quarta-feira, 25 de março de 2020

Cafeinado: No vácuo de autoridade do presidente, parlamentares propõem cortes nos salários dos servidores

25/03/2020

Diante do vácuo de autoridade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) – e da insistência no discurso inconsequente da "gripezinha" –, governadores, prefeitos e parlamentares estão adotando medidas de combate ao novo coronavírus e também propostas para a obtenção dos recursos necessários para o período de calamidade pública.

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), em entrevista ao Jornal Nacional
Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), em entrevista ao Jornal Nacional
Deputados avaliam que serão necessários, pelo menos, R$ 400 bilhões para o combate à Covid-19. Uma proposta para arrecadar uma pequena parte desse montante foi apresentada, nesta terça (24), pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). O parlamentar propõe cortes nos salários dos servidores públicos de todos os poderes, incluindo presidente da República, vice-presidente, senadores e deputados.

Após pronunciamento, Bolsonaro dá passo gigantesco rumo ao impeachment

A contrário de profissionais da iniciativa privada e de comerciantes que, por força de decretos, foram obrigados a fechar as portas de seus estabelecimentos, os servidores públicos têm estabilidade. Segundo Maia, aqueles que ganham maiores salários (ele próprio, por exemplo), contribuiriam com uma parcela de seus rendimentos para ajudar o país a superar essa crise. A medida valeria durante o período de calamidade pública aprovada pelo Congresso, ou seja, até 31 de dezembro.

Janaína e Reale Júnior questionam permanência de Bolsonaro na presidência

Descontos
A proposta já vem sendo debatida por lideranças dos partidos políticos. Segundo um dos articuladores, o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), não teriam qualquer desconto servidores públicos com salários de até R$ 5 mil. A partir daí, os percentuais seriam escalonados. Quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 10 mil contribuiria com 10% dos rendimentos; e quem recebe acima de R$ 10 mil entre 20% e 50% dos salários. De momento, essa é a proposta posta à mesa.

Exceção
Além daqueles que ganham menos de R$ 5 mil, também ficaram de fora da medida os servidores que estão trabalhando durante o estado de calamidade pública, entre eles os profissionais da saúde e segurança pública, independentemente de suas remunerações. Maia acredita que a economia poderia chegar a R$ 3,6 bilhões por mês. Os recursos seriam integralmente repassados ao Ministério da Saúde para ações de combate à pandemia.


Bolsonaro I
O presidente tem perdido sua autoridade a passos largos. Nesta terça (24), usando a prerrogativa de falar em cadeia nacional, tornou a minimizar a pandemia, tratando a Covid-19 como "gripezinha", apesar do avanço da doença e das milhares de mortes pelo mundo. O presidente também atacou a imprensa que, segundo ele, tem causado histeria ao informar a população. Para muitos, Bolsonaro deu um passo enorme para o impeachment.

☕ Postura de Bolsonaro frente à pandemia rende sete pedidos de impeachment

Bolsonaro II
Tudo vai depender do desfecho da pandemia no Brasil, que até o meio-dia desta quarta (25) já tinha registrado 48 mortes e mais de 2.200 pessoas infectadas pelo novo coronavírus. E se não for uma gripezinha? E se, apesar da quarentena imposta por governadores e prefeitos, o Brasil tiver milhares de mortes por falta de leitos hospitalares? Se o pior acontecer, Bolsonaro poderá ser enquadrado num processo de impeachment por crime contra a saúde pública.

Irresponsável
Nesta quarta (25), Bolsonaro tornou a tocar no assunto em seu perfil no Twitter. Não houve retração. Por volta das 10h da manhã, o presidente compartilhou o vídeo de um brasileiro, descendente de japoneses, mostrando pessoas nas ruas de um Japão sem toque de recolher – contudo, as Olimpíadas de Tóquio foram adiadas para 2021. Como é que pode o presidente compartilhar o vídeo de um desconhecido, de um leigo em saúde pública, ao invés de dar ouvido às autoridades sanitárias e aos infectologistas. Não é possível que governantes do mundo todo estejam errados e, só ele, o Messias, esteja certo.

Desautorizado
Lideranças políticas, em sua maioria, ignoraram as recomendações feitas por Bolsonaro no pronunciamento de terça à noite. O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), disse que o município continuará seguindo as orientações da OMS, que recomenda o isolamento social. O senador Alvaro Dias (Pode) disse que o Brasil deve optar pela opinião do Ministério da Saúde e dos especialistas. O prefeito de Maringá, Ulisses Maia (PDT), disse que as medidas restritivas serão mantidas.


☕ Bolsonaro revoga suspensão de salários por quatro meses
☕ Maringaense na Itália: "Não há lugar para todos nos hospitais"

Imprensa
Diante de tanta gente de má-fé, entre os quais se destacam os produtores de fake news e seus compartilhadores compulsivos, a imprensa tem feito um trabalho exemplar na divulgação à população de informações sérias, checadas, levando sempre em conta o posicionamento de especialistas (infectologistas e outros) e de autoridades sanitárias. O que seria da nação se a "informação" disponível se limitasse ao WhatsApp.



Em isolamento
Com mais de 60 anos, Bravin (PP) e Onivaldo Barris (sem partido) deixaram de participar das sessões da Câmara Municipal como medida de prevenção. A mesma medida foi adotada por outro vereador maringaense, o Professor Niero (PV), que é hipertenso e faz parto do grupo de risco. Outro sexagenário da Casa, Hossokawa permanece em atividade. "Me sinto na obrigação de estar aqui pelo cargo que ocupo", comentou, na sessão de terça (24).

Padarias e açougues
Seguindo recomendações médicas de ficar em casa, e há três sessões sem comparecer ao plenário, Bravin disse ao Café que também é a favor da liberação de açougues e padarias de Maringá como forma de descongestionar os supermercados. "Eu falei para o prefeito liberar", comentou. Ulisses Maia disse e este blog que não tem como atender ao pedido – leia aqui.

Suplentes
Se o número de parlamentares afastados aumentar, por contágio ou por prevenção, eles devem considerar uma licença – prevista no Regimento Interno da Casa –, abrindo espaço para suplentes mais jovens assumirem durante a pandemia do novo coronavírus. A Câmara não pode parar, e é para situações assim (inclusive) que existe a figura do suplente. Até o momento, o Café apurou que essa possibilidade não é cogitada.

Rodoviária
Na sessão de terça (24), Hossokawa externou preocupação sobre o fechamento da Rodoviária de Maringá. Segundo ele, doações de sangue feitas pelos maringaenses podem ser comprometidas. O vereador informou que o transporte de bolsas de sangue também é feita por ônibus. "Precisamos ver com o prefeito uma forma de resolver essa situação", disse.

☕ Adiamento das Eleições 2020 é cogitada no Congresso
☕ Novo coronavírus: entenda a diferença entre Covid-19, resfriado e gripe

Charge



Boletim
No último boletim do novo coronavírus, divulgado no fim da tarde de terça (23), Maringá tinha 42 casos investigados da Covid-19 e quatro casos confirmados. As pessoas que testaram positivo estão em isolamento domiciliar. Felizmente, por aqui, não houve mortes pela doença. No Paraná, o número de casos da doença subiu para 70.




>>> Saiba mais sobre o colunista
>>> Veja os destaques dos demais colunistas


>>> Sobre o Café
>>> Sobre o Jornalista
>>> Cafeinado
>>> Maringá
>>> Política
>>> Economia
>>> Geral
>>> Entrevistas
>>> Artigos
>>> Imprensa

* Matérias e opiniões publicadas no Café com Jornalista estão compreendidas pela atividade jornalística e amparadas pela liberdade de imprensa e de expressão. (Do editor)


Merece:

0 comentário(s):

Postar um comentário