domingo, 31 de maio de 2020

Maringá 73 anos: Uma reportagem de O Diário para relembrar no mês de aniversário da cidade

31/05/2020_

Todo ano, no mês de maio, o saudoso jornal O Diário publicava um caderno especial sobre o aniversário da cidade. Os leitores esperavam pela publicação, e os editores do jornal tinham o desafio de apresentar uma pauta diferente daquelas que haviam sido exploradas nos anos anteriores – como o resgate da história dos pioneiros.

Maringá. Café com Jornalista
Maringá aos 61 anos – Foto: Ricardo Lopes/O Diário/2008
Em 2008, ano que Maringá completava 61 anos (à época com 324.379 habitantes), o então chefe de reportagem de O Diário, Rodrigo Parra (que quase uma década depois viria a se tornar editor-chefe do periódico), teve a feliz ideia de colocar dois repórteres e dois fotógrafos para percorrer a cidade a pé, contando histórias de personagens que iam surgindo pelo caminho, histórias de vida de "gente como a gente".

O repórter Thiago Ramari e editor de fotografia, Ivan Amorin, foram escalados para percorrer a cidade de leste a oeste. Ao repórter Luiz Fernando Cardoso (este que vos escreve, editor do Café) e ao fotógrafo Ricardo Lopes coube fazer a peregrinação de norte a sul. A histórias de vida e curiosidades da cidade, que surgiram da caminhada, foram publicadas num caderno especial de dez páginas.

Meses antes do especial, em janeiro daquele ano, eu havia me mudado para Maringá para assumir uma vaga de repórter em O Diário. Ter sido escalado para aquela pauta foi um divisor de águas. A caminhada para a produção da reportagem me permitiu conhecer melhor os bairros de Maringá, fato que me deixou ainda mais encantado pela belíssima cidade.

Daquela matéria surgiu uma boa amizade com o colega Ricardo Lopes. Trabalhamos juntos em inúmeras pautas, entre elas a cobertura das eleições municipais daquele ano, mas nenhuma marcou tanto este repórter quando aquele especial dos 61 anos de Maringá. 

Por isso, fechando o mês do aniversário de 73 anos da cidade, decidi republicar o texto que escrevi para O Diário – mantendo a ortografia da época e até mesmo alguns pequenos erros de informação, cometidos por um então novato na cidade. A republicação também presta homenagem a um jornal que, por décadas, prestou um importante serviço jornalístico à Cidade Canção.

Espero que a reportagem a seguir, nostálgicas para este jornalista, agradem também os leitores do Café, maringaenses ou não. Boa leitura.


***

Do Oiapoque ao Chuí de Maringá em três dias

No roteiro do "Oiapoque" ao "Chuí" de Maringá, a proposta do repórter e do fotógrafo era partir do bairro situado mais ao sul até o último poste no extremo norte da área urbana, passando por pontos importantes da cidade, como a Catedral. Isso significou, na prática, uma caminhada de 27 quilômetros do Jardim Atami, vizinho do Contorno Sul, ao Condomínio Ana Rosa, para além do Contorno Norte. A peregrinação, realizada no prazo de três dias, foi marcada por fatos pitorescos e por personagens que, mesmo no anonimato, ajudam a construir a cada dia a história de Maringá.

Maringá 61 anos – O Diário. Café com Jornalista
Especial Maringá 61 Anos, publicado em 10 de maio de 2008 – Reprodução/O Diário
Os primeiros passos foram dados às 6 horas de segunda-feira (28 de abril). No Jardim Atami, ruas asfaltadas e bem iluminadas, com casas e barracões em construção, porém, nenhuma pessoa à vista. Trata-se de um dos bairros mais novos de Maringá, descrito só em mapas confeccionados a partir deste ano. Com exceção da avenida principal, a Carlos Borges, as demais ruas, ainda sem nome, aguardam o batismo, quem sabe com o nome de pioneiros da cidade.

Às 6h20, o Contorno Sul estava pacato, bem diferente do que se vê nos horários de maior movimento. Naquele cenário, a falta de acostamento não era um problema. O contrário ocorre nos horários de trânsito mais intenso, quando pedestres e ciclistas ficam expostos a veículos que trafegam pelo Anel Viário Prefeito Sincler Sambatti em alta velocidade. O primeiro morador avistado na caminhada, Claudinei de Oliveira, 33 anos, relatou que no final da tarde, quanto retorna do trabalho em uma pedreira, circular às margens do Contorno Sul é uma tarefa arriscada. 

A que horas Maringá acorda? Depende do bairro. No Jardim Universo, onde reside Oliveira, o povo pula da cama cedo. De boa parte das residências, isso antes das 7 horas, emana aquele cheirinho inconfundível de café passado. Na rua, o fluxo de pessoas já era grande, com trabalhadores apertando o passo para não chegar atrasado ao emprego, mães levando os filhos para a creche, estudantes aguardando a circular chegar. Às 6h50, passou o ônibus 458, rota Centro-Jardim Universo, para a felicidade de quem aguardava no ponto, no frio daquela manhã. De relance, alguns estudantes haviam reclamado minutos antes: "O buzão vem sempre lotado". Dito e feito, inclusive, com velhinhos em pé, enquanto alguns jovens ocupavam os assentos.

Ali perto do ponto de ônibus, uma cena de maus-tratos a animal. Amarrado a uma betoneira, sem água nem comida por perto, um cão de médio porte, bravo, fazia a segurança do utensílio de trabalho de algum pedreiro. "Chega perto para tu ver o que acontece", devia pensar o cachorro, enquanto latia para afugentar quem passava por perto. Sem um local onde se proteger da chuva e do sereno, latia para outros cães, de rua. O mesmo Jardim Universo do café passado também impressiona pelo excesso de vira-latas.

Ulisses Maia - Maringá 73 anos

Sonho não realizado
Pouco depois das 7 horas, com o dia já claro e o sol quebrando o friozinho que fazia naquela manhã, surge pelo caminho a catadora de papel Teresinha Augusta de Carvalho Medeiros, 60 anos, simpática e tagarela, aparência de gente sofrida. Na busca diária por recicláveis, em jornada de trabalho que inicia diariamente às 5 horas e renda mensal que dificilmente passa de R$ 500, Teresinha disse não gostar do que faz. O sonho de uma vida toda, que não conseguiu realizar, era ter a carteira de trabalho assinada.

Quinhentos reais, aliás, correspondem ao que ela e o marido conseguem ganhar, juntos, catando papel, papelão e outros materiais recicláveis. Sem vícios nem preguiça para trabalhar, Teresinha conseguiu, ao logo de uma vida sofrida, realizar um sonho comum para tantas famílias: ter a casa própria. O que não superou, comentou ela, foi o preconceito dos mais abastados. "Tem gente que até fecha a porta quando vê a gente [catadores]. Você precisa ver como é que a maioria das pessoas trata quem cata papel", lamentou.

Cartão-postal
Pesa ver pessoas que ganham a vida honestamente sofrendo discriminação, enquanto famosos corruptos seguem livres, leves e soltos, enchendo os bolsos com dinheiro destinado a fins como merenda escolar. Algo bom, para compensar, foi a primeira visão da Catedral, às 7h35, da esquina das ruas Universo e Joaquim Moleirinho. Daquele ponto do Jardim Universo, o mais famoso cartão-postal de Maringá resplandece, ainda mais iluminado pelo sol que acabara de nascer. 

'Rodinho, vassoura e alho!'

Adentrando pela Rua Bahia, no Jardim Novo Horizonte, o quinto bairro desde o início da caminhada, o que se viu foi um grande contraste entre as casas mais humildes, próximas ao fundo de vale do Córrego Cleópatra, e residências bonitas e charmosas, com carros na garagem, morro acima – próximo à Avenida Cerro Azul. Bairro de classe média, o Novo Horizonte é bem servido por farmácias, academia, supermercado, posto de saúde nas proximidades, além de prestação de serviços em geral.

Repórter Luiz Fernando Cardoso, O Diário. Café com Jornalista
O vendedor Aparecido Alves, do "rodinho, vassoura e alho" – Foto: Ricardo Lopes/O Diário/2008
E foi entre o Jardim Novo Horizonte e o Jardim Social, por volta das 10 horas, que os peregrinos de plantão encontraram um exemplo de dedicação. Após batalhar por um emprego formal, sem obter sucesso devido à idade, Aparecido Alves, 65 anos, resolveu improvisar. Arranjou uma bicicleta velha, carregou nela vassouras de palha e partiu para a venda, de porta em porta. Posteriormente, inseriu no "menu" rodos de espuma e também alho, comercializado por ele em pacotinhos de aproximadamente meio quilo. Estava, assim, consolidado um negócio que dá certo há oito anos.

Sem vergonha de anunciar os produtos que revende em alto e bom som, Aparecido, como prefere ser chamado, consegue faturar cerca de R$ 1 mil/mês. Na opinião dele, é um bom salário para quem não teve condições de estudar, talvez pouco para quem percorre a cidade carregando, na força das pedaladas, em jornada diária de sete horas, 60 quilos de produtos. Aparecido afirmou que o esforço compensa, já que aos poucos vai ampliando sua clientela, sempre com o mesmo jingle. Quando o maringaense ouvir "rodinho, vassoura e alho", não precisa ter dúvida, é o Aparecido chegando. 

Que pontaria
Enquanto entrevistava o "tio" da vassoura, o repórter foi atingido, de raspão, pela mira precisa de uma pomba. Um baita estrago, em tons pastel, ligeiramente malcheiroso. A diarista Neide Pinheiro, 37 anos, que varria a calçada dos patrões e testemunhou o incidente, surgiu com um pano úmido. O indicente serviu como constatação de que o maringaense é solidário, inclusive nos momentos mais embaraçosos. "Manchei com mostarda", foi a desculpa bolada para o caso de um curioso perguntar a respeito.

Flávio Mantovani - Maringá 73 anos

Corpos sarados na beleza do Ingá

Pouco antes das 11 horas, com passadas já não tão largas, repórter e fotógrafo percorriam a Zona 2 pela Rua Mem de Sá, no sentido Catedral. No bairro, que nasceu no planejamento urbanístico original de Maringá, as ruas estavam limpas como em nenhum outro ponto do trajeto, até então. A pavimentação asfástica, em bom estado, idem. Como resultado da arborização iniciada há décadas, com predomínio da espécie sibipiruna, um agradável teto verde cobre as ruas – o que ainda não é visto nos bairros mais novos.

A Zona 2 foi planejada para ser a área nobre da cidade. No bairro, que ainda mantém características daquele tempo, residia a eleite maringaense. Casas grandes e bonitas construídas em terrenos mais espaçosos que no restante da cidade são marcos da Zona 2, localizada num dos pontos mais privilegiados de Maringá, entre o Parque do Ingá, o Bosque dos Pioneiros e ao sul do centro.

Beleza pura
Na esquina da Mem de Sá com a Rua Felipe Camarão, uma pausa para descansar e reavaliar o percurso pré-definido. Ao invés de seguir diretamente à Catedral, decidiu-se por contornar o Parque do Ingá, como fazem tantos moradores em sua rotina diária de exercícios. A caminhada ao redor do parque, fechado para visitação na segunda-feira, levou cerca de 35 minutos, devido a pausas para várias entrevistas. Mesmo próximo do meio-dia, um bom número de pessoas se exercitavam no parque do Ingá, outro belo cartão-postal de Maringá.

Em um caso, em especial, impressionou a saúde de uma corredora de 40 anos, com corpinho de 25 – como diriam as revistas femininas. Leonice, que havia participado da tradicional Prova Rústica Tiradentes, dias antes, treinava para outras competiçõs de rua, as quais participaria também como amadora. "Corro cerca de sete quilômetros por dia, três vezes por semana", comentou Leonice, durante uma breve pausa para entrevista.

O treinamento dela foi como colírio para os olhos de dois rapazes, pedreiros de uma obra próxima dali, que descansavam junto ao Parque do Ingá após a merecida pausa para o almoço. E pedreiro, sabe como é... "nossa senhora, o que é isso", exclamou um deles, em baixo tom, em avaliação à performance de Leonice, um exemplo de boa forma. Praticando exercícios com disciplina e determinação, tendo o Parque do Ingá como "palco", muitos maringaenses vão superando o eterno medo da balança. 

Hora do almoço
Após caminhada por oito bairros da cidade, era chagada a hora do almoço. Durante o consumo do mais calórico dos sanduíches do McDonald's – que naquela altura não tinha como pesar na consciência – a discussão era sobre subir, ou não, a Catedral. Depois de quase 12 quilômetros de caminhada, não parecia uma boa idéia.

Rogério Calazans - Maringá 73 anos

Na Catedral, escalada ao topo

Subir ou não subir, eis a questão. Após 12 quilômetros de caminhada, a idéia de encarar os 463 degraus da Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória não animava. Considerado o mais alto monumento da América Latina, a Catedral impressiona não só pela altura, mas também pela arquitetura inspirada em uma nave espacial. Os maringaenses se orgulham dela, porém, nem todos têm a disposição para subir até o topo.

"A Catedral é bonita demais, é o cartão-postal da cidade. Gosto muito de passear por aqui com minha namorada", declarou o soldador Antônio Marcolino, 23 anos, que ainda não experimentou a caminhada até o topo da igreja. Disse não ter tido tempo. O flanelinha Anilson Ponciano Alves, 56 anos, esteve lá em cima uma única vez, porém, sente-se como se fosse um guia turístico. Na opinião dele, a vista é maravilhosa. "Dá para ver as cidades vizinhas", garantiu Alves, que atua como flanelinha há 11 anos no local.

"Sexta-feira [25 de abril] chegaram dois carros de São José dos Pinhais, e expliquei ao pessoal como fazer para chegar ao topo. Não tem segreso, é só pagar uma taxa de R$ 2". Sobre o ofício de flanelinha, Alves, que agora ostenta o colete de número 15, disse que devido a problemas de coluna e também pela idade não o aceitariam em outros empregos. E foi guardando carros, justificou, o meio que encontrou para sustentar a família. "Já me ofereceram R$ 3 mil nesse ponto, que é o mais abençoado da cidade. É lógico que não aceitei". Cuidando de veículos, ele esclareceu que consegue R$ 1 mil por mês. "Não preciso mais do que isso para viver", acrescentou. 

Hora do "alpinismo"
Às 14h35, os primeiros degraus foram ficando para trás, o mesmo é possível dizer do respeito (ou a falta dele) do povo com o principal cartão-postal da cidade. Quanto mais subíamos, maior era o volume de pichação nas paredes, cada vez menos brancas. Mesmo no andar que compreende o acervo do Museu Diocesano – idealizado pelo primeiro bispo de Maringá, Dom Jaime Luiz Coelho – não houve perdão.

Foi uma subida solitária. Pelo menos naquele dia, as pessoas estavam mais dispostas a rezar do que se exercitar. Às 14h55, eis o primeiro mirante (o único aberto ao público), dando as boas-vindas com um vento refrescante e uma visão única da cidade, de centro aos bairros mais distantes. Elá do alto, conforme tinha garantido o flanelinha, dá mesmo para ver cidades vizinhas, percebíveis com um olhar mais atento.

Mais próximo do céu e com a sensação de estar mais perto de Deus, a visão do eixo monumental – entre a Catedral e o Estádio Willie Davids – é impressionante. Após 20 minutos de contemplação, era preciso descer para seguir por, pelo menos, mais dez bairros até o final da jornada, rumo ao extremo norte de Maringá. 

Alex Chaves - Maringá 73 anos

O folclórico engraxate do Centro

Feita a incursão pela Catedral, uma parada se fez necessária para recuperar o fôlego. E isso se deu na sala da assessoria de imprensa da Prefeitura, aos goles de cafezinho. Do Paço Municipal, que entro de alguns anos deve se mudar para o novo Centro Cívico de Maringá, no local do antigo aeroporto, a caminhada seguiu pela Avenida Getúlio Vargas. Antes disso, a bela história do guarda municipal Carlos José Viana serviu como uma injeção de ânimo.

Vendedor de colchões magnéticos até o ano passado, Viana entrou para o funcionalismo público após aprovação em concurso, em dezembro do ano passado. "Eram quase 680 candidatos para apenas 20 vagas", lembrou Viana, que mesmo aos 52 anos foi aprovado em todos os testes físicos, correndo inclusive 2,4 mil metros em 12 minutos – um dos melhores desempenhos entre os concorrentes diretos à vaga. 

O desempenho no teste, disse Viana, encheu de orgulho os dois filhos, que são policiais militares em Maringá. Parcialmente realizado, quer agora concluir a faculdade de Pedagogia, que iniciou no passado e interrompeu para se dedicar ao trabalho. E se Viana venceu o cansaço físico para atingir seu objetivo, repórter e fotógrafo – aos 27 e 25 anos, respectivamente – tinham condições de fazer o mesmo.

Folclórico engraxate
Na Avenida Getúlio Vargas, faça chuva ou sol, é raro não encontrar o engraxate mais famoso de Maringá – alguns se arriscam a dizer do Paraná. Às 16h40, lá estava ele, José Xavier, 53 anos. Baiano, como prefere ser chamado, já perdeu a conta de quantos sapatos engraxou durante os 43 anos em que atua na Getúlio Vargas. Baianinho, para seus clientes, é parte do folclore da cidade e, como tal, conhece a avenida que compreende o eixo monumental como ninguém. Diante de alguns velhos clientes, garantiu que em todos esses anos jamais falhou um único dia de trabalho, que inclui domingos e feriados. "Só não trabalho o dia de Natal", afirmou. Alguns senhores que estavam no local, residentes em Maringá há várias décadas, confirmaram.

Trajando uma camisa do Palmeiras, e sem parar de engraxar os sapatos de seus clientes durante a entrevista, disse que veio da Bahia diretamente para Maringá de pau-de-arara (caminhão adaptado para transportar pessoas, bastante comum no passado). No início, revelou, tinha vergonha de ser engraxate porque com o ofício era difícil impressionar as meninas. Na fase adulta, desencanou e investiu todos os seus esforços naquilo que melhor sabia fazer: cuidar da "saúde" dos sapatos alheios. E se empenhou com tamanha dedicação que hoje, décadas depois, sempre na mesma avenida, recebe convite de importantes lojas para mudar de ponto.

"O pessoal de dois shoppings da cidade, de algumas lotéricas e farmácias também já pediram para eu mudar para frente do estabelecimento deles. Todo mundo sabe que tenho uma grande clientela. A Câmara Municipal, no passado, convidou-me para ser o engraxate oficial dos vereadores". Baiano, é claro, nao aceitou. "A Getúlio Vargas é minha vida, depois que me instalei aqui nunca mais andei duro. Estou aqui há mais de quatro décadas e não vou largar meu ponto por proposta alguma", disse o engraxate. Gente das antigas, que acompanhava a entrevista, esclareceu que a identificação de Baiano com a Getúlio Vargas – e vice-versa – é tanta que ninguém tira ele dali. "Saímos com quem quiser tirar ele [Baiano] daqui", declarou um antigo morador, em alusão ao fato de que nem o prefeito ouraria retirar Baiano da avenida que tanto ama.

Infográfico Maringá 61 Anos – O Diário. Café com Jornalista
Mapa mostrou aos leitores o percurso dos "peregrinos" – Infográfico de Geordano Tomaz/O Diário/2008
Rodoviária Velha
Poucos assuntos, especialmente por se tratar de ano de eleições municipais, estão dando tanto o que falar quanto a rodoviária velha. O projeto liderado pelo prefeito Silvio Barros quer a demolição da antiga estrura para, no local, construir um moderno centro comercial e cultural.

Entre outras benesses, o novo cenário diminuiría o tráfico de drogas e a prostituição no local. A oposição, apoiada por historiadores, quer que o prédio seja restaurado e tombado como patrimônio histórico. Dependendo do desfecho, este aniversário da cidade pode ser o último com a presença da rodoviária velha.

No local, às 15h20 daquele dia, não foi difícil perceber que o assunto causa divergências também entre os moradores. Dois aposentados, amigos de longa data, têm opiniões distintas a respeito da rodoviária que, segundo eles, já foi a mais bonita do Estado.

"É um prédio histórico, que já foi um dos mais bonitos do Paraná, por isso não pode ser derrubado", argumentou Luiz Morado, 73 anos, 50 deles vividos em Maringá. Na opinião do morador, a decisão sobre o destino da edificação deveria ocorrer em plebiscito, e não por "canetaço" político.

Rodrigues Gualda, 71, mais conhecido como Toninho Espanhol, não titubeou em discordar do velho amigo. Para ele, que chegou a Maringá em 1952, a rodoviária velha não tem mais a utilidade de outrora. "Que fique só na fotografia, esse prédio não pode continuar aí porque hoje, infelizmente, esse local virou um prostíbulo. E, para piorar, é ponto de venda de drogas", opinou. 


Passagem a R$ 1,75 no paralelo

Percorrendo o eixo monumental, a chegada ao Terminal Urbano se deu por volta das 17h45 – coincidindo com o início da chuva. Logo a primeira pergunta, a um funcionário da empresa que faz o transporte público em Maringá: "Quanto custa a passagem no ônibus e qual o valor no guichê?" Percebendo se tratar da imprensa e sem considerar o fato de se tratar de uma corriqueira pergunta, respondeu: "Não estou autorizado a dar entrevistas". Não era uma entrevista, apenas uma dúvida. Fica claro, em situações como aquela, que o medo de falar, sob o receio de represálias, é uma rerança maldita que o brasileiro ainda carrega dos tempos da ditadura.

O jeito foi perguntar ao primeiro repassador de bilhetes (pessoas que ganham a vida comprando e vendendo tíquetes de ônibus). No coletivo, a passagem custa R$ 2,20, no guichê do terminal R$ 1,85 e no paralelo, ou seja, com os repassadores, R$ 1,75. Quanto eles faturam por mês repassando tíquetes? "Cerca de R$ 600", respondeu José Alves, 54 anos, que trabalha com isso há mais de dez anos.

Medo da imprensa à parte, vale ressaltar o ambiente do Terminal Urbano, agradável e relativamente limpo se comparado com os terminais de outras grandes cidades paranaenses. De ônibus, é possível chegar a quase todos os bairros da cidade. Quem aguarda a condução chegar pode esperar assistindo a televisão. Sim, o terminal possui televisores à disposição da população, bem como caixa eletrônico, lanchonete, sorveteria e muita, muita gente. 

Independentemente do horário, durante o dia é difícil encontrar assento disponível. Essa, inclusive, foi a sugestão de uma usuária do transporte público. "Se tivesse mais cadeiras aqui seria melhor", disse a idosa, que aguardava em pé e pediu para que seu nome não fosse divulgado".

Nem só de futebol vive o Willie Davids

A peregrinação prosseguiu, rumo ao extremo norte de Maringá, com chegada ao Estádio Regional Willie Davids, às 16h30, uma das principais arenas de futebol do Paraná. Atualmente, é palco dos jogos do Galo Adap; antigamente foi casa do Grêmio Maringá, bicampeão paranaense na temporada 1963/64. Clubue esse que, em 1982, obteve a 26ª colocação no Campeonato Brasileiro da primeira divisão.

Capa O Diário Maringá 61 anos. Café com Jornalista
Capa do Especial Maringá 61 Anos – Reprodução/O Diário
Naquele final de tarde, mesmo com uma garoa que incomodava desde a saída do terminal urbano, era grande o número de pessoas praticanto atividade física, a maioria caminhando, alguns correndo. O local também é ponto de encontro de moradores do bairro, de feiras, de jogos de carteado, enfim, é útil à população de diversas maneiras.

Por lá, já anoitecendo, os pereguinos de plantão avistaram o superintendente do Aeroporto Regional Silvio Name Júnior, Marcos Valêncio, 47 anos. Pelo taco que segurava em mãos, tudo indicava que Valêncio planejava uma partida de bétis. Ele falou que só estava dando uma averiguada na cancha de malha, jogo popular entre os idosos maringaenses. "No final de semana, os jovems vêm fazer 'esqui-bunda' (escorregar na grama morro abaixo) e andar de skate por aqui, os mais velhos vêm jogar malhar e baralho. Eu venho para prestigiar os amigos", desconversou.

Um grupo de idosos, aliás, jogava truco em uma mesa que, segundo eles, foi conseguida por Valêncio junto a empresários da cidade. No bom bate-papo com Valêncio e seus amigos de carteado, decidimos dar por encerrada a caminhada no primeiro dia, às 18h55, após 14 quilômetros a pé.

No segundo dia, sem chuva, a caminhada recomeçaria do mesmo local, rumo à Zona 7, com mais dois dias para selar o percurso pré-definido. 

Zona 7: um bairro de dia, outra à noite

A peregrinação, na terça-feira, também teve início antes de o sol nascer, na movimentada Avenida Colombo. O planejamento era tentar percorrer o restante do caminho até o final do dia, o que não foi possível devido ao mau tempo. Chuva que também atrapalou duas jovens amigas, Pricila Gomes da Silva, 24 anos, e Eliane Cristina dos Santos, 23.

Recém-chegadas de São Paulo, as duas carregavam as pesadas malas da viagem, despertndo a atenção dos marmanjos que cruzavam por elas. "Ninguém se ofereceu para ajudar, só uns caras passaram buzinando", comentou uma das moças. Elas já puxavam as malas por 500 metros. Ambas, que estão há pouco tempo em Maringá, disseram ter vido do interior de São Paulo em busca de trabalho. "Estamos apostando na cidade", disse a outra.

Quase um quilômetro adiante, já na Zona 7, a calmaria do bairro pela manhã contrastava com a muvuca das noites de festa. O desejo dos estudantes por diversão, geralmente acompanhada do consumo de bebidas alcoólicas, está na contramão do anseio das famílias, que querem repouso. Divergências antigas, apimentadas recentemente pelo aumento da violência, associada pela polícia ao tráfico de drogas.

Na Rua Bragança, um cenário preocupante. Num conjunto de mais de dez pequenas repúblicas, montadas em pequenas casas de duas lajes, era grande o número de garrafas vazias de bebidas alcoólicas. Numa delas, a garrafa de absinto – bebida de fortíssimo teor alcoólico – jogada no chão indica que os jovens de hoje estão bebendo muito além do que os pais desconfiam, e muito mais do que uma mera cervejinha no final de tarde.

Após várias pausas por causa da chuva, e em função de entrevistas pelo caminho, a chegada à UEM ocorreu às 10h10.

Na UEM, nota dez para o rango do RU

Eram 10h30 quando começou a chover forte e não havia o que fazer senão esperar. O novo pit stop, o mais longo de toda a caminhada, foi na Assessoria de Comunicação Social (ASC) da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Uma boa oportunidade para, com a calma que não se tem no dia-a-dia de uma redação de jornal diário, colher as novidades acerca da universidade.

Repórter Luiz Fernando Cardoso – O Diário. Café com Jornalista
Jornalista Luiz Fernando Cardoso com um dos entrevistados – Foto: Ricardo Lopes/O Diário/2008
Percebendo que a chuva não cessaria tão cedo, o fotógrafo da ASC, Heitor Marcon, convidou os peregrinos para almoçar no Restaurante Universitário (RU). A idéia era se sentar à mesa na companhia de alguns estudantes e, na escolha aleatória, acabamos entre um grupinho do curso de Química. "Não é Engenharia Química, é Química pura", esclareceu uma das estudantes.

O pessoal da Química estava no final de uma fila com, pelo menos, 200 estudantes. "Hoje, a fila nem está tão grande", comentou Nathália Ottobom, 23, mestranda na área. Naquele almoço era servido estrogonofe, um dos pratos preferidos dos estudantes que freqüentam o RU. "É a comida preferida do nosso grupo, mas quando tem feijoada a fila é maior", explicou Mailon Rogers Ribeiro Rodrigues, 22, que já foi estagiário no RU.

Enquanto a fila quilométrica andava, em velocidade reduzida, o grupo de Química criticava a ala dos estudantes que defendem a idéia de libarar a venda de bebidas alcoólicas dentro da universidade. Mailon e seus colegas são arbitrariamente contrários à idéia, assim como, segundo eles, a grande maioria dos universitários da UEM. 

Após o almoço, os estudantes foram convidados pelo repórter a dar uma nota à refeição. Na média do grupo, nota nove. Para a dupla de O Diário: nota dez. Almoçando "na faixa", a nota não poderia ser diferente.

Jardim Alvorada, bairro que parece uma cidade

Basta uma conferida no mapa para perceber que o Jardim Alvorada é o maior bairro de Maringá. Duas importantes avenidas, a Morangueira e a Pedro Taques, cortam o Jardim Alvorada no sentido norte-sul e, por ambas, os peregrinos circularam no início da tarde de terça (29 de abril). Antigo, o bairro ainda mantém um misto interessante de casas de madeira, antigas, e de alvenaria (a maioria).

Na Praça Farroupilha, coração do Jardim Alvorada, entrevistas com os moradores revelaram um bairrismo sem igual, não visto pela reportagem em nenhum outro bairro ao longo do percurso. Quem mora há mais tempo na localidade afirma que o Jardim Alvorada não perde, em nada, para uma cidade pequena.

Nas principais ruas e avenidas que cortam o bairro, um comércio bem estruturado oferece boas opções aos moradores. Com agências bancárias, farmácias, posto de saúde, bom número de linhas de ônibus, supermercados, o Jardim Alvorada – especialmente em sua área central – se parece, de fato, mais com uma cidade de pequeno porte do que com um bairro.

De acordo com Odair Aparecido Alves, 51 anos, o Jardim Alvorada pode não estar entre os bairros mais valorizados, mas é um lugar excelente para morar. "Aqui tem de tudo", garantiu, acrescentando que praticamente toda a família, que chegou a Maringá em 1959, ainda reside por lá. Na Praça Farroupilha, onde ele costuma se encontrar com velhos amigos, as declarações de outro antigo morador demonstraram, em palavras, o quanto é forte o bairrismo por lá.

"Não deixo o Jardim Alvorada de jeito nenhum. Vi gente chegar para morar aqui criança, crescer, casar e hoje já ter até filha casada", recordou Wanderlei Berti, 51 anos, que mora no bairro desde 1976 e atualmente é proprietário da Costelaria Alvorada.

Cidadão daqueles que "mata a cobra e mostra o pau", Berti fez questão de comprovar que a costela que serve aos clientes é "a melhor da cidade". Repórter e fotógrafo fizeram o grande sacrifício de provar a costela – ou pelo menos o que sobrou do almoço, ainda aquecida pelo calor remanescente da churrasqueira. Preparada no melhor estilo gaúcho, isso é, no espeto, a costela do meio-dia ainda estava ótima.

Avenida Kakogawa
Na bifurcação Altino Cardoso, às 16h55, um trevo que já marcou o final (ou início) da cidade, anos atrás, persiste a mensagem "volte logo". No local, pegamos o início da Kakogawa; já a Morangueira segue até a saída para Presidente Prudente (SP). Rumo ao norte, teríamos pela frente mais dez bairros até o final do percurso, no Condomínio Ana Rosa.

Tendo a Kakogawa como referência, a idéia era chegar, ainda na terça, até a Praça Megumu Tanaka, na rotatória (redondo) da Avenida das Palmeiras, às 18 horas, porém, minutos depois de cruzar a Praça Emilio Espejo, no cruzamento da Kakogawa com a Avenida Américo Belay, a decisão foi de parar e prosseguir na manhã seguinte. Às 18h15, chegava ao fim o segundo dia de peregrinação, após um total de 21,5 quilômetros a pé.

Praça das Grevíleas

A caminhada do último dia de jornada teve início às 6h15, do ponto de parada na noite anterior. Sem o cheirinho de café passado do Jardim Universo, aos poucos o número de moradores aumentava nas ruas, a maioria rumo ao trabalho, pouco dispostos a dar entrevista logo tão cedo.

Na Rua Promissão, uma travessa de uma quadra só, a surpresa foi o grande número de galos per capita. Sinal de que o povo, por lá, prefere despertador movido a ração do que a pilha.

Alguns minutos mais tarde, na Escola Municipa. Nadyr Maria Alegretti, esperamos do lado de fora do portão para fazer com algum professor, o primeiro que surgisse. Em vista da bela fachada, atípica para os padrões das escolas municipais, desejávamos alguma palavra a respeito.

Prestativos, alguns alunos se ofereceram para avisar os professores sobre a presença da reportagem de O Diário. Eram 7 horas, a aula não tinha começado e, via recado, algum professor pediu para que esperássemos pela diretora – na rua mesmo. Diante da oportunidade que aquele professor perdeu de falar em de sua escola, seguidos adiante.


Lixo que é selecionado vale mais

A parada na Panificadora Progresso, às 9 horas, deu a certeza de que, a não ser por um recesso para descanso, os útlimos quilômetros seriam sofridos. No terceiro dia, repórter e fotógrafo eram acometidos por câimbras. Com o auxílio de uma bebida energética, o jornalista prosseguiu.

Lixo que vale mais
No Jardim Diamante, cavalos pastando, crianças empinando pipa como antigamente e ruas por asfaltar mostraram a cara de um bairro onde o progresso custa a chegar. Pelo menos, para Resdivaldo Ferreira Logo, 43 anos, isso é muito bom. Catador de papel há sete anos, ele explicou que enquanto houver terrenos baldios, poderá fazer a seleção do lixo que cata por lá mesmo. Separando o lixo por tipo e cor, ele descobriu como ganhar mais, em meio às dificuldades.

"Fazendo a coleta, o lico tem mais valor", comentou Lobo, que consegue quase R$ 700 por mês desde que começou a selecionar lixo.

Aleluia
"Deus usou uma pessoa que doou o material para fazer o piso. Antes, quando chovia, a casa enchia de barro". A declaração é da moradora situada mais ao norte da área urbana de Maringá, Adriana Aparecida dos Santos, 29 anos, missionária da igreja Batista Ebenezer. Ela não sabia do detalhe.

Fato interessante é que, mesmo tão distante do Centro, não foram avistados barracos no Condomínio Ana Rosa, pelo contrário, o que se viu foram casas bem ajeitadas. Para os moradores, o problema não é a moradia e, sim, a falta de asfalto e transporte coletivo no bairro, o que lhes foi prometido na última eleição para prefeito. E, ao contrário do extremo sul, no poste mais ao norte da cidade, a lâmpada, queimada, precisava ser trocada.  

Maringá, após 27 km a pé

Em 1984, em um feito inédito, o navegador brasileiro Amyr Klink cruzou o Atlântico Sul num barco a remo, em travessia que levou cem dias. Dois outros navegadores haviam morrido ao tentar a façanha, imortalizada no livro "Cem Dias Entre Céu e Mar". Diante de uma aventura perigosa como aquela, cruzar Maringá de uma extremidade a outra não soou como algo interessante para muita gente.

Luiz Fernando Cardoso e Ricardo Lopes – O Diário. Café com Jornalista
Luiz Fernando Cardoso e Ricardo Lopes em 2008, ao término da caminhada
Para um jornalista recém-chegado de Pato Branco (PR), porém, foi uma oportunidade única de conhecer melhor uma das cidades mais encantadoras do Paraná. Inclusive para o fotógrafo Ricardo Lopes, nascido em Maringá, foi uma experiência reveladora. 

A travessia – do ponto mais ao sul até o último poste do extremo norte da cidcade – levou 30 horas, distribuídas em três dias. O percurso iniciou às 6 horas da segunda-feira, no Jardim Atami, e terminou às 16h15 da quarta-feira, no Condomínio Ana Rosa, perfazendo um total de 27 quilômetros. Isso sem considerar os 463 degraus da escada da Catedral.

Lá do alto, lembrei-me da oportunidade em que subi a Catedral de Colônia (Kölner Dom), na Alemanha. Com um detalhe: do alto, Maringá é bem mais bonita que Colônia. 

Ao todo, percorremos 23 bairros de Maringá, ouvindo histórias de vida incríveis, muitas delas não contadas pela limitação de espaço do jornalismo impresso. Perguntaram-me, após a peregrinação, se aceitaria percorrer a cidade novamente, agora que tinha noção das dificuldades. Não apenas respondi que sim, como disse que tentaria estender os passos a um número maior de bairros. E acredito que a resposta de Lopes, que carregou o tempo todo 5,4 quilos em equipamentos fotográficos, seria a mesma. 

No versículo final do evangelho de João, o apóstolo diz que nem em todo o mundo caberiam os livros escritos acerca dos feitos de Jesus. Penso que a caminhada de sul a norte e de leste a oeste de Maringá mereceria, pelo menos, um livro. A idéia já nos foi apresentada pelo chefe de reportagem de O Diário, Rodrigo Parra. Destarte, aceitaria o desafio do projeto. 





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