terça-feira, 28 de julho de 2020

Reedição de 2º turno entre Ulisses e Silvio é cenário mais provável, avaliam especialistas

28/07/2020_

Café com Jornalista – Dentro de quatro meses, os marigaenses irão às urnas para decidir quem será o próximo prefeito de Maringá. Num segundo turno dado como certo – por conta do provável número recorde de prefeituráveis no pleito –, a leitura compilada de quatro especialistas consultados pelo Café aponta que o cenário mais provável é o da reedição do confronto entre Ulisses Maia (hoje PSD, eleito pelo PDT) e Silvio Barros (PP). 

Ulisses Maia x Silvio Barros – Eleições 2020. Café com Jornalista
O prefeito Ulisses Maia e o ex-prefeito por dois mandatos Silvio Barros
Ex-prefeito por dois mandatos (entre 2005 e 2012), Silvio chegou à eleição de 2016 como favorito, e venceu o primeiro turno com 77.196 votos (39,69%), contra 56.156 (28,87%) de Ulisses. A presença de um terceiro candidato forte de voto – Wilson Quinteiro (PSB) somou 42.510 votos (21,86%) – impediu a decisão em primeiro turno (quando o mais bem votado soma mais de 50% dos votos).

O resultado todos sabem: Ulisses virou no segundo turno, vencendo a disputa com 118.635 votos (58,88%), contra 82.868 votos (41,12%) de Silvio. Em 2020, ambos são protagonistas de um processo eleitoral marcado por uma série de novidades, como o adiamento das eleições em razão da pandemia, a incerteza sobre a reação dos eleitores na crise econônica e sanitária e o inédito financiamento público de campanha num pleito municipal.


Há ainda o fim da coligação proporcional (com chapas de vereadores de um mesmo partido), fato que estimulará a candidatura de um número recorde de prefeituráveis. Se confirmada a previsão, esse cenário favoreceria Ulisses. "O fato de haver uma miscelânea de candidatos pulveriza a votação da oposição, favorecendo a ida do prefeito para o segundo turno", comenta Reginaldo Dias, historiador da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Com a ressalva de que a pandemia tornou os prognósticos mais incertos, Dias diz que Ulisses é o favorito no primeiro turno. Em tese, diz o historiador, o prefeito vai ao segundo turno. "Com 25%, assegura o passaporte. E quem está no mandato, normalmente, garante isso", avalia.

"A tendência no Brasil é de que o candidato à reeleição é favorito. Ele tem de fazer um mandato muito desastroso para não ir ao segundo turno ou, então, lidar com uma circunstância de muita instabilidade política, que gera no eleitor a vontade de mudar", comenta Reginaldo Dias.
É na instabilidade política do momento – turbinada pela pandemia – que entra a figura de Silvio. Segundo o historiador, ele tem o chamado recall político, ou seja, é lembrado pelo eleitor como um ex-prefeito bem avaliado ao fim do mandato e, ainda, bem votado em 2016. De momento, não está claro "se" e "quanto" a pandemia desgastou o atual prefeito.


Um ponto histórico desfavorável, segundo Dias, é o fato de que raramente um ex-prefeito retorna ao cargo. "Isso só ocorreu com Said Ferreira, em 1992, porque Ricardo Barros [hoje deputado federal] terminou o mandato desgastado, e o recall político favoreceu Said, que havia terminado o mandato [em 1988] bem avaliado", argumenta.


A leitura de que Ulisses é o favorito para avançar ao segundo turno, tendo Silvio como adversário mais provável, não é unânime. Para o cientista político Tiago Valenciano, Silvio é o favorito a uma das duas vagas. "Só não se sabe contra quem, ainda", comenta. 


Valenciano diz que ainda é prematuro cravar quem irá ao segundo turno. Feita essa ressalva, ele diz ver mais elementos pró-Silvio que pró-Ulisses ao atribuir ao ex-prefeito o favoritismo. Entre os prós estão a expressiva votação no primeiro turno de 2016 e a alta aprovação quando foi prefeito. Em dezembro de 2011, uma pesquisa publicada na Gazeta do Povo apontou que Silvio era o prefeito paranaense com o maior índice de aprovação popular: 71%

Surpresas

Para o jornalista Milton Ravagnani, muitas surpresas podem ocorrer até a realização das convenções, previstas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para entre 31 de agosto e 16 de setembro. Confirmando-se o nome de Silvio como cabeça de chapa (Coronel Audilene seria a outra opção), o ex-prefeito larga como favorito.

"Com o Silvio na campanha é uma coisa, sem ele é outra. Silvio foi reeleito no primeiro turno [em 2008] e terminou o segundo governo com aprovação recorde, elegendo sucessor", explica Milton Ravagnani.
O jornalista da BandNews diz que, normalmente, uma reeleição costuma ter um caráter plebiscitário, com o eleitor escolhendo entre o atual governo e o nome mais bem votado entre os opositores. No entanto, ele avalia que Maringá pode não ter essa "eleição plebicitária", em 2020, por não haver a garantia de que Ulisses consiga avançar ao segundo turno. 


Na opinião de Ravagnani, pré-candidatos que correm por fora têm potencial para surpreender, entre eles Homero Marchese (Pros), Delegado Jacovós (PL) e Rogério Calazans (Avante). Como Maringá é uma cidade com grande número de bolsonaristas, há boas chances de um candidato de extrema-direita avançar ao segundo turno. "Marchese fez 42 mil votos para deputado estadual. É uma votação muito expressiva", diz Ravagnani.

Recentemente, o jornalista Diniz Neto fez um levantamento dos pré-candidatos a prefeito. Além dos nomes já mencionados na reportagem, devem disputar o pleito: Carlos Roberto Pupin (SDD), Carlos Mariucci (PT); José Luiz Bovo (Pode), Akemi Nishimori (PL), Valdir Pignata (Cidadania), Dr. Batista (DEM), Anníbal Bianchini (PTC), Evandro de Freitas (PSDB), Professor Edmilson Aparecido (PSOL) e Eliseu Alves Fortes (Patri). 

Coronel Audilene também figura na lista de Diniz, porém, entre as fontes do Café, nenhuma diz realmente acreditar que a candidata saia como cabeça de chapa no lugar de Silvio Barros. A maior probabilidade é que a policial militar seja confirmada como vice de Silvio na convenção dos progressistas. 


Diniz diz que há, sim, os ditos favoritos, mas prefere não apontar nomes. Segundo ele, a eleição do próximo prefeito de Maringá poderá passar pelo nível de rejeição desses favoritos. Aquele com menor rejeição, caso consiga avançar ao segundo turno, reuniria boas chances de vencer a disputa. 

O colunista do Jornal do Povo e da rádio Novo Tempo acrescenta que o quadro de 2020 – marcado por incertezas – tem todos os ingredientes para repetir as tradicionais surpresas eleitorais. "A tendência muito recorrente nas eleições de Maringá é que os supostos favoritos percam espaço para outros concorrentes, às vezes, a poucos dias da eleição", comenta.

Livro Orfeu & Violeta. Amazon. Luiz Fernando Cardoso. Café com Jornalista

Reeleição menos favorável

Na avaliação de Reginaldo Dias, o prefeito é o mais cotado para estar no segundo turno, mas isso não significa que o pleito será fácil. Para o historiador, o cenário atual é bem menos favorável a Ulisses Maia que aquele da reeleição de Silvio Barros, em 2008. 

"A pandemia cria muita instabilidade, o que recomenda prudência nos prognósticos. É difícil, por exemplo, avaliar qual vai ser o índice de aprovação e satisfação do atual prefeito daqui a três meses. Isso interfere na disposição de mudar e de definir qual é o tipo de mudança", comenta Dias.
Apesar de o prfeito não ter todas as ferramentas para resolver questões da crise sanitária e econômica, esclarece Dias, é dele que o eleitor vai cobrar soluções. Muito de um eventual sucesso de Ulisses nas urnas, portanto, passará pelo resultado prático das medidas adotadas pela administração municipal na pandemia. 


Em 2008, Silvio se tornou o primeiro prefeito reeleito de Maringá em circunstâncias completamente diferentes da atual. Segundo Dias, além de uma gestão bem avaliada, Silvio contou com um cenário de crescimento econômico e de melhoria da qualidade de vida importantes durante o governo do ex-presidente Lula (PT).

"A ampla maioria dos prefeitos que concorreu à reeleição naquele ano conseguiu. O quadro nacional influenciou", explica o historiador. Agora, o eleitorado está inquieto pela perda do emprego e renda e pelas incertezas de como será o "novo normal" após a pandemia. Nas palavras de Dias: "Está todo mundo sentado num vulcão". 

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