quinta-feira, 23 de julho de 2020

R$ 9 milhões da parcela da trimestralidade darão sobrevida ao comércio, diz economista

23/07/2020_

Café com Jornalista – Confirmado pela Prefeitura de Maringá para outubro, o pagamento da terceira parcela da trimestralidade aos servidores municipais aquecerá o comércio local, dando sobrevida a empresas debilitadas pela crise decorrente da pandemia do novo coronavírus. Economista consultado pelo Café comenta essa importante injeção de recursos e faz um alerta aos empresários. 

Pagamento da trimestralidade em 2018. Café com Jornalista
Servidores aposentados e da ativa na fila para o recebimento da parcela de 2018 – Foto: Arquivo/Sismmar
Gerente executivo da Evoa Aceleradora, o economista Matheus Cesco fez uma análise de cenário baseada em informações prévias publicadas pelo Café e por informações que constam do site do Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismmar). A parcela anual de 2019 totalizou R$ 9,15 milhões e, pelo acordo firmado entre sindicato e Prefeitura, um valor aproximado deve ser pago na parcela de 2020.


No acordo que encerrou a ação da trimestralidade, a Prefeitura deposita os recursos na conta do Sismmar que, por sua vez, efetua a entrega dos cheques aos 3.798 servidores e aos herdeiros daqueles que já faleceram. Os beneficiários, em sua maioria, são aposentados do município. 

Considerando que grande parte dos beneficiários estão em faixas de renda mais baixa, Cesco diz que a tendência é que o dinheiro seja empregado, primeiramente, no pagamento de contas. Em seguida, vem a compra de insumos de primeira necessidade e contratação de serviços essenciais. Por último, diz o economista, será a vez dos gastos em produtos e serviços considerados supérfulos. 


Portanto, a gama de segmentos da economia local que poderá ser beneficiada por esses cerca de R$ 9 milhões é considerável. Nos anos anteriores, o Sismmar ouviu os servidores sobre o que eles pretendiam fazer com o dinheiro. As respostas foram as mais variadas: pagar contas, fazer uma compra generosa do mês no supermercado, pagar um churrasco a amigos e familiares, viajar, reformar a casa, ajudar a família etc.

Economista Matheus Cesco sobre a trimestralidade. Café com Jornalista

Para o economista, numa situação de crise "sem precedentes e com consequências cruéis", os efeitos positivos da injeção de recursos na economia local devem ser sentidos por algum tempo, talvez até o fim do ano.

Um dos efeitos da crise foi a perda de renda. Segundo Cesco, o número de pedidos de seguro desemprego em Maringá cresceu quase 100% em relação a período anteriores, antes da pandemia. "Isso quer dizer que tem muita gente desempregada, precisando de verba, e tem muita empresa de portas fechadas, precisando de venda", comenta.



Alerta

No reaquecimento gradativo da economia, a necessidade de caixa pode levar muitas empresas a baixarem os preços para "desovar o produto". Cesco explica que essa é uma tendência natural que, embora possa ser assertiva no curto prazo, representa riscos para a saúde financeira das empresas. 

"É uma decisão arriscada porque [a medida] pode ser devastadora. A longo prazo, você pode estar comprometendo o futuro da sua empresa", alerta o economista. Por isso, a recomendação é de cautela na venda dos produtos a preço de custo ou até mesmo abaixo do custo.


Imbróglio

De acordo com o livro "Sismmar 30 Anos de Luta!", a ação da trimestralidade levou 27 anos, chegando ao fim após amplo diálogo entre a gestão "Novos Rumos" do Sismmar e o prefeito Ulisses Maia (PSD, à época no PDT). A homologação do acordo para o pagamento da dívida ocorreu em 27 de outubro de 2017, na Justiça do Trabalho.

A ação foi impetrada pelo jurídico do Sismmar em 1991, na gestão do presidente Claudemir Romancini. "O passivo foi criado quando o prefeito Ricardo Barros deixou de pagar o reajuste salarial trimestral, necessário em tempos de inflação galopante", diz trecho da página 22 do livro.

Livro "Sismmar 30 Anos de Luta!". Café com Jornalista
Livro "Sismmar 30 Anos de Luta!", escrito pelo jornalista Luiz Fernando Cardoso, editor do Café
Após a assinatura do acordo que encerrou a ação, o último entrave para o pagamento foi superado em setembro de 2017, quando a Câmara Municipal aprovou no orçamento corrente a abertura de crédito adicional para o pagamento da primeira parcela. Infelizmente, ao longo de quase três décadas, cerca de 800 servidores morreram antes de receber o dinheiro.

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