domingo, 10 de maio de 2020

Maringá 73 anos: Relembre o dia em que o cachorrão prensado se tornou prato típico da cidade... por lei!

10/05/2020_

Toda cidade tem seu prato típico. O de Maringá não requer prato e talheres para ser degustado, não é gourmet, leva uma ou duas salsichas (simples ou duplo), é encontrado em quase toda esquina, pode ser consumido na rua, é apreciado pelos jovens na saída da balada (quase ao nascer do sol) e custa menos de R$ 10. Uma má-notícia: engorda.

Estamos falando do tradicionalíssimo e calórico cachorro-quente prensado, também conhecido como dogão. Alguém pode perguntar: E o porco no tacho? E o churrasco? E o barreado (prato típico do Paraná)? Este último, nove em cada dez maringaenses nunca provaram. Na comparação com os outros dois, só o democrático dogão está amparado pela lei.

Na coluna deste domingo (10), aniversário de Maringá, vamos deixar um pouco de lado o novo coronavírus (covid-19), as milhares de mortes pela doença, o pouco caso do presidente da República pelas vidas perdidas e as fake news (assuntos recorrentes do Cafeinado). Vamos relembrar como, quando, onde e por que o cachorrão prensado virou prato típico reconhecido por lei municipal, e algumas curiosidades por trás da aprovação.

Vereador Belino Bravin na capa de O Diário
Vereador Belino Bravin na capa de O Diário, na edição de 21 de junho de 2017

Projeto

Eu era repórter de política do extinto jornal O Diário quando, em junho de 2017, a Câmara Municipal iniciou as discussões sobre o cachorro-quente prensado como prato típico de Maringá. O projeto de lei deu o que falar, e o pitoresco assunto entrou na pauta do jornal. O projeto gerou polêmica porque um simples lanche não poderia ser "prato" símbolo da gastronomia de uma das melhores cidades para se viver no Brasil. Porém, a cidade precisava dizer que tinha um prato típico para chamar de seu, e o dogão sempre esteve para Maringá como Pelé para o futebol brasileiro – istó é, incontestável. 


Votação  

Lembro-me que o autor da proposta, o vereador Belino Bravin (PP, hoje no PSD), enfrentou grande relutância. Ele só conseguiu o apoio da maioria dos 15 vereadores após o Conselho Municipal do Turismo se manifestar favorável à lei. Enquetes realizadas à época também mostraram que mais de 80% da população era favorável. Então, o projeto entrou na ordem do dia na sessão de 20 de junho de 2017, realizada de forma itinerante no Distrito de Iguatemi. Fui para lá cobrir a sessão na companhia do fotógrafo João Paulo Santos, o JP. O assunto prometia. 

A caminho da sessão

Uma das principais preocupações dos editores de jornal impresso, além da manchete do dia, são as fotos de capa. Os repórteres mais experientes costumam se preocupar com isso. Assim, a caminho de Iguatemi, JP e eu  pensávamos sobre a foto e o gancho da matéria. Seria ótimo ter algo inusitado para mostrar aos leitores na manhã seguinte. Na parada em uma lancheria de rua, para entrevistar um comerciante do setor sobre o projeto, tivemos a ideia de comprar um cachorrão para levar a Bravin, na expectativa de que ele degustasse o lanche antes do início da sessão.

Na lancheria

Ao saber da nossa ideia, de levar um dogão para o vereador, o chapeiro Claudinei Wazlawick, dono do Roberto Lanches, na Avenida Colombo, recusou-se a cobrar pelo lanche (sempre bem prensado, claro). "Esse eu não vou cobrar. [O projeto] será muito bom porque vai ampliar a divulgação do lanche na cidade", disse Wazlawick, que eu não sei mais se, anos depois, segue com o mesmo ponto na Colombo. Em contrapartida, fiz questão de mencioná-lo naquela reportagem. 

Na sessão

O projeto havia sido retirado da pauta por três sessões (lembra da relutância?). Mas, naquela noite em Iguatemi, foi enfim aprovado. Por nove votos a favor, uma abstenção e cinco contra, o cachorrão-prensado se tornava o prato típico de Maringá. A notícia foi parar na capa de O Diário, em grande parte, por causa de foto histórica. Bravin aceitou o lanche, disse que não tinha tido tempo de jantar [as sessões itinerantes são noturnas], comeu minutos antes da sessão e agradeceu. Sem saber do favor que nos fazia, Bravin garantiu à reportagem a foto (esta, reproduzida na coluna) que JP, eu e o editor tanto esperávamos. 

Votação

Bravin contou com o apoio dos vereadores Alex Chaves, Altamir dos Santos, Chico Caiana, Do Carmo (hoje, deputado estadual), Flávio Mantovani, Jean Marques, Odair Fogueteiro e William Gentil. Voto de minerva, o presidente Mário Hossokawa se absteve. Do Carmo apresentou emenda para retirar a expressão "outros lanches prensados" do texto original, assim, só o tradicional dogão de Maringá ficaria classificado como prato típico. O prefeito Ulisses Maia, que prestigou aquela sessão e que também gosta de dogão, sancionou a lei dias depois. Maringá ganhava, oficialmente, seu prato típico.  

Maringá 73 anos

Eu me mudei para Maringá, em 3 de janeiro de 2008, para trabalhar em O Diário. Passei anos no jornal, quase todos cobrindo a política local. Por isso, nesta data especial, quis contar na coluna alguma cobertura minha que tenha registrado um fato histórico da cidade. Nesta segunda, publicarei outra, de quando cruzei a cidade a pé, de sul a norte, na companhia do fotógrafo Ricardo Lopes. Rendeu uma bela reportagem – com histórias de vida dos maringaenses encontrados pelo caminho –, publicada no especial dos 61 anos de Maringá. 


Apoio ao Café

Este blog (ou site, como preferir) iniciou suas atividades há menos de três meses, mas desde o primeiro dia com a certeza de que matérias especiais seriam produzidas para o aniversário dos 73 anos de Maringá. Isso só foi possível graças ao apoio recebido de: Ulisses Maia, Alex Chaves, Flávio Mantovani, Rogério Calazans, Sidnei Telles, do jornalista Luiz de Carvalho e dos entrevistados das matérias publicadas. Reproduzo, abaixo, as mensagens de parabéns a Maringá enviadas pelos apoiadores, com o muito obrigado do editor do Café


Flávio Mantovani - Maringá 73 anos

Ulisses Maia - Maringá 73 anos

Alex Chaves - Maringá 73 anos

Rogério Calazans - Maringá 73 anos






Dia das Mães

A série de matérias do Café para o aniversário da cidade será concluída nesta segunda. Por enquanto, dá para ver o que já foi publicado com um clique na imagem abaixo. Encerro a coluna com um parabéns especial a todas as mães, em especial minha mãe, dona Clacy Cardoso; minha esposa, Ines Hartmann; e a querida dona Celina, que me acolheu como membro de sua família quando me mudei para Maringá.







>>> Saiba mais sobre o colunista
>>> Veja os destaques dos demais colunistas


>>> Sobre o Café
>>> Sobre o Jornalista
>>> Cafeinado
>>> Maringá
>>> Política
>>> Economia
>>> Geral
>>> Entrevistas
>>> Artigos
>>> Imprensa

* Matérias e opiniões publicadas no Café com Jornalista estão compreendidas pela atividade jornalística e amparadas pela liberdade de imprensa e de expressão. (Do editor)


A página do Café no Facebook superou a marca de 3.000 curtidas na Sexta-feira Santa, em 10 de abril, graças aos leitores assíduos que apoiam o blog. Para ser informado sobre novas matérias publicadas, curta você também e convide seus amigos para curtir. Clique aqui.


Para receber as últimas notícias do Café com Jornalista no seu WhatsApp é muito fácil. Basta enviar para o número acima a mensagem "Quero Café", informando seu nome e sua cidade de origem. Seu número será, então, adicionado a uma lista de transmissão dos seguidores do blog. A qualquer momento, você poderá cancelar a inscrição.
Merece:

0 comentário(s):

Postar um comentário