quarta-feira, 18 de março de 2020

Cafeinado: Não se combate a pandemia de coronavírus com espírito de porco, mas com cooperação

18/03/2020

As medidas preventivas que estão sendo adotadas no Brasil contra o novo coronavírus visam a evitar que se repita, por aqui, o mesmo estado de gravíssima crise sanitária enfrentado na Itália. Nós, brasileiros, temos a sorte de ter tido mais tempo de se preparar para essa pandemia, mas preocupa saber que essa vantagem pode ser perdida pelo chamado espírito de porco.

No boletim das 17h30 desta terça (17), Maringá tinha dez casos suspeitos da doença e nenhum confirmado. No Paraná, eram 12 os pacientes que testaram positivo para o Covid-19. No Brasil, uma só morte foi registrada, ocorrida em São Paulo. Na Itália, onde o vírus chegou mais cedo, são contabilizadas 2.503 mortes.

Imagem que circulou nas redes sociais, nesta terça (17), mostra cliente na fila de um supermercado. Há mesmo a necessidade de fazer estoque de comida e papel higiênico?
Altamente contagioso, o novo coronavírus vai se espalhar (como ocorreu na pandemia da gripe suína, em 2009), mas temos a chance de achatar a curva do pico da doença, de modo que não faltem leitos de UTI e respiradores para tratar dos pacientes mais graves. É o que os especialistas estão dizendo, o tempo todo, no noticiário. Isso, no entanto, depende de o brasileiro atender ao chamamento das autoridades de saúde, adotando medidas básicas de higiene e, sobretudo, evitando aglomerações de pessoas.

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Pandemia não é férias
Não dá para ir à praia ou ao clube de piscina, quando a recomendação é ficar em casa; não dá para ir às baladinhas, quando é preciso evitar contato com outras pessoas; não dá para sair cumprimentando apoiadores políticos e tirando selfies, quando médicos determinaram o isolamento; não dá para ser irresponsável e pensar só em si, quando as pessoas mais humildes serão as mais prejudicadas pela doença.

Inacreditável
Três exemplos recentes de espírito de porco em tempos de coronavírus: 1) Comerciantes aumentando os preços de força exorbitante para tirar vantagem indevida na venda de máscaras e álcool em gel; 2) Pessoas formando longas filas nos supermercados para estocar comida e papel higiênico, fazendo com que muitos produtos se tornem escassos e, consequentemente, mais caros; 3) Pessoas marcando novos atos políticos de rua, enquanto o bom senso sugere o recolhimento ao lar.


Primeira morte
O primeiro brasileiro a morrer em decorrência do Covid-19 foi um paciente de São Paulo capital, de 62 anos, que tinha diabetes e hipertensão. Ele não esteve no exterior recentemente. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil fechou a terça-feira (17) com 291 casos do coronavírus. Entre os Estados com mais casos da doença estão São Paulo (164) e Rio de Janeiro (33).

Isolamento I
Para o médico e ex-ministro da Saúde Alceni Guerra o Brasil ainda não está fazendo o dever de casa. "Há uma única maneira de evitar uma tragédia na saúde: o isolamento das pessoas", escreveu, em sua conta no Twitter. "Só a prevenção nos salva, e estamos moles, como a Itália e a Espanha estiveram", acrescentou.

Isolamento II
Alceni lembra que o Covid-19 não tem remédio específico nem vacina. Segundo ele, o caminho é imitar as ações restritivas, mais rígidas, adotadas pelos países asiáticos. "Ainda dá tempo. Todo mundo pra casa. A política, o lazer, as aulas, os jogos de futebol e o trabalho valem menos que a vida", comentou Alceni, ex-prefeito de Pato Branco (PR).

Não é gripezinha
O deputado estadual Dr. Batista (PMN) fez um importante alerta na tribuna da Alep, nesta terça (17). "Coronavírus não é gripezinha. Nos próximos 30 dias, vocês vão ver o número de casos disparar aqui no Paraná. Podemos ter uma calamidade pública", disse Batista, que cobrou do governador Ratinho Júnior (PSD) a reabertura imediata de todos os hospitais fechados do Paraná, com novos leitos de UTI e respiradores.

Câmara I
As medidas adotadas contra o avanço do coronavírus, em Maringá, foram o assunto central do pequeno expediente da Câmara Municipal, na sessão ordinária desta terça. O vereador Sidnei Telles (PSD) disse que nem todo mundo pode fazer home office e que as restrições precisam vir acompanhadas de recursos para que as pessoas mais simples possam sobreviver.

Câmara II
Jean Marques (PV) elogiou o plano de contingência adotado pelo município contra o Covid-19, porém, criticou o fato de o grupo de combate ao coronavírus ser formado apenas por membros do governo. "Não temos nenhum representante de entidades nem da Câmara, que é a casa do povo, nem da regional [de Saúde]. "Que grupo é esse que só tem secretários da Prefeitura?", questionou.

Fechado ao público
A partir da próxima sessão ordinária, nesta quinta (19), o plenário da Câmara Municipal será fechado ao público, de modo a evitar aglomerações. Só poderão acompanhar o trabalho dos vereadores, in loco, funcionários da casa e profissionais da imprensa. O anúncio foi feito pelo presidente da Casa, Mário Hossokawa (PP), no início da sessão desta terça (17) – saiba mais sobre a medida aqui.
 
Impeachment
O ex-quase-ministro da Cultura, Alexandre Frota (PSDB) não protocolou na Câmara dos Deputados nesta terça (17), como era aguardado, o pedido de impeachment do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Em seu perfil no Twitter, o deputado federal disse que preferiu adiar o processo por conta da campanha nacional de combate ao coronavírus. O pedido alegará "crimes contra a saúde pública".

Roda Viva
No primeiro programa Roda Viva  por videoconferência, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) – que não pôde comparecer ao estúdio da TV Cultura por estar com sintomas de gripe – se indispôs com os jornalistas ao ser questionado sobre a Venezuela. Pudera, com tanto assunto para abordar (dólar, bolsa, desemprego, crise política, milícia, coronavírus, o irmão tratorista) foram gastar tempo logo com Venezuela? Fora esse detalhe, foi uma boa entrevista.



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