sexta-feira, 8 de maio de 2020

Marcelo Bulgarelli: 'Maringá: Meio Século de História', 'Sala dos Suplícios' e 'Terra Crua'

Maringá 73 anos: Melhores livros de escritores maringaenses_


Natural de Petrópolis (RJ) e radicado há décadas em Maringá, o jornalista Marcello Bulgarelli teve passagens por vários veículos de comunicação, entre eles as emissoras de TV RIC (Record) e RPC (Globo), a emissora de rádio CBN e o jornal O Diário, onde foi editor de Cultura. Trabalhou por anos como assessor de imprensa da Viapar, sempre apoiando a cultura local. Os principais livros de escritores maringaenses, segundo Bulgarelli, são:

Marcelo Bulgarelli

Maringá: Meio Século de História

De vários autores, publicado em 1997 pela Editora Central Ltda. No ano em que Maringá completava 50 anos, O Diário do Norte do Paraná publicou diariamente diversas entrevistas com pioneiros. As matérias foram reunidas depois num único volume.

Era nítido que era um projeto essencialmente comercial daquele que foi o terceiro maior jornal do Paraná. Tanto é que a segunda parte, dedicada aos "contemporâneos", focava em pessoas do mundo coorporativo daquele matutino. Foram vários repórteres que colaboraram nas reportagens. Muito confessavam que não gostavam. Achavam as histórias dos pioneiros meio repetitivas. E eu, que era recém-chegado a Maringá e sobretudo naquela redação, não tinha muita opção, só a de aceitar as entrevistas pautadas por Claudio Viola.

Com o tempo, passei a gostar muito daqueles encontros. Foi a melhor forma de conhecer e admirar ainda mais essa cidade, tão nova ainda. E havia um outro desafio: descobrir histórias que não fossem repetitivas e entediantes. A edição encadernada é um dos poucos livros que reúne tantos pioneiros, muitos que já deixaram essa vida e tiveram, nas páginas de O Diário, a perpetuação de suas histórias.  Mais tarde, aqueles mesmos personagens serviriam de base para dois programas que eu produziria para a CBN Maringá: as duas últimas temporadas de Vozes da História e Ruas da História.
 

Sala dos Suplícios: o dossiê do caso Clodimar Pedrosa Lô

De Miguel Fernando, publicado em 2017. Entre os pioneiros que entrevistei para a edição dos "50 anos de Maringá" estava Rafael Garcia, um ex-oficial de Justiça. Foi quando ouvi pela primeira vez no "Caso Clodimar Pedrosa Lô", um rapaz de 15 anos torturado e assassinado pela polícia em novembro de 1967, após ser acusado injustamente de furtar um cliente de um hotel  na cidade.

Lembro que o pioneiro se emocionou ao contar o caso que, além de entrar para a história da crônica policial de Maringá, teve repercussão nacional.  Rafael Garcia narrou o dia em que levou o corpo do Clodimar para a autopsia em Curitiba, e retornou depois a Maringá com a prova de que ele, o jovem, morreu torturado.

Não foi difícil me envolver com essa história, que teve várias versões em livros e revistas. Porém, a edição definitiva surgiria, em 2017, através do historiador Miguel Fernando. Ele esclarece o assassinato de Clô. Fernando recolhe uma série de detalhes, inclusive do pai de Clodimar, vindo do Ceará, que vingou a morte do filho ao assassinar o homem que o acusou injustamente. O pai seria absolvido, porém, os policiais torturadores fugiram e nunca foram punidos. O caso é a sínteses do abuso policial numa ditadura.

A paixão de Miguel Fernando pelo caso justifica colocá-lo com herdeiro direto de historiadores maringaenses como o imprescindível João Laércio Lopes e Reginaldo Dias, um dos maiores intelectuais de sua geração.

Terra Crua

De Jorge Ferreira Duque Estrada, publicado em 1961. A reedição foi publicada em 2014 pela Editora Eduem, com organização de Reginaldo Dias, Sergio Gini e Miguel Fernando. Livro imprescindível para a história da cidade que narra detalhes e fatos imagináveis do início da colonização. Muito bem narrado por Duque Estrada, é um clássico regional que demorou 44 anos para ter um reedição. 

Durante muitos anos, o documento foi defendido por muitos e amaldiçoado por outros, e sempre está nas listas como o mais importante livro não acadêmico da história de Maringá. A espera resultou num livro caprichado com o fac-símile integral da edição de 1961 enriquecido de comentários, documentos e imagens. Um acontecimento.




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