domingo, 29 de março de 2020

Entrevista – Curitibano na Itália: "A preocupação é muito grande com o que pode acontecer no Brasil"

29/03/2020

Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e pós-graduado em Logística, o curitibano Cássio Bellio vive há 17 anos na região italiana do Vêneto, a terceira mais atingida pela pandemia do novo coronavírus. Do "olho do furacão", baseado na tragédia que acomete a Itália, o paranaense teme pelos seus conterrâneos. "A preocupação é muito grande com o que pode acontecer no Brasil", diz.

Cássio Bellio com a esposa Tatiani e as filhas Giulia e Francesca – Foto: Arquivo pessoal
Bellio trabalha no setor de orçamentos e compras de uma empresa de termo-hidráulica do ramo de sistemas de calefação. Como não se trata de uma atividade essencial, ele está em quarentena com a esposa, a fisioterapeuta Tatiani, e com as duas filhas adolescentes, Giulia e Francesca. A família vive na pequena Mogliano Veneto (distante menos de 30 minutos de carro de Veneza), uma pequena cidade de 27 mil habitantes que já registrou 40 casos da Covid-19 e cinco mortes pela doença.

Não fosse pelo isolamento, diz Bellio, o cenário em sua cidade poderia ser pior. Ainda que tardiamente, os governos central e regionais adotaram medidas restritivas duras para conter o avanço devastador do novo coronavírus. Quem desrespeita a quarentena está sujeito a multas que variam de 500 a 5.000 euros. Quem deixa o isolamento, após o teste positivo para a Covid-19, diz o entrevistado, pode ser sentenciado a até cinco anos de prisão.

As duras medidas são reflexo do tamanho da tragédia que, segundo Bellio, causam uma apreensão geral na população. Há dias, a Itália tem registrado mais de 700 mortes a cada 24 horas. Neste domingo (29), foram 756, elevando o número de óbitos pela Covid-19 para 10.779. Há ainda mais de 97 mil casos confirmados da doença.

A situação mais dramática se passa na Lombardia, no norte da Itália, onde há mais de 1.300 pessoas em terapia intensiva (UTIs), segundo boletins locais. Isso é o que mais chama a atenção de Bellio. Se a Lombardia – que é uma das regiões mais ricas da Itália e que conta com um dos melhores sistemas públicos de saúde da Europa – padeceu diante da Covid-19, o que será dos países em desenvolvimento, como o Brasil, sem a mesma estrutura hospitalar?

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Neto de italianos, Bellio pede que os paranaenses levem a sério a doença e que respeitem a quarentena. "O sistema de saúde do Brasil é frágil, com baixo investimento [em saúde pública] e cidades com elevada densidade populacional", diz o ítalo-brasileiro. "Há cidades sem a mínima estrutura de saneamento básico. Teremos um número elevado de infectados no Brasil, mesmo que sejam adotadas as medidas de isolamento", alerta.

Na entrevista, Bellio fala ainda sobre o chamado "isolamento vertical", considerado por ele como perigoso; sobre as carreatas de caminhões do Exército, levando corpos para ser cremados em regiões menos afetadas; sobre uma medida radical de isolamento, a qual salvou vidas na cidade de Vò Euganeo; sobre o pacote governamental "Cura Italia", com importantes subsídios para trabalhadores e empresas; entre outros assuntos.

Não deixe de ler toda a entrevista e de compartilhá-la. Ainda há pessoas incrédulas – muitas delas encorajadas pelo pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro – quanto à gravidade da Covid-19. A vivência de quem está no país mais afetado pela doença, com o clamor pelo isolamento social, pode ajudar a abrir algumas mentes e a salvar vidas.     

***

Café com Jornalista – Infelizmente, a Itália tem registrado mais de 700 mortes por dia pelo novo coronavírus. Como os italianos têm reagido a essas informações? Isso tem causado pânico na população?
Cassio Bellio – Neste momento, sentimos uma grande tristeza por tudo o que está acontecendo. Não digo que estamos vivendo um pânico, mas todos estamos com receio desse inimigo invisível. Seguimos as regras de isolamento, na quarentena, para que possamos sair dessa pandemia o mais breve possível.


Você vive no Vêneto com sua família. Como está a situação aí na sua região? É uma das áreas mais afetadas? Quantas mortes foram causadas pela Covid-19 apenas na sua região?
Atualmente, o Vêneto é a terceira região com mais casos. Até ontem (sábado), foram registrados 7.930 casos, com 362 mortos.

Aqui no Brasil, vimos imagens de caminhões do Exército da Itália carregando corpos para outras regiões porque os crematórios das cidades mais atingidas já não dão conta da demanda. Procede isso?
Infelizmente, sim. Isso se deve ao fato de que, na província de Bérgamo, houve um focolaio [foco] de transmissão do vírus, e ocorreram inúmeras mortes em um breve período de tempo. O crematório do cemitério da cidade de Bérgamo funcionava 24 horas por dia e não conseguia dar conta do corpos que chegavam continuamente. Assim, vários corpos foram levados para serem cremados em outras regiões. O Vêneto recebeu muitos desses mortos para serem cremados aqui da região.


Como está a situação do novo coronavírus na cidade onde você mora? Há quantos dias vocês estão em quarentena?
A cidade onde moro, Mogliano Veneto, tem uma população de aproximadamente 27 mil habitantes. Temos, até o momento, aproximadamente 40 casos [confirmados] com cinco mortes pela doença. Estamos em quarentena do dia 12 de  março até 3 de abril, data em que [a quarentena] será prorrogada, mas ainda sem data definida. Nas escolas, a quarentena começou após o Carnaval.

Como tem sido o isolamento social por aí? É rigoroso? Fora os profissionais das áreas essenciais, em quais situações as demais pessoas são autorizadas a sair de casa? 
O isolamento está se intensificado cada vez mais aqui, justamente para evitar a propagação do vírus. O governo, por decreto, determina que para sair de casa você tem de ter um certificado, no qual, além dos seus dados pessoais, deve constar um motivo válido. Atualmente, os motivos válidos são os seguintes: comprovada exigência de trabalho, motivo de saúde, ida ao supermercado, sair com o cachorro etc. Nas entradas da cidade há um controle efetuado pela polícia ou Exército. Mas, aqui no Vêneto, o governador restringiu ainda mais esse certificado, dizendo que um cidadão pode sair até 200 metros de sua residência para caminhar ou para levar o cachorro passear, e obrigou o fechamento dos mercados aos domingos.


Você comenta que as medidas restritivas incluem a circulação apenas no próprio bairro. Como é isso e quando começou esse controle mais rígido?
No nosso caso, só podemos transitar na cidade onde residimos, sempre por um motivo válido. Vou dar um exemplo. Antes, deslocávamos para efetuar as compras em um mercado na cidade vizinha, porque lá o supermercado tem uma variedade maior de produtos e com melhores preços. Mas, neste momento, isso não é mais permitido devido ao decreto.

O que acontece se você sair do isolamento sem justificativa?
Alguns dias atrás foi publicado o novo decreto, com as novas sanções para evitar a propagação do coronavírus. E as penas são as seguintes:
– Não respeitar as proibições com base ao decreto: multa de 206 euros;
– Pena prisão de 3 a 18 meses, com multa de 500 a 5.000 euros, para quem propagar o vírus;
– Pena de 5 anos de prisão por violação da quarentena, após resultado positivo para a Covid-19.

Você tem duas filhas adolescentes. Como fazer para passar o tempo na quarentena? Elas têm tido aulas?
Aqui [em Mogliano Veneto], elas estão tendo aulas on-line, iniciadas em 3 de março, via Google Met. Os professores aplicam as aulas on-line na parte da manhã e, à tarde, elas fazem as tarefas, estudam para as provas e, logicamente, também se divertem: assistem a filmes, séries, leem e conversam com as amigas. Lembrando que aqui as crianças, nas escolas, têm prova oral, além da prova escrita.


Que tipo de negócio pode funcionar na quarentena?
Neste período da quarentena, estão abertos mercados, farmácias, postos de gasolina, correios e bancas de jornais. Vale ressaltar que, nas autoestradas, os serviços de posto de gasolina e restaurantes estão abertos para atender os caminhoneiros.

O que o governo italiano tem feito para ajudar as empresas fechadas e os trabalhadores em quarentena? 
O governo, através de um decreto, fez um pacote chamado “Cura Italia”, no qual temos alguns pontos interessantes para as famílias e as empresas, como: subsídio para os trabalhadores, com pagamento de 80% do salário por um período de nove semanas; bônus para os trabalhadores autônomos ou sazonais; suspensão dos pagamentos de financiamentos da casa própria; suspensão do pagamento de boletos, entre outros. As  empresas também terão subsídios, mas não posso elencar todos porque cada área terá um determinado auxílio. O que posso mencionar é que o governo está atuando junto à Comunidade Europeia para obtenção do empréstimo dos valores necessários para o subsídio a trabalhadores e empresas. Logicamente, sabemos que o país, as empresas e os trabalhadores irão pagar um preço por este momento que estamos vivenciando.

O presidente Jair Bolsonaro tem defendido o chamado "isolamento vertical", no qual os idosos ficam em casa e os jovens saem para trabalhar normalmente. Pela sua experiência na Itália, e pelas orientações das autoridades sanitárias daí, o que você pensa dessa proposta?
É uma proposta arriscada porque, para não termos a propagação dos vírus, precisarmos estar isolados em casa. O Brasil pode adotar como base o que está sendo feito nos países europeus, a começar pela Itália. A Inglaterra havia adotado esse tipo de isolamento [vertical], mas parece me que, devido ao crescente números de casos, voltou atrás.


Há ainda, no Brasil, quem considere o novo coronavírus como "uma gripezinha". Você é de Curitiba, uma cidade que já tem 71 casos confirmados. Quais conselhos você tem dado aos seus parentes e amigos aqui no Brasil sobre esse vírus?
Já disse aos meus familiares e amigos que a principal recomendação é o isolamento. Devemos ficar em casa neste momento. Evitem sair de casa, saiam somente se for extremamente necessário. Caso tenham de sair, utilizem máscaras de proteção e luvas, e, ao retorno a suas residências, lavem bem as mãos.

Algum conhecido seu aí na Itália já pegou a doença? Alguém do seu círculo social já morreu em decorrência da Covid-19?
No prédio onde mora um amigo meu, a senhora que mora no andar debaixo contraiu o vírus. Ela está hospitalizada e se encontra em situação estável.

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, pediu desculpas em público por ter minimizado a Covid-19. No fim de fevereiro, ele pediu para as pessoas não pararem e irem às ruas. Hoje, a cidade tem 4.400 mortes. Há casos aí de prefeitos e governantes que incentivaram o isolamento, evitando mortes? 
Posso responder essa questão com base na região em que resido. No Vêneto, o governador Zaia, através de médicos, pesquisadores, virólogos, está atuando na prevenção com o isolamento. No primeiro caso confirmado na região do Vêneto, o governo isolou a cidade de Vò Euganeo, na província de Padova [Pádua, em português],  onde não podia entrar e nem sair ninguém. Além disso, solicitou que fosse feita a analise de todos os habitantes da cidade de 3.305 habitantes. Esse isolamento conteve o avanço do número de casos na região. Hoje, o Vêneto é a região com o maior número de análises por habitantes na Itália. Com aquela atitude, a cidade [Vò Euganeo] se tornou estudo de caso para cientistas, virólogos e epidemiologistas referente à propagação do novo coronavírus.

Cássio Bellio com a esposa Tatiani – Foto: Arquivo pessoal
Há algum tipo de comentário na Itália sobre possíveis punições para lideranças políticas que não levaram os alertas da OMS a sério?
Não ouvi nada sobre isso até o momento. Aliás, queria salientar que vejo o governo do Vêneto, diariamente, na televisão local, junto com o seu grupo operacional de combate à Covid-19, informando a população sobre os casos e as medidas que estão sendo tomadas para a prevenção e o combate ao vírus.

O próprio presidente do Brasil tem, hoje, uma postura parecida com a que Giuseppe Sala tinha há um mês. Você teme pelo que pode ocorrer no Brasil nesta pandemia?
Sim, a preocupação é muito grande. Cito como exemplo o que aconteceu aqui. A região da Lombardia [região mais afetada] tem um sistema público de saúde excelente. Houve, inicialmente, uma dificuldade em parar Milão. Aliás, tinha uma propaganda com o slogan “Milano non si ferma” [“Milão não para”, veja o vídeo abaixo]. Hoje, estão com uma grande dificuldade de manter a estrutura de saúde para dar conta do aumento de números de infectados que aumenta diariamente. Como sabemos, o sistema de saúde do Brasil é frágil, devido ao baixo investimento ao longo do anos, além das cidades com elevada densidade populacional, sem a mínima estrutura de saneamento básico, entre outros problemas. Acredito que teremos um número elevado de infetados no Brasil. mesmo que sejam adotadas as medidas de isolamento.



Aqui em Maringá, bastou o prefeito Ulisses Maia anunciar o decreto de fechamento do comércio para as pessoas correrem aos mercados para fazer estoque de comida e papel higiênico. Teve algo parecido com isso aí na sua cidade?
Somente no primeiro dia após o decreto, percebi uma diminuição de alguns itens, mas não a falta deles. Nas outras poucas vezes que fomos ao supermercado, o abastecimento estava normal. Precisamos pensar que, se adquirirmos muitos itens de um mesmo produto, sem necessidade, irá faltar para os demais consumidores.

Como é na Itália em relação ao produtos básicos de prevenção à doença, como máscaras, luvas e álcool em gel? Esses produtos também estão em falta?
A Itália está tendo grandes problemas com a questão de máscaras de proteção porque, como este produto é de baixo valor econômico, as indústrias daqui não produziam. Isto é, todo o material é importado. Devido à pandemia, as máscaras de proteção ficaram quase impossíveis de encontrar. Conforme publicado na mídia, muitas fábricas converteram ou adaptaram suas produções para a fabricação dessas máscaras para suprir a demanda que estamos tendo neste momento de pandemia.

A Alemanha tem uma situação menos grave que a da Itália. Qual é a diferença entre essas nações na combate ao vírus?
Nessa questão, há muitos fatores que precisam ser analisados. Primeiro, a Alemanha, em geral, tem um sistema de saúde mais eficiente que a Itália. Segundo, as medidas de isolamento na Alemanha foram adotadas no início da expansão da epidemia. Hoje sabemos que um dia a mais ou a menos nessa situação pode evitar muitos casos de contaminação por esse vírus. Terceiro, foram realizadas bem mais análises na Alemanha que na Itália. Essa medida permite descobrir uma pessoa assintomática, que se torna um potencial transmissor deste vírus [sem perceber] para os demais cidadãos.

Para que a gente não repita os mesmos erros. Onde foi que os italianos mais erraram para que se chegasse a essa situação dramática?
O mair erro foi não ter feito o isolamento no início da propagação. Poderia parecer uma situação absurda, mas, hoje, percebemos que era a mais sensata.


Quais têm sido os acertos dos italianos, agora, na quarentena? Que exemplos devemos seguir?
A maioria da população está adotando as medidas de isolamento solicitada pelo governo. Estamos cientes de que devemos permanecer em casa para combater esse vírus.

A Itália tem usado até drones para medir a temperatura das pessoas nas ruas. Como é isso?
Aqui na Europa, a lei da privacy [privacidade] é necessária para tudo. Não pode ser publicado nada sem a sua autorização. No Vêneto, eles estão programando a utilização de drones termo-scanners para que possam fazer a medição da temperatura corpórea dos cidadãos em vias públicas, apontando, assim, aqueles que estão com os sintomas de febre, para que possam ser analisados em tempo real, evitando assim que propaguem o vírus. Acredito que essa medida entre em vigor nesta semana, com esse novo instrumento, independentemente da necessidade de privacy ou não.

Você tem comentado sobre o novo coronavírus no seu perfil no Facebook, diariamente, desde o primeiro caso na sua região. Você imaginava que a situação ficaria tão grave? Qual era a expectativa das pessoas sobre esse vírus há um mês?
Como aqui a imprensa é muito sensacionalista, no início da propagação, eu não esperava que se tornasse isso que está acontecendo, até porque havia entrevistas na mídia em que cientistas diziam que seria uma catástrofe, e outros diziam que seria uma simples epidemia, como outras que já tínhamos enfrentado. A situação foi levada a sério, da minha parte e por grande parte da população, quando o números de infectados passaram a aumentar diariamente.

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Quando essa pandemia passar e as pessoas se recuperarem. A região onde você mora é uma boa opção para passar as férias? O que tem de bom pra fazer aí?
A região do Vêneto é ótima para passar as férias. Aqui falamos que “estamos entre o mar e a montanha”. Temos as montanhas Dolomitas, patrimônio da Unesco, onde se encontra a cidade de Cortina D’Ampezzo, que será palco das Olimpíadas de Inverno de 2026. Temos a cidade de Veneza, única no mundo. Temos Verona, a cidade de Romeu e Julieta etc... É difícil elencar todos os locais turísticos que vocês poderão conhecer aqui no Vêneto.

O que você mais gosta na Itália?
A região onde vivo proporciona muitos pontos positivos como saúde, segurança, educação, que influenciam diretamente na sua qualidade de vida. Vale ressaltar a questão da desigualdade social, que não é como no Brasil, fazendo assim com que, além da minha família, outras também possam usufruir dos pontos positivos que eu mencionei.

Pra fechar, deixe uma última uma mensagem a todos os seus amigos e conhecidos em Curitiba e no Paraná...
Quero pedir a todos, neste momento, para que se previnam. Primeiramente, façam o isolamento social, neste momento. Caso tenham a necessidade de sair de suas casas, utilizem máscaras de proteção e luvas. Isso será necessário por um período, mas o tempo desse período dependerá de todos nós, com cada um fazendo a sua parte.

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