terça-feira, 14 de abril de 2020

Jornalista Roberto Silva sobre trânsito de pessoas na quarentena: 'impressionado com o que vi'

14/04/2020

O número de casos confirmados e de mortes por coronavírus (covid-19), em todo o Brasil, não para de subir; e o de pessoas nas ruas e avenidas de Maringá também não. Resultado de seguidos afrouxamentos nas regras de isolamento social, o fluxo de pessoas no centro da cidade, em plena pandemia, impressionou o jornalista Roberto Silva.

Vídeo publicado por um blog de Paiçandu mostra a superlotação em uma linha do transporte coletivo, nesta terça (14)
Ex-repórter de Polícia do jornal O Diário, por 35 anos, Silva vem seguindo à risca as recomendações de isolamento social, permanecendo em sua casa. Nesta terça (14), porém, ele precisou sair para ir à farmácia. "Da população nas ruas, 90% estavam sem máscaras. A impressão que deu é que 70% da população já relaxou a guarda", comentou.

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Para o jornalista, parte dos maringaenses parece não ter se dado conta da gravidade da doença, que é transmitida inclusive por infectados assintomáticos. "O que presenciei foi impressionante. Muitos comércios abertos, inclusive na periferia, com falta de vagas para estacionar entre a Zona 4 e o Centro", disse Silva. "Vários templos evangélicos estavam abertos também", acrescentou.

Com a autorização da reabertura das indústrias e da retomada da construção civil, ocorrida na segunda (13), o trânsito maior de pessoas já era aguardado. Fluxo que pôde ser medido no transporte coletivo. Segundo reportagem da RPC (TV Globo), as circulares transportaram 21,8 mil passageiros, nesta terça (14), com superlotação no horário de pico, em algumas linhas – um prato cheio para o vírus.

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De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), no dia de menor circulação de pessoas, nesta fase de isolamento social, os ônibus do transporte coletivo transportaram apenas 3.000 passageiros em Maringá. Antes da pandemia, em dias normais, o número de passageiros chegava a 130 mil/dia. "Vamos reajustando o número de ônibus conforme os passageiros forem aumentando", comentou Gilberto Purpur, secretário da pasta, em entrevista à RPC, sobre a superlotação em algumas linhas.

Preocupação

Para Roberto Silva, os boletins oficiais mostram que há motivos de sobra para preocupação. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de mortes por covid-19 subiu para 1.521 em todo o país. O número registrado nesta terça (14) representa um aumento de 15% em 24 horas. No boletim do dia anterior, eram 1.328 óbitos.

Roberto Silva – Foto: Arquivo pessoal
Com 36 mortes por covid-19 até o momento, o Paraná só fica atrás de cinco Estados: São Paulo (695), Rio de Janeiro (224), Pernambuco (115), Ceará (107) e Amazonas (90). Neste último, na capital Manaus, já faltam leitos para atender todos os infectados pelo novo coronavírus. A estratégia de manter o vírus "sob controle", sem a adoção de medidas mais duras de isolamento social, o que já havia falhado em outros países, também não deu certo em Manaus.

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Estudo

Um estudo recente do Observatório das Metrópoles da Universidade Estadual de Maringá (UEM), divulgado em primeira mão pelo Café com Jornalista, revelou que as medidas de isolamento social achataram a curva de contágio em Maringá. No entanto, para a professora Ana Lúcia Rodrigues, que coordenou o estudo, o afrouxamento na quarentena pode pôr a perder o que já foi conquistado.

Estudo revela que o isolamento social foi determinante para o achatamento do pico de contágio pela covid-19 em Maringá. No entanto, o que foi feito, segundo pesquisadores, ainda não é o suficiente
"Esse seria o momento de as lideranças políticas, econômicas e sociais se organizarem em defesa de um escalonamento racional, organizado, de contaminação [pela covid-19]. O contágio não pode ocorrer ao mesmo tempo, sob pena de assistirmos à tragédia de filas de cadáveres pelas ruas", adverte Ana Lúcia, coordenadora do Observatório das Metrópoles.



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