quinta-feira, 7 de maio de 2020

Artigo: Da aids à covid-19, o povo em meio à criminosa irresponsabilidade do governo federal

07/05/2020


Por Tania Tait


Nos anos 1980, tivemos o surgimento do vírus da aids, o HIV. Primeiro, pensava-se que o contágio se dava apenas entre homossexuais. Depois, apareceu o contágio entre hemofílicos e em transfusões de sangue, até que deixou de existir grupo de risco, mas, sim, grupo de exposição ao vírus. A camisinha passou a ser acessório obrigatório em qualquer forma de amor, mesmo com a chegada do coquetel e remédios que amenizam a doença. Perdemos muitas pessoas nos anos 1980 e 1990, desde grandes artistas como Fred Mercury e Cazuza até anônimos amigos queridos. O vírus HIV deixou de ser número e passou a ter rostos e nomes.



Atualmente, as pessoas portadoras de HIV conseguem sobreviver, sempre com acompanhamento e cuidados. No entanto, o vírus está aí.  Pesquisa recente mostrou que mulheres grávidas têm sido as mais infectadas por doenças sexualmente transmissíveis (entre elas, o HIV), com possibilidade de transmissão aos seus bebês. Os governos pararam de fazer campanhas de combate à aids como se ela não existisse mais. Contudo, sabemos que o HIV continua pelo mundo. Alguns governos transmitem a mensagem de que é problema de quem faz sexo sem proteção, cortando verbas para prevenção e assistência.


Nos anos 2000, nos debatemos com a busca de cura para a gripe A (vírus H1N1), quando aprendemos a lavar as mãos, não coçar o nariz e a cobrir o rosto quando tossir ou espirrar. Com o surgimento da vacina, aprendemos a nos vacinar. No meio de tudo isso, ainda convivemos com a dengue, com doenças como tuberculose e hepatite, com doenças sexualmente transmissíveis, entre outras.


E agora, em 2020, nos deparamos com um vírus novo e avassalador, o coronavírus (causador da doença respiratória covid-19), o qual se espalhou assustadoramente pelo mundo todo, com milhares de morte e contágios. O acessório necessário passa a ser a máscara. E a medida para evitar a doença passa a ser o isolamento social. Da mesma forma que no período do surgimento da aids, há o negacionismo e o direcionamento a um grupo de risco. No entanto, muito mais rápido, o coronavírus mostra que não existe grupo de risco. Todos são grupos de risco, o que existe é grupo de exposição ao vírus.


Infelizmente, o governo brasileiro, que optou por não fazer campanhas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, como se fosse responsabilidade individual, age da mesma forma irresponsável diante desse coronavírus mortífero. Ao subnotificar casos, ao não preparar hospitais com equipamentos e profissionais, ao boicotar o isolamento e a negar a existência do coronavírus, o governo nega a gravidade da situação e leva milhões de brasileiros à morte. Esse comportamento influencia pessoas que são seguidoras do governo que, em nome de manter a economia, prefere perder vidas brasileiras.


No fechamento deste artigo, o Brasil, que possui mais de 210 milhões de habitantes, tem mais mortes por covid-19 que a China, que possui 1,4 bilhão de habitantes. Em 28 de abril, ao ser questionado sobre o aumento de mortes no país – que naquela altura superava os 5.000 óbitos –, o presidente da República respondeu: "E daí, lamento, quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagres". Eu, como brasileira e cidadã do mundo, respondo a você, presidente, que não respeita nem os votos nem a vida de quem o elegeu. Por apoio humanitário, por respeito aos doentes e mortos pelo coronavírus e suas famílias, pelos profissionais de saúde e cientistas que atuam no combate ao coronavírus, por mim, por nossas famílias e amigos, por todos e todas nós, pelo povo brasileiro, eu VOTO: #ForaBolsonaro, e leve seu vice, sua família e sua turma com você!


Tania Tait

* Coordenadora da ONG Maria do Ingá Direitos da Mulher, Tania Tait é escritora e professora aposentada da UEM, com doutorado em Engenharia de Produção pela UFSC e pós-doutorado em História pela UEM. Seu mais recente livro é "As Mulheres na Luta Política" (2020).


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