"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade" George Orwell

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Cafeinado: A inauguração do Terminal Intermodal de Maringá e sua 'paternidade'

Vai demorar bastante para Maringá ter outra festa como a da noite desta sexta-feira (28). Sem fogos de artifício (proibido por lei na cidade), mas com a devida pompa e com apresentação da Orquestra Filarmônia do Paraná, foi inaugurado o grandioso Terminal Intermodal, que facilitará e muito a vida dos usuários do transporte público municipal e metropolitano, além de revitalizar o centro.

A data é histórica para todos os maringaenses, sendo ainda mais especial para o prefeito Ulisses Maia (PDT). Sua gestão ficará marcada como aquela que entregou à comunidade uma das maiores obras da história de uma cidade que já nasceu planejada. "Maringá finalmente tem um terminal digno", comentou o prefeito.

No entanto, como em toda grande obra, o novo terminal não tem um só pai. Várias outras autoridades reivindicam a "paternidade", sem incorrer nisso em exagero ou falsidade. Obras desse porte atravessam gestões e envolvem mais que uma esfera de poder. Sem verba federal, por exemplo, o projeto não teria saído do papel, por maior que fossem os esforços municipais.

"Tenho muito orgulho de ter participado da busca dos recursos do financiamento da Caixa, assinado em 2014, que deu início a esta obra, que já prevê a integração com o veículo leve sobre trilhos (VLT), que será nosso metrô em Maringá", comentou o deputado federal e ex-prefeito Ricardo Barros (PP), em seu perfil no Facebook, em vídeo gravado no dia da inauguração do terminal.

Muitos esforços foram somados, mas a maior parte do crédito ficará com Ulisses. É fato: o eleitor assimila mais um feito pela entrega de sua obra do que pela fase de projetos na prancheta. Foi assim também com o rebaixamento da linha férrea para a construção do Novo Centro, entregue pelo ex-prefeito Silvio Barros (PP), mas iniciada em 1985, na gestão Said Ferreira. E também no caso do Contorno Norte, inaugurado por Carlos Roberto Pupin (PP), mas iniciado por seu antecessor, Silvio Barros.

Números
Com investimento de R$ 56 milhões, nos cálculos da Prefeitura de Maringá, o Terminal Intermodal ocupa uma área total de quase 30 mil m² (com 22,3 mil m² de construção). São 44 pontos para embarque e desembarque de passageiros e 66 linhas de ônibus. Cerca de 30 mil pessoas devem passar pelo terminal por dia. No segundo piso, haverá praça de alimentação de perfil popular, em fase de licitação.

Belíssima vista do Terminal Intermodal na noite de inauguração – Foto: Rafael Silva
Fotos
O que não faltou foram fotos do Terminal Intermodal em sua noite de lançamento. As melhores que eu vi desse evento histórico são do competente fotógrafo Rafael Silva, compartilhadas por Ulisses Maia. Tive o prazer de trabalhar com Rafael no jornal O Diário, por vários anos. Aqui o perfil dele no Instagram.



Nome do Terminal
Oficialmente batizado como Terminal Intermodal Dr. Said Ferreira, a obra presta homenagem ao médico que foi prefeito de Maringá por duas gestões (1983/1988 e 1993/1996). Segundo o site da Prefeitura, foi Said quem criou a Urbamar, "empresa encarregada de iniciar a transferência do pátio de manobras para os limites da cidade, viabilizando a implantação do Novo Centro, com rebaixamento da linha férrea".

Irma Ferreira, viúva de Said Ferreira, descobre busto do ex-prefeito, junto com Ulisses Maia e o presidente da Câmara, Mário Hossokawa – Foto Aldemir de Moraes/PMM

E a Dilma?
Mensagem do leitor do Café Caio Martins: "Ninguém está falando sobre a verdadeira mãe do Terminal de Intermodal, a presidenta Dilma Rousseff". Em março de 2013, o então prefeito de Maringá, Roberto Pupin, agradeceu pessoalmente Dilma pela liberação de recursos do PAC 2 para as obras do novo terminal urbano da cidade.

"Homem de bem"
Mudando de assunto, frase dita pelo acusado do estupro e morte da bailarina Magó: "É triste ver um povo que tem medo de ser governado por um militar, mas se orgulha em apoiar um presidiário". O indivíduo, de 41 anos, mais um que se dizia "homem de bem", foi preso nesta sexta (28) em Apucarana.

Band Entrevista
A presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismmar), Priscila Guedes, será a entrevistada deste fim de semana no programa apresentado pelo jornalista Milton Ravagnani. O bate-papo sobre a pauta de reivindicações dos servidores municipais foi gravado antes do feriadão de Carnaval. A entrevista será exibida pela TV Maringá, neste sábado (29), às 18h50.

Chama o Milton
Lembra do slogan de campanha “Chama o Meirelles”. Na TV Maringá (Band), sempre que é necessário pôr a casa em ordem, rola um “Chama o Milton”. A informação é de que Ravagnani está de volta à emissora (e não apenas ao Band Entrevista), onde já foi editor-executivo do Metro, apresentador do extinto Jornal da Tarde e do programa Band Notícias. A emissora já conta, na rádio Band News, com o competente Amaro de Oliveira.

Tutorial de maquiagem
Sabe aqueles vídeos que você precisa (mesmo) assistir várias vezes? Um deles é intitulado “Blogueirinha do fim do mundo”, da atriz Maria Bopp. Beleza, inteligência, senso crítico, humor sarcástico, tudo num vídeo só. É um tutorial de maquiagem imperdível, mesmo para os homens. Assista:


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Estar grátis para doadores de sangue gera dúvidas sobre inconstitucionalidade

28/02/2020

O projeto de lei que prevê isenção do pagamento do Estar (estacionamento rotativo), por até quatro meses, para doadores de sangue em Maringá terá de percorrer o trâmite normal pelas comissões permanentes da Câmara Municipal. Na sessão ordinária desta quinta (27), o autor do projeto, Odair Fogueteiro (PDT), pediu a retirada do regime de urgência.

Odair Fogueteiro defendeu o projeto Salvando Vidas no grande expediente: "O projeto não morreu"
Fogueteiro percebeu que a concessão do benefício aos doadores de sangue, por meio do projeto denominado "Salvando Vidas", poderia ser rejeitado na urgência sob a alegação de inconstitucionalidade. Se isso ocorresse, proposta similar só poderia voltar a ser discutida em 2021.

"Para abranger melhor a discussão do projeto, vamos pedir a suspensão da urgência, não o arquivamento do projeto", comentou Fogueteiro. "Assim, [o projeto] poderá tramitar de uma forma mais tranquila nas comissões", acrescentou o vereador.

Um dos vereadores ouvidos pelo Café com Jornalista disse, em off, que o projeto não seria aprovado, por haver norma federal vetando esse tipo de vantagem a doadores de sangue. "Todavia, São Paulo fez algo similar e lá passou", comentou o parlamentar, sobre um dos argumentos que Fogueteiro certamente apresentará para sustentar seu projeto.

"Não é inconstitucional. O projeto pode tramitar", disse Fogueteiro, que se dispõe a fazer ajustes na proposta para garantir a aprovação. Ele ressaltou que a carteirinha de doador já garante outros tipos de vantagens, como a meia-entrada em eventos culturais, não sendo inconstitucional por esse motivo.

O projeto demandará atenção especial da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por dar o parecer sobre a constitucionalidade ou não das matérias em trâmite no Legislativo. 

Cotação do dólar bate novo recorde e supera a marca de R$ 4,50

28/02/2020

Perdeu a aposta quem afirmou que era só tirar a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para fazer o dólar despencar. No governo Bolsonaro, a moeda norte-americana segue batendo recordes, chegando ao patamar de R$ 4,50 nesta quinta-feira (27).


Diante das tensões econômicas causadas pelo novo coronavírus, o dólar abriu o dia em alta, chegando a R$ 4,5016 por volta do meio-dia. A moeda encerrou o dia com pequeno recuo, negociada a R$ 4,4764. A alta de 0,8% no fechamento representa um recorde nominal (desconsiderada a inflação) histórico. O dólar turismo foi negociado a R$ 4,67 (na média).

Nunca antes – como diria o ministro da Economia, Paulo Guedes – foi tão caro viajar para a Disney.   


Câmara concede título de cidadão benemérito a Gilmar do "Méqui"

28/02/2020

O empresário Gilmar Leal Santos é o novo cidadão benemérito de Maringá. O título foi aprovado pela Câmara Municipal, na sessão ordinária desta quinta (27), por meio do projeto de lei 15.416/2019, de autoria dos vereadores Mário Verri (PT) e Jean Marques (PV).

Mário Verri (foto) e Jean Marques foram os proponentes da homenagem
Coube a Verri apresentar na tribuna o extenso currículo do homenageado. Natural de Apucarana, Leal, 59 anos, foi funcionário da Copel e da Banestado Informática no início de sua carreira profissional. Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) deixou um emprego promissor na IBM para empreender.

Gilmar Leal – Arquivo Pessoal
Conhecido como Gilmar do "Méqui", mudou-se para Maringá em dezembro de 1996. Na cidade, é proprietário das unidades do McDonald's, de inúmeras outras franquias e da rede Cineflix de cinemas, gerando centenas de empregos. "Gilmar também já foi empresário do ano de Maringá [em 2018]", comentou Verri. "Quem tem a oportunidade de conviver com ele, sabe de sua simplicidade", acrescentou.

Poeta, Leal é reconhecido como um dos grandes incentivadores da cultura local. "Sua história, por si, já demonstra o quanto ele tem sido importante para Maringá na área empresaria e cultural. Ele é daqueles brasileiros que começou simples e construiu sua história através de muita dificuldade", disse Marques.

O projeto foi aprovado por unanimidade. Eram necessários dez votos para aprovação o projeto. Segundo Marques, a data da entrega da outorga ainda não foi definida.

Cafeinado: Servidores definem pauta de reivindicações com 14,11% de reajuste

28/02/2020

Os servidores municipais de Maringá pedem 14,11% de reajuste nos salários. Essa é principal pauta da categoria na campanha salarial deste ano, que inclui uma ampla lista de reivindicações gerais e específicas dos trabalhadores da Prefeitura. Realizada no Auditório Luzamor, na noite desta quinta (27), essa foi a primeira assembleia conduzida pela nova presidente do Sismmar (sindicato da categoria), Priscila Guedes.

Entre as pautas gerais também se destacam o pedido de aumento do vale-alimentação dos atuais R$ 337,50 para R$ 500, com redução da contrapartida de 18,5% para 1%; e o pagamento de auxílio saúde para os aposentados da Prefeitura no mesmo valor do vale pago aos trabalhadores da ativa. Os benefícios não impactam no limite da folha de pagamento.

Assembleia foi realizada no Auditório Luzamor – Foto: Phill Natal/Sismmar

Ilaese
A assembleia definiu as reivindicações pautada em dados do Instituto Latino Americano de Estudos Socioeconômicos (Ilaese), que aponta margem nas contas do município para concessão de reajuste acima da reposição da inflação. O Ilaese serve de referência para os sindicatos ligados à CSP-Conlutas (central sindical da atual diretoria do Sismmar), assim como o Dieese para os sindicatos ligados à CUT (central sindical da diretoria anterior).

Mesa de Negociação
A primeira reunião da mesa de negociação do Sismmar e comissão com sete servidores com o governo Ulisses Maia (PDT) ocorrerá segunda (2), no Paço. O prefeito será representado pelo chefe de Gabinete, Domingos Trevisan, e secretários. O resultado da reunião será apresentado para a categoria em assembleia, terça (3), novamente no Luzamor.

Expectativa
Por se tratar de ano de eleições municipais, há entre os servidores a expectativa de conquistas acima da média das campanhas salariais anteriores. O peso da categoria é grande. Se consideradas suas famílias, os 13 mil servidores municipais de Maringá representam um universo de aproximadamente 40 mil eleitores. Um abacaxi para Ulisses (mais popular entre os servidores do que os ex-prefeitos Silvio Barros e Roberto Pupin) descascar. 



Inflação
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi de 0,22% em fevereiro, o menor resultado para o mês desde o início do Plano Real (1994). A inflação por esse índice soma 4,21% no acumulado dos últimos 12 meses. Isso na teoria. Quem vai ao mercado e paga boletos sempre suspeita de uma inflação real maior do que a oficial. Medido pelo IBGE, o IPCA serve como referência para a inflação dos alimentos.

Luzamor I
Palco da assembleia os servidores, o Auditório Luzamor poderá ser desapropriado pelo poder Executivo. É o que prevê um projeto de lei, em trâmite na Câmara Municipal, que declara o prédio de utilidade pública. Autor da proposta, o vereador Onivaldo Barris (sem partido) pediu o adiamento da votação do projeto por duas sessões.

Luzamor II
Vizinho ao Parque do Ingá, o Luzamor é um dos mais belos auditórios de Maringá – com uma fachada que é um dos cartões-postais da cidade (foto abaixo). Como o prédio tem enfrentado problemas de conservação, uma eventual desapropriação teria por objetivo a preservação deste que é um dos "templos" da arte e da cultura maringaense. Seu tombamento é cogitado há alguns anos.

PS.: Leitor dos mais qualificados, Tiago Valenciano lembra que o tombamento ocorreu em 2016. Errata feita! Segue a lista de prédios tombados no município


A bela fachada do Auditório Luzamor
Mega-Sena
Duas apostas acertaram as seis dezenas do concurso 2237 da Mega-Sena, que estava ultra-acumulada. Os felizardos, de Rio Branco (AC) e Fortaleza (CE), vão dividir o prêmio de aproximadamente R$ 211,6 milhões. Segundo a Caixa, desconsiderando a Mega da Virada, esse foi o segundo maior prêmio pago na história dos concursos regulares.

Na trave!
No mesmo sorteio, 263 apostas acertaram a quina, faturando R$ 44,5 mil cada. Diria que dá para pagar algum boleto com essa soma ou, ainda, para tomar alguns cafezinhos em Paris. O Fato Maringá foi o primeiro site a informar que um apostador da cidade está entre os acertadores das cinco dezenas. A aposta foi feita na Lotérica Mandacaru.

Terminal
Chegou o grande dia! Ocorre nesta sexta (28) a tão aguardada inauguração do Terminal Intermodal de Maringá (leia mais aqui). Para preparar os passageiros para a nova estrutura, a Prefeitura divulgou um vídeo bem didático (e com sotaque maringaense), apresentado pela jornalista Camila Lucio. Assista:





quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Assembleia de jornalistas discute Convenção Coletiva de Trabalho nesta quinta (27)

27/02/2020

O Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná realiza, nesta quinta (27), assembleia para discutir a Convenção Coletiva de Trabalho 2020/2012. Todos os jornalistas estão convocados.

A assembleia será realizada de forma simultânea em Londrina e em Maringá, com início às 19h30 e segunda convocação às 20 horas.



Na Cidade Canção, será na sede do Sindicado dos Trabralhadoers em Estabelecimentos de Ensino de Maringá (Sinteemar), na Rua Professor Itamar Orlando Soares, 357. Em Londrina, será na sede do Sindijor, na Rua Paulo Kawassaki, 36.

Nova regra para eleição proporcional preocupa pré-candidatos a vereador

27/02/2020

Uma nova regra para as eleições municipais deste ano tem tirado o sono de pré-candidatos a vereador. A proibição da coligação proporcional – permitida nos pleitos anteriores, mas que agora só será aceita para a eleição majoritária (de prefeito) – fará com que o quociente eleitoral seja mais difícil de ser alcançado pelas chapas puras dos partidos, aumentando o risco de candidatos bem votados ficarem sem um cadeira na Câmara.

Nesse novo cenário, os 15 vereadores sabem que nunca antes a escolha do partido foi tão determinante para a reeleição. Assunto recorrente entre os parlamentares e em seus gabinetes, essa decisão precisará ser tomada até 3 de abril, data limite do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para filiação dos candidatos ou troca de partido.

Vereadores, prefeito e vice-prefeito na diplomação da atual legislatura, em dezembro de 2016 – Foto: CMM
 
"É uma eleição diferente de todas as que enfrentamos até agora", diz Mário Hossokawa (PP), presidente da Câmara de Maringá. "Existe uma grande preocupação por parte de todos os vereadores sobre qual partido seria a melhor opção", acrescenta o vereador.

A escolha por um partido com vários candidatos de peso pode fazer com que nomes bem votados fiquem na suplência. Em 2016, por exemplo, a forte coligação do PP/PPS elegeu Hossokawa, Flávio Mantovani e Belino Bravin, deixando Carmen Inocente como suplente. "Ela fez quase 3.600 votos e ficou de fora, enquanto teve gente que fez pouco mais de 2.000 e se elegeu", lembra o presidente da Câmara.

Em contrapartida, a opção por uma legenda menor – com um quadro fraco de candidatos – pode deixar um "puxador de votos" sem cadeira no Legislativo, caso o quociente eleitoral não seja atingido pela sigla. "Partidos pequenos não conseguem montar o quadro de 23 candidatos", explica Hossokawa.   

Regra dos 10%

Nas eleições de 2020, não bastará ao partido ter um quadro completo de candidatos a vereador, incluindo a cota mínima de 30% de mulheres. Segundo a advogada especialista em Direito Eleitoral, Diana Câmara, só será eleito o candidato que atingir 10% do quociente eleitoral. "A nova regra tem a finalidade de evitar que candidatos com votações muito baixas sejam eleitos pelos puxadores de votos", diz a especialista.

Caso as 15 vagas da Câmara de Maringá não sejam preenchidas pelos partidos que alcançarem o quociente eleitoral, respeitada a regra dos 10%, as demais cadeiras serão ocupadas pela chamada "distribuição das sobras" – cálculo que inclui os partidos que não atingem o quociente eleitoral. Nas sobras, apenas os mais votados dos partidos menores teriam chance de ser eleitos.

Para o jornalista e advogado Milton Ravagnani, as novas regras eliminarão a figura do candidato ruim de voto que chega ao Legislativo graças ao puxador de votos, exigindo dos partidos a composição de uma chapa de peso caso queiram conquistar mais de uma cadeira na Câmara. "Os candidatos com menos de mil votos se tornarão indesejáveis para os partidos", comenta Ravagnani.



Ruim para todos

Ainda que esse cenário acarrete certa vantagem aos partidos mais bem estabelecidos e aos candidatos mais conhecidos (em detrimento dos marinheiros de primeira viagem), a nova regra tem preocupado até os políticos mais experientes. "Com a impossibilidade de coligação na proporcional ficou ruim para todos. Não dá mais para lançar candidatos que não tenham chances reais de uma votação expressiva", diz o ex-vereador e pré-candidato John Alves, que já presidiu a Câmara de Maringá. 

Na leitura de John e Ravagnani, pouquíssimos partidos atingirão o quociente com o fim da coligação proporcional. Dois ou três, talvez. Se isso se confirmar, haverá uma pulverização de partidos, com a eleição apenas do mais votado das siglas menores. "Muita gente com votação expressiva vai ficar de fora", avalia John.

Segundo Hossokawa, os partidos precisam fazer o dever de casa, compondo uma chapa capaz de garantir o quociente eleitoral, que é o total votos válidos dividido pelo número de cadeiras (15 em Maringá). Na eleição de 2016, o quociente eleitoral foi de 12.619 votos, garantindo ao menos uma cadeira para as coligações que superaram essa marca. Caso fossem 23 cadeiras (limite legal para o Legislativo maringaense), o quociente teria sido de 8.230 votos.

Renovação

Como se as novas regras, por si só, não conferissem dificuldades suficientes aos vereadores que almejam a reeleição, há ainda o obstáculo da renovação, uma tradição em Maringá. "Historicamente, a renovação da Câmara é alta. Na maior parte das vezes, situa-se em dois terços (2/3) das cadeiras", lembra o historiador da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Reginaldo Dias. Se prevalecer a média, apenas cinco dos 15 vereadores estarão na próxima legislatura (2021/2024).

A história também não favorece John e outros ex-vereadores que tentarão retornar à Câmara. Segundo Dias, casos como o de Hossokawa e Altamir dos Santos (PSD) – que não foram reeleitos no passado, mas que conseguiram voltar ao Legislativo em 2016 – são raros. 

Paranaense que vive na Itália relata clima de tensão causado pelo coronavírus

27/02/2020

O economista curitibano Cassio Bellio, que vive com sua família na região do Vêneto, relatou em seu perfil no Facebook o clima de tensão causado pela proliferação do novo coronavírus Covid-19 no país europeu. Segundo o paranaense, a cobertura da mídia só faz aumentar a sensação de pânico.

"Atualizando as informações aqui de Treviso. Até este momento, foram contaminadas 325 pessoas, com 11 mortes. Ontem, ocorreu a primeira morte em Treviso. O governo ordenou o fechamento de escolas, universidades, locais onde possam acontecer aglomeração de pessoas. Partidas de futebol aconteceram com o estádio fechado. Nesta semana, o vírus está se propagando, mas a sensação de pânico que a mídia transmite aqui é maior do que esse vírus", escreveu Bellio.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em coletiva à imprensa nesta quarta (26) – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O relato é da noite de terça (25). De lá para cá, o número de casos confirmados aumentou. Na noite desta quarta (26), a Itália já contabilizava 374 pessoas infectadas, com o número de mortes subindo para 12. A mais recente vítima tinha 69 anos. O país é o mais afetado pelo coronavírus na Europa.

Veio da Itália, aliás, o primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil. Trata-se de um morador de São Paulo, de 61 anos, que esteve recentemente na Lombardia, uma das regiões italianas mais afetadas pela doença. O caso brasileiro é foi também o primeiro registrado na América do Sul.

Segundo relatório do Ministério da Saúde, divulgado na quarta à tarde, além do único teste positivo para a doença, o Brasil tem 20 casos suspeitos de coronavírus – nenhum deles no Paraná. O homem infectado passa bem.

Economia

O avanço da doença teve reflexos no mercado financeiro. Segundo matéria da Agência Brasil, os receios quanto ao impacto do novo coronavírus sobre a economia mundial contribuíram para a sexta alta seguida do dólar, que agora se aproxima de R$ 4,50, fechando a quarta-feira a R$ 4,444. A bolsa de valores, por sua vez, caiu 7%, a maior baixa diária em quase três anos.

Livro "O Sol de um Novo Jeito" narra a experiência de imigrantes no Brasil

27/02/2020

Escrito pelo jornalista Victor Faria, com lançamento marcado para 7 de março, o livro “O Sol de um Novo Jeito” (editora Trema) conta as histórias de uma série de imigrantes que buscam no Brasil novas oportunidades. Terra de um povo alegre que, muitas vezes, não deixa transparecer a dura realidade de preconceito e desigualdade vivida por aqueles que deixaram seus lares em busca de uma vida melhor.

Das dolorosas colheitas de amendoim, ainda no início da década de 1930 – no interior do Estado de São Paulo –, às incansáveis e cotidianas buscas por emprego nas áreas de formação, o livro narra a história de quatro imigrantes vindos de diferentes lugares e em épocas distintas. A dificuldade de
integração, para muito além da diferença de idioma ou cultura, é o elo que os une.

Jornalista Victor Faria, autor de "O Sol de um Jeito Novo"
O livro será lançado em 7 de março, às 18h30, Na TV Maringá (Band), estando disponível para compra no site da editora Trema, pelo valor de R$ 35. A obra contou com ilustrações do artista Gilberto Hein, capa e diagramação do jornalista Lucas Martinez e prefácio do jornalista Neto Del Hoyo.

“Espero que, com as histórias que trago neste livro, eu possa sensibilizar uma parcela da população que ainda hoje é avessa a estrangeiros por pura desinformação. Ninguém sai do próprio país a troco de nada. São pessoas que foram fragilizadas por conjunturas políticas, econômicas ou religiosas e que sofrem, primeiro pelo desamparo do próprio país de origem e, depois, pela falta de empatia de quem os recebe”, destacou Faria.

No decorrer dos 12 capítulos da obra, Faria apresenta as percepções de cada um dos entrevistados sobre o Brasil, as oportunidades de emprego e os objetivos futuros na nova terra. “Não é exagero dizer que este livro é um convite. Um convite para conhecer a dura realidade de quem é obrigado a abandonar sua terra”, diz o autor do prefácio, Neto del Hoyo.

O autor

Victor Duarte Faria nasceu em Jaboticabal (SP), em 11 de fevereiro de 1994. Em 2014, mudou-se para Maringá, onde cursou Jornalismo. Teve passagens pelos jornais O Diário e Metro. Foi produtor e pauteiro da TV Maringá (Band) e âncora de um dos noticiários da Band News FM Maringá, ocasiões em que pôde conhecer um pouco mais da realidade vivida pelos imigrantes e refugiados do município.

Cafeinado: Projeto sobre legalização da eutanásia repercute na Câmara de Maringá

Sob protestos de grupos religiosos, o Parlamento Português aprovou, na quinta passada, cinco projetos de lei que dispõem sobre a legalização da eutanásia no país europeu. A aprovação ocorreu na chamada generalidade e, agora, os deputados precisam se debruçar sobre as cinco propostas para definir as regras da lei definitiva – que ainda poderá ser vetada pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O tema é demasiadamente polêmico, tanto é que o assunto repercutiu do lado de cá do Atlântico. Na Câmara de Maringá, na sessão de quinta (20), o vereador Sidnei Telles (PSD), falou no pequeno expediente sobre a eutanásia em Portugal. Católico praticante que é, obviamente, o vereador se posicionou contra o suicídio assistido. Em Portugal, a Igreja Católica lidera a oposição ao projeto.

Vereador Sidnei Telles (PSD) – Foto: CMM
Maringá
Mais conservador que Portugal, o Brasil não deve discutir tão cedo uma lei sobre eutanásia – assim como não o faz sobre o consumo de maconha, já descriminalizado no vizinho Uruguai. Num futuro distante (bem distante, talvez), quando o suicídio assistido estiver de fato em pauta no Congresso Nacional, lembraremos que Telles foi o primeiro (entre os políticos, pelo menos) a abordar o tema, publicamente, em Maringá.




Pré-candidato
O ex-vereador John Alves, que já presidiu a Câmara Municipal, vai disputar uma cadeira no Legislativo maringaense. Ele tem confirmado sua pré-candidatura nos cafés da cidade, sem antecipar o time escolhido. Ex-PMDB (atual MDB), John encontraria dificuldades para concorrer pela sigla hoje comandada pelo vice-prefeito Edson Scabora. Uma alternativa, segundo John, seria disputar por uma chapa que contará, inclusive, com vereadores da atual legislatura.

Estar gratuito
A Câmara aprecia na sessão desta quinta (27), em regime de urgência, projeto do vereador Odair Fogueteiro (PDT) que institui o projeto Salvando Vidas. A proposta prevê isenção do pagamento do Estar, por até quatro meses, para doadores de sangue em Maringá. Além dessa pauta, serão discutidos outros 12 projetos de lei e 28 requerimentos.

Não é fake
O presidente da República, Jair Bolsonaro, compartilhou vídeo no WhatsApp convocando a população para manifestação contra o Congresso e o Supremo. Apesar de bolsonaristas terem se apressado em dizer que se tratava de fake news, na verdade, trata-se de mais um absurdo cometido pelo atual presidente. Congressistas, ministros do Supremo e instituições repudiaram o fato.

FHC
Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a situação é grave. "A ser verdade, como parece, que o próprio presidente tuitou convocando uma manifestação contra o Congresso, estamos [a democracia] com uma crise institucional de consequências gravíssimas. Calar seria concordar. Melhor gritar enquanto se tem voz", disse FHC, notório comunista na lista da extrema-direita.

Atentado à democracia
Um golpe poderia estar a caminho? O filósofo Henry Bugalho analisa esse risco em seu canal no YouTube, relembrando outros ataques do atual governo à democracia. Assista:



Coronavírus x Dengue
O primeiro caso do novo coronarírus registrado no Brasil causou o maior alvoroço na imprensa. No Jornal Hoje desta quarta (26), por exemplo, o coronavírus ganhou quase 15 minutos de cobertura, o que é uma eternidade no noticiário televisivo. Em contrapartida, a epidemia de dengue, que assola grande parte do país, não ganhou um único segundo no mesmo telejornal.

Medo desproporcional
Comentei na coluna de quarta (26) sobre o medo desproporcional do coronavírus, que ainda não matou (felizmente) nenhum brasileiro. A dengue, em contrapartida, já custou a vida de 23 paranaenses desde julho de 2019. Em epidemia de dengue, Maringá já registrou duas mortes pela doença transmitida pelo Aedes aegypti. Ainda assim, o coronavírus ganha de goleada no noticiário. Tudo pela audiência. 

Boa notícia
Altamente contagioso, o novo coronavírus não tem se mostrado letal em crianças. Nos milhares de casos registrados pelo mundo, nenhuma criança morreu em decorrência da doença. Em alguns casos, os sintomas nos pequeninos são equivalentes a de uma gripe fraca. Outra boa notícia: ao contrário da dengue, o clima quente dificulta a transmissão do coronavírus. 

O Diário
Facebook me lembra que já faz dois anos desde que colegas de redação e este editor do Café fizemos uma greve histórica no jornal O Diário pelo pagamento de meses de salários atrasados. Uma greve que só ocorreu após esgotadas todas as alternativas de negociação para o pagamento dos valores devidos. Sr. Frank Silva não negociou com o sindicato e não pagou. O caminho dos grevistas foi a rescisão indireta. Saudações a todos que tiverem coragem de lutar para receber seus salários.

Desabafo
Nada é mais enjoativo nos intervalos comerciais do que o jingle do BBB 2020. "Ô BBB // Gosto mais de você // Do que de mim // Do que de mim". Para quem quiser rasgar dinheiro, digo, assinar o BBB, o plano mensal no Globoplay custa R$ 21,90. Em 2019, escrevi uma crônica sobre o Big Brother (se interessar, clique aqui).

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Terminal Intermodal será inaugurado nesta sexta

26/02/2020

A sexta-feira (28) será marcante para os maringaenses e para a atual administração municipal. Nessa data ocorrerá a tão aguardada inauguração do Terminal Intermodal, maior obra entregue pela gestão do prefeito Ulisses Maia (PDT) – tendo sido iniciada por seu antecessor, Carlos Roberto Pupin (PP).

Terminal Intermodal de Maringá – Foto: Aldemir de Moraes / PMM
Batizado como Terminal Urbano Dr. Said Ferreira, o terminal central de passageiros do transporte público municipal e intermunicipal atenderá 30 mil pessoas por dia. Ainda segundo dados da Prefeitura de Maringá, o obra de 22,3 mil m² tem uma área construída quatro vezes maior que o antigo terminal, demolido para dar lugar à nova estrutura.

São 44 baias para ônibus de 66 linhas. Cada baia tem um totem com 2 metros de altura por 50 centímetros de largura, tendo o número e nome da linha adesivados. Um Centro De Controle Operacional (CCO) conta com ferramentas de segurança com equipamentos eletrônicos.

Aberto e sem catracas, o terminal conta com banheiros, bancos de espera, bicicletário e espaço de descanso para os motoristas. Os ônibus das linhas metropolitanas pararão no lado externo, como era no terminal anterior. O acesso entre térreo e o piso superior será feito por jogos de escadas rolantes e mais três elevadores.

A inauguração, no entanto, ainda não inclui a praça de alimentação, a qual terá licitação, em breve, para definir a empresa que administrará as lojas do piso superior. São 14 lojas e 12 pontos de alimentação, além de seis quiosques no piso superior e quatro no térreo.

Festa
A inauguração terá uma festa à altura da obra, com apresentação gratuita da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP), dentro do terminal. Veja os detalhes no site da Prefeitura.



Entrevista – Alex Chaves: "Estarei com Ulisses Maia nestas eleições"

26/02/2020

Sexto vereador eleito mais votado de Maringá nas eleições de 2016, com 3.240 votos, Alex Chaves chega ao último ano de seu primeiro mandato com duas responsabilidades de peso: 1) Mediar a relação entre o Executivo e o Legislativo, em tempos de aumento da oposição ao atual governo; 2) Reconduzir o "velho MDB de guerra" à conquista de cadeira no Legislativo maringaense, o que não ocorre desde as eleições de 2008. 

Há cerca de um ano, Chaves assumiu a função de líder do governo na Câmara, num cenário menos favorável que o de seu antecessor no posto, Jean Marques (PV). Em relação ao primeiro ano do mandato do prefeito Ulisses Maia (PDT), o número de opositores na Casa de Leis subiu de um para três (eventualmente, quatro). Nada que inviabilize uma base de apoio, segundo Chaves.

A segunda responsabilidade é no campo eleitoral. Com o fim do PHS, Chaves se filiou ao MDB do vice-prefeito Edson Scabora. Sua permanência na Câmara dependerá da bem-sucedida jornada da sigla na conquista de uma cadeira no Legislativo. Chaves esconde o jogo sobre a composição da chapa, mas garante que o MDB terá "um time forte" para atingir o quociente eleitoral – votação mínima para garantir, pelo menos, uma cadeira no parlamento.

Na primeira entrevista na reestreia do Café com Jornalista, Chaves antecipa apoio a Ulisses – independentemente de quais venham a ser os candidatos a prefeito – e também comenta sobre ações na assistência social, uma das suas principais áreas de atuação. Confira.


Vereador Alex Chaves (MDB) – Foto: CMM

Café com Jornalista – Em abril de 2019, o sr. assumiu como liderança do governo municipal na Câmara, após a renúncia de Jean Marques (PV). Na opinião de muita gente, um pepino. Como tem sido o desempenho da função?
Alex Chaves Tem sido uma honra. Amo Maringá, e ter a oportunidade de ver e discutir com o prefeito e secretários os projetos que a tornam a melhor cidade do Brasil é uma experiência única. Claro que é um desafio, pois tenho que me preparar sobre o conteúdo que vou apresentar, mas essa oportunidade tem me feito aprender muito sobre gestão e políticas públicas que fazem a diferença na cidade.

No posto de líder do prefeito, qual foi sua maior dificuldade até o momento?
A grande missão até o momento foi mostrar que eu aceitei o convite para ser a ponte transparente entre o prefeito e a Câmara, e [mostrar] que tenho minhas convicções e conceitos e eu as defendo, não sendo mais do mesmo. Também tive de adaptar a rotina do meu gabinete, meus projetos e requerimentos com a nova função e a carga que ela trazia. Acabei sofrendo para pegar o jeito, minha assessoria também teve essa dificuldade, falhamos em alguns momentos, mas logo peguei o ritmo.

O número de vereadores que fazem oposição prefeito, ainda que parcialmente em alguns casos, aumentou de um (no primeiro ano do governo) para quatro. Há algum risco de o prefeito Ulisses deixar de ter uma base mínima de apoio na Câmara para aprovar projetos de interesse do Executivo?
Acredito que não. O prefeito Ulisses Maia já foi vereador e respeita muito a casa legislativa. Ele nunca obrigou ninguém a fazer nada, respeitando muito todos vereadores. Ele apresenta projetos que são bons para a cidade e que corrige várias injustiças relacionadas aos servidores. Para os vereadores, isso é muito bom.

Semana passada, na prestação das contas do terceiro quadrimestre de 2019, com superavit de R$ 182,4 milhões, alguns vereadores disseram não terem recebido do município o balancete antes da apresentação dos dados. Carlos Mariucci (PT) contrariou esses colegas, dizendo que foi repassado. O que houve de fato?
O secretário mandou um e-mail cinco dias antes da apresentação [das contas]. O vereador teve alguma dificuldade para acessar e acabou compartilhando a matéria um dia antes para os vereadores, porém, vale dizer que, desde o dia 31 de janeiro, estava no portal da transparência para qualquer cidadão acessar. Não vejo motivo para a reclamação feita.

Para quem vê de fora, esta legislatura foi marcada pelo antes e depois das eleições de 2018, quando dois vereadores foram eleitos deputados estaduais. É só impressão ou o clima entre os vereadores ficou mais harmonioso desde então?
Acho que é só impressão. Ali tudo é muito dinâmico e acontece muito rápido. Eu tento ter bom relacionamento com todos os vereadores, não tenho inimigos na vida pública, apesar de posicionamento diferentes. Tento separar as coisas.

Com o fim do PHS, o sr. mudou para o "velho MDB de guerra", como diz o ex-senador Roberto Requião. O sr. vai disputar a reeleição?
Sim, sou pré-candidato a vereador.

Não há qualquer receio de sua parte na escolha de um partido que, na cidade, há tempos não elege um único vereador? Vale recordar o caso de Mário Hossokawa (PP), atual presidente da Câmara, foi o quarto mais votado em 2012, quando era do PMDB, mas ficou de fora porque o partido não alcançou o quociente eleitoral...
Infelizmente, o momento político do Brasil faz com que todas as siglas tenham um grande desgaste. Eu sempre fui do PHS, e só saí porque o partido acabou. Estou tranquilo e trabalhando para a população. Acredito que, apesar de tudo, teremos vereadores eleitos [pelo MDB] sim.

Nesta eleição, a grande novidade será o impedimento de coligações para eleição proporcional, ou seja, os partidos só poderão se coligar para a eleição para prefeito, majoritária. Que nomes de expressão o MDB já está reunindo, além do seu, para montar uma chapa com chances de atingir o quociente eleitoral?
Teremos uma chapa completa e muito forte. Não vou citar nomes para não ser injusto, pois todos têm um grande potencial.

Na eleição passada, o sr. apoiou o candidato Silvio Barros. Desta vez, apoiará Ulisses mesmo que, porventura, o ex-prefeito seja candidato novamente?
Sim, sou o líder do prefeito na Câmara e estarei com o Ulisses Maia nesse pleito. Tenho projetos a médio e longo prazo que estou construindo com ele e seu grupo político.

O sr. teve uma importante passagem Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sasc) de Maringá, cargo que o prefeito Ulisses também já ocupou. Quanto do seu capital eleitoral deve-se àquele trabalho?
As pessoas me conheciam pelas palestras e por ser professor antes de entrar na vida pública, quando levantei a bandeira da luta contra as drogas e a dependência química, a sociedade maringaense viu meu comprometimento com essa causa que destrói tantas famílias. Tenho certeza de que estou vereador porque tive a oportunidade de ajudar muitos jovens a vencer as drogas e muitas famílias a encontrar a paz novamente. Esse assunto é muito sério e dói demais ver uma pessoa perdendo amigos, emprego e até sua autoestima por causa das drogas. Meu compromisso é de continuar lutando para que nenhuma família perca seus filhos para as drogas.

Falando em assistência social, o problema dos usuários de drogas em próprios públicos como a Raposo Tavares tem solução?
Com a atual política sobre drogas, infelizmente, dependemos da vontade da pessoa [do usuário] para encaminhar para tratamento. É muito triste ver uma pessoa se destruindo, você ter a vaga para a internação e não poder obrigar a pessoa a aderir ao tratamento. Porém, alguns avanços e conceitos estão mudando, quem sabe no futuro possamos dar a essas pessoas dignidade e oportunidade para tratamento mesmo contra a sua vontade.

A repressão policial serve, de alguma forma, nesses casos?
O trabalho é bem específico, a polícia tem de combater o tráfico de drogas e colocar na cadeia essas pessoas que destroem nossos lares. O dependente químico precisa de tratamento, de assistência social para vencer as drogas.

Se o sr. fosse o prefeito, o que faria, além das estruturas e projetos já existentes, para avançar na questão social?
Eu sempre me dedico inteiramente a tudo o que faço. Maringá é uma cidade inteligente, os munícipes são interessados em um futuro melhor para a população geral. O incentivo ao esporte e lazer seria uma boa forma de contribuir com as questões sociais.

Para encerrar, vamos citar algumas palavras referentes a questões polêmicas (ou que em algum momento já foram polêmicas), para respostas rápidas do vereador:

- Terminal Urbano:
Uma obra que demonstra o  protagonismo da sociedade maringaense. Em um momento de crise entrega uma obra que resolve os problemas atuais e os que viriam.

- Roçada em Maringá:
Ficou evidente que é necessário se preparar melhor para as próximas temporadas de verão e chuva. Com a dengue o problema se tornou ainda maior.

- Falta de vagas nos CMEIs (creches):
Existem recursos financeiros para a construção de CMEIs. A dificuldade é a contratação de servidores por conta do limite prudencial [de gastos com a folha de pagamento dos servidores]. Uma solução para os municípios é desvincular a educação da folha, mas isso depende do governo federal.

- Processo de cassação de um colega vereador:
É muito triste, gostaria de não ver isso acontecer novamente em Maringá. Nossa cidade não precisa desse desgaste.

- Dinheiro investido na Maringá Encantada:
Os números refletem um resultado muito bom. A cada R$ 1 gasto, R$ 7 retornam aos cofres públicos. As pessoas compram a ideia, e o Natal de Maringá tem tudo para ser cada vez mais bonito.

- Pista emborrachada no Parque do Ingá:
A gestão municipal entende que a reforma, da maneira apresentada, é até mais econômico a longo prazo do que se fosse apenas cimento.

- Epidemia de dengue:
Lamentável! Acredito que é hora de todos se unirem nessa luta para limpar os quintais e conscientizar a vizinhança. A dengue mata. É preciso levar a sério esse problema.

Por fim, fique à vontade para deixar uma mensagem aos seus eleitores...
Agradeço a oportunidade para prestar contas do nosso mandato para a população. O meu desejo é  continuar trabalhando com honra e coragem para que nossa cidade seja cada vez melhor. Os amigos que me conhecem, e acompanham o mandato de perto, sabem que eu não meço esforços para que a melhor solução seja aplicada às situações problemáticas. Meus dias têm sido, inteiramente, voltados à cidade de Maringá e seu bom funcionamento. Sem medidas, dedico-me ao mandato, principalmente na área em que eu mais atuo, a luta contra as drogas, para que as famílias não percam seus filhos e sua paz.



Cafeinado: Coronavírus já causa medo nos brasileiros. Mas, e a dengue?

26/02/2020

Com o avanço do novo coronavírus, o Covid-19, cresce o risco de pandemia global da doença. As primeiras mortes na Europa – 11 na Itália, até esta terça (25) – elevaram o alerta. No Brasil, parece questão de tempo para o vírus desembarcar em terras carnavalescas, fato que tem feito muita gente temer a doença por antecipação, tirando um pouco o foco de um grave problema de saúde pública que já custou muitas vidas: a dengue.  

Nos últimos dois cafés que tomei em panificadoras da cidade, ouvi comentários alarmados de mesas próximas sobre o tão falado coronavírus. “Será que vai chegar aqui? E se chegar, o que fazer? Tem de usar máscara? Não quero nem imaginar”, diziam. Sobre a dengue, nenhum alarde. 

O curioso no ser humano é o notório medo do novo, do desconhecido. A dengue, que mata brasileiros há anos, tem feito mais e mais vítimas nesta nova epidemia. Em Maringá, todo mundo conhece alguém que já teve dengue e sabe, pela imprensa, de mortes decorrentes da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Contudo, é o coronavírus, que ainda não desembarcou por aqui, que parece assustar mais.   

Sim, é questão de tempo para o novo vírus ter seus primeiros casos confirmados no Brasil. E há uma razão global óbvia: todo dia são mais de 100 mil voos no mundo, com mais de 200 mil nos dias de maior tráfego aéreo, segundo o site Flightradar24. O coronavírus vai circular, não tem jeito, da mesma forma como a dengue continuará matando, sem piedade, se não houver esforços de todos no combate ao mosquito.



Dengue
De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde, na terça (18), o número de casos de dengue confirmados no Paraná chega a 26.692 (desde julho de 2019), com 23 óbitos. No dia do boletim, o governador Ratinho Junior (PSD) assinou a liberação de R$ 5 milhões para reforçar o combate à dengue nos 118 municípios do Estado em situação de alerta ou de epidemia.


Epidemia
São 78 cidades em situação de epidemia, incluindo Maringá, com 1.554 casos confirmados e duas mortes em decorrência da doença. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), há epidemia de dengue quando o número de casos chega a 300 para cada 100 mil habitantes. Ou seja, com 423.666 habitantes, Maringá entrou na lista das cidades com epidemia de dengue ao superar os 1.271 casos. Não é motivo de sobra para temer mais a dengue que o coronavírus?



Responsáveis
Entre as pessoas que contraíram dengue, recentemente, estão as mães dos vereadores Odair Fogueteiro (PDT) e William Gentil (PTB) e o pai do vereador Alex Chaves (MDB). Culpa de quem? Segundo Fogueteiro, das pessoas que não fazem sua parte no combate aos focos do mosquito. "Muitas pessoas olham para o poder público e dizem que o mosquito é culpa do prefeito, mas a Prefeitura tem feito suas obrigações nesses meses chuvosos", disse Fogueteiro, na sessão de quinta (20).






Novo plenário
A Câmara Municipal teve, na quinta-feira (20), sua primeira sessão no novo plenário, que passou por ampla reforma no recesso parlamentar. As melhorias, ao custo de R$ 260 mil, vão desde o piso até os móveis e o painel de votação. O novo plenário já está adaptado para 23 vereadores, caso no futuro o Legislativo vote pelo aumento das 15 cadeiras (atual) para o número máximo para uma cidade do porte de Maringá.



Damares sobre o Carnaval


Carnaval de SP
A Água de Ouro conquistou, pela primeira vez, o título do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. O samba-enredo da escola exaltou a evolução do conhecimento e prestou homenagem a Paulo Freire, o educador brasileiro mais premiado no mundo. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, certamente não gostou. Nesta quarta (26), será a vez do Carnaval do Rio conhecer a escola campeã.

Folia em Maringá
Realizado no Parque de Exposições, o Carnaval de Maringá reuniu 25 mil foliões no sábado e domingo, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Cultura. Oito bloquinhos garantiram a animação. Houve campanha de conscientização, com distribuição de adesivos com as frases "Não é não", "Respeita as mina", "Não sou obrigada", "Depois do não é assédio" e "Fantasia não é convite".

Marchinha
Falando em Carnaval, vale a pena assistir à mais recente marchinha da Família Passos, Talquei? É sobre a cotação do dólar no governo Bolsonaro. Disney? Nem pensar. "Tá puto com o dólar do Bozo / Faz dancinha e tira a Dilma de novo".


Cotação recorde
O dólar bateu, nos últimos dias, a marca dos R$ 4,40 pela primeira vez na história. Trapalhadas do governo e o coronavírus – que afeta a economia global – contribuíram para a alta da moeda norte-americana. Não faltaram memes para lembrar a dica do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, antes de seu pai assumir a presidência: "Não compre dólar agora".

Para ser justo
Segundo matéria da Folha de S.Paulo, publicada na sexta (21), o recorde do dólar é nominal. A cotação atual ainda está longe do pico de R$ 4 registrado após a eleição do ex-presidente Lula. Em termos reais, consideradas as inflações brasileira e americana, o dólar empataria com a cotação do fim de 2002 se atingisse o valor de R$ 7,50.

KFC em Maringá
Dia desses, num chopinho com colegas de trabalho, comentei que já passava da hora de Maringá ter unidades de duas redes multinacionais: Starbucks e KFC (minhas favoritas). Aí, surge uma amiga me marcando em postagem do site do Rigon sobre o KFC em Maringá. A loja do melhor frango frito do mundo será inaugurada na praça de alimentação do Shopping Catuaí. Agora, só falta o Starbucks.

Livro de contos
Este jornalista que vos escreve teve a felicidade de ser selecionado num concurso nacional de minicontos, com a publicação de um texto na "Antologia Conto Brasil" (Vol.3) – leia mais aqui. Aproveito o espaço para agradecer os colegas jornalistas do Jornal do Povo, do Portal do Rigon, da revista AZ Magazine e do site O Fato Maringá pela divulgação do livro.






terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Artigo: A reposição da inflação repõe mesmo a inflação?

25/02/2020

Por Luiz Fernando Cardoso*

O INPC, índice que serve de referência para o reajuste dos servidores, fechou janeiro com inflação de 4,30% (no acumulado de 12 meses). No salário de alguém que ganhe R$ 2.000 isso representaria, por exemplo, um reajuste de R$ 86 – pouco mais que o preço de um botijão de gás de 13 kg.



O IPCA, indicador que reflete o custo de vida das famílias – sendo utilizado para medir a inflação dos alimentos, inclusive – fechou janeiro em 4,19%. As informações são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Note que a inflação dos "produtos e alimentos" ficou um pouco abaixo da inflação mais utilizada para recompor os salários. Contudo, alguém acredita mesmo que esses R$ 86 (do exemplo) restituem o poder de compra do trabalhador? O gás, os combustíveis, a carne, o plano de saúde... subiram apenas isso?

Tanto na iniciativa privada como no funcionalismo público é importante que os salários não sofram redução em seu poder de compra. Quando isso ocorre, as famílias passam a consumir menos, focando nos itens essenciais, gastando praticamente toda a renda em alimentação.

Corta-se o plano de saúde, o jantar fora de casa, a compra de um novo tênis, o passeio no shopping, a matrícula na academia, o curso de inglês, a escola particular dos filhos, o cinema, a cerveja no happy hour de sexta etc. Com a perda do poder de compra, toda a economia baseada nos salários dos trabalhadores perde, e muito!

* Editor do Café, Luiz Fernando Cardoso é graduado em Jornalismo e Máster em Jornalismo Digital 



Livro com minicontos de todo o País inclui texto de Maringá

25/02/2020

Publicado pela editora Trevo, o livro com as obras selecionadas no 3º Concurso Literário Conto Brasil já está à venda. São 112 páginas com 76 minicontos selecionados de escritores de todo o País, entre eles um de Maringá.

Segundo o editor Luís Nogueira, responsável pelo concurso, a terceira edição do prêmio recebeu mais de 500 inscrições de todo o Brasil. Os textos selecionados pela comissão julgadora estão no livro “Antologia Conto Brasil” (Vol.3). “A antologia é uma coleção que fazemos com muito carinho”, comenta Nogueira.

Luiz Fernando Cardoso com exemplar do livro "Antologia Conto Brasil" (Vol.3)

O miniconto vencedor da terceira edição do concurso foi “O último passeio noturno”, de Cássia Janeiro. O segundo lugar foi “Gatos”, de Valmir Barbosa. Entre os demais minicontos selecionados está “Arroz com fungos”, do jornalista radicado em Maringá Luiz Fernando Cardoso, ex-repórter de política de O Diário e editor do Café com Jornalista.

“O objetivo, em 2019, era começar a participar de concursos literários, inscrevendo crônicas e contos já publicados. Tive a felicidade de ter um dos meus textos selecionados para essa boa antologia. Aliás, li e gostei da maioria dos minicontos do livro”, comenta Cardoso.

Assessor de imprensa dos sindicatos Sismmar (servidores municipais) e do Sinttromar (motoristas), Cardoso é autor do livro “Sismmar: 30 Anos de Luta” e de três e-books (livros digitais) de crônicas publicados na Amazon: “Orfeu & Violeta”, “Quero Café!” e “Nas Curvas de Maringá”. Este último e-book inclui o miniconto “Arroz com Fungos”.

A “Antologia Conto Brasil” está à venda na Amazon e nos sites da Editora Trevo e da Revista Benfazeja ao preço R$ 42, incluído o frete para Maringá. A terceira edição também pode ser adquirida na diretamente com o autor, pelo valor de R$ 35 (sem frete), pelo telefone 44 98826-1221 (WhatsApp). 

Artigo: Devaneios extraordinários, vidas ordinárias

24/02/2020

Por Léo Rosa de Andrade*


Alguém, de verdade, se assume como um tipo ordinário? Como adjetivo, o Houaiss elenca: “conforme ao costume, à ordem normal; comum; sem brilho, sem destaque; medíocre; de pouca ou má qualidade; inferior; de fraco valor moral ou intelectual; mesquinho, reles”. Nada elogioso.

Quando devaneamos, fazemo-nos o herói dos acontecimentos. Melhor ser extraordinário. Houaiss: “que foge do usual ou do previsto; que não é ordinário; fora do comum; que se caracteriza por ser raro, excepcional, notável; que é digno de grande admiração; fabuloso, inacreditável”.

O genial Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (1821-1881): no romance Crime e Castigo, o personagem principal é Rodion Românovitch Raskólnikov. Muito inteligente, mas desafortunado, sempre atormentado por dificuldades financeiras e por desconforto social, abandonou os estudos.

Raskólnikov criou sua própria teoria: sustentava que as pessoas estavam divididas entre ordinárias e extraordinárias: as ordinárias seriam as obedientes às leis e passíveis de punição se as descumprissem; as extraordinárias, não seria declarado, mas elas poderiam violar leis e cometer delitos, desde que necessários a uma intenção final útil à humanidade.

Assinalando-se extraordinário, persuade-se de poder cometer um crime; aliás, de que devia cometer um crime. A velha usurária acumulava dinheiro meramente por ser avara; não lhe dava destino benéfico. Com tal recurso ele poderia estudar, fazer bem ao mundo. Tomou de um machado e buscou os meios de cumprir suas boas causas. Mata Alíona Ivánovna.

Rodion relativiza o valor da vida particular, fazendo-o menor do que o bem geral que promoveria. Não se sustenta, contudo, como extraordinário; não dá conta do seu ato. Ordinariamente debate-se em falta comum. Atormentado, quer expiação. Imaginação persecutória: suspeita que suspeitam dele, como se buscasse quem pudesse imputar-lhe culpa e condenação.

Não sendo identificado como o assassino da velha argentária, vai-se expondo. Publica em jornal uma quase confissão. Um policial argucioso passa e tê-lo como suspeito. Premido pela própria consciência, revela-se, enfim, à prostituta Sófia Siemionovna Marmiéladova e segue aliviado seu conselho tão ordinário: entregar-se à autoridade policial e admitir o crime.

Dostoiévski dá a Raskólnikov um fim (moral) medíocre: a presunção que aceita uns poucos extraordinários vivendo sem ser percebidos entre a multidão ordinária é abandonada e resta ao principal personagem de Crime e Castigo, no exílio, refugiar-se numa vida religiosa típica, ao lado da mulher que o convenceu a submeter-se às leis que desprezara.

Há quem veja no romance grandeza existencialista: significação da vida, escolhas. Repudiar a própria teoria e eleger a via espiritual seria uma opção consciente. Tenho dúvidas. Vejo crime, culpa e busca de castigo.

Os valores circulantes introjetados enquadram Raskólnikov. Ele não escolheu, na medida em que, apenas, cumpriu o que lhe ditava a condenação advinda do seu próprio código moral, que, ademais, era o comum.

Dostoiévski extremou a humanidade: entre o ordinário e o extraordinário, um latrocínio. Matar uma senhora a machadadas para tomar-lhe o dinheiro é crime forte, ainda que se pretendam bons fins justificando maus meios.

Desejo medir-me comum ou incomum mais ao raso da coisa: sou um sujeito banal, cumprindo os vulgares costumes cotidianos, ou se me excepciono e vivo o tanto necessário à margem, para bem gozar meus prazeres?

Moral, adjetivo, Houaiss: “que denota bons costumes segundo os preceitos estabelecidos”. Lá do princípio, ordinário: “conforme ao costume, à ordem normal”; extraordinário: “que foge do usual ou do previsto”.

Obstupefato, dessumo: um sujeito preocupado com moral e costumes, referencial de gente comum, cumpre uma vida ordinária; já os desconformados ao padrão estabelecido paragonam o existir extraordinário. A pensar.

Anaïs Nin (1903-1977) instiga: “Nego-me a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária. A estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Adapto-me a mim mesma”.


* Psicanalista e jornalista, Léo Rosa de Andrade é doutor em Direito pela UFSC.



domingo, 23 de fevereiro de 2020

Carnaval deve movimentar R$ 8 bi na economia

23/02/2020

Da Agência Brasil

Um dos principais feriados prolongados do ano deve representar uma injeção de recursos na economia. Com pelo menos 36 milhões de brasileiros aproveitando a festa, o Carnaval deve movimentar R$ 8 bilhões neste ano.

Foto: Agência Brasil
Responsável pela estimativa de faturamento, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) calcula que, em termos de receita, esse será o melhor Carnaval desde 2015. A entidade estima a contratação de 25,4 mil trabalhadores temporários em todo o país, alta de 2,8% em relação ao Carnaval do ano passado.

Embora boa parte do comércio feche no feriado, os efeitos serão compensados pelo turismo. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), a ocupação média ultrapassará 60% em todo o país, mas diversos destinos terão lotação praticamente cheia. O índice de reservas confirmadas chega a 95% em Pernambuco e em Salvador (com picos de 100% na capital baiana); 90% no Rio Grande do Norte e no Rio de Janeiro; 80% no Ceará, em Alagoas e na Paraíba; e 80% em Minas Gerais.

Quem prefere distância da folia também movimenta a economia no Carnaval. Segundo pesquisa do portal Booking.com, especializado em reservas de hospedagem online, mais brasileiros vão aproveitar o feriado para relaxar do que para festejar. De acordo com a plataforma, 49% dos brasileiros pretendem viajar durante o Carnaval neste ano. Desse total, 23% vão cair na folia e 26% pretendem descansar.

Os números da Abih confirmam a preferência pela tranquilidade. No Sul, a taxa de ocupação deve chegar a 75% em Florianópolis (85% nos hotéis da região de praias) e a 85% em Foz do Iguaçu (PR) e no litoral paranaense. Destino turístico tradicional em todas as épocas do ano, a Serra Gaúcha também registrará movimentação alta no carnaval. Na Região das Hortênsias, que abrange Gramado e Canela, a ocupação deve chegar aos 100%. Na Região dos Vinhedos, em Bento Gonçalves e arredores, a taxa esperada está em 70%.

Café com Jornalista – Cafeinado – Arquivo 2020


Junho


Abril

Dia 30 (quinta)Brasil passa de 42 para 435 mortes/dia por covid-19 em um mês
Dia 29 (quarta)Isolamento cai e país tem mais 449 mortes por covid-19... e daí?
Dia 28 (terça)Brasil bate recorde de mortes em 24h e supera China em óbitos
Dia 27 (segunda)Governantes mulheres dão aula no combate à covid-19
Dia 25 (sábado)Sergio Moro corre risco e precisa ter sua segurança garantida
Dia 24 (sexta)Acusações de Moro podem realizar profecia do haitiano
Dia 23 (quinta)Afinal, Sérgio Moro pediu ou não demissão?
Dia 22 (quarta)Colapso na saúde e valas coletivas: situação de Manaus assusta
Dia 21 (terça)Casos do novo coronavírus no mundo passam de 2,5 milhões
Dia 20 (segunda)Prestes a caducar, MP da carteira verde e amarela é revogada
Dia 18 (sábado)Decretos e liminares reduzem o isolamento social em Maringá
Dia 17 (sexta)Mundo tem mais de 50 mil mortes pela covid-19 em sete dias
Dia 16 (quinta)Compensação de perdas do ICMS e ISS a Estados e municípios
Dia 15 (quarta)Wanderson é a maior baixa em 15 meses do governo Bolsonaro
Dia 14 (terça)Lockdown livra Alemanha do pior na pandemia do coronavírus
Dia 13 (segunda)Os 'Tomés' na pandemia do novo coronavírus
Dia 11 (sábado)Covid-19 matou mais que H1N1, sarampo e dengue juntos
Dia 10 (sexta)Sexta-feira Santa com mais de 100 mil mortes pela covid-19
Dia 9 (quinta)Paraná tem maior número de mortes por covid-19 em 24h
Dia 8 (quarta)Maringá vai reabrir indústrias em meio à pandemia. Precipitado?
Dia 7 (terça)O burro, o inteligente e o sábio na pandemia da covid-19
Dia 6 (segunda)Osmar Terra já é ministro da Saúde na Austrália
Dia 4 (sábado)O que se sabe da cloroquina no tratamento da covid-19
Dia 3 (sexta)Brasil tem 359 mortes pela covid-19, mas a situação é bem pior
Dia 2 (quinta)Falta rigor na punição de pessoas que compartilham fake news
Dia 1º (quarta)Padarias e açougues voltam às atividades em Maringá

Março

Dia 31 (terça)Entrevista do Roda Viva (TV Cultura) com Atila Iamarino
Dia 30 (segunda)A ficha de Bolsonaro para a Covid-19 precisa cair
Dia 28 (sábado)Conheça sete sites para verificar se a informação é fato ou fake
Dia 27 (sexta)Terraplanistas da carreata não percebem a gravidade da pandemia
Dia 26 (quinta)Passou da hora de cobrar o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF)
Dia 25 (quarta)Parlamentares propõem cortes nos salários dos servidores públicos
Dia 24 (terça)Vereadores pedem que prefeito permita que açougues e padarias
Dia 23 (segunda)Alô governador, praça de pedágio não é essencial e deve parar
Dia 21 (sábado)Adiamento das Eleições 2020 é cogitada no Congresso
Dia 20 (sexta)Quem espalha fake news sobre o coronavírus deve ser preso
Dia 19 (quinta)Maringá precisava dar o exemplo no combate ao coronavírus; e deu
Dia 18 (quarta)Não se combate a pandemia de coronavírus com espírito de porco
Dia 17 (terça)Janaína e Reale questionam permanência de Bolsonaro na presidência
Dia 16 (segunda)Irresponsável, Bolsonaro desautoriza ministro e sai do isolamento
Dia 14 (sábado)Dois anos depois, quem mandou matar Marielle?
Dia 13 (sexta)A pandemia de coronavírus e o alarme da imprensa
Dia 12 (quinta)Ao custo de R$ 2,3 mi, avançam as obras na praça do Teatro Reviver
Dia 11 (quarta)Sim ao jornalismo sério na cobertura da política local, não à censura
Dia 10 (terça)Número de empregos na Páscoa cai 22% e dólar chega a R$ 4,726
Dia 09 (segunda)Mariucci será o candidato do PT a prefeito de Maringá
Dia 07 (sábado)Ratinho Junior escala um peso pesado para a Comunicação do Estado
Dia 06 (sexta)Drauzio Varella para presidente da República
Dia 05 (quinta)Bolsonaro usa humorista para se esquivar de perguntas sobre PIBinho
Dia 04 (quarta)Câmara aprova compartilhamento de bikes e patinetes
Dia 03 (terça)Maringaenses com suspeita de coronavírus estiveram na Itália
Dia 02 (segunda)Combate à dengue precisa de mais multas
Dia 01 (domingo)Weintraub, o maior estorvo do governo Bolsonaro

Fevereiro

Dia 29 (sábado)A inauguração do Terminal e sua 'paternidade'
Dia 28 (sexta)Servidores definem pauta de reivindicações com 14,11% de reajuste
Dia 27 (quinta)Projeto sobre legalização da eutanásia repercute na Câmara de Maringá
Dia 26 (quarta)Cafeinado: Coronavírus já causa medo nos brasileiros. Mas, e a dengue?





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