado. 


Para o jornalista Messias Mendes, do Jornal do Povo, o PDT "deu um tiro no pé" ao impedir a candidatura de Ana Lúcia. "Ninguém mais do que ela conhece os problemas da cidade, principalmente as mazelas  sociais que tanto combateu como coordenadora do Observatório das Metrópoles", disse Mendes. "Não sei as razões [do partido], mas nada justificaria um partido abrir mão de quadro tão qualificado como este", acrescentou.

Na opinião do jornalista Angelo Rigon, a postura do PDT de Maringá comprometeu o processo democrático e decepcionou os filiados brizolistas. "O caso da exclusão da professora Ana Lúcia Rodrigues é o caso mais gritante, mas outros pré-candidatos quase ficaram de fora. Ao que parece, a direção estadual pedetistas fez um péssimo negócio ao mudar o comando do partido, que tem inexperiência com as democráticas atividades partidárias", escreveu o jornalista.

Além do trabalho no Observatório, a pré-candidata excluída tem uma carreira ilibada como professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Na política, foi candidata a vice-prefeita pelo PCdoB em 2016 e, atualmente, é uma das principais vozes do movimento suprapartidário "Mais Mulheres no Poder", que visa a conquistar uma bancada feminina na Câmara de Maringá.


Por conta de sua liderança no movimento, parte das críticas feitas ao PDT nas redes sociais classificou a decisão do partido, comandado em Maringá pelo vice-reitor da UEM Ricardo Dias Silva, como misógina e machista. "PDT de Maringá, homens, do que vocês têm medo? Não vamos nos calar", escreveu a jornalista Valdete da Graça. 

Mobilização

A decisão arbitrária do PDT gerou reações na cidade. Em nota de repúdio, o "Movimento Mais Mulheres no Poder", composto por 89 pré-candidatas de 16 partidos, convocou um ato pelo direito de candidatura de Ana Lúcia. A manifestação ocorrerá neste domingo (13), às 10h30, em frente à Câmara Municipal. 


Outra nota partiu da Executiva Municipal da Rede Sustentabilidade, partido que em Maringá conta com o vereador Flávio Mantovani. Segundo a legenda, o município perde com a ausência da professora doutora da UEM no pleito.

"A Rede vem manifestar sentimento de tristeza pelo impedimento sofrido pela professora Ana Lúcia Rodrigues em participar das eleições municipais como candidata a vereadora. A professora Ana Lúcia é reconhecidamente uma relevante estudiosa e militante na área de políticas públicas e direitos humanos, com importantes contribuições prestadas à sociedade local", diz trecho da nota da Rede. 
Na mesma página utilizada para a convocação dos filiados à convenção partidária, o PDT de Maringá ainda não se manifestou publicadamente sobre a decisão de tirar de Ana Lúcia o direito de ser candidata.

Chamada para a manifestação deste domingo (13)

Quociente eleitoral

Neste período de convenções, os partidos vão escolher candidatos que, em tese, sejam capazes de ajudar a legenda a atingir ao menos 10% do quociente eleitoral, que é total de votos válidos (excluídos nulos e brancos) dividido pelo número de cadeiras em disputa. Pela regra, além de estar numa chapa que atinja o quociente, o candidato precisará ultrapassar a marca dos 10%.


Em 2016, o quociente em Maringá foi de 12.619 votos. Isso significa que não adianta o partido ter um candidato que faça 6.000 votos se os demais integrantes da chapa não somarem outros 6.000 ou mais. Nessa lógica, a perda de Ana Lúcia pode custar caro ao PDT nestas eleições. 




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