sábado, 6 de junho de 2020

Ocultação do total de mortes pela covid-19 é abuso de autoridade, diz Abraji

06/06/2020_

Com nota da Abraji – O governo Bolsonaro restringiu a divulgação de dados do novo corovanírus (covid-19). O Ministério da Saúde e também a Agência Brasil (ligada ao governo federal) não informam mais o total de mortes nem o de casos confirmados da doença. Segundo matéria da Folha, o presidente da República disse que isso "é melhor para o Brasil".

Bolsonaro esconde covid. Café com Jornalista
Crítica expressada na charge do site chargeonline.com.br
Não pegou bem. O gritante retrocesso na transparência de dados públicos gerou uma avalanche de críticas nas redes sociais. No Twitter, a indignação foi expressada por meio da tag #BolsonaroTransparenciaZero, com mensagens de repúdio, memes e charges. Em vários tuítes, Bolsonaro é comparado a ditadores de países onde não há transparência.


Meme comparou Bolsonaro ao ditador Kim Jong-un. Café com Jornalista
Meme comparou o presidente Jair Bolsonaro ao ditador Kim Jong-un, líder supremo da Coreia do Norte
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou, em nota, a decisão do alto escalão do governo federal, a qual classificou como a "abuso de autoridade". A entidade condenou a tentativa de se impor obstáculos às atividades jornalísticas através da ocultação de informações de interesse público.

Segue trecho da nota:

As bases de dados com o histórico da covid-19 no Brasil desapareceram do repositório do SUS. Além disso, o Ministério da Saúde anunciou uma “recontagem” do número de óbitos, acusando secretarias estaduais de falsificarem dados, mas sem apresentar nenhuma evidência. 

As medidas contrariam a Constituição Federal, a Lei de Acesso à Informação, as boas práticas de transparência pública reconhecidas internacionalmente e evidenciam, mais uma vez, o espírito antidemocrático do governo de Jair Bolsonaro. 

O caso se torna ainda mais grave na medida em que o presidente da República atribuiu algumas das mudanças ao desejo de prejudicar a cobertura jornalística da pandemia, quando, questionado por repórteres a respeito do atraso na divulgação dos números, respondeu: “acabou matéria do Jornal Nacional”. O uso da máquina pública para prejudicar a imprensa não é novidade no governo de Jair Bolsonaro. Em agosto de 2019, o presidente assinou medida provisória desobrigando a publicação de balanços de empresas em jornais, declaradamente no intuito de retaliar o jornal Valor Econômico.
A Abraji apela aos demais poderes da República para que fiscalizem e punam eventuais atos de improbidade administrativa com o máximo rigor da lei.




Jornal Nacional

Mencionado por Bolsonaro, como lembrou a nota da Abraji, o JN não pôde divulgar o boletim da covid-19 na sexta-feira (6) porque o Ministério da Saúde, novamente, divulgou as informações no fim da noite, após o término do telejornal. Segundo o jornal Correio Brasiliense, a ordem para atrasar a divulgação partiu do presidente Bolsonaro.

Se essa era mesmo a intenção, a estratégia do Planalto acabou falhando. Plantão da Globo divulgou os dados durante a novela, com audiência de 31 pontos no Ibope em São Paulo. Naquela noite, a audiência do Jornal Nacional ficou entre 25 e 26 pontos. Ou seja, mais pessoas ficaram sabendo sobre as 1.005 mortes por covid-19 em 24 hora, com 35.026 óbitos no total (até sexta).


"Considerando a média do JN, de 26 pontos, e da novela, de 31 pontos – uma diferença de 5 pontos, com cada ponto representando 703 mil pessoas no parâmetro nacional – então [a divulgação no plantão] alcançou 3.515.000 a mais de pessoas", analisou um dos leitores do Café, nas redes sociais.  



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