sexta-feira, 10 de abril de 2020

Isolamento achatou a curva de infecção pela covid-19 em Maringá, aponta estudo do Observatório das Metrópoles da UEM

10/04/2020

Maringá largou na frente na adoção de medidas de quarentena, como o fechamento do comércio em 20 de março, quando o município tinha apenas cinco casos confirmados da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus e que já resultou na morte de 97,2 mil pessoas no mundo. Esse isolamento social antecipado – em relação a outras grandes cidades – foi determinante para o achatamento da curva de infecção pela covid-19. Contudo, o atual afrouxamento da quarentena é preocupante.

Estudo revela que a quarentena é determinante para o achatamento do pico de contágio pela covid-19
A constatação é de nota técnica do Observatório das Metrópoles da Universidade Estadual de Maringá (UEM) obtida em primeira mão pelo Café com Jornalista. O estudo foi realizado pela coordenadora do Observatório, Ana Lúcia Rodrigues, e pelos pesquisadores Brian Ribeiro de Melo e Carla Franciele Höring, que utilizaram o modelo matemático SIR (Suscetíveis, Infectados e Recuperados) o software R (R Core Team, 2019), com base em dados das secretarias de Saúde do Estado e do município.

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As análises consideraram o número de casos confirmados da covid-19 no município, por dia, no período entre 18 de março (data da primeira confirmação) até 8 de abril. Nesta data, reunião de lideranças locais na Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim) decidiu pela reabertura da indústria e retomada da construção civil, a partir de segunda (13), fato que motivou o estudo do Observatório das Metrópoles.

Segundo o estudo, as medidas tomadas a fim de desacelerar a dinâmica do surto de coronavírus e garantir o tratamento hospitalar para a população se mostraram exitosas. No período analisado, a taxa média de transmissão foi estimada em 1,34 – ou seja, uma pessoa contaminada não chegou a transmitir o vírus para duas pessoas. "O valor é inferior à taxa média de 2,25 informada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para casos confirmados sem as medidas de isolamento social", diz a nota técnica.

Evolução do novo coronavírus em Maringá desde o primeiro caso confirmado, em 18 de março
Projeção de 100 dias
O Observatório também faz uma previsão da dinâmica dos casos suscetíveis, infectados e recuperados para um período de cem dias, de 18 de março (primeira confirmação) a 26 de junho. Se fossem mantidas as medidas de isolamento social, sem o afrouxamento da quarentena, o número máximo de casos confirmados em um único dia seria de 15.284. De acordo com o estudo, isso ocorreria em 17 de maio, 61 dias após a primeira confirmação de covid-19 em Maringá.

Se o isolamento social for mantido, covid-19 terá pico de 15.284 infectados num único dia em Maringá
Caso tivesse prevalecido a vontade dos céticos, que tratam a covid-19 como "gripezinha", e nenhum isolamento tivesse sido adotado, a previsão para os cem dias (considerando a transmissão de 2,25 divulgada pela OMS) seria bem mais alarmante. No pior cenário, o pico de casos confirmados num único dia seria de 82.117 pessoas, e teria ocorrido em 4 de abril. Isto é, provavelmente, as unidades de saúde – públicas e particulares – da cidade já estariam saturadas, sem condições de atender todos os pacientes da covid-19.

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Sem qualquer medida de isolamento social, Maringá teria atingido o pico em 4 de abril
A nota técnica permite a interpretação de que, com o afrouxamento da quarentena, com a indústria, o comércio e o setor de serviços abrindo gradativamente, Maringá terá um cenário de contágio intermediário, entre a melhor e a pior projeção traçada pelo Observatório das Metrópoles. Isso significa que as lideranças locais precisam estar preparadas para responder a um pico de contágio que, em algum momento, superará os 15.284 casos confirmados num único dia.

No estudo, o Observatório faz ainda a previsão do total de infectados ao fim do período de cem dias. Com as medidas de isolamento que vinham sendo adotadas, Maringá chegaria a 26 de junho com 196.593 pessoas infectadas. Sem o isolamento, na mesma data, seriam 361.565 habitantes com a covid-19.

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A decisão tomada pelo prefeito Ulisses Maia (PSD), vereadores e lideranças do comércio e da indústria, naquela reunião na Acim, foi recebida com preocupação pelos pesquisadores da UEM. "Recebemos [a notícia] com muita apreensão e até mesmo frustração", diz Ana Lúcia. "Esse seria o momento de as lideranças políticas, econômicas e sociais se organizarem em defesa de um escalonamento racional, organizado, de contaminação [pela covid-19]. O contágio não pode ocorrer ao mesmo tempo, sob pena de assistirmos à tragédia de filas de cadáveres pelas ruas", adverte.

Ressalvas

As análises na simulação pelo modelo matemático SIR são consideradas preliminares "devido à ausência de informações diárias de pacientes recuperados e o fato de estarmos do início do processo de transmissão". Ainda segundo a nota técnica do Observatório das Metrópoles, uma melhor previsão dos resultados dependeria de um número maior de dados, como o de pessoas recuperadas por dia.
Sem isolamento, covid-19 poderia contaminar 85,3% dos maringaenses em apenas cem dias
Nas considerações finais, a análise destaca que os modelos matemáticos podem ser divergentes, mas que todos convergem na conclusão de que "o total da população a ser afetada é espantoso", com o coronavírus contaminando entre 196.593 e 361.565 maringaenses (a cidade tem 423,7 mil habitantes) num período de cem dias. Isso equivale ao contágio de 46,4% e 85,3%, respectivamente, no melhor e no pior cenário apontado pela nota técnica.

Uma informação otimista para concluir: dados frequentemente veiculados, segundo o Observatório, apontam que 80% dos infectados não desenvolverão a doença.

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