"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade" George Orwell

terça-feira, 31 de março de 2020

Cafeinado: O papel da imprensa é dar voz aos especialistas, como fez a TV Cultura com Atila Iamarino

31/03/2020

O mundo enfrenta a maior crise humanitária e econômica deste século. Diante da calamidade causada pela pandemia do novo coronavírus, a imprensa tem o papel fundamental de informar as pessoas sobre os riscos dessa doença. E para não cair em descrédito, para não se igualar à boataria das redes sociais, os jornalistas devem ignorar as "vozes do achismo", dando sempre prioridade à ciência, com fez a TV Cultura ao entrevistar Atila Iamarino, nesta segunda (30), no programa Roda Viva.



Não se entrevista um terraplanista, por exemplo, num documentário sobre a viagem do homem à Lua ou sobre o envio de robôs a Marte. Então, também não se deve colocar conspirações olavistas lado a lado com o pensamento científico. Não há tempo para imbecilidades. Que os imbecis se recolham nos bueiros de onde saíram. Milhares de vidas já foram perdidas para esse vírus devastador, muitas delas, segundo Atila, porque medidas de prevenção tardaram a ser tomadas.

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Biólogo, doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutor nessa área, Atila Iamarino ganhou notoriedade também no YouTube, principalmente, após divulgar vídeo em que alertava para a morte de 1 milhão de brasileiros, caso nenhuma providência de isolamento fosse adotada pelas autoridades. Ou seja, a postura negacionista do presidente Jair Bolsonaro, infelizmente, encaminharia centenas de milhares para a cova, não fossem as ações adotadas pelo Ministério da Saúde e por governadores e prefeitos.

A previsão de um cientista não pode ser baseada no achismo. A de Atila, sobre o risco de 1 milhão de mortes pela covid-19 no Brasil, foi pautada em estudos de um grupo de renomados epidemiologistas, os quais apontaram para a morte de meio milhão de britânicos e de até 2,5 milhões de norte-americanos se nenhum isolamento social fosse adotado. Esse estudo, aliás, foi o que levou o Reino Unido a mudar de postura frente ao avanço do novo coronavírus.

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"O intervalo que temos para agir é muito curto, por isso corri para falar para as pessoas o que pode acontecer. Uma ou duas semanas a mais [sem isolamento] representa dezenas ou centenas de pessoas que não precisariam morrer por causa disso", diz o pesquisador. Ainda segundo Atila, é preciso ganhar tempo com o isolamento, achatando a curva de contágio, abrindo mais leitos de UTI com respiradores, enquanto não surge um medicamento de eficácia comprovada contra a doença.

A entrevista de Atila ao Roda Viva é longa, porém, precisa ser assistida. Aproveite a quarentena para ver e compreender a gravidade da situação. Continuaremos, no Café, divulgando matérias para mostrar que a covid-19 não se trata de "uma gripezinha".



Autoridades
É importante falar no assunto, alertar para o problema, desmentir fake news e cobrar providências dos governos para garantir que as pessoas tenham o que comer e que as empresas tenha apoio financeiro, de modo a manter os empregos. A postura das autoridades pode evitar transtornos sociais e atos de irresponsabilidade, como a dos prefeitos paranaenses que reabriram o comércio em pleno avanço da pandemia.

Bom exemplo
O prefeito Ulisses Maia (PDT) colocou a cidade em quarentena para conter o novo coronavírus. Fez certo, na visão de especialistas, que dizem que não há como manter o vírus sob controle sem isolar a população. A medida foi criticada por leigos, que chegaram a promover carreatas pela reabertura do comércio. Como diz Atila, a vantagem do coronavírus é que ele dá respostas em semanas. Ou seja, o próprio vírus dará a resposta àqueles que falam em "gripezinha".

Isenção de impostos
Na sessão desta terça (31), a Câmara de Maringá aprovou um importante projeto de lei, suspendendo a cobrança de impostos municipais por 90 dias, bem como a proibição de fiscalização e multas (exceto na área da saúde) nesse período. Somada a outras ações já adotadas, algumas delas em âmbito federal, essa lei deve dar alguma tranquilidade aos trabalhadores e empresários, ajudando a manter os empregos. A lei foi enviada para sanção do prefeito.



IPTU
Em novo decreto, a Prefeitura de Maringá foi além dos 90 dias aprovados pela Câmara, prorrogando em até seis meses o prazo para o pagamento do ITPU. A publicação ainda será feita no Órgão Oficial do Município.

Silvio Barros
O ex-prefeito de Maringá, que já havia sido internado pela covid-19, e que se recuperava em isolamento domiciliar, voltou ao hospital por causa da doença. Silvio Barros está na UTI da Santa Casa. Segundo o hospital, o quadro é estável e ele respira sem a ajuda de aparelhos. Como Silvio é uma figura conhecida, talvez esse fato leve algumas teimosos a refletir sobre a gravidade dessa doença. 

Morte em Cascavel
A terceira morte da Covid-19 no Paraná, nesta segunda (30), ocorreu em Cascavel. A vítima foi o conhecido empresário Nei Martins, 66 anos, que havia retornado de recente viagem com a família a Dubai, nos Emirados Árabes. Mesmo o melhor atendimento médico não foi o suficiente para salvar a vida do empresário. Cascavel é uma cidade que tem levado a sério o combate ao novo coronavírus.

Absurdos
O advogado Paulo Vidigal – que assina artigo aqui no Café – publicou relatos, em suas redes sociais, sobre conversas de alguns empresários maringaenses que planejam novas carreatas pela abertura do comércio. Uma manifestação diante do Tiro de Guerra também estaria prevista. Em uma das mensagens, extraída de um grupo de WhatsApp, um participantes sugere "meter fogo na Prefeitura". Isso é caso de polícia.

Meme



Vestibular da UEM
Em razão da pandemia, a Universidade Estadual de Maringá suspendeu o Vestibular de Inverno. De acordo com a Comissão Central do Vestibular Unificado (CVU), as inscrições estavam previstas para o período entre 6 de abril e 11 de maio. E as provas do vestibular ocorreriam em 12 e 13 de julho. Novas datas não foram informadas.

Jornal do Povo
Em sua coluna, nesta terça (31), Diniz Neto informa que "na semana passada Maringá foi citada pelo presidente Bolsonaro, na Jovem Pan de São Paulo e de Curitiba, e também na Folha de S.Paulo, de forma negativa". Penso que se as medidas adotadas pelo prefeito Ulisses Maia na prevenção ao novo coronavírus são ruins, na opinião de Bolsonaro, então, é porque são muito boas. O presidente tem contrariado recomendações do próprio Ministério da Saúde.

Impeachment
Uma pesquisa feita pelo Atlas Político revela que 47,7% dos entrevistados apoiam o impeachment do presidente Jair Bolsonaro; contra 45%, que rejeitam a ideia. A pesquisa aponta uma insatisfação dos brasileiros quanto à postura de Bolsonaro durante a pandemia do novo coronavírus. Na pesquisa anterior, 38% apoiavam o impeachment. A informação é da jornalista Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo.

Dica de livros
Sabe a Gabriela Prioli, a debatedora que fez um sucesso meteórico na CNN Brasil e que pediu a conta recentemente? Pois é, ela tem um canal no YouTube. No vídeo abaixo, a advogada fala de seus livros favoritos.


C'est fini
Fique em casa, ouça as recomendações do Ministério da Saúde e ignore o presidente.




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Câmara suspende impostos por 90 dias em pacotão de medidas contra crise causada pela covid-19

31/03/2020

A cobrança de impostos municipais em Maringá está suspensa pelo período de 90 dias. A decisão faz parte de um amplo pacote de medidas aprovado pela Câmara Municipal, na sessão desta terça-feira (31), em razão dos problemas sociais e econômicos causados pela pandemia do novo coronavírus (covid-19).

Câmara aprovou pacotão de medidas, nesta terça (31), em regime de urgência – Fotos: Marquinhos Oliveira/CMM
De acordo com o Projeto de Lei Complementar 1.973/2020, a medida engloba as parcelas do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), e demais taxas acessórias, e o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) devido pelos profissionais autônomos e pelas micro e pequenas empresas não inscritas no Simples Nacional (já contemplado em medida anterior). Dos três impostos municipais, a nova lei só não interfere no Imposto sobre de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

Também ficam prorrogados por 90 dias, independentemente de solicitação do contribuinte, o vencimento das parcelas dos contratos (sem mora) referentes ao Refis (refinanciamento de dívidas com o município); à aquisição de imóveis industriais por meio do Prodem; e aos programas habitacionais do município.

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O pacote inclui ainda, pelo mesmo período de tempo, a proibição de inscrição de débitos em dívida ativa, o ajuizamento de novas ações fiscais e o lançamento de multas referentes à fiscalização geral ou econômica (exceto aquelas relacionadas à saúde publica). "As notificações também ficam suspensas pelo prazo de 90 dias. Não faz sentido cobrar da pessoa a regularização de sua calçada se ela não tem, hoje, nem como contratar um prestador de serviço para fazer isso", explicou o Jean Marques (PV), primeiro signatário do projeto de lei.


A nova lei também revoga o artigo 12 da Lei Complementar 1.146/2019, que proibia a um novo Refis em Maringá no prazo de dez anos. "Se essa necessidade [de um novo Refis] surgir, devemos estar prontos para fazer. Temos de ter bom senso", comentou Mário Verri (PT). O último Refiz é de 2019.

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Além de Marques e Verri, o pacotão econômico contra a covid-19 é assinado pelos vereadores: Mário Hossokawa (PP), Sidnei Telles (PSD), Alex Chaves (MDB), Carlos Mariucci (PT), Belino Bravin (PP), Odair Fogueteiro (PDT), Altamir dos Santos (PSD), William Gentil (PTB), Dr. Jamal (PSL), Onivaldo Barris (sem partido), Professor Niero (PV), Chico Caiana (PTB) e Flávio Mantovani (Rede).

Jean Marques (PV), primeiro signatário do projeto que suspende impostos por 90 dias

Não é isenção

Coube ao primeiro signatário fazer a explanação sobre o projeto. Segundo Marques, a lei dispõe sobre suspensão da cobrança dos tributos e de fiscalizações e notificações, exceto da área de saúde, não podendo se confundido com uma isenção. "Não podemos fazer a renúncia fiscal, que tem de ser uma decisão da Prefeitura, mas podemos sim prorrogar", explicou.


Marques foi responsável por compilar as sugestões dos demais vereadores. Na véspera do projeto, os edis tiveram uma longa reunião para ajustar os detalhes da lei. "Esse projeto foi muito discutido. Sabemos que temos de propor medidas para salvar os empregos e salvaguardar a economia", disse o primeiro signatário.

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Primeiro secretário da Câmara, Telles disse que a previsão inicial era de uma suspensão dos impostos por 60 dias, mas, na reunião de segunda (30), optou-se pelos 90 dias. "Desta maneira, [o munícipe] consegue ter um pouco mais de condições para passar por esta crise", disse.

Segunda discussão
Devido à urgência da medida, a Câmara realizou uma sessão extraordinária para aprovar o projeto em em segunda discussão, também por unanimidade. A lei foi encaminhada para sanção do prefeito Ulisses Maia (PDT).


Líder do prefeito na Câmara, Chaves diz que não houve tempo de discutir o projeto, previamente, com a Secretaria Municipal de Fazenda, por conta do regime de urgência. O vereador diz que o impacto financeiro da medida será estudado e que acredita que o projeto será sancionado por Ulisses.


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Silvio Barros volta a ser hospitalizado por causa da covid-19

31/03/2020

O ex-prefeito de Maringá Silvio Barros (PP), que testou positivo para o novo coronavírus e já se recuperava em casa, em isolamento, precisou ser internado novamente por causa da doença. A informação foi dada por Odair Fogueteiro (PDT) aos demais vereadores na sessão desta terça (31).

Silvio recebeu do secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, na sexta-feira (27), a notícia de que seu teste havia dado positivo para a covid-19.

Silvio chegou a gravar vídeo nas redes sociais para dizer que se sentia bem
"Segundo a ex-primeira-dama do município, a senhora Bernardete, ele [Silvio] retornou para a Santa Casa porque não estava conseguindo se alimentar normalmente", disse o vereador Odair Fogueteiro, mencionando ter ouvido a entrevista de Bernardete à rádio Nova Ingá.

De acordo com o Blog do Rigon, Silvio deu entrada na Santa Casa por volta das 11 horas de segunda (30). Ele está em observação na UTI, com quadro estável, respirando sem ajuda de aparelhos.


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Câmara discute seis projetos de lei e 15 requerimentos nesta terça (31); assista ao vivo

31/03/2020

A Câmara Municipal de Maringá aprecia, na sessão ordinária desta terça-feira (31), seis projetos de lei e 15 requerimentos. Entre as pautas, o projeto que proíbe o uso do cachimbo tipo narguilé nas praças e arredores de logradouros públicos será votado em segunda discussão.

Sessões da Câmara de Maringá são transmitidas, ao vivo, pelo YouTube – Reprodução
Como medida de enfrentamento ao novo coronavírus, para evitar aglomeração, o plenário segue fechado ao público. Contudo, a sessão pode ser acompanhada ao vivo pela internet. Assista.



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segunda-feira, 30 de março de 2020

Brasil tem 54,5% das mortes por covid-19 na América do Sul

30/03/2020

O Ministério da Saúde confirmou, nesta segunda (30), 4.579 casos do novo coronavírus (covid-19), com 159 mortes causadas pela doença, um aumento de 16% nos óbitos no período de 24 horas. Com isso, o Brasil segue liderando o triste ranking de contágios na América do Sul.

Painel on-line da Universidade Johns Hopkins mostra, em tempo real, o avanço do novo coronavírus
De acordo com o Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas (CSSE) da Universidade Johns Hopkins, Baltimore (EUA), os 159 óbitos no Brasil representam 54,5% das mortes por covid-19 registradas em toda a América do Sul. O CSSE tem um painel on-line com a atualização dos casos em tempo real.

O Brasil também tem o maior número de casos confirmados, mas, nessa medição, o país representa 37,5% dos casos. O percentual mais baixo pode ser explicado pelo fato de outros países, como o Chile, estarem testando mais a população, proporcionalmente.

Apenas um país, o Suriname, e dois territórios ultramarinos, a Guiana Francesa e as Malvinas (Reino Unido); não tiveram mortes confirmadas pela doença. Chamadas pelos britânicos de Ilhas Falkland, as Malvinas ainda não tiveram um único caso de contaminação pelo novo coronavírus. Ainda assim, o governo local adotou medidas de isolamento social no arquipélago – que tem menos de 3.000 habitantes e fica situado a 483 km do continente.

A seguir, o número de mortes en negrito e (entre parênteses) os casos confirmados na América do Sul.

Brasil.................................. 159 (4.579)
Equador................................ 60 (1.962)
Argentina............................. 23 (820)
Peru...................................... 18 (950)
Colômbia.............................. 12 (798)
Chile..................................... 8 (2.449)
Bolívia.................................. 4 (97)
Venezuela............................. 3 (135)
Paraguai................................ 3 (64)
Uruguai................................. 1 (310)
Guiana.................................. 1 (8)
Guiana Francesa................... 0 (43)
Suriname.............................. 0 (8)
Malvinas (Reino Unido)...... 0 (0)

TOTAL................................. 292 (12.223)


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Cafeinado: A ficha de Bolsonaro para a Covid-19 precisa cair, e isso depende do guru ou do Congresso

30/03/2020

Dois fatos, ocorridos na semana passada, criaram a expectativa de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mudaria, finalmente, sua postura frente à pandemia, deixando de tratar o novo coronavírus como "gripezinha" ou "resfriadinho". O primeiro fato foram as reuniões previstas entre o presidente e governadores para afinar as ações contra a Covid-19. O segundo foi o recuo do presidente do Estados Unidos, Donald Trump, que passou a pedir para que os norte-americanos fiquem em casa.

Presidente Jair Bolsonaro – Foto: Agência Brasil
No primeiro caso, Bolsonaro perdeu a chance de vestir de fato a faixa presidencial, dando um calaboca nos críticos ao liderar uma ofensiva contra a Covid-19. Contudo, no fatídico pronunciamento em rede nacional, na terça-feira (24), pela retomada das aulas e pela volta ao trabalho, o presidente azedou completamente o clima com os líderes estaduais. Desde então, o discurso de Bolsonaro é ignorado pelos governadores, que se mantêm atentos às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OSM).

O segundo fato foi ainda mais importante. Quando Trump recuou no discurso contra o isolamento, muitos imaginaram que a ficha do presidente do Brasil cairia quanto à gravidade da Covid-19. Não caiu. Trump estendeu as medidas de distanciamento social até o fim de abril, desistindo de reabrir o país na Páscoa, mas Bolsonaro não seguiu o mestre, tornando a falar em "gripezinha" e desautorizando o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, como naquela saidinha do Planalto para visitar comerciantes, causando a aglomeração de pessoas.

O guru
Estávamos enganados sobre o mestre-mor de Bolsonaro. Ele vive nos EUA, mas não na Casa Branca, e sim na Virgínia. Uma ordem dele, do astrólogo e ideólogo Olavo de Carvalho, poderia realinhar Bolsonaro, colocando-o no comando das ações contra a Covid-19 – comando que hoje é exercido por Mandetta e por governadores, principalmente o de São Paulo, João Doria (PSDB). No entanto, não esperemos nada da Virgínia. Na segunda (23), o YouTube precisou deletar um vídeo no qual Olavo espalhava que o coronavírus era uma "suposta pandemia".

O Congresso 
Se não podemos contar com o controle mental exercido por Olavo sobre Bolsonaro, resta somente uma medida, mais dura: a do impeachment. Com a popularidade em baixa; com a perda de apoiadores importantes, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM); e isolado pelos governadores; Bolsonaro está enfraquecido. Talvez apenas uma sinalização de impeachment já bastasse para causar um choque de realidade em Bolsonaro, exigindo dele a postura de líder que se espera de um presidente na maior crise humanitária deste século.

Impeachment I
Como o Café já contou, há pelo menos sete pedidos de impeachment protocolados na Câmara dos Deputados, todos requerendo que Bolsonaro seja responsabilizado por crime contra a saúde pública devido às suas falas inconsequentes sobre a Covid-19. Cabe ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM), decidir se arquiva os pedidos ou se dá andamento a todos ou a algum deles. O que Maia vai fazer ainda é uma incógnita.

Impeachment II
Não é demais lembrar que, antes mesmo do pronunciamento em rede nacional – que encorajou carreatas de terraplanistas pela reabertura do comércio –  a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) e o jurista Miguel Reale Júnior já haviam sugerido o afastamento de Bolsonaro do cargo. No lugar do presidente, eu levaria a sério essa dupla. Por muito menos, Janaína e Reale foram coautores da peça jurídica que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Meme



Fiquem em casa
Em entrevista ao Café, o curitibano Cássio Bellio, que há 17 anos vive na região italiana do Vêneto, pede aos conterrâneos que sigam as recomendações de isolamento das autoridades de saúde. Baseado na tragédia que acomete a Itália, Bellio diz que "o maior erro foi não ter feito o isolamento no início da propagação". Leia a entrevista aqui.

Boletim
Até o início da tarde deste segunda (30), o Brasil já havia confirmado 4.371 casos da Covid-19, com 141 mortes. Minas Gerais confirmou a primeira morte. Epicentro da doença no país, o Estado de São Paulo soma 98 óbitos. No Paraná, Cascavel confirmou a primeira morte pelo novo coronavírus, elevando para três os casos fatais no Estado – as duas primeiras mortes ocorreram em Maringá.

Maringá
O prefeito Ulisses Maia (PDT), que segue as diretrizes da OMS, não reabriu o comércio, apesar da carreata e até de ameaça de morte. Lideranças da carreata, aliás, segundo o Blog do Rigon, foram chamados ao 4º Batalhão de Polícia Militar de Maringá para dar esclarecimentos. A PM atendeu a recomendações do MP.


Francisco Beltrão
Após reunião dos prefeitos da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop), o comércio de Francisco Beltrão foi reaberto às 9h desta segunda (30). Pelos relatos da imprensa local, as ruas do centro da cidade ficaram lotadas. A decisão do prefeito Cleber Fontana (PSDB) é temerária, se considerarmos que o vírus é altamente contagioso. A maior cidade da região, com 91 mil habitantes, por enquanto, ainda não tem casos confirmados da doença.

Comércio aberto
O decreto de Fontana, pela abertura do comércio com algumas restrições, vai na contramão das recomendações de médicos e epidemiologistas. Entrevistei para a Gazeta do Povo o ex-ministro da Saúde, o médico Alceni Guerra (DEM), que defende o isolamento. Segundo ele, a Covid-19 será muito pior que a pandemia da H1N1 (de 2009). Pelo que lemos sobre a Itália e a Espanha, por exemplo, já está sendo. Leia a entrevista.

Alceni Guerra em entrevista publicada pela Gazeta do Povo nesta segunda (30)
Câmara
Deve retornar à ordem do dia da Câmara Municipal, na sessão desta terça (31), projeto de lei do vereador William Gentil (PTB) que proíbe o cachimbo tipo narguilé nas praças e entorno de logradouros públicos de Maringá. Na sessão de quinta (26), Gentil pediu a retirada da pauta por uma sessão para incluir no projeto propostas da sociedade.

Subsídios I
O reajuste de 4,3% nos subsídios dos vereadores, prefeito, vice, secretários e outros cargos comissionados de Maringá segue dando o que falar. Em nota à imprensa, o presidente da Câmara, Mário Hossokawa (PP), diz que o legislativo apenas cumpriu seu papel, aprovando o reajuste conforme previsto na Constituição Federal.

Subsídios II
Segundo Hossokawa, a não aprovação do reajuste poderia resultar na rejeição das contas da Câmara e da Prefeitura pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). "O percentual vinha sendo discutido com o sindicato desde janeiro, mas, infelizmente, a votação dos projetos coincidiu com essa pandemia de Covid-19", diz o presidente da Casa. Em nota anterior, a Câmara desmentiu fake news de que teria ocorrido aumento nos salários, explicando que o índice de 4,3% corresponde à reposição da inflação.

No YouTube
Em tristes tempos de pandemia, de fake news ganhando de goleada da imprensa tradicional na audiência, é importante dar ouvidos a quem realmente entende de vírus. Esse é o caso do biólogo e pesquisador Atila Iamarino. Recomendo que os leitores se inscrevam em seu canal no YouTube.




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Artigo: O fim do isolamento seria um retrocesso fatal para muitas pessoas, a maioria trabalhadores

30/03/2020

* Por Paulo Vidigal

É fato que quinze entidades encaminharam um manifesto à Prefeitura de Maringá, reivindicando a retomada das atividades econômicas em Maringá. São elas:

A Acim, que representa o empresariado de forma geral; a Sociedade Rural de Maringá, representando o agronegócio; três sindicatos das indústrias de produção de álcool, açúcar e biodiesel; o sindicato dos estabelecimentos particulares de ensino; Maringá Convention & Bureau, ligada ao negócio do turismo; o sindicato da indústria da construção civil;  sindicato das indústrias metalúrgicas; sindicato da indústria de vestuário; o sindicato dos shopping centers; sindicato do comércio lojista e varejista; o sindicato de hotéis, restaurantes e bares e uma associação representando bares e restaurantes.

Fiscalização no comércio de Maringá – Foto: Divulgação/PMM
Para surpresa geral, uma das 15 entidades que assinaram o manifesto trata-se do sindicato de trabalhadores da construção civil, que em seu site registra “representar a classe operária”.

Explanado quem representa quem, pergunta-se: não seria o momento de os sindicatos de trabalhadores, entidades de classe e associações, que ainda não se manifestaram sobre o tema (a manutenção das medidas sanitárias municipais), fazê-lo agora? Ou perderão o trem da história?

Alguns argumentarão sobre a importância da atividade econômica para sociedade. Tudo bem, é um argumento. Mas, num momento em que a pandemia se expande (hoje, 29/03, Maringá contabiliza 194 casos suspeitos, 12 positivos e dois óbitos confirmados por complicação da Covid-19), o fim das medidas de isolamento seria um retrocesso fatal para muitas pessoas. Em sua maioria trabalhadores.

Difícil acreditar que as inúmeras empresas representadas por essas entidades, com o lucro que abraçaram ao longo de anos que estão no mercado, não detenham condições financeiras para uma pausa antes de voltar à atividade, sem colocar em risco a vida de seus empregados. Não buscarão socorro dos governos? Em especial do governo federal, que representou os anseios do empresariado de liberdade total do mercado e Estado mínimo?

Na balança, entre a "economia" e a "vida" de milhares de pessoas, deve-se prevalecer a última. A pessoa jurídica (que na verdade nem pessoa é), esta pode ser “ressuscitada”. Já a pessoa física, o ser humano, esse não pode ser ressuscitado.

* Advogado, Paulo Vidigal foi trabalhador da saúde por 21 anos


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domingo, 29 de março de 2020

Entrevista – Curitibano na Itália: "A preocupação é muito grande com o que pode acontecer no Brasil"

29/03/2020

Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e pós-graduado em Logística, o curitibano Cássio Bellio vive há 17 anos na região italiana do Vêneto, a terceira mais atingida pela pandemia do novo coronavírus. Do "olho do furacão", baseado na tragédia que acomete a Itália, o paranaense teme pelos seus conterrâneos. "A preocupação é muito grande com o que pode acontecer no Brasil", diz.

Cássio Bellio com a esposa Tatiani e as filhas Giulia e Francesca – Foto: Arquivo pessoal
Bellio trabalha no setor de orçamentos e compras de uma empresa de termo-hidráulica do ramo de sistemas de calefação. Como não se trata de uma atividade essencial, ele está em quarentena com a esposa, a fisioterapeuta Tatiani, e com as duas filhas adolescentes, Giulia e Francesca. A família vive na pequena Mogliano Veneto (distante menos de 30 minutos de carro de Veneza), uma pequena cidade de 27 mil habitantes que já registrou 40 casos da Covid-19 e cinco mortes pela doença.

Não fosse pelo isolamento, diz Bellio, o cenário em sua cidade poderia ser pior. Ainda que tardiamente, os governos central e regionais adotaram medidas restritivas duras para conter o avanço devastador do novo coronavírus. Quem desrespeita a quarentena está sujeito a multas que variam de 500 a 5.000 euros. Quem deixa o isolamento, após o teste positivo para a Covid-19, diz o entrevistado, pode ser sentenciado a até cinco anos de prisão.

As duras medidas são reflexo do tamanho da tragédia que, segundo Bellio, causam uma apreensão geral na população. Há dias, a Itália tem registrado mais de 700 mortes a cada 24 horas. Neste domingo (29), foram 756, elevando o número de óbitos pela Covid-19 para 10.779. Há ainda mais de 97 mil casos confirmados da doença.

A situação mais dramática se passa na Lombardia, no norte da Itália, onde há mais de 1.300 pessoas em terapia intensiva (UTIs), segundo boletins locais. Isso é o que mais chama a atenção de Bellio. Se a Lombardia – que é uma das regiões mais ricas da Itália e que conta com um dos melhores sistemas públicos de saúde da Europa – padeceu diante da Covid-19, o que será dos países em desenvolvimento, como o Brasil, sem a mesma estrutura hospitalar?

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Neto de italianos, Bellio pede que os paranaenses levem a sério a doença e que respeitem a quarentena. "O sistema de saúde do Brasil é frágil, com baixo investimento [em saúde pública] e cidades com elevada densidade populacional", diz o ítalo-brasileiro. "Há cidades sem a mínima estrutura de saneamento básico. Teremos um número elevado de infectados no Brasil, mesmo que sejam adotadas as medidas de isolamento", alerta.

Na entrevista, Bellio fala ainda sobre o chamado "isolamento vertical", considerado por ele como perigoso; sobre as carreatas de caminhões do Exército, levando corpos para ser cremados em regiões menos afetadas; sobre uma medida radical de isolamento, a qual salvou vidas na cidade de Vò Euganeo; sobre o pacote governamental "Cura Italia", com importantes subsídios para trabalhadores e empresas; entre outros assuntos.

Não deixe de ler toda a entrevista e de compartilhá-la. Ainda há pessoas incrédulas – muitas delas encorajadas pelo pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro – quanto à gravidade da Covid-19. A vivência de quem está no país mais afetado pela doença, com o clamor pelo isolamento social, pode ajudar a abrir algumas mentes e a salvar vidas.     

***

Café com Jornalista – Infelizmente, a Itália tem registrado mais de 700 mortes por dia pelo novo coronavírus. Como os italianos têm reagido a essas informações? Isso tem causado pânico na população?
Cassio Bellio – Neste momento, sentimos uma grande tristeza por tudo o que está acontecendo. Não digo que estamos vivendo um pânico, mas todos estamos com receio desse inimigo invisível. Seguimos as regras de isolamento, na quarentena, para que possamos sair dessa pandemia o mais breve possível.


Você vive no Vêneto com sua família. Como está a situação aí na sua região? É uma das áreas mais afetadas? Quantas mortes foram causadas pela Covid-19 apenas na sua região?
Atualmente, o Vêneto é a terceira região com mais casos. Até ontem (sábado), foram registrados 7.930 casos, com 362 mortos.

Aqui no Brasil, vimos imagens de caminhões do Exército da Itália carregando corpos para outras regiões porque os crematórios das cidades mais atingidas já não dão conta da demanda. Procede isso?
Infelizmente, sim. Isso se deve ao fato de que, na província de Bérgamo, houve um focolaio [foco] de transmissão do vírus, e ocorreram inúmeras mortes em um breve período de tempo. O crematório do cemitério da cidade de Bérgamo funcionava 24 horas por dia e não conseguia dar conta do corpos que chegavam continuamente. Assim, vários corpos foram levados para serem cremados em outras regiões. O Vêneto recebeu muitos desses mortos para serem cremados aqui da região.


Como está a situação do novo coronavírus na cidade onde você mora? Há quantos dias vocês estão em quarentena?
A cidade onde moro, Mogliano Veneto, tem uma população de aproximadamente 27 mil habitantes. Temos, até o momento, aproximadamente 40 casos [confirmados] com cinco mortes pela doença. Estamos em quarentena do dia 12 de  março até 3 de abril, data em que [a quarentena] será prorrogada, mas ainda sem data definida. Nas escolas, a quarentena começou após o Carnaval.

Como tem sido o isolamento social por aí? É rigoroso? Fora os profissionais das áreas essenciais, em quais situações as demais pessoas são autorizadas a sair de casa? 
O isolamento está se intensificado cada vez mais aqui, justamente para evitar a propagação do vírus. O governo, por decreto, determina que para sair de casa você tem de ter um certificado, no qual, além dos seus dados pessoais, deve constar um motivo válido. Atualmente, os motivos válidos são os seguintes: comprovada exigência de trabalho, motivo de saúde, ida ao supermercado, sair com o cachorro etc. Nas entradas da cidade há um controle efetuado pela polícia ou Exército. Mas, aqui no Vêneto, o governador restringiu ainda mais esse certificado, dizendo que um cidadão pode sair até 200 metros de sua residência para caminhar ou para levar o cachorro passear, e obrigou o fechamento dos mercados aos domingos.


Você comenta que as medidas restritivas incluem a circulação apenas no próprio bairro. Como é isso e quando começou esse controle mais rígido?
No nosso caso, só podemos transitar na cidade onde residimos, sempre por um motivo válido. Vou dar um exemplo. Antes, deslocávamos para efetuar as compras em um mercado na cidade vizinha, porque lá o supermercado tem uma variedade maior de produtos e com melhores preços. Mas, neste momento, isso não é mais permitido devido ao decreto.

O que acontece se você sair do isolamento sem justificativa?
Alguns dias atrás foi publicado o novo decreto, com as novas sanções para evitar a propagação do coronavírus. E as penas são as seguintes:
– Não respeitar as proibições com base ao decreto: multa de 206 euros;
– Pena prisão de 3 a 18 meses, com multa de 500 a 5.000 euros, para quem propagar o vírus;
– Pena de 5 anos de prisão por violação da quarentena, após resultado positivo para a Covid-19.

Você tem duas filhas adolescentes. Como fazer para passar o tempo na quarentena? Elas têm tido aulas?
Aqui [em Mogliano Veneto], elas estão tendo aulas on-line, iniciadas em 3 de março, via Google Met. Os professores aplicam as aulas on-line na parte da manhã e, à tarde, elas fazem as tarefas, estudam para as provas e, logicamente, também se divertem: assistem a filmes, séries, leem e conversam com as amigas. Lembrando que aqui as crianças, nas escolas, têm prova oral, além da prova escrita.


Que tipo de negócio pode funcionar na quarentena?
Neste período da quarentena, estão abertos mercados, farmácias, postos de gasolina, correios e bancas de jornais. Vale ressaltar que, nas autoestradas, os serviços de posto de gasolina e restaurantes estão abertos para atender os caminhoneiros.

O que o governo italiano tem feito para ajudar as empresas fechadas e os trabalhadores em quarentena? 
O governo, através de um decreto, fez um pacote chamado “Cura Italia”, no qual temos alguns pontos interessantes para as famílias e as empresas, como: subsídio para os trabalhadores, com pagamento de 80% do salário por um período de nove semanas; bônus para os trabalhadores autônomos ou sazonais; suspensão dos pagamentos de financiamentos da casa própria; suspensão do pagamento de boletos, entre outros. As  empresas também terão subsídios, mas não posso elencar todos porque cada área terá um determinado auxílio. O que posso mencionar é que o governo está atuando junto à Comunidade Europeia para obtenção do empréstimo dos valores necessários para o subsídio a trabalhadores e empresas. Logicamente, sabemos que o país, as empresas e os trabalhadores irão pagar um preço por este momento que estamos vivenciando.

O presidente Jair Bolsonaro tem defendido o chamado "isolamento vertical", no qual os idosos ficam em casa e os jovens saem para trabalhar normalmente. Pela sua experiência na Itália, e pelas orientações das autoridades sanitárias daí, o que você pensa dessa proposta?
É uma proposta arriscada porque, para não termos a propagação dos vírus, precisarmos estar isolados em casa. O Brasil pode adotar como base o que está sendo feito nos países europeus, a começar pela Itália. A Inglaterra havia adotado esse tipo de isolamento [vertical], mas parece me que, devido ao crescente números de casos, voltou atrás.


Há ainda, no Brasil, quem considere o novo coronavírus como "uma gripezinha". Você é de Curitiba, uma cidade que já tem 71 casos confirmados. Quais conselhos você tem dado aos seus parentes e amigos aqui no Brasil sobre esse vírus?
Já disse aos meus familiares e amigos que a principal recomendação é o isolamento. Devemos ficar em casa neste momento. Evitem sair de casa, saiam somente se for extremamente necessário. Caso tenham de sair, utilizem máscaras de proteção e luvas, e, ao retorno a suas residências, lavem bem as mãos.

Algum conhecido seu aí na Itália já pegou a doença? Alguém do seu círculo social já morreu em decorrência da Covid-19?
No prédio onde mora um amigo meu, a senhora que mora no andar debaixo contraiu o vírus. Ela está hospitalizada e se encontra em situação estável.

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, pediu desculpas em público por ter minimizado a Covid-19. No fim de fevereiro, ele pediu para as pessoas não pararem e irem às ruas. Hoje, a cidade tem 4.400 mortes. Há casos aí de prefeitos e governantes que incentivaram o isolamento, evitando mortes? 
Posso responder essa questão com base na região em que resido. No Vêneto, o governador Zaia, através de médicos, pesquisadores, virólogos, está atuando na prevenção com o isolamento. No primeiro caso confirmado na região do Vêneto, o governo isolou a cidade de Vò Euganeo, na província de Padova [Pádua, em português],  onde não podia entrar e nem sair ninguém. Além disso, solicitou que fosse feita a analise de todos os habitantes da cidade de 3.305 habitantes. Esse isolamento conteve o avanço do número de casos na região. Hoje, o Vêneto é a região com o maior número de análises por habitantes na Itália. Com aquela atitude, a cidade [Vò Euganeo] se tornou estudo de caso para cientistas, virólogos e epidemiologistas referente à propagação do novo coronavírus.

Cássio Bellio com a esposa Tatiani – Foto: Arquivo pessoal
Há algum tipo de comentário na Itália sobre possíveis punições para lideranças políticas que não levaram os alertas da OMS a sério?
Não ouvi nada sobre isso até o momento. Aliás, queria salientar que vejo o governo do Vêneto, diariamente, na televisão local, junto com o seu grupo operacional de combate à Covid-19, informando a população sobre os casos e as medidas que estão sendo tomadas para a prevenção e o combate ao vírus.

O próprio presidente do Brasil tem, hoje, uma postura parecida com a que Giuseppe Sala tinha há um mês. Você teme pelo que pode ocorrer no Brasil nesta pandemia?
Sim, a preocupação é muito grande. Cito como exemplo o que aconteceu aqui. A região da Lombardia [região mais afetada] tem um sistema público de saúde excelente. Houve, inicialmente, uma dificuldade em parar Milão. Aliás, tinha uma propaganda com o slogan “Milano non si ferma” [“Milão não para”, veja o vídeo abaixo]. Hoje, estão com uma grande dificuldade de manter a estrutura de saúde para dar conta do aumento de números de infectados que aumenta diariamente. Como sabemos, o sistema de saúde do Brasil é frágil, devido ao baixo investimento ao longo do anos, além das cidades com elevada densidade populacional, sem a mínima estrutura de saneamento básico, entre outros problemas. Acredito que teremos um número elevado de infetados no Brasil. mesmo que sejam adotadas as medidas de isolamento.



Aqui em Maringá, bastou o prefeito Ulisses Maia anunciar o decreto de fechamento do comércio para as pessoas correrem aos mercados para fazer estoque de comida e papel higiênico. Teve algo parecido com isso aí na sua cidade?
Somente no primeiro dia após o decreto, percebi uma diminuição de alguns itens, mas não a falta deles. Nas outras poucas vezes que fomos ao supermercado, o abastecimento estava normal. Precisamos pensar que, se adquirirmos muitos itens de um mesmo produto, sem necessidade, irá faltar para os demais consumidores.

Como é na Itália em relação ao produtos básicos de prevenção à doença, como máscaras, luvas e álcool em gel? Esses produtos também estão em falta?
A Itália está tendo grandes problemas com a questão de máscaras de proteção porque, como este produto é de baixo valor econômico, as indústrias daqui não produziam. Isto é, todo o material é importado. Devido à pandemia, as máscaras de proteção ficaram quase impossíveis de encontrar. Conforme publicado na mídia, muitas fábricas converteram ou adaptaram suas produções para a fabricação dessas máscaras para suprir a demanda que estamos tendo neste momento de pandemia.

A Alemanha tem uma situação menos grave que a da Itália. Qual é a diferença entre essas nações na combate ao vírus?
Nessa questão, há muitos fatores que precisam ser analisados. Primeiro, a Alemanha, em geral, tem um sistema de saúde mais eficiente que a Itália. Segundo, as medidas de isolamento na Alemanha foram adotadas no início da expansão da epidemia. Hoje sabemos que um dia a mais ou a menos nessa situação pode evitar muitos casos de contaminação por esse vírus. Terceiro, foram realizadas bem mais análises na Alemanha que na Itália. Essa medida permite descobrir uma pessoa assintomática, que se torna um potencial transmissor deste vírus [sem perceber] para os demais cidadãos.

Para que a gente não repita os mesmos erros. Onde foi que os italianos mais erraram para que se chegasse a essa situação dramática?
O mair erro foi não ter feito o isolamento no início da propagação. Poderia parecer uma situação absurda, mas, hoje, percebemos que era a mais sensata.


Quais têm sido os acertos dos italianos, agora, na quarentena? Que exemplos devemos seguir?
A maioria da população está adotando as medidas de isolamento solicitada pelo governo. Estamos cientes de que devemos permanecer em casa para combater esse vírus.

A Itália tem usado até drones para medir a temperatura das pessoas nas ruas. Como é isso?
Aqui na Europa, a lei da privacy [privacidade] é necessária para tudo. Não pode ser publicado nada sem a sua autorização. No Vêneto, eles estão programando a utilização de drones termo-scanners para que possam fazer a medição da temperatura corpórea dos cidadãos em vias públicas, apontando, assim, aqueles que estão com os sintomas de febre, para que possam ser analisados em tempo real, evitando assim que propaguem o vírus. Acredito que essa medida entre em vigor nesta semana, com esse novo instrumento, independentemente da necessidade de privacy ou não.

Você tem comentado sobre o novo coronavírus no seu perfil no Facebook, diariamente, desde o primeiro caso na sua região. Você imaginava que a situação ficaria tão grave? Qual era a expectativa das pessoas sobre esse vírus há um mês?
Como aqui a imprensa é muito sensacionalista, no início da propagação, eu não esperava que se tornasse isso que está acontecendo, até porque havia entrevistas na mídia em que cientistas diziam que seria uma catástrofe, e outros diziam que seria uma simples epidemia, como outras que já tínhamos enfrentado. A situação foi levada a sério, da minha parte e por grande parte da população, quando o números de infectados passaram a aumentar diariamente.

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Quando essa pandemia passar e as pessoas se recuperarem. A região onde você mora é uma boa opção para passar as férias? O que tem de bom pra fazer aí?
A região do Vêneto é ótima para passar as férias. Aqui falamos que “estamos entre o mar e a montanha”. Temos as montanhas Dolomitas, patrimônio da Unesco, onde se encontra a cidade de Cortina D’Ampezzo, que será palco das Olimpíadas de Inverno de 2026. Temos a cidade de Veneza, única no mundo. Temos Verona, a cidade de Romeu e Julieta etc... É difícil elencar todos os locais turísticos que vocês poderão conhecer aqui no Vêneto.

O que você mais gosta na Itália?
A região onde vivo proporciona muitos pontos positivos como saúde, segurança, educação, que influenciam diretamente na sua qualidade de vida. Vale ressaltar a questão da desigualdade social, que não é como no Brasil, fazendo assim com que, além da minha família, outras também possam usufruir dos pontos positivos que eu mencionei.

Pra fechar, deixe uma última uma mensagem a todos os seus amigos e conhecidos em Curitiba e no Paraná...
Quero pedir a todos, neste momento, para que se previnam. Primeiramente, façam o isolamento social, neste momento. Caso tenham a necessidade de sair de suas casas, utilizem máscaras de proteção e luvas. Isso será necessário por um período, mas o tempo desse período dependerá de todos nós, com cada um fazendo a sua parte.

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