domingo, 10 de maio de 2020

Maringá 73 anos: Agro encabeça recuperação da economia da região na pandemia

10/05/2020_

Por Luiz de Carvalho, especial para o Café –  Em tempos normais, o sucesso de uma safra significa boas vendas nas concessionárias de máquinas e implementos agrícolas, revendas de veículos, imobiliárias e outros setores da economia. Mas, em tempos "anormais", como este em que um covonavírus (covid-19) parou o mundo, caberá à agricultura e à pecuária encabeçar o reerguimento da economia. O segmento não parou e está fortalecido por uma safra excepcional.

O agronegócio, que foi a base da economia na formação e na história do município de Maringá, deverá mais uma vez ser protagonista na recuperação da economia após a crise da covid-19

A análise é do diretor do Núcleo Regional de Maringá da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná e diretor de Pecuária da Sociedade Rural de Maringá, o zootecnista Jucival Pereira de Sá. "O agronegócio já está fazendo sua parte, mantendo a circulação de dinheiro em Maringá e região", explica Sá, acrescentando que a safra recorde de soja, que acaba de ser colhida, já está sendo comercializada, o que traz divisas para a cidade e, como a maior parte será destinada à exportação, atrairá dólares para economia local – e US$ 1 está valendo mais de R$ 5,70.

Pereira de Sá lembra que a área do município de Maringá é relativamente pequena, e está ficando menor devido ao crescimento acelerado do perímetro urbano. Com isso, a produção agrícola do município é pequena – é a sétima entre os 30 municípios da microrregião –, porém, concentra a comercialização e industrialização da maior parte do que é produzido no noroeste paranaense por contar com uma das maiores cooperativas agroindustriais do Brasil, a Cocamar. 

Além disso, Maringá conta com indústrias de transformação, cerealistas e empresas que adquirem a produção para exportação. "Essas empresas corolárias fazem o dinheiro do agro circular em outros setores da economia", explica o zootecnista.

Ulisses Maia - Maringá 73 anos


Vocação histórica

O empresário do setor de veículos João Noma diz que as empresas de todos os setores torcem pelo sucesso da agricultura e da pecuária porque o reflexo de boa safra beneficia toda a economia. Ele próprio, que é proprietário da concessionária Toyota para a região, diz que as melhores vendas ocorrem depois de uma boa safra de soja, de milho, de uva, mandioca ou em períodos de boas vendas para os produtores de leite, gado de corte ou frango.

"A ligação de Maringá com o agro é histórica. Quem tinha algum dinheiro vinha comprar terras para plantar café, e quem procurava trabalho veio para trabalhar na derrubada das matas, plantio de café e, pouco depois, nas fazendas de café. Foi assim que Maringá nasceu. Graças à produção se tornou uma das melhores economias do Brasil", diz João Noma.

Assim como Pereira de Sá, João Noma diz que a crise da covid-19 não parou o agronegócio. A safra recorde de soja garantiu trabalho no campo, milhares de caminhões transportando grãos, postos de combustíveis faturando com a circulação dos caminhões, as oficinas têm trabalho, as casas agropecuárias venderam as sementes e os demais insumos para o plantio da safrinha do milho e milhares de pessoas foram mantidas empregadas.

"No fim deste mês, começa a colheita do safrinha e a roda começa a girar de novo. Não para nunca. Quem comanda o agro é a natureza, e isso nos dá a certeza de que, por mais que dure a crise da covid, sempre Maringá vai poder contar com a soja, o milho, o trigo, o café, a uva, a mandioca, a laranja, a criação de tilápias e pacus, com as hortaliças produzidas pela agricultura familiar para restabelecer sua economia", analisa Jucival Pereira de Sá.

Rogério Calazans - Maringá 73 anos

Alex Chaves - Maringá 73 anos

Soja reina com folga

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do município de Maringá, neste ano, deverá ficar em torno R$ 180 milhões, de acordo com previsão do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab). Contudo, pode ocorrer alteração, tanto para cima, quanto para baixo.


O VBP é um índice anual, calculado com base na produção agrícola municipal e nos preços recebidos pelos produtores. Engloba produtos da agricultura, da pecuária, da silvicultura, extrativismo vegetal, olericultura, fruticultura, plantas aromáticas, medicinais e ornamentais, da pesca, entre outros.

Segundo o Deral, a soja plantada em regiões como Gleba Pinguim, fundos do aeroporto, Guaiapó, Venda 200, Guerra, Santa Maneta, São Domingos e distrito de Iguatemi corresponde a 50% de toda produção do agro no município de Maringá. O milho representa 22%. O restante é dividido entre hortaliças, criação de peixes, mandioca, frutas e criação de frangos. Esta ordem faz de Maringá um município diferenciado dos demais que compõem a microrregião, que têm no frango o principal produto.

Flávio Mantovani - Maringá 73 anos




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