quarta-feira, 8 de abril de 2020

Artigo: Coronavírus, inteligência emocional, convivência dentro de casa

08/04/2020

Por Rubem Almeida Mariano

Começo a ouvir dos meus clientes, nos atendimentos psicológicos on-line, que essa situação toda já está incomodando e muito, principalmente esta aqui: "Ficar dentro casa!". "No começo, era só alegria, mas depois, tudo foi mudando", afirmam muitos deles. A verdade é uma só: as pessoas começam a ficar cansadas e, por isso, ficam também estressadas e, assim, irritadas e aborrecidas facilmente com uma outra pessoa, seja ela quem for.

No isolamento, é importante ficar atento às mensagens não-verbais – Foto: Freepik
Essa situação que vivemos hoje, comparo: a um ato de sobreviver na selva. Depois de alguns dias, tudo começa a incomodar, principalmente as roupas e os sapatos molhados. Ninguém merece!

Não tenho informações mais precisas sobre como as pessoas viviam ou se comportavam ou, ainda, as consequências que ocorreram com elas nas grandes crises sanitárias que já ocorreram no mundo. Mas tenho algumas informações importantes, vejamos:

1. A peste bubônica ou peste negra, que matou mais de um terço (1/3) da população na Europa, no século XIV. O contágio se dava através de pulgas contaminadas pela bactéria Yersinia pestis;

2. A gripe espanhola, que até hoje não se sabe onde começou o contágio. Esse nome se dá porque foi na Espanha que ocorreram as grandes campanhas de combate à gripe provocada pelo vírus influenza, que por volta dos anos 1918 e 1919 matou mais de 50 milhões de pessoas no mundo;

3. O vírus ebola, que varreu o terceiro maior continente do mundo, a África, em 2014. A cada dez contaminados, nove morriam;


4. Hoje, estamos em pleno século XXI, em 2020, enfrentando mais uma pandemia mundial. Agora, o vírus Sars-Cov-2, conhecido como novo coronavírus, tem causado a doença respiratória covid-19, causando a morte de dezenas de milhares de pessoas ao redor do mundo.


Portanto, assim como no passado, enquanto pesquisadores e cientistas não conseguiam vacina ou medicamentos, hoje, nós temos que desenvolver comportamentos preventivos fundamentais, como: lavar as mãos e fazer adequadamente a nossa higiene pessoal em nossas mãos, boca e olhos.

Contudo, outra ação preventiva está sendo de fundamental é o isolamento social para esse enfrentamento: “ficar em casa!” Com isso, estamos sendo obrigados a ficar restritos e a conviver com os nossos familiares e pessoas mais próximas de nós. Assim, aumenta os níveis de contato físico e emocional, pois, com o passar dos dias, compartilhando um mesmo tempo e espaço com outras pessoas, dentro de casa, torna-se importante saber conviver.

Nesse sentido, saber ler as mensagens não-verbais das pessoas é imprescindível para uma boa convivência. Afinal, o corpo fala! Infelizmente, nem sempre ocorre conseguimos ler as mensagens não verbais, pois há pessoas que não conseguem compreender a linguagem do corpo, ou seja, a comunicação não-verbal.

Isso mesmo, há pessoas que têm dissemia. Você sabe o que é dissemia? É um termo usado pelos psicólogos, por exemplo, para nomear o problema de aprendizagem no campo das mensagens não-verbais. É quando uma pessoa não consegue ler ou interpretar as expressões e gestões comportamentais da outra pessoa que conversa ou convive.

Importante registrar que a maioria de nós não apresenta esse tipo de problema. Pois interpreta bem as expressões e os gestos das outras pessoas. Contudo, quando precisamos dividir o mesmo espaço e tempo com outra pessoa todo instante, dentro de casa, por um tempo muito maior do que estávamos costumados. As coisas começas a ficar difíceis.

Portanto, é muito importante e válido afinar nossas habilidades e ficar atento às mensagens não-verbais expressadas pelas pessoas que convivemos. Portanto, vamos intensificar essa habilidade social de prestar atenção:

1. Nos olhares;
2. Nas expressões faceais e corporais;
3. Nos pequenos gestos com as mãos, os ombros, a cabeça etc.

Saber ler as expressões e os gestos entra, por sua vez, no grupo de sutilezas sociais que ajudam muito para uma boa convivência, principalmente neste momento. Por exemplo: às vezes, um desvio do olhar, em sua direção, indica que devemos deixar aquele assunto para depois. É um indicador importante da pessoa com quem você está conversando. É como se ela estivesse dizendo com as suas palavras: “Podemos conversa depois ou mais tarde?”

Importantíssimo: além de ajudar você a lidar com as emoções daqueles com quem você convive, vai evitar alagamentos emocionais, ou seja, explosões emocionais que contribuem para o aumento da tensão e do clima do ambiente onde você se encontra. E você sabe, que todo espaço maior, na hora que as coisas fervem, é fundamental para contornar uma situação; o que não é o caso, quando estamos dentro de uma casa, em que o espaço físico é bem restrito, em média, entre 50 m² e 150 m², você não acha?

Por isso, prestar muita atenção às mensagens não-verbais expressadas pelas pessoas, nossos interlocutores, além de nos ajudar a conviver, alimentam a nossa saúde mental e emocional.
Fique com essa dica e até o próximo artigo.


Rubem Mariano
* Teólogo, filósofo e psicólogo (CRP - 08/14994) e mestre em Ciências da Religião, Mariano é autor dos livros "Alcoolismo e Pastoral" (Editora Voz) e "Aconselhamento Cristão" (Editora Unicesumar). Atualmente, cursa doutorado em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Contato: (44) 98837-6156 (whatsapp business).



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