segunda-feira, 6 de abril de 2020

Novo decreto flexibiliza quarentena e desagrada tanto quem pede por isolamento quanto quem quer o comércio aberto

06/04/2020

Dois dias depois de publicar um decreto que declarou Maringá em estado de calamidade pública, por conta da pandemia no novo coronavírus (covid-19), o prefeito Ulisses Maia (PSD) assinou um novo decreto, flexibilizando um pouco mais a quarentena na cidade. A decisão, publicada nesta segunda (6) no Órgão Oficial do Município (OOM), desagradou tanto quem defende o isolamento social quanto quem pede a reabertura do comércio.

Decreto foi publicado na edição desta segunda (6) do OOM
De acordo com o Decreto 502/2020, a partir desta terça (7), está liberado o funcionamento de oficinas mecânicas, auto socorro, borracharias, delivery de autopeças, clínicas e consultórios médicos, clínicas veterinárias e pets shops, que poderão realizar procedimentos em animais, como banhos, apenas com recomendação de profissional da área e no formato delivery.

De acordo com a Prefeitura, os estabelecimentos devem manter as portas fechadas ao atendimento presencial, e todos os serviços devem obedecer as regras de prevenção, como controle rigoroso do fluxo de pessoas. “Está mantida a quarentena e as regras de prevenção, como o isolamento social e o distanciamento entre as pessoas, além do toque de recolher das 21 horas às 5 da manhã”, explicou Ulisses, em entrevista coletiva.

A situação da covid-19 é bem pior que a do balanço oficial

No decreto anterior, que permitiu a reabertura de padarias, açougues e peixarias, Ulisses atendeu a uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR). A diferença é que, desta vez, a flexibilização não partiu de uma ordem judicial. A medida faz parte de um plano de abertura gradativa do comércio de Maringá.

Segundo o secretário de Saúde, Jair Biatto, os ramos que passam a funcionar nesta terça representam menos de 5% do comércio. Mesmo com o avanço da covid-19, a administração municipal tem cogitado ampliar essa flexibilização. "Semana que vem vai dar 25 dias [do decreto que fechou o comércio, em 20 de março]. Aí, podemos liberar outros", disse Ulisses, em entrevista à rádio CBN.


Críticas

De um lado, Ulisses tem recebido críticas de lideranças empresariais, que consideram o percentual de 5% muito pouco. Em entrevista ao portal GMC, o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio Varejista (Sivamar), Ali Wardani, disse que "muitos empresários estão frustrados, pensando no pagamento das contas, embora também saibam que é necessário cuidar da saúde".

Do outro lado, o recente decreto é criticado por aqueles que defendem um isolamento ainda maior da população. "O decreto municipal 445/2020 previa a suspensão da atividade comercial e empresarial até dia 20 de abril", lembrou o advogado Humberto Boaventura. "Ulisses começa a ceder à pressão política (...). Não suportou o barulho dessa minoria que estava à frente das carreatas da morte", reclamou, nas redes sociais.

O que se sabe da cloroquina no tratamento da covid-19

Ulisses, como tantos outros prefeitos, está na berlinda. Sem medidas mais fortes por parte do governo federal, que tranquilize a população durante a quarentena, o prefeito pode ser responsabilizado pelo empresariado (e até por trabalhadores) pela perda de empregos, caso mantenha o isolamento. Se flexibilizar ainda mais a abertura do comércio, e o contágio pela covid-19 fugir do controle, poderá ser responsabilizados pelas mortes que certamente virão – a julgar pela gravidade da pandemia países como Itália e Espanha.

Saúde

Em meio ao fogo cruzado, Ulisses anunciou a criação de um espaço para abrigar profissionais de saúde que estão na linha de frente da prevenção e que, por conta dessa exposição, precisam proteger a família, não retornando diariamente para casa. “Estamos trabalhando para contratar cem leitos de hotel e preparando as instalações de duas escolas nas proximidades do Hospital Municipal de Maringá (HMM) e da UPA Zona Norte para servir de abrigo”, disse o prefeito.

Em outra medida anunciada, nesta segunda, Ulisses confirmou o uso de hidroxicloroquina no tratamento de pacientes internados com teste positivo para covid-19. Segundo o prefeito, a Medfórmula, farmácia de manipulação, cedeu gratuitamente doses do medicamento suficiente para o uso em 200 pacientes. Um desses pacientes, tratados com cloroquina, é o ex-secretário municipal Eudes Januário, que está internato na UTI no HMM.



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