quarta-feira, 4 de março de 2020

Avanço da dengue gera debate sobre a crotalaria na Câmara Municipal

04/03/2020

O avanço da epidemia de dengue no Paraná tem levantado todo tipo de discussão sobre o problema, seus possíveis culpados e soluções. Na Câmara Municipal, o debate mais recente envolveu a crotalaria, com comentários pró e contra o uso dessa planta no combate ao mosquito da dengue.

Crotalaria já teve mudas distribuídas em Maringá
Com potencial para atrair libélulas – predador natural do mosquito Aedes aegypti –, a crotalaria foi apontada pelo vereador Chico Caiana (PTB) como alternativa no combate à dengue. "A dengue foi praticamente eliminada desse município por um simples fato, essa planta benéfica", disse Caiana, sem mencionar o nome "desse" município.

 Combate à dengue precisa de mais multas

A alternativa proposta por Caiana foi contestada por Flávio Mantovani (PPS), vereador ligado às causas animal e ambiental. Segundo ele, o uso da crotalaria não tem eficácia comprovada. "Nas mais de 36 cidades onde foram entregues mudas dessa planta não houve melhora no combate à dengue", afirmou.

Apesar de a crotalaria não ser uma planta exótica, Mantovani apontou o risco de a distribuição desmedida de mudas causar danos ambientais. "Não temos estudo científico para garantir que isso não vá se tornar uma praga a médio e longo prazo", acrescentou.

Debate sobre a crotalaria foi levantado por Chico Caiana (PTB) – Foto: CMM
O debate envolveu outros dois edis. Sidnei Telles (PSD) disse que em algumas cidades onde a medida foi implantada houve piora no quadro de dengue. Isso teria ocorrido, segundo o vereador, porque muitas pessoas se descuidaram na limpeza de seus quintais, deixando a responsabilidade do combate à dengue para as plantas (citronela e crotalaria).

Carlos Mariucci (PT) lembrou que o uso da planta como medida auxiliar no combate à dengue foi a principal bandeira do ex-vereador Tenente Edson. Por conta da aprovação de uma lei assinada por ele (Edson), em 2013, o combate à dengue incluiu a distribuição de mudas de crotalaria e citronela na cidade. Várias entidades se envolveram, apoiando a causa. "Não vingou. Não basta a planta, tem de manter o quintal limpo", disse o petista.

O contexto e os fatos
Em 2013, Maringá também atravessava uma epidemia de dengue, levando as autoridades locais a buscar medidas suplementares – além das campanhas educativas, dos mutirões contra a água parada e do tradicional fumacê – para tentar frear a doença. A crotalaria, àquela altura, soava como uma opção válida até mesmo para profissionais da saúde. A planta era avaliada como "uma ferramenta importante".

Com o passar dos anos, estudos sérios foram desmistificando a questão da crotalaria e também da citronela. Ainda que possa espantar o mosquito (citronela) ou atrair a libélula (crotalaria), isso não comprova a eficácia dessas plantas no combate à dengue. A libélula, por exemplo, não costuma ser um inseto urbano e não tem o Aedes aegypti como alimento preferido.

A informação é do biólogo e professor de microbiologia Almir Braga, do Centro Universitário Una, de Minas Gerais. O pesquisador alerta que o uso dessas plantas como alternativa pode ser perigoso, uma vez que passa à população uma falsa sensação de segurança e de dever cumprido. O método comprovado e mais eficaz de prevenção e combate ao mosquito, afirma Braga, segue sendo o mesmo de sempre: não deixar água parada e evitar acúmulo de lixo e entulhos.




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