sexta-feira, 20 de março de 2020

Cafeinado: Quem espalha fake news sobre o coronavírus deve ser preso, como na África do Sul

20/03/2020

Pessoas que, intencionalmente, espalham fake news sobre o novo coronavírus deveriam ser presas ou, pelo menos, multadas. Você acha que isso é impossível? Não se houver vontade política. Na África do Sul, país que já registrou 150 casos da doença (um terço delas só nesta quinta), essa medida já está em vigor.

Na terra de Mandela, quem espalhar notícias falsas sobre a Covid-19 pode ser preso ou multado – ou ambos. A pena pode chegar a seis meses de prisão. A punição aos mentirosos das redes sociais (em especial do WhatsApp) foi anunciada pelo governo local, na última quarta (18), como forma de intensificar a ofensiva contra o novo coronavírus.

Diante da gravidade da situação, a África do Sul está correta em adotar tolerância zero com quem promove as fake news. Essa mazela é responsável por todo tipo de desinformação, que gera histeria e atitudes irracionais, como a corrida ao comércio para estocar comida, máscaras, álcool em gel e papel higiênico. O chamado "espírito de porco", do qual já falamos aqui, é alimentado pelos boatos.

Não compartilhe sem checar, desconfie de "notícias" sensacionalistas sem fonte
Boatos
É uma vergonha o que ocorre no Brasil. Todo mundo que participa de grupos de WhatsApp se depara, diariamente, com dezenas de notícias falsas sobre a Covid-19. É uma coisa mais absurda que a outra. O pior é que a maioria das pessoas não tem condições de filtrar os fatos dos boatos, compartilhando ambos.

Não compartilhe
A pandemia é grave por si só. Não piore a situação. Na dúvida sobre a veracidade de uma informação "milagrosa" ou "apetitosa", não compartilhe. Se não for de um site de notícias confiável, não compartilhe. Se estiver no WhatsApp sem qualquer fonte, não compartilhe. Provavelmente, será boato. Não há beleza alguma em parecer ignorante.

Multa
Deveríamos adotar o exemplo dos sul-africanos, mas, num país em que as próprias lideranças políticas são flagradas espalhando fake news, acho pouco provável que possamos ter uma lei para combatê-las. O jeito é divulgar boas iniciativas como a da Unicamp, que criou uma rede de combate aos boatos sobre coronavírus – veja aqui.

Notícia da CNN internacional sobre medida adotada na África do Sul contra as fake news
Notícia da CNN internacional sobre medida adotada na África do Sul contra as fake news
Suspensão dos boletos
Os deputados federais Enio Verri (PT/PR) e Joseildo Ramos (PT/BA) apresentaram um projeto de lei que suspende as tarifas de água, tratamento de esgoto, fornecimento de energia e gás durante o período da pandemia. O objetivo é evitar a interrupção desses serviços essenciais para as famílias mais vulneráveis. Tomara que seja aprovado.


Dilemas da quarentena I
Num grupo de WhatsApp da cidade, um vereador comentou que sua empregada doméstica, de 60 anos, foi embora do serviço, dizendo que o prefeito Ulisses Maia tinha dito que era para ficar em casa, e que voltaria 30 dias depois para receber o salário. Um outro vereador riu (kkkkk é risada, na web) da situação, mas o patrão edil da empregada não curtiu a risada, dizendo que o assunto era sério.

Dilemas da quarentena II 
O jornalista Carlos Ohara se meteu no diálogo, lembrando que sexagenários fazem parte do grupo de risco e, portanto, considerando orientações do próprio Ministério da Saúde, a empregada deveria sim ser liberada do serviço. "Financeiramente, todos teremos que suportar. Minha empregada tem 36 anos e eu a dispensei [durante a quarentena], e o salário será pago normalmente", comentou Ohara. Uma verdadeira lição de moral.

Narguilé nas praças
Um projeto de lei do vereador William Gentil (PTB) pretende proibir o consumo de narguilé em praças e outros espaços públicos e numa distância de até 100 metros deles. O objetivo seria prevenir o avanço do novo coronavírus, porém, se a proposta vier para ficar não seria uma má ideia. O projeto entrou em regime de urgência, na sessão desta quinta (19).

Tabacarias
Há ambientes apropriados para o consumo do narguilé: as tabacarias. São inúmeras pela cidade. A proibição proposta por Gentil, no fim das contas, pode acabar contribuindo com esse segmento comercial. Isso, claro, após a quarentena do novo coronavírus. Por 30 dias, a contar desta sexta (20), o comércio de Maringá tem de permanecer fechado.

Isolamento
Nas redes sociais, o prefeito Ulisses Maia (PDT) defendeu o isolamento social como melhor medidas para se prevenir da Covid-19, citando como exemplos Taiwan e outros países asiáticos. Num grupo de WhatsApp, o chefe do Executivo garantiu que o decreto que determina o fechamento do comércio será cumprido. "Amanhã [hoje], às 7h30, equipe de fiscalização da Prefeitura, com a Guarda Municipal e a Polícia Militar, sairá para fazer cumprir o decreto", escreveu.

Preços abusivos
E tem comerciante insistindo em vender procutos de primeira necessidade a preços abusivos. Há várias pessoas se queixando nas redes sociais, mas o lugar certo para fazer isso é pelos telefones 151 e 3293-8150 ou, ainda, na Ouvidoria do Município. Dia desses, o Procon de Maringá fechou duas farmácias por venda de álcool em gel a preços bem acima do valor de mercado. Bem feito!

O haitiano de Brasília
Bolsonaro ouviu de um imigrante haitiano, que fugiu de uma situação de calamidade pública de seu país, que o presidente não tem mais condições de governar o Brasil. Ex-apoiadores militantes de Bolsonaro, como a deputada Janaína Paschoal, passaram a defender o impeachment. O caso do haitiano foi comentado pelo filósofo Henry Bugalho, assista:


Piadinha
Em tempos de quarentena, uma reflexão para descontrair: Se sua mãe tem mais de 60 anos e quiser sair de casa, proíba! Se ela reclamar, dizendo que "todo mundo tá saindo", diga que ela não é todo mundo. Chegou a hora da revanche.




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