quarta-feira, 15 de abril de 2020

Cafeinado: Wanderson de Oliveira é a maior baixa em 15 meses do governo Bolsonaro

15/04/2020

As contantes críticas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, resultaram num significativo desfalque na luta contra o novo coronavírus (covid-19). Dizendo-se "cansado", o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, pediu demissão do cargo na manhã desta quarta-feira (15). Consideradas as circunstâncias, essa é a maior baixa nos 15 meses e meio do governo Bolsonaro.

Wanderson de Oliveira em coletiva à imprensa – Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
Entre as baixas anteriores: Joice Hasselmann (PSL) deixou de ser líder do governo na Câmara dos Deputados, houve troca de um ministro incompetente da Educação por outro igualmente incompetente, o falecido ministro Gustavo Bebianno (que morreu de desgosto) caiu da Secretaria-Geral, o deputado federal Osmar Terra (MDB) foi sacado do Ministério da Cidadania e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL)... esse aí "caiu" antes mesmo de virar embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Na pior crise humanitária (e financeira) em cem anos, nenhum dos nomes citados acima faria falta ao Brasil, mas Wanderson de Oliveira fará. Servidor de carreira do Ministério da Saúde há 16 anos, ele é a maior sumidade do governo em epidemiologia, área na qual é doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Wanderson é também professor da Escola Fiocruz e, anteriormente, foi enfermeiro epidemiologista do Hospital das Forças Armadas. Fora do ministério, não poderá contribuir com tudo o que sabe.

Além disso tudo, Wanderson tem expertise em pandemia. Na de 2009, da gripe A (H1N1), ele atuou na coordenação da Resposta Nacional às Emergências, papel que também desempenhou em 2015, no surto do zika vírus. Na Terra redonda, não há dúvidas de que esse servidor fará falta no ministério. Mandetta disse, no fim da tarde, que Wanderson fica no cargo, porém, ele mesmo (ministro) não pode mais garantir sua própria permanência.

Mandetta
A entrevista do médico e ex-deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM) ao Fantástico, no domingo (12), deixou o ministro da Saúde numa corda ainda mais bamba. A exposição custou o apoio da ala militar do governo, incluindo o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), que desaprovou a conduta. A frase "Se Mandetta cair" agora virou "quando"... e isso ocorrerá pelos seus acertos, na defesa do isolamento social recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e não pelos seus erros.

Bolsonaro
O presidente vê, finalmente, caminho livre para defenestrar Mandetta do governo, nomeando para o ministério algum médico mais ideologicamente alinhado. Osmar Terra "plana" era o nome preferido, mas, queimado após ser flagrado tramando a queda de Mandetta (veja no vídeo abaixo), não deve assumir. O escolhido tem de ser adepto do uso da hidroxicloroquina e defender o isolamento vertical (só dos idosos), indo na contramão daquilo que preconiza a OMS. Será difícil encontrar um perfil que agrade a classe médica sem desagradar o presidente.


Mandetta x Bolsonaro
Dizem que o descontentamento de Bolsonaro com Mandetta vai além da relutância em relação à cloroquina e ao isolamento vertical (idosos ficam em casa), haveria ali um ciúme compulsivo. O presidente não teria digerido bem a popularidade meteórica do ministro, em alta exposição por conta da pandemia. Nova Pesquisa do Atlas Político revela que 76,2% dos entrevistados é contra a demissão de Mandetta, e que 43% avaliam o governo Bolsonaro como péssimo – veja os detalhes aqui.

Boletim
Com direito a Mandetta e Wanderson na coletiva, o Ministério da Saúde informou que o Brasil bateu, nesta quarta, o recorde de casos confirmados do novo coronavírus (covid-19) em um dia. Foram registrados 3.058 casos de infecção pelo novo coronavírus, totalizando 28.320. O aumento foi de 27% em relação a segunda (13), quando o balanço indicava 22.169 pessoas infectadas.

Óbitos
O país registrou 204 mortes em 24 horas, totalizando 1.736 óbitos em todo o país. O aumento foi de 42% em relação a segunda, quando eram 1.223 vítimas fatais. Aos poucos, o discurso da "gripezinha" vai perdendo força. Daqui a pouco, quando a situação se agravar ainda mais, talvez Bolsonaro copie o presidente Donald Trump (EUA), apontando culpados pela pandemia. Trump jogou a culpa na OMS. Quem Bolsonaro culpará? Façam duas apostas.

Quadrinhos


Paraná
A Secretaria de Estado da Saúde confirmou, nesta quarta, mais 13 novos casos de coronavírus e dois óbitos – de um idoso de 82 anos, de Curitiba; e de um homem de 51 anos, de Ivaiporã. O Paraná tem 816 casos confirmados e 41 mortes pela covid-19 (cinco delas em Maringá). Há 127 pacientes internados, sendo que 75 se encontram em unidades de terapia intensiva (UTI) e 52 em leitos clínicos.

Eudes
Entre os pacientes na UTI, um deles é o ex-secretário municipal de Maringá Eudes Januário, mas as notícias são animadoras. Segundo o advogado Silvio Januário, irmão do paciente, o quadro segue evoluindo positivamente a cada dia. Eudes está internado desde o início do mês, sedado e entubado. As manifestações de apoio e todo o pensamento positivo e as orações, certamente, estão ajudando.

Grande perda
Morreu aos 94 anos, nesta quarta, Rubem Fonseca, um dos escritores brasileiros mais premiados, autor de "Feliz Ano Novo" e "Agosto", livros considerados obras-primas do autor. Ele sofreu um infarto, em sua casa, no Rio de Janeiro.




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