sexta-feira, 24 de abril de 2020

Sergio Moro deixa o governo após interferência política de Bolsonaro na PF

24/04/2020

O ex-juiz federal Sergio Moro anunciou nesta sexta (24), em coletiva convocada por ele próprio, sua saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Tapa na cara de quem disse que o possível desembarque do governo federal era fake news, a decisão foi tomada após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) exonerar Maurício Valeixo – braço direito de Moro desde os tempos da Lava Jato – do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF).

Sergio Moro na coletiva à imprensa – Reprodução
Moro deu início à coletiva resgatando sua trajetória como juiz federal no combate à corrução e a constante preocupação com interferências dos governantes na PF. "Desde 2014, na Lava Jato, sempre teve uma preocupação constante com a interferência do Executivo nas investigações", disse.

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O ex-juiz também falou sobre a autonomia da PF, garantida nos governos anteriores. "O governo da época [Lula e Dilma] tinha inúmeros defeitos, como os crimes gigantescos ocorridos, mas foi fundamental a manutenção da autonomia da Polícia Federal", comentou.

Na sequência, lembrou do convite feito por Bolsonaro, em 1º de novembro de 2018, para que ele assumisse o ministério, sob a promessa de carta branca para nomear os assessores, inclusive de órgãos como a PF. E negou que tenha assumido o cargo na condição de ser indicado, futuramente, para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Na coletiva, Moro disse que não haveria motivo para a troca e abriu à imprensa que havia a intenção do presidente de trocar não apenas o diretor-geral, mas também superintendentes da PF nos Estados "sem que me fosse apresentada uma razão para as substituições". "Não aconteceu [essa interferência política] durante a Lava Jato, a despeito de todos os problemas de corrupção nos governos anteriores", disse.

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Moro disse que não há como permanecer no cargo diante da interferência na PF, o que, segundo ele, pode levar a relações impróprias entre o próximo diretor-geral da PF e o presidente. "O presidente me disse, mais uma vez, que ele queria alguém do contato pessoal dele, para coletar relatórios de inteligência. Realmente, não é esse o papel da Polícia Federal."

O ex-juiz federal comentou ter dito a Bolsonaro que a interferência política na PF teria um impacto negativo a todos, propondo que a substituição de Valeixo se desse por alguém de perfil "absolutamente técnico", com sugestão da própria PF. "Tenho o dever de tentar proteger a Polícia Federal, por isso, tentei buscar alternativas para evitar uma crise política durante a pandemia, mas entendi que não poderia deixar de lado meu compromisso com o Estado de direito", disse.

A palavras foram ponderadas, mas fortes. Moro confirmou o desejo de interferência política de Bolsonaro na PF, com prejuízo à autonomia da PF, o que não ocorreu nos governos anteriores. Ao fim da coletiva, o ex-ministro lembrou que abandonou uma carreira de 22 anos de magistratura para assumir o ministério – um caminho sem volta, já que não é mais possível seu retorno ao cargo de juiz. Agora, Moro disse que vai "descansar um pouco".

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