quarta-feira, 1 de abril de 2020

Artigo: A covid-19 e a saúde emocional dentro de casa

01/04/2020

Por Rubem Almeida Mariano

Este texto foi motivado pelas “Dicas para enfrentar a reclusão em tempos de pandemia”, de autoria de Frei Betto e escrito, por mim, numa visão da psicologia.

Imagem Freepik
1. Converse com todos de sua casa sobre a pandemia da covid-19. Caso você more com mais de uma pessoa, como esposa ou esposo, filhos e filhas, avós e/ou parentes. Antes de reunir, busque informações seguras, baseadas em orientações médicas ou científicas em site oficiais, como a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Lembre-se, essa é uma situação nova, por isso, pode haver pensamentos diferentes sobre o assunto. Dialogue;

2. Cuide das crianças e dos idosos com atenção e carinho. Principalmente se tiver crianças e pessoas bem idosas, em sua casa, explique numa linguagem fácil e acessível sobre o que está acontecendo. Para as crianças, passe vídeos educativos, como este abaixo. Fale somente o necessário. Evite fazer comentários negativos o tempo todo, como: “Ah, meu Deus, mais uma morte hoje”; “Acho que no Brasil vai ser pior do que na Itália”. Na hora de dormir, todas as noites, verifique se as crianças têm alguma dúvida ou medo. Procure acolhê-las, conversando com elas. Mantenha a atenção para o que elas estão assistindo na TV ou na internet.



3. Organize o seu dia a dia entre as seguintes atividades: profissional, pessoal e de limpeza de sua casa;

4. Organize o seu dia a dia e de seus familiares usando a dinâmica "Movimento e Tempo". Você pode organizar essa dinâmica para todos ou por pessoa. Afinal, vai ter momentos de atividades individual ou em grupo. Funciona assim: Movimento e Tempo do Pedrinho: acordar às 8h30; tomar café da manhã às 9h; brincar das 9h30 às 11h30; tomar banho às 11h30; e almoçar às 12h. Hora do descanso ou do soninho, e assim segue o dia até a hora de dormir, à noite. Cumpra o que for estabelecido sem rigidez.

5. Decrete tempo livre para a criançada sem sair de casa, é claro!

6. Exercite a sua relação interpessoal. Não transforme os aparelhos eletrônicos ou tecnológicos em babá ou em cuidadora. Com as crianças, na hora de dormir, converse e conte histórias, nas quais tenham situações difíceis, mas que também tenham final feliz. Aproveite para contar as suas próprias histórias quando era criança, adolescente ou jovem e envolva também os idosos nas conversas, caso eles possam se comunicar. Faça uma roda de conversa entre as gerações. Tire uma foto ou faça uma selfie. Registre esses momentos;

7. Aproveite para arrumar, limpar e/ou organizar a sua casa. Coisas que você já tinha que fazer e nunca sobrava tempo, como: consertar roupas, cuidar das plantas (veja no primeiro vídeo) e cozinhar (segundo vídeo):




8. Brinque com seus familiares, em sua casa ou via on-line, utilizando jogos virtuais ou tradicionais, como baralho e dominó, por exemplo. Na internet, você encontrará muitas dicas interessantes e pode criar seus próprios jogos de graça. Acesse:


9. Nunca separe o pensamento da ação e vice-versa. Pense no que você estiver fazendo e faça o que você estiver pensando, sempre!

10. Exercite o seu cérebro. Além das atividades físicas para o seu corpo, exercite também o seu cérebro, use: a) a visão: assista filmes, documentários e jornais; b) a audição: ouça músicas, que tal você experimentar ouvir vários estilos músicas; c) o tato: procure sentir os sons dos instrumentos e toque dos seus familiares; d) o olfato: uma vez ou outra, preste atenção no cheiro das coisas e dos alimentos e, por fim; e) o paladar: da mesma forma, sinta o gosto dos alimentos e das frutas. 

11. Pratique a meditação. Comece com 3, 5, 10, 15 até chegar 30 minutos todos os dias ou em dias alternados. Você pode meditar sozinho ou em grupo. Pode ser qualquer tipo de meditação: oriental, meditação plena e focada como mindfulness (vídeo abaixo) ou meditação conforme o costume cristão ou muçulmano, onde se medita no livro sagrado (Bíblia ou no Alcorão) e se ouve música religioso;


12. Converse com seus familiares e amigos usando, principalmente, vídeo chamada através das redes sociais. Falar e vê-los vai ser muito bom para todos;

13. Registre os acontecimentos num caderno ou bloco virtual que estão ocorrendo com você, seus familiares e amigos, ou em sua cidade. Caso você goste de colecionar, selecione virtualmente: manchetes, reportagens e fotos sobre o que está rolando em sua cidade, no Brasil e no Mundo;

14. Viva o aqui e o agora dentro de sua casa. Não crie expectativas de um retorno imediato à vida normal fora de sua casa, mas também não se comporte como se fosse viver para sempre dentro de uma bolha. Todos nós estamos juntos nessa. Viva um dia de cada vez. A experiência dos outros países nos mostram que não vai ser do dia para a noite. Portanto, desenvolva o ato de ser resiliente.


15. Seja criativo. Faça do limão uma limonada. Do pepino uma salada e, deste momento, uma oportunidade de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal e interpessoal para você e para todos aqueles que você tem de conviver dentro de um espaço muito restritivo. Muita saúde e paz para você e a sua casa! 


Rubem Mariano
* Teólogo, filósofo e psicólogo (CRP - 08/14994) e mestre em Ciências da Religião, Mariano é autor dos livros "Alcoolismo e Pastoral" (Editora Voz) e "Aconselhamento Cristão" (Editora Unicesumar). Atualmente, cursa doutorado em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Contato: (44) 98837-6156 (whatsapp business).



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