quarta-feira, 20 de maio de 2020

Felipe Neto: "A gente não pode validar a opressão e o fascismo"

20/05/2020_

Youtuber mais popular do Brasil, Felipe Neto causou no programa Roda Viva (TV Cultura), na noite de segunda-feira (18). O influenciador digital classificou o governo Bolsonaro como fascista; disse ter se arrependido de ter apoiado o impeachment de Dilma Rousseff (PT), o qual classificou como "golpe"; e falou em união da oposição contra ataques à democracia.


De um jovem que, há alguns anos, produzia apenas conteúdo de entretenimento, Felipe Neto se reinventou como um  ativista que estuda política, o que ficou claro nas respostas dadas à bancada do Roda Viva. Dias depois, a entrevista segue repercutindo nas redes sociais, principalmente no Twitter e em inúmeros canais do YouTube.


Felipe Neto
Site Catraca Livre compilou os melhores momentos da entrevista de Felipe Neto ao Roda Viva. Assista
Segundo Neto, lideranças de oposição ao governo Bolsonaro precisam se unir diante dos ataques às instituições e demais pilares da democracia, como a imprensa. De certa forma, há sinais de que isso já começa a acontecer, como no episódio da troca de elogios entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-presidente Lula (PT) – algo impensável há alguns meses.


"É necessário uma união contra o facismo. A gente não pode ficar esperando que a oposição vá, de forma segmentada, conseguir derrubar o que está acontecendo neste momento", disse Neto. "O governo [Bolsonaro] vive da promoção do desespero, do medo e do caos", acrescentou.

Com espantosos números no YouTube (37,9 milhões de inscritos em seu canal e 9,8 bilhões de visualizações em seus vídeos), Felipe Neto tem know-how para dar dicas sobre o uso das redes sociais. E, segundo ele, a esquerda demorou para se dar conta da importância dessa ferramenta, aprendendo apenas agora a usar as redes sociais. "E o governo Bolsonaro nada de braçada nessa forma de se comunicar", disse.

Na leitura do youtuber, o fato de o presidente manter uma base de apoio de no mínimo 30% do eleitorado, não importando as sandices que sejam ditas por ele, é fruto de descaso com a educação básica ao longo das últimas décadas. Esse fato, segundo Neto, também contribui para que parte da população não compreenda as ameaças representadas tanto pela covid-19 quanto pelo atual governo.


Sem uma educação de base gratuita e de qualidade, falta a muitos o mínimo de bom senso sobre liberdade e opressão. "A gente não pode validar a opressão e o fascismo. Qualquer pessoa sabe que a covid é uma ameaça, que Jair Bolsonaro é uma ameaça. Não precisa se aprofundar para entender a ameaça que representa o atual governo", comentou.

Ainda segundo Neto, não é possível ter tolerância com os intolerantes, que querem, por exemplo, calar a imprensa, que mandam jornalistas calar a boca. Nesse momento da entrevista, Neto mencionou as ameaças de morte sofridas por ele e sua família. "Minha mãe recebeu ameaças de morte por minha causa, e a gente teve de tirar ela do Brasil. E isso é realmente inacreditável", disse.

Como ativista político, Neto se tornou figura ainda mais notória ao revidar diante de atos de censura, como na distribuição de 10 mil livros com o tema LGBT após a Prefeitura do Rio de Janeiro tentar proibir obras com essa temática na Bienal do Livro, em 2019. O youtuber também tem oferecido apoio jurídico a jornalistas e outros comunicadores processados por bolsonaristas, com foi o caso do filósofo curitibano Henry Bugalho






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