sexta-feira, 1 de maio de 2020

Artigo: Como está sua saúde mental e emocional no trabalho?

01/05/2020

Por Rubem Almeida Mariano

Há duas afirmações que se fazem sentir a partir da realidade da vida moderna, de forma geral e específica, no mundo do trabalho: o trabalho escraviza e dignifica a pessoa humana. São duas constatações absolutamente diferentes e, aparentemente, contraditórias. Como pode uma mesma atividade humana produzir resultados tão distintos assim?

De um lado, o "trabalho que escraviza" não é fruto de uma imaginação fértil de conspiração ou delirante, bem como mundana sobre o trabalho: "Há trabalho que não é bom, não pode ser feito ou é errado fazer".

Contudo, quando essa atividade humana não é acompanhada das condições básicas e necessárias para o seu desenvolvimento, o trabalho se torna certamente vil. Assim, quando o ato humano de trabalhar não é observado e amparado pelas condições elementares e fundamentais, certamente, ele toma o sentido de escravidão, sofrimentos e doenças. Tudo que não presta.

Hoje, as doenças do trabalho se multiplicam na mesma proporção em que os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras são arrancados de forma anticivilizatória, com discursos absurdamente insanos como "quando se tira um direito é para garantir o seu trabalho, para o seu próprio bem".

Assim, o trabalho se torna sinônimo de doença e, infelizmente, de morte anunciada. Na França, por exemplo, ocorrem suicídios relacionados ao trabalho, como o suicídio de 35 funcionários de uma empresa de telecomunicações.

Portanto, a morte humana não tem ocorrido somente como consequência de um ambiente patológico – insalubridade ou periculosidade –, mas também como desejo de autoeliminação: suicídio, como causa de uma organização patológica do trabalho, que atinge tempo, movimento e relacionamentos.  Observa-se, portanto, que a falta do que é básico e fundamental para a vida humana, como as que conhecemos, através das informações do psicólogo americano Maslow, em sua teoria da pirâmide das necessidades humanas, torna-se fatal para a vida de uma pessoa.

Pirâmide de Maslow – Fonte: Blog Dicas de Escrita
Sim, fatal porque atinge a pessoa, em seu mundo existencial, na calada do silenciamento angustiante. Por isso, quando não se obedecem as condições mínimas de vida no trabalho, essa atividade se torna um verdadeiro algoz do ser humano (lembre-se que alguém está produzindo essa realidade). A tal ponto que imputamos, não poucas vezes, de forma leviana, que foi a própria pessoa que "não quis" valorizar a sua vida. Isso mesmo: simples assim, não é? Ou, eu diria, no sentido freudiano: pura perversidade, não é? Afinal, o sociólogo Emile Durkheim já afirmara que o suicídio é coletivo.

De outro lado, "o trabalho dignifica" também não é fruto de uma imaginação romântica, socialista ou comunista. Afinal, o trabalho na própria visão capitalista é a fonte de riquezas. Contudo, não poucas vezes, essas riquezas são às custas da vida humana, literalmente.

O trabalho, como bem observa os estudiosos sobre o comportamento humano – historiadores, antropólogos, filósofos, psicólogos, economistas, administradores, dentre outros – dá sentido existencial e orienta a pessoa em sua vida de maneira geral, bem como na sua relação consigo mesma e com o meio em que vive: o desenvolvimento das habilidades sociais.

Assim, o trabalho se torna felizmente sinônimo de saúde mental e emocional. Fazer o que gosta e gostar do que se faz. Ter condições, e fundamentalmente, ser respeitado pelos seus pares, colegas e direção. Faz do trabalho fonte perene e constante de saúde, no seu sentido mais amplo, como bem defende e afirma a Organização Mundial de Saúde (OMS): "Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não, simplesmente, a ausência de doenças ou enfermidades".

Assim, como não existe trabalho bom ou ruim, certo ou errado, mas somente trabalho como um instrumento para atender às necessidades humanas, no seu sentido salugênico aponta o verdadeiro sentido do ato de trabalhar. Portanto, posso concluir de maneira inversa, que toda e qualquer forma de trabalho, mesmo que o trabalho esteja revestido de legalidade e moralidade sociais, pode ser então patogênico. Já pensou nisso?

Por fim, não esquecendo do mundo do individualismo: como está a sua saúde mental e emocional com relação ao seu trabalho hoje? Acho que você me entendeu, não é!?!?
    

Rubem Mariano
* Teólogo, filósofo e psicólogo (CRP - 08/14994) e mestre em Ciências da Religião, Mariano é autor dos livros "Alcoolismo e Pastoral" (Editora Voz) e "Aconselhamento Cristão" (Editora Unicesumar). Atualmente, cursa doutorado em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Contato: (44) 98837-6156 (whatsapp business).

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