quarta-feira, 25 de março de 2020

'Não me surpreenderia se a gente acordasse com um general na TV dizendo: Bolsonaro foi deposto e está preso', comenta filósofo

25/03/2020

Conhecido crítico do governo Bolsonaro, seguido por celebridades e intelectuais, entre eles o escritor Paulo Coelho, o filósofo Henry Bugalho passou a defender o afastamento do presidente do cargo após o pronunciamento feito na noite desta terça (24). "Ele deve cair. Algum modo rápido de tirá-lo do poder deve ser encontrado", diz.

O filósofo brasileiro Henry Bugalho, que atualmente vive na Espanha
O filósofo brasileiro Henry Bugalho, que atualmente vive na Espanha
O fatídico pronunciamento, que fez o presidente da República perder aliados fiéis, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), causou espanto em Bugalho. "Quando fui dormir, após ouvir o pronunciamento, não me surpreenderia se hoje (quarta) a gente acordasse e tivesse um general na televisão, dizendo: ‘Bolsonaro foi deposto e está preso agora’. O que Bolsonaro fez foi criminoso. Ele propôs um genocídio, a morte de brasileiros. Ele deve ser deposto”, comenta o filósofo, em seu canal no YouTube.

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Segundo o filósofo, o vírus não é comunista, não tem ideologia política, não quer fazer uma revolução proletária. Se não for contigo, vai matar milhares, independentemente da escolha político-partidária, assim como tem ocorrido na Itália e na Espanha, onde ele reside. "As pessoas aqui [Espanha] e na Itália estão torcendo para não ficar doentes, para não ter um AVC [derrame], porque não há leitos para atendimento", explica.

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Esse é um alerta que o Café com Jornalista já havia levando, em entrevista com a maringaense Aleciane Gonçalves, que vive na Sicília (ilha ao sul da Itália) há dez anos. Segundo ela, os caminhões carregando caixões chocam, e os hospitais estão superlotados.  “A realidade é que não tem lugar nos hospitais para todos. Um morre e entra outro. É uma crueldade o que está acontecendo”, relatou.

Bugalho vive no "olho do furacão". Nesta quarta, a Espanha chegou a 3.434 óbitos, superando a China em número de mortes pela Covid-19. Fica apenas atrás da Itália, com mais de 6.800 mortes. "Temos de ter [na presidência do Brasil] uma pessoa que compreenda as medidas sanitárias necessárias para lidar com isso [mortes que virão] e as consequências econômicas, que serão igualmente duras", alerta o filósofo.

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O pensador acrescenta que, "se não houver milhões de mortes no Brasil, isso terá sido uma conquista dos governador e dos prefeitos, e não do presidente". Assista abaixo à reflexão sobre o pronunciamento de Bolsonaro.





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